A semana passada fiz anos, mas por motivos de agenda só ontem se conseguiu juntar a família para o almoço comemorativo.
Éramos 11 à mesa já que o mais recente membro da família ainda não tem idade para tal.
Com o tempo conquistará também o seu lugar à mesa.
O repasto foi um cozido à Portuguesa com muitas couves, batatas, nabos, cenouras e, claro está, com muitas carnes, essencialmente enchidos oriundos da Beira Baixa.
O almoço decorreu de forma animada e a mais pequenina não deu qualquer trabalho que exigisse a presença dos pais.
Mas seria no fim do almoço que me caberia o melhor momento e a melhor prenda...
Foi-me colocada nos braços, pela primeira vez desde que nasceu, a minha neta.
Já nem me lembrava como se pegava num bebé!
Foi uma sensação estranha... esta de ter novamente uma criança nos braços passados mais de trinta anos. Ainda por cima filha do meu infante mais velho!
Mas saiu impecável dos meus braços sendo uma experiência a repetir.
Hoje recebi a visita de um amigo. Conhecemo-nos há mais de 40 anos, mas não obstante alguma diferença de idades (ele é mais velho do que eu 10 anos!!!), construímos uma boa e forte amizade.
Já estava a sair e a meter-se no carro quando me deseja:
- Tente ser feliz...
Devolvi:
- Mas eu sou feliz.
- É raro - responde.
- O que é raro?
- As pessoas assumirem que são felizes. Geralmente nunca o são.
- Mas eu sou, genuinamente.
Já não entrou no carro. Ficou ali a olhar para mim e a tentar entender como pude dizer aquilo. Percebi no seu olhar uma certa incerteza. Por fim conclui:
- Ainda bem...
Entrou no carro e partiu!
Certamente que a felicidade não é um estado de espírito que se compra numa qualquer farmácia e muito menos num supermercado, se bem que muita gente ache que por detrás de uma garrafa de alcool ou de uma qualquer droga encontrará o tal estado supremo. É um engano e não me canso de o afirmar.
Não tenho uma vara de condão para ficar feliz de um momento para o outro, como se tudo dependesse de um mero interruptor. Porque o ser feliz é, acima de tudo, uma construção que se faz interiormente. Como quando se constrói uma casa... inicia-se por baixo.
Reconheço que nem sempre fui assim, pois também tive os meus momentos menos simpáticos. Mas foi a própria vida que paulatinamente me foi ensinando o caminho ou no limite me mostrou as opções.
Poderia perfeitamente assumir um estado depressivo, angustiado (provavelmente teria muitos razões para isso), mas ao invés de me enfiar num pântano de tristeza tive a audácia de me agarrar aos poucos momentos bons e com eles fui construindo uma fortaleza interior que me defenderia mais tarde de algumas agruras.
Por isso hoje cheguei a este ponto da minha vida ciente de que muita da nossa felicidade está dentro de nós... Basta para isso encontrá-la.
Já passam das oito e meia da noite e desde as sete da manhã que não páro. Consegui agora fugir um pouco às azáfamas domésticas para vir aqui escrever este postal.
Diria que foi peciso chegar a esta idade para perceber o meu próprio e real valor. Receio, como já referi anteriormente, que um dia possa defraudar todos os meus amigos com alguma atitude menos feliz. Entretanto até lá... confiemos! Certo?
Hoje faço 61 anos e durante todo o dia o meu correio electrónico, o feicebuque, os sms, o telemóvel e essencialmente os meus blogues e afins não pararam de me bombardear (no melhor sentido da palavra!!!) com felicitações de aniversário.
Não tive prendas físicas. Mas recebi tanto carinho, tanta amizade, tanta ternura, tantas palavras bonitas que acabo o dia de coração repleto de uma alegria imensa. Só sentido... vocês nem imaginam!
Vejam lá que até a minha novel neta me brindou com uma chamada em directo via telemóvel onde a vi a mamar no seu biberon... Uma doçura.
Quero então, de uma forma sincera e frontal, como só assim sei viver, agradecer a todos, sem qualquer excepção, a forma tão carinhosa como me trataram neste meu dia.
Este foi uma jornada que, certamente, jamais esquecerei.
Há mais de quarenta anos escrevi uma breve e pobre crónica sobre um dia de futebol na cidade.
Um texto que hoje provavelmente não escreveria. Acima de tudo porque naquela altura disse no dealbar da crónica "... Uma correria louca, de muitas dezenas de homens de todas as idades e poucas mulheres..."
Hoje regressei ao futebol após algumas semanas de ausência. Saí por isso mais cedo do trabalho, fui buscar a minha mulher, dirigi-me para casa onde me vesti a preceito (sim, sim para ir ao futebol há que ter... farda apropriada!) e apanhei o Metropolitano.
Saí na estação de S. Sebastião onde mudei para a linha vermelha que me levou ao encontro da amarela que me carregou até perto do estádio. Tudo muito rápido. Quando cheguei a Alvalade subi as largas escadas e cruzei-me com diversos grupos de senhoras, todas brilhantemente identificadas com cachecóis verdes e cor-de-rosa, e que por ali conversavam em amena cavaqueira.
À entrada da porta B mais senhoras que também seriam sujeitas a revista. Já sentado no meu lugar passo os olhos ao meu redor tendo contado dezenas de "eternos femininos" numa altura que o estádio ainda estava quase vazio.
Gente de coragem, penso eu, já que arriscam-se a escutar um ror de expressões vernáculas muito próprias e comuns no futebol. A realidade trouxe-me estranhos epítetos aos jogadores e árbitros, proferidas por algumas das meninas presentes. Quem diria?
Não tenho um disco de vinil, um cd, uma mera cassete do popularíssimo cantor Marco Paulo. Mas soube recentemente que se encontra doente com um raríssimo cancro na mama.
Independentemente de se gostar ou não da sua música há que dar o devido valor a um artista que é seguido por milhares de fãs. E não são só mulheres…
Todavia o que acho fantástico é alguém com a sua visibilidade, ou quiçá por isso mesmo, ter vindo publicamente assumir a sua doença e num acto de enorme humildade pedir que os seus seguidores o ajudem em mais esta bravata, contra uma doença que para além de ser altamente mortal é profundamente limitadora.
Cada um no seu íntimo assume os seus receios, as suas dúvidas, as suas incertezas. Só que Marco Paulo mostrou que para além de ser uma referência na música popular portuguesa é outrossim um ser humano de enorme coragem.
Daqui deste que se assina e que publicamente não é seu fã, envio-lhe um forte abraço para que mantenha a coragem e a lucidez.
A vida já me obrigou a não acreditar em coincidências ao mesmo tempo que o povo, na sua imensa sabedoria, afirma: quando a esmola é grande o pobre desconfia.
Ora serve o presente entróito para enfim perceber, e de alguma forma justificar, o que na passada sexta feira a minha operadora de telemóvel fez comigo.
Sem que eu o solicitasse o meu tarifário manteve-se o mesmo, mas o acesso à Internet subiu para mais do triplo... De três gigas que terei ainda este mês, passarei em Março próximo para 10 gigas. E sem custos associados.
Entendi somente hoje o porquê desta oferta tão generosa. É que segundo o responsável da ANACOM, deverá surgir brevemente no mercado um outro operador para telemóveis. E por aquilo que me foi dado perceber, na entrevista que Cadete de Matos deu à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, servirá essencialmente para distribuir internet.
Antecipando-se à futura e nova concorrente, a minha operadora ofereceu-me melhores condições pelo mesmo preço, obrigando-me no entanto a fidelizar por 24 meses.
Obviamente que as empresas prestadores deste tipo de serviços não dão "ponto sem nó". No entanto e no meu caso pessoal preferiria que oferecessem um acesso mais abragente em termos geográficos, já que há ainda locais relativamente perto de Lisboa, onde a rede telefónica e de internet é profundamente deficiente.
Pode ser que a concorrência venha colmatar esta falha.
Quando somos adolescentes ou até mesmo jovens com mais alguma idade, temos a teimosa percepção de que somos os únicos donos da verdade.
Tudo o que os pais, avós, tios ou outros amigos mais velhos possam dizer sobre determinado assunto nunca é tomado em consideração, tendo como base a ideia de que “… o mundo está diferente, não é como no vosso tempo”.
De uma forma mais assertiva diria que a emoção da juventude sobrepõe-se à razão da experiência.
Porém os anos não passam só pelos mais velhos… desenrolam-se sobre os mais novos e de um momento para o outro a tal verdade única e invencível, começa a apresentar algumas fragilidades.
É a altura em que nascem finalmente as primeiras dúvidas e quando se inicia a escutar, pela primeira vez, o que os outros mais velhos afirmam. E conquanto se vai envelhecendo mais nos vamos afastando das ideias da juventude e aproximamo-nos dos conceitos atribuídos aos mais velhos.
Aqui chegados passámos do 8 para o 88. A verdade, que em novo era formatada de determinada maneira, após o irreversível esmeril da vida tornou-se noutra completamente diferente.
Face a tudo o que escrevi atrás concluo que a verdade estará na maioria das vezes a meio caminho entre a emoção juvenil e a razão geriátrica.
Um dos maiores e melhores jogadores de futebol de todos os tempos (sim, sim eu sei que houve Péle e Maradona!!!!) ainda está no activo. É português, joga na Juventus de Turim, chama-se Cristiano Ronaldo e faz hoje 35 anos.
Nada disto teria importância se CR7 não fosse o que é neste momento perante todo o Mundo: uma marca.
A postura que o atleta colocou e coloca sempre em campo, a forma como se disponibiliza perante os seus fãns, a vontade férrea de bater sempre mais um record e, acima de tudo, a influência que é nos atletas mais jovens, fazem de Ronaldo uma verdadeira marca comercial. Que vende!
Não obstante nos derradeiros anos algumas tentativas semi-frustadas para denegrirem a imagem do capitão da selecção Nacional através de impostos não pagos e eventuais violações, a verdade é que CR7 saiu destas polémicas por cima, deixando os seus inimigos à beira de um ataque de nervos. Quem nasce para ser vencedor, nada o derrota!
Finalmente gostaria de oferecer uma bonita prenda a Cristiano Ronaldo, mas calculo que ele não necessite de nada. Ainda assim, e o melhor que posso fazer, é escrever este postal, desejando que continue a ser um bom exemplo para todos os portugueses, que se mantenha em actividade por muitos anos e principalmente que exiba a boa saúde física e mental com que tem brindado o Mundo.