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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Quando se perde o sorriso!

Como já referi num postal anterior tenho vindo a lidar diariamente com alguém muito próximo e que perdeu o tino da sua vida. Não porque culpa própria obviamente, mas acima de tudo pela avançada idade.

Os anos vividos trazem-nos muita sabedoria, conhecimento, mas também alguns desvios a comportamentos ditos normais. Faz parte!

Não imagino o que dirão estudos médicos sobre este assunto, mas a senilidade é de uma tristeza atroz. Especialmente para quem lida com ela diariamente!

Todos os dias vou assistindo a um definhar lento mas pesaroso da matriarca lá de casa. Já não sabe a que dia estamos ou como se chamam os netos que ajudou a criar. Deixou de saber os nomes de objectos vulgares como um simples garfo ou um mero copo. E dificilmente sabe onde estão os talheres. Chega ao ponto de abrir todos os armários da cozinha á procura de... não sabe dizer!

Quando fala o seu discurso é claramente errático, muitas vezes sem qualquer lógica sendo necessário um tradutor ou um esquema de tentativa e erro para se perceber o que pretende.

Nem mesmo os bisnetos pequenos que a visitam ou a gata sempre brincalhona dão cor e luz à sua vida.

Concluo que no fundo, no fundo a maior tristeza destas vidas de silêncio e angústia é perder-se... o sorriso! Deixar de saber sorrir parece-me assaz triste e penoso. Especialmente para os que a rodeiam.

O sorriso... o primeiro gesto de uma criança.

Call center: os males da fita!

Quem lida directamente com o público tem que ter um estômago daqueles... No mesmo sentido quem liga para um "call-center" tem de ter uma paciência de Jó!

Desta vez aconteceu aqui em casa. Não é que eu seja um telespectador de telev isão assíduo, mas há mais gente por cá e portanto a televisão, não sendo uma necessidade, faz parte do serão.

Mas esta noita a coisa correu menos bem pois a caixa da operadora entrou numa espécie de Cuidados Intensivos: apresentava uma febre altíssima, mas não dava sinal de vida. Dito de outra maneira a caixa estava muito quente na sua base mas não dava qualquer sinal de estar ligada.

Ora bem... toca de ligar para os serviços técnicos e após vários números "... está junto à box, marque 1, não está marque 2..." e assim por diante. Finalmente atendem-me e eis que uma voz feminina com evidente sotaque brasileiro surge na linha.

Os primeiros passos entedemo-nos razoavelmente bem até porque falei devagar, mas quando iniciei a explicar o problema eis que oiço:

- "Oi..."

Toda a gente sabe que esta expressão dito por alguém oriundo do país irmão significa que este não percebeu o que dissemos.

Portanto passei, ao telefone, a ter dois problemas: o que me levara a ligar e a forma como deveria explicar à senhora de maneira a que me entendesse.

- "A boxi está conectada na tomada?"

- Menina eu já lhe expliquei anteriormente que já retirei o cabo e desliguei-a da corrente electrica. E voltei a ligá-la.

- "Oi..."

Decididamente a coisa estava a correr mal... Das duas uma: ou exibia da tal paciência de Jó ou arranjava uma desculpa idiota e desligava a chamada voltando a tentar. Podia ser que desta vez tivesse sorte e não apanhasse uma brasileira para testar a minha paciência. Optei pela segunda hipótese.

Repeti a operação de ligar, carraguei em 1 e 2, até que fiquei a aguardar.

- Boa noitchi... em que posso ajudar você?

 

Nota final:

Em abono da verdade a segunda operadora, não obstante ser também brasileira, foi muito mais assertiva e competente que a primeira.

Eu lisboeta me confesso!

Nem sei como dizer...

A verdade é que nasci em Lisboa há séculos e nunca, nunca fui a uma festa lisboeta dos Santos Populares. Pode parecer impossível, mas é a pura das verdades.

Quando era novo não vinha do lado de Almada, onde morava, para Lisboa já que na cidade de Frei Luís de Sousa também havia festividades. Não é o Santo Padroeiro da capital mas é o S. João.

Depois de casado também nunca encontrei o chamamento para me embrenhar em ruas e ruelas apinhadas de gente, na maioria alccolizados, onde uma sardinha custa os olhos da cara e onde me arriscaria a sair sem carteira.

Por tudo isto e provavelmente muitas outras coisas que não sei identificar é que se passou mais um Santo António e eu em casa.

Pode ser que para o ano...

 

Um pedido de desculpas...

... à Sarin!

É que eu prometi-lhe escrever um texto em jeito de resposta a este postal, mas realmente nestes últimos três dias foi-me totalmente impossível.

Deste modo e como não gosto de prometer e depois não cumprir (eis umas das razões porque nuuuuuuuuunca serei político) aqui estou a dar a cara (leia-se escrita) e apresentar as minhas sinceras desculpas.

O texto está mais ou menos alinhavado... falta a transpiração!

Brevemente verá a luz do dia...

A gente lê-se por aí!

E tu para onde olhas?

Tive um amigo, entretanto falecido, que me dizia que quando ia a um hospital olhava, mas não via. Esta espécie de paradoxo faz sentido essencialmente se formos sensíveis às misérias que muitas vezes nos rodeiam .

Esta tarde, numa eucaristia a que assisti, o padre na sua homília colocou a questão mas noutra perspectiva: para onde olhamos verdadeiramente?

A realidade dos dias de hoje mostra-nos uma panóplia de artefactos que nos desviam quantas vezes a atenção do que é essencial para nos focarmos nos momentos supérfluos.

Cabe então a cada um de nós parar um pouco, pegar nos nossos pensamentos mais profundos e tentar descobrir qual o sentido da nossa atenção.

A política, as redes sociais, aquela série imbatível, um jogo fantástico ou uma mera telenovela de faca e alguidar, podem ser razões mais ou menos absurdas que desviam os nossos olhos e o verdadeiro foco da vida.

Cruzamo-nos muitas vezes na rua com tanta gente que com os olhos pregados nos telemóveis nem reparam nos outros. Como se à volta deles tudo fosse um autêntico vazio.

É tempo de parar! De olharmos ao redor de nós mesmos. De escolhermos entre a realidade, crua e dura, ou um romance de cordel sem qualquer fundo de verdade.

A questão, insisto, não sou eu que a proponho. Somos todos nós que a devemos formular ao nosso espírito. E seria bom que respondêssemos abertamente e com sinceridade.

Repito: e tu para onde olhas?

Viver os dias!

Já por aqui fui escrevendo que a vida é algo que deve ser vivida com serenidade. Ao invés a nossa sociedade quase nos obriga a viver os dias, as semanas, os meses a uma velocidade para a qual não estamos de todo preparados.

Aprendi à minha custa que tudo na vida tem uma razão de ser e o momento próprio para aparecer nos nossos dias. E não vale a pena tentarmos apressar as coisas pois elas surgirão quando menos calculamos.

Por exemplo: nunca fui grande estudante. Fiz a ferros os mínimos escolares e depressa entrei no mercado de trabalho. Muitos acharam na altura que deitara oportunidades fora, ao não aproveitar estudar. Mas até hoje sinto que o caminho que escolhi foi quiçá o melhor.

Agora que estou de saída tenho (quase) a certeza disso.

Quanto a estudar… creio que ainda vou a tempo de regressar aos bancos da escola e optar por tirar um curso superior. Mas mais uma vez deixo no ar a fortuna dos meus dias futuros a quem puder decidir. Há quem chame Destino, Divina Providência, Deus ou somente sorte…

Não corro atrás de nada nem à frente de ninguém! Não merece a pena…

Um dia depois do outro. Vivo!

Haverá coisa melhor?

Páscoa... dos pobres

Enquanto alguns portugueses andam em trânsito pelas estradas lusas, este que se assina ficou desta vez por casa.

As melhores amêndoas que recebi hoje foi efectivamente levantar-me mais tarde que os outros dias. As oito já haviam tocado no relógio da sala.

Depois... foi trabalhar até à hora do almoço. Este realizou-se em casa do meu filho com uma dúzia de pessoas à volta da mesa e um cabrito que estava estupendo. Pena tenho eu de estar em regime hipocalórico...

Após o almoço regressei a casa para mais uns trabalhos, desta vez envolvendo cimento e apetrechos...

Para Domingo de Páscoa até foi bom... Pelo menos não choveu e o dia esteve espectacular.

Mas com tudo isto nem tempo tive para ir à missa neste dia que é o mais importante para a fé católica. Sinto que me falta qualquer coisa...

Mas amanhã, se tudo correr como imagino, ao meio dia lá estarei na igreja do costume para escutar a escaristia.

Esta foi a celebração possível da Páscoa de um pobre de Cristo!

Sexta-feira de Paixão!

Iniciou-se hoje o fim de semana pascal. Um dia em que evito comer carne. 

Todavia náo o faço porque a minha igreja ordena, mas unicamente como uma atitude simbólica interior, numa época em que ninguém gosta de se privar seja do que for.

Passamos o ano a correr e a fugir que nem damos conta que somos apenas pessoas. Depois surjem estes dias para através da fé e da crença pura podermos serenamente procurar a paz interior.

Sou um homem que tem na fé católica a sua (boa) referência. toda a gente o sabe. É por isso que procuro nestes dias da Paixão de Cristo um renovado sentido para a minha vida.

Santa Páscoa para os meus amigos leitores e comentadores.

A gente lê-se por aí!

Eu e as gravatas!

Uma das peças da indumentaria masculina mais odiada é sem dúvida a gravata. Símbolo muitas vezes errado está quase sempre associada a executivos, advogados ou empresários, esquecendo-se que em muitas actividades o uso da gravata aparece (quase) como uma obrigação.

Muitos políticos associados a partidos de esquerda raramente usam gravata. Como se o uso deste acessório fosse assim uma espécie de ofensa aos velhos compêndios políticos escritos pelos ideólogos do século passado.

Pois bem eu gosto de gravatas. Exemplo disso é que tenho dezenas delas. De diversas cores, tons e padrões tenho gravatas para todas as ocasiões. Tenho até uma que dá música de Natal, calcule-se!

Hoje andei de volta delas a arrumá-las, a perceber quão sujas estavam ou simplesmente a descobrir quantas já estão a cair em desuso ou demasiado surradas para voltarem a servir.

O curioso é que contei quantas peças tenho e descobri que são tantas quanto a minha idade.

Não acredito mesmo em coincidências. Nem que sejam em simples gravatas...

 

Desejo versus realidade

Normalmente tenho mais receio da vida que da morte. Sei que esta é certa e que a partir dela não tenho mais nada com que me preocupar. Ufa ainda bem!

Por isso a vida surge-me com alguns temores e muitas dúvidas. Entre muitas a maior delas é perceber como chegarei (se lá chegar!) à verdadeira velhice.

Se fisicamente seremos quase sempre reféns dos excessos que agora vamos cometendo o que conta para mim é ter real consciência do meu estado e das minhas limitações.

Sei que há muita gente que não lida bem com a idade nem com as normais fragilidades que os anos trazem. Nem tem a ver com a educação, formação ou outro palavrão qualquer... mas unicamente com o imo de cada um de nós.

No meu caso temo que chegando à altura da velhice tenha falhas de memória, incapacidades de raciocínio e, pior que tudo, que perda o dom de falar com lógica.

Convivo diariamente com alguém com quem já não se consegue ter uma conversa normal. As palavras soletradas têm significados diferentes e é necessário quase um tradutor. Não há discernimento lógico nem verbalização do que se pretende.

Numa palavra tudo isto corresponde a... senilidade.

Não considero que seja propriamente uma doença mas o resultado do envelhecimento de uma pessoa.

De forma a poder evitar este tipo de demência assumo de forma realista e coerente que preferiria viver menos uma boa dezena de anos a ter que ficar profundamente senil!

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