Todas as manhãs, assim que acordo e tenho uns minutos, pego no telemóvel envio os bons dias a uns amigos via uotessape e passo os olhos pelas novidades matinais, disponibilizadas por algumas plataformas.
Mas ninguém, ninguém mesmo estará a espera de ler logo pela manhã que num acidente de viação morreram quatro jovens. Depois a notícia é actualizada para cinco vítimas e algum tempo depois vem o pior número: 6 jovens que haviam morrido carbonizados numa viatura... que deveria levar apenas 5 pessoas.
Não sei pormenores do acidente, apenas que o carro se terá despistado e batido num pilar e finalmente incendiado. Às quatro da madrugada...
Neste momento nem imagino como estarão os pais desses jovens, como se sentirão, como irão engolir este profundíssimo trauma.
Dito isto... Já por diversas vezes venho dizendo que o maior problema da juventude é pensarem que são eternos e que são indestrutíveis façam o que fizerem. Também eu já assim pensei, apenas não me aconteceu nada pior... por mera sorte!
Às quatro da manhã estavam os pais, provavelmente, deitados nas suas camas enquando longe ou perto os seus filhos eram horrivelmente devorados pelas chamas. Um pesadelo ininmaginável. Uma dor que permanecerá para sempre.
Depois... como é que aqueles jovens não perceberam que seis passageiros é gente a mais numa viatura. AInda por cima se eram três rapazes e três raparigas bastaria um casal ir de táxi. Caneco... têm estes jovens tanto dinheiro para tanta coisa e não têm graveto para uma simples corrida de táxi?
Como pai e avô arrepio-me ao ler estas notícias. E sinceramente, muito sinceramente nem sei o que me apetece dizer.
Muitas vezes fala-se em votos de confiança aos jovens, noutros em responsabilidade, mas do que aqui fica ressalta uma ideia: a incapacidade de muitos pais em imporem algumas regras aos seus filhos.
Não é por terem 18, 19 ou 20 anos que já são gente crescida. Não são...E é preciso ensiná-los!
Nem eu com 66 anos sei e controlo tudo e todos os dias aprendo!
Tenho por Lucky Luke uma estima e uma enorme memória.
Viviam-se os conturbados e radicais anos sessenta. Os The Beatles, na música, eram o expoente máximo desse radicalismo que culminaria no celebérrimo Woodstock. E na política seria Maio de 68 que colocaria Paris nas bocas do Mundo.
Por este lado foi por essa altura que recebi o meu primeiro livro de verdadeira banda desenhada. O álbum chama-se “Fora-da-Lei” e foi editado pela Editorial Ibis, já desaparecida. O herói desta aventura chamava-se Lucky Luke e reconheço com humildade que reli esse livro centenas de vezes.
Lucky Luke foi assim o meu primeiro herói de BD. Muito mais tarde viria Astérix e Tintin. Para terem decorridos um ror de anos para conhecer e apreciar Corto Maltese, Red Dust, ou Gaston Lagaffe.
Com capacidade financeira oriunda do meu trabalho consegui lentamente comprar algumas das aventuras de muitos heróis, desde os acima referidos, como muitos outros. Porém o cowboy que disparava mais rápido que a sombra teve sempre lugar de primazia nas minhas escolhas.
Vi Luke perder o cigarro e substituí-lo pela palhinha, como o vi perder o amigo Goscinny e muito mais tarde o pai Morris. Mas ainda assim as aventuras continuaram, sem o fulgor de outrora, mas ainda com alguma graça.
Até que alguém se lembrou de aos 75 anos de “Arizona 1880” (a primeira aventura de Lucky Luke) solicitar a outros desenhadores que falassem do cowboy solitário, através dos seus lápis.
Pelo que sei saíram sete aventuras sendo esta última, que curiosamente recupera o formato do primeiro título alterando apenas o estado de Arizona para Dakota, bem esgalhada.
Esta é, por assim dizer, a prequela da origem do herói americano, resumida em sete estórias recuperando, mais uma vez, outro título antigo.
Gostei deste álbum de pequenas crónicas gráficas. Bons desenhos, boas estórias, fantásticas personagens e aquele final com muita explicação que acaba por conduzir a um outro patamar o nosso herói.
Lucky Luke surge aqui jovem e sem um dos epítetos por que é conhecido, mas lá dentro percebe-se o porquê. O desenho não varia para aquela figura bem nossa conhecida, mas carrega um certo peso que lhe dá quase autenticidade.
Finalmente um bom livro começa com um bom texto e a entrada deste não poderia ser melhor obrigando-nos a buscar sempre mais.
Ler tudo tornou-se muito fácil e no fim ficou aquele gosto amargo: já acabou?
Quem passa por este espaço sabe que sou do Sporting Clube de Portugal e gosto muito de ir ao futebol. Ora hoje foi um desses dias de..."bola"!
Mas ao invés de outras vezes desta vez fui sozinho. Levei o carro até ao local onde o costumo deixar e após um pedaço a fazer tempo (o frio de fim de tarde também não ajudou a sair mais cedo do conforto da viatura!!!) pus-me a caminho.
Sentei-me no meu costumado e reservado lugar e senti-me quase despido por ter ninguém ao meu lado! Ninguém dos que comigo costumam a ir ao estádio (o meu filho mais velho, o meu sobrinho e um amigo deste), apareceram. Mas também já sabia que iria ser assim, porque nenhum deles havia comprado a entrada para todos os jogos.
Mas repito senti falta dessas companhias. Podemos não ter as mesmas ideias para o nosso clube ou sobre as diferentes equipas, todavia ir à bola sozinho é algo que quero evitar a todo o custo, Senti-me despido, nu, desamparado.
E o resultado até foi muito bom. mas ir "à bola" sem a minha malta, não tem gracinha nenhuma.
Após um Estio bravo e inclemente, já tinha saudades do frio e do calor sempre saboroso de uma lareira crepitante.
Este fim de tarde proporcionou a abertura oficial do "Outono de lareira".
Sinceramente já estava com algum receio... Depois de um mês de Outubro muito quente a relembrar o fatídico ano de 2017, temi que o Verão outonal se alastrasse a este mês.
Recentemente veio uma Cláudia que não foi nada Cardinale e tem esbracejado com violência aspergindo o país com uma água nem benta nem bendita tendo em conta vítimas e estragos.
Tudo isto para dizer que a lareira já deu um ar da sua graça.
Por vezes tento recordar porque comecei a escrever! Sinceramente já não porque o fiz ou se calhar era a minha cabeça virada já para escrita.... Sei lá... Já passou tanto tempo!
Só que raramente usei a escrita como panaceia de alguma crise existencial. Todavia creio que para muita gente escrever sirva, e com óptimos resultados, para resolver alguns conflitos internos.
Hoje a mimnha escrita, seja ela qual for, tornou-se um vício. Mesmo quando olimpicamente não me aptece escrever tenho de esgalhar duas ou três linhas. Apenas como disciplina pessoal!
Reli há dias uns dos primeiros textos que escrevi. Deu para notar, e de forma muuuuuuito evidente, a diferença da minha escrita de há meio século para agora.
Só que ao invés de muitos que provavelmente deitariam tudo no caixote do lixo, eu guardo tudo com a saudade inerente à época, aos sentimentos que exibia e acima de tudo à ingenuidade demonstrada.
Reconheço que sempre fui um tanto "naïf" no que escrevo, se bem que a palavra de origem francesa seja mais usada nas artes plásticas. Porém no meu caso aplica-se na perfeição.
No fundo, no fundo a minha escrita reflecte o que sou e espero assim ser até ao final dos meus dias.
Isto é, com tantos assuntos sobre os quais poderia escrever: a nossa má saúde, os testes nucleares, as bravatas comerciais, os diferentes e longos conflitos bélicos, a intempérie que atacou Portugal e hoje não me apetece opinar sobre nada!
Na verdade sinto-me ainda cansado de quase três ssemans em campanhas oleícolas.
E hoje ao invés dos outros dias aptece-me ir dormir.
Durante estes longos dias em aldeias lusas, onde de forma corajosa tentei depenar as oliveiras dos seus frutos, tive outrossim a oportunidade de fotografar alguns nascimentos do Sol e também alguns ocasos.
Umas fotos são curiosas, outras nem tanto mas ainda assim merecem referência.
Provavelmente com a minha máquina fotográfica as fotografias ficariam melhores, mas há que ter em conta a oportunidade.
Sem priorizar nascimentos ou ocasos do astro-rei, seguem infra algumas fotos das quais gosto bastante. Andar à azeitona dá-nos esta belíssima oportunidade de vermos e sentirmos um novo dia a acordar! Assim como a deitar-se...
Não estou a falar de política, não! Tão somente de gente simples, que no café debatem com energia e, quiçá, algum fundamentalismo, as suas ideias.
Desta vez o tema que estava a ser debatido versava sobre os lagares de azeite e na suas capacidades para enganarem os clientes. Entrei na conversa e tentei chamá-los à razão pois pareceu-me que o debate estava repleto de equívocos.
- Se eu mandasse neste país estavam todos na prisão. É vê-los a roubar por tudo quanto é lado - assume um.
Esta ideia de que anda meio mundo a enganar outro meio é antiga, quase ancestral, mas não cria raízes no meu espírito.Todavia se num minuto estamos a discutir médias oleícolas logo a seguir salta-se para o futebol e daqui para a freguesia.
Tudo feito com demasiado alarido sem que alguém consiga provar o quer quer seja das suas desconfianças. O que interessa é que a voz se sobreponha ao do outro.
Verdadeiros debates, mas tal como os dos políticos sem qualquer nexo...
Conheci mal o meu avô paterno já que só tinha 12 anos quando ele (ou Alguém por ele) decidiu levá-lo para o lado da Eternidade.
Deixou cá os seus filhos, sete vivos ao todo, e dos quais ainda sobram cinco, sendo o meu pai um destes...
Com o tempo fui descobrindo momentos da sua atribulada vida. Uns mais fantásticos que outros, mas em todos eles encontrei diferentes e recomendáveis lições, traduzidas em frases que perduraram pelo tempo e pela família.
De todas ou quase todas as que ouvi reservei para mim como base de vida apenas três. Podem ser poucas, mas reconheço nelas verdadeiros pilares, não só para sermos felizes, mas também para vivermos em paz.
A primeira diz o seguinte:
- Dinheiro e santidade é metade da metade!
Realmente num tempo em que muitos assentam as suas vidas no faz-de-conta, esta máxima contem todo esse triste sentido de ser o que não se é. Não estaremos a mentir aos outros, mas a nós mesmo!
A segunda adapta-se que nem uma luva aos dias de hoje e diz o seguinte:
- Dinheiro no bolso não consente misérias!
Por aquilo que retiro da frase já naquele tempo havia quem vivesse muito acima das suas possibilidades. Nem que fosse à custa dos outros.
Finalmente a terceira frase deveria ser adoptada por muitos políticos e figuras de proa, evitando com isso muitos trabalhos e demais sarilhos. A frase é lapidar e nem necessita que eu acrescente alguma explicação. Diz então:
- Mais vale o que fica por dizer, que aquilo que se diz!
Três frases, máximas o que lhes queiram chamar. Expressões que todos deveríamos ler, nem que fosse uma vez por semana. Talvez vivessemos bem melhor.
Hoje, por uma série de condicionantes familiares e logísticas acabei por levar a minha neta à natação, acção para a qual estou apenas convocado para fazer à terça-feira. Assim, e sendo eu o condutor de UBER especializado, levei também o "piqueno" de ano e meio de idade mais conhecido cá em casa pelo "caipira".
Traquina e curioso como qualquer criança da idade dele, coube-me ficar a tomar conta enquanto a avó se dedicava a ajudar a vestir a irmã. O miúdo já anda sozinho e em locais desconhecidos prefere ousar. Deixei-o no chão e ele andou ali para trás e para a frente para depois seguir os caminho da rua naquele seu passo de "saca-trapos"..
A tarde estava amena e na entrada das instalações da piscina há uma série de cadeiras e algumas mesas. Peguei então no cachopito e coloquei-o em cima da mesa e ali estivemos em brincadeiras que obviamente só ele conhece, tendo em conta o tempo que está comigo.
Aquilo foram minutos de muitos afectos, dele e meus, com festas, abraços, muita risota e mais não sei quantas coisas que nos ligam. O estranho foi num momento perceber duas senhoras que ocupavam as cadeiras da rua para fumarem (este tema nem vale a pena falar!!!) e nos olhavam. Percebi pelaa postura de ambas que comentavam esta nossa demonstração pública de carinhos e afectos. Um avô e um neto em verdadeira alegria de viver.
E é aqui que entro directamente no tema de hoje... os afectos!
Sempre fui de afectos e carinhos, traduzidos estes em amplexos e ósculos ou outra qualquer forma de demonstração daqueles, seja de forma privada ou pública. Nunca tive qualquer problema nisso. Imaginem então o que passei, no tempo da pandemia... com uma neta acabada de nascer e eu sem a poder abraçar ou beijar.
Ora bem... cada um tem a sua maneira muito própria de mostrar o carinho que tem para dar. Uns são mais reservados, outros mais expressivos (como será o meu caso!) e há aquelas pessoas que nem sim nem não, antes pelo contrário. Mas o que convém realçar é que ninguém deveria ter receio ou vergonha de mostrar aos outros os afectos que tem para oferecer.
Por este lado nunca tive qualquer problema de publicamente cumprimentar um amigo com afectividade humana. Parece-me um acto normal entre dois seres humanos. Sejam homens ou mulheres... não interessa!
Para não me alongar mais remato com a ideia de que os afectos não servem somente a quem os tem, mas outrossim a quem os recebe!