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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

A nova mulher da minha vida!

Há aproximadamente um mês que passei a ser avô a (quase) tempo inteiro. Ou dito de outra forma todos os dias úteis, logo pela manhã, recebo nos braços a nova mulher da minha vida.

Após quase nove meses de licenças de maternidade, paternidade e férias foi o momento dos pais regressarem presencialmente ao trabalho. Daí esta minha ajuda...

Os meus dias dividem-se agora entre brincadeiras para bebés, dar de comer, mudar fralda ou simplesmente ajudá-la a adormecer.

Nunca fui pessoa onde o tempo abundasse tal era a quantidade de "burros" que tocava diariamente, como sói dizer-se. Deste modo para chegar a muito lado roubava horas ao sono. Porém agora o tempo parece escassear ainda mais. Sempre me imaginei a escrever serenamente longos textos durante a minha reforma. Mas tal não tem sido possível.

Tudo por uma causa maior que é alguém que entrou na minha vida sem pedir licença e ocupa já todo o espaço que havia livre no meu coração.

Finalmente a minha neta não é só uma linda e simpática criança, como é um anjo que vai iluminando o meu caminho.

Há um mês!

Data inesquecível!

Hoje dia 22 de Outubro já era para mim uma data curiosa. Primeiro porque era a data de aniversário do meu avô materno que se fosse vivo faria 110 anos.

Muitos anos após o nascimento do meu avô e neste mesmo dia, este que se assina comprou o seu primeiro carro. Por 1440 contos ou pouco menos de 7500 euros. Estávamos em 1987 e para mim foi um enorme desafio.

Mas este dia de hoje ficará definitivamente marcada pela vinda ao mundo de mais uma menina, destronando a minha neta para segundo lugar na juventude na família. Tendo que conta que serão vizinhas imagino que daqui a uns anos andarão juntas na escola. E espero que sejam muito amigas para além da relação familiar (são primas em terceiro grau).

O dom da vida é um sinal supremo de beleza. A família está assim mais rica, mais jovem e mais fantástica.

Daqui envio os meus sinceros votos de felicidades ao meu sobrinho, pai desta nova menina e obviamente à mãe! As mulheres na família a estarem em vantagem.

37a9m25d - #18

O senhor dos anéis

Nota:

Os relatos anteriores aqui descritos, não obstante falarem de casos reais, carregaram consigo sempre algum humor. Porém a vida nem sempre é risonha. Foi o caso infra.

 

Quando conheci o Rafael este já se encontrava reformado. Conhecemo-nos na sala de convívio do refeitório da empresa, onde após o almoço tomávamos café ou jogávamos umas partidas de sueca.

A determinada altura ficámos parceiros e a coisa até corria menos mal. Havia só uma coisa que eu não apreciava de todo no meu parceiro: a forma como falava com o filho, também nosso colega quando este aparecia para cumprimentar o pai, usando sempre de uma linguagem baixa e demasiado ofensiva. Um dia cheguei mesmo a chamá-lo à atenção para o caso. Não gostou!

O Rafael fora um antigo chefe da empresa. De estatura baixa, apresentava quando o conheci uma certa curva descendente. Não sei se seria o peso dos anos ou o peso da consciência.

Entretanto deixei de jogar às cartas pois outros valores se levantaram. Pelo que soube a seguir ninguém mais pretendeu jogar com ele, nomeadamente os mais velhos. Até que um dia fui informado que o Rafael se suicidara perto de Santos em Lisboa.

Fiquei na altura muito pesaroso pela pessoa, até que alguém me disse:

- Não tenhas pena dele! Foi um crápula da pior espécie.

E contaram-me esta estória:

Vivia-se no tempo da ditadura e Rafael era um chefe tirano, não dando palavra a ninguém nem autorizando sequer aos subalternos a dirigirem-lhe qualquer conversa, a não ser que fosse trabalho.

Este chefe adorava anéis de ouro que usava em ambos os dedos anelares ou nos mindinhos. Sempre que chegava de manhã tinha o hábito de retirar as peças de ouro dos dedos e colocava-as na secretária mesmo à sua frente.

Só que certo dia deu por falta de um dos seus anéis. Procurou por todo o lado e de súbito olhou para um dos seus colaboradores e acusou-o:

- Foi você que me roubou o anel… Eu bem vi a forma como você olhou para ele.

- O senhor Rafael está enganado. Nunca faria uma coisa dessas. Sou um homem honrado e sério.

- Gatuno, malandro… hei-de apanhar-te…

Durante algumas semanas a acusação foi permanente. Entretanto alguns colegas tentaram ajudar na busca, mas esta foi infrutífera.

Até que certa manhã receberam a notícia que o colega acusado de roubo se suicidara. Rafael reagiu mal:

- Matou-se para não ter de devolver o anel…

O tempo decorreu e foi necessário fazer obras no serviço de tal forma que Rafael teve de mudar de sala e com ele foram também armários e secretária. Foi nessa altura que debaixo de um armário de arquivo foi encontrado um anel de ouro. O tal desaparecido!

Perante a falsa acusação Rafael e as consequências das suas acusações, o chefe apenas sugeriu que não se arrependia de nada.

A verdade é que a partir desse dia todos os colegas que trabalhavan debaixo da sua alçada pediram transferência. Mas foi Rafael que se transferiu.

Dúvida (quase) existencial!

Decidi por iniciativa própria deixar de comer pão. Tenho a sensação, para não dizer a certeza, de que o pão é um ingredientes que me brinda com peso.

Ultimamente o meu pequeno almoço era quase sempre pão em torradas. Com muuuuuuuuuuuuuita manteiga, por vezes completado com geleia ou doce de pêssego. Ainda por cima não me bastava uma... mas sim uma série delas (por vezes perdia-lhe o conto!).

Claro está que a balança denunciou esta minha postura gulosa, acrescentando mais uns quilos aos muitos  (em demasia) que já tenho.

Perante esta evidência de peso achei por bem cortar, para já, com o pão substituindo-o por flocos de fibras com frutos.

Ora é então aqui que reside a minha imensa dúvida que espelho no título. Que devo fazer: aquecer o café com leite na taça e depois colocar lá dentro os flocos ou deito os cereais no fundo e depois é que deito o leite e o café quentes?

Respostas pretendem-se.

De lápis me vesti...

Resposta ao desafio da Mula e da Mel

Lanço mão daquele pedaço de lápis, roído e sem graça. Miro e remiro-o, confiro o bico negro e reconheço que com ele, durante anos, desenhei uma vida em palavras. Muitas e muitas palavras.

Através delas falei de amor, tristezas, alegrias e esperanças. Escrevi sobre o passado, o futuro ou as estrelas.

Mas continuo a olhar o lápis… Pergunto-lhe se as minhas palavras fizeram ou fazem sentido para ele, mas não me responde. Arrogante, penso eu!

Dança nas minhas mãos como se buscasse qualquer coisa.

Não… descubro que sou apenas eu que gostaria que ele me desenhasse… Não a minha face desajeitada e sem graça, mas apenas a minha vida numa tela alva.

Imagino-o a subir e a descer sem parar em traços ora finos ora largos. A dar então sentido ao meu vadio coração.

Ali uma montanha que esconde os meus segredos, além as mulheres da minha vida de cabelos ao vento. No outro lado o mar, esse sonho impossível, ao lado uma floresta que não será mais que a minha vontade de ser livre.

O lápis continua a escrever e a desenhar como se tivesse vida própria. É um danado!

De súbito acordo desta letargia e tento recuperar o bom-senso. Procuro o desenho que não fiz nem nunca farei, mas ao invés encontrei isto escrito.

É um lápis no qual não posso confiar!

Donaldices ou crendices?

Cá por casa sou normalmente conhecido pelo inventor das teorias de conspiração, especialmente ligadas à política.

Na verdade há muito que deixei de acreditar nos políticos, sejam eles lusos ou estrangeiros. A política não é actualmente a acção de trabalhar em prol do bem comum (leia-se população), mas somente laborar em favor de alguns reencaminhando alguns benefícios para benefício próprio.

Tenho este introito para fazer a ponte para o caso do presidente dos Estados Unidos da América e a sua recente infecção por coronavirus. Assim que eu soube desta notícia comentei com os meus botões: não havia melhor altura…

Se não vejamos:

- o debate entre Trump e Biden foi um “bidon” de trampa (desculpem-me desde já a baixeza da linguagem!!!):

- as sondagens, que valem o que valem, mas ainda assim podem ser uma referência, dão vantagem ao candidato democrata;

- não há vacina eficaz ao invés do que o actual Presidente afirmava e as mortes de americanos por covid-19 sucedem-se (perto de sete milhões e meio de infectrados e mais de 200 mil  mortes).

Ora pegando nestes factores e a um mês das eleições americanas nada melhor para Trump que fazer-se de vítima do vírus. Com esta atitude ele tenta:

- dizer ao povo americano que não está imune;

- que a doença não parece ser tão má quanto a pintam já que ele a teve e saiu dela (o internamento foi só para americano ver!;

- desviar as atenções da nomeação da nova juíza do Supremo Tribunal e do caso dos impostos não pagos;

- vitimizar-se perante os adversários políticos.

Desta forma Donald Trump vai tentando ganhar algumas simpatias em sectores menos favoráveis, de forma poder renovar o seu mandato.

Esta minha teoria poderá ser tão idiota quanto outras que já alimentei, mas que creio que é possível, isso creio.

O que esta pandemia fez de mim...

Hoje estou completamente de rastos ao fim de um dia de trabalho. Vim à aldeia beirã, de onde é natural da minha mulher e onde temos uns pequenos terrenos que cuidamos com esmero e vontade.

Desde há uns anos que aproveitamos esta época para cá vir para fazer umas limpezas na casa, que este ano esteve mais tempo fechada que o costume e deste modo mais vulnerável ao pó e à bicharada, mas outrossim para podar as videiras antes da campanha da azeitona.

Ora o que aconteceu é que no fim deste dia o meu corpo parecia que tinha sido atropelado por um... TGV. Não há um pedaço de mim que não doa. Quiçá possa exceptuar o cabelo e alguma unha... Tudo o resto...

Fiquei a pensar o porquê desta diferença tão grande para o ano passado. Após muito matutar acredito que a razão esteja nesta pandemia que nos confinou e ainda confina.

Na verdade nunca fui um atleta profissional. Nem sou um adepto fundamentalista do exercício físico. No entanto enquanto estive no activo e fora destas doenças, todos os dias fazia aproximadamente cinco quilómetros a pé, que percebo agora me deu alguma maior estaleca para outras actividades, nomeadamente agrícolas. Com o regresso aos confinamentos e tomando em consideração que passei a tomar conta de uma neta, achei por bem desviar-me das caminadas matinais (não fosse o Diabo tecê-las!).

Certo é que estou um farrapo, fisicamente falando e estou desertinho para regressar à cidade de forma a repousar. Nem quero pensar o que será daqui mais umas semanas quando se iniciar a campanha da azeitona... Até lá tenho de me capacitar que irei sofrer muito. 

37a9m25d - #16

Bar aberto

O relato da estória foi-me contado na primeira pessoa de nome Acácio. Mas antes há que contextualizar...

Havia na Tesouraria alguns colegas que haviam angariado o gosto especial pelo álcool. Conta-se que um dos mais afamados era Joaquim Fevereiro. Houve mesmo um caso que ficou célebre na Tesouraria e em que após um almoço bem regado o Joaquim, sem condições para estar a atender ao público, foi-se deitar dentro de um armário, mesmo por debaixo do balcão da sua caixa, de forma a deixar evaporar o fedor etílico. Só que nessa tarde, sem que ninguém o soubesse ou calculasse, surgiu de surpresa na Tesouraria um administrador. Este ao chegar perto das caixas escutou o profundo roncar do Joaquim. Estranhando o ruído foi, no entanto, convencido de que o barulho vinha da canalização velha.

O Fevereiro só tinha medo de duas coisas: que acabasse o álcool e da mulher que parecia ser uma fundamentalista “Testemunha de Jeová”. De resto e após a visita inesperada do administrador, a chefia achou por bem transferi-lo para a secretaria onde ficou até se reformar.

O primeiro dia de Acácio foi inesquecível, segundo o próprio. Quase no fim do dia um colega mais velho entregou-lhe umas guias e disse:

- Vais à secretaria pedes para falar com o senhor Janeiro e depois entregas-lhe estes papéis.

Obediente o pobre do Acácio, percorre toda a Tesouraria e entra pela secretaria muito devagar e a medo, quase como que adivinhado o que lhe estaria para acontecer e foi dizendo:

- Boa tarde colegas. O senhor Janeiro quem é?

Joaquim levanta os olhos, fixa-os em Acácio, ergue-se ao mesmo tempo da cadeira num rompante e avança para o novato com ar ameaçador. O jovem recua.

- Olha lá meu grandessíssimo filho #$%?§@£, meu grande c&%$#@£§][, seu ordinário…

Um rol de epítetos generosos que fariam corar qualquer vendedeira do Mercado do Bolhão foi quanto o Acácuo ganhou.

- Mas… mas… - gaguejava.

Gritava Joaquim:

- Qual mas, nem meio mas…

O outro tremia… via a sua vida futura naquela empresa completamente estragada. Tentava em vão desculpar-se.

- Desculpe, desculpe… fui eu que percebi mal.

- Mal? Vais ver o que é mal… Anda comigo e é já! Vamos já resolver esta situação…

Decididamente o Acácio sentia-se completamente perdido. Agora seria aguentar. Vai daí seguiu Fevereiro qual borrego atrás da mãe. Enfiaram-se então numa sala que parecia mais um vestiário e onde se alinhavam uma série de cacifos.

- Vou só aqui buscar uma coisa – disse Joaquim – Podes vir aqui.

O jovem aproximou-se do seu antagonista que entretanto abrira a porta do seu armário pessoal.

- Chega-te mais aqui – ordenou.

Acácio aproxima-se e fica de frente para o cacifo e dá então de caras com um espaço repleto de garrafas de quase todas as bebidas alcoólicas. Um sorriso enorme apareceu na face de Joaquim que convidou:

- Escolhe o que queres beber… É o prémio da tua praxe - e deu uma valente e sonora gargalhada.

Acácio nem queria acreditar e após recusar educadamente saiu da sala.

Quando Joaquim entrou na secretaria, confessou para os outros ainda a rir:

- Mais um… quem é o próximo?

Nunca cheguei a saber…

Primeira semana!

O resultado da primeira semana de avô a (quase) tempo inteiro salda-se de forma muito positiva.

Faz muitos anos que não dava comida a um bebé, que não mudava fraldas que... não brincava "às crianças".

Nem queiram saber como me sinto... Pareço um miúdo a quem ofereceram um brinquedo novo e que olha para este com devoção sem lhe tocar.

Também é verdade que a minha neta é um doce. Conhecida já na família mais próxima como "miss simpatia", o mais recente elemento do clã é um encanto de criança. Não chora, ri-se sempre e só resmunga quando tem fome ou sono... O que me parece perfeitamenteu natural.

Até quando tem "brinde" na fralda nada transparece.

Está a nascer entre nós uma relação forte. Mesmo tendo somente 9 meses já sabe quem é que este que se assina e teve hoje mesmo o desplante de perante pai e mãe requerer o colo do avô!

Agora durante três dias regressa ao seu ninho de origem. Para voltar terça-feira.

Sempre disse que me contentava com muito pouco, porém esta criança é já muito na minha vida tendo conquistado o meu singelo coração.

Fim de semana atípico!

Já não lembrava o que era ter uma criança aos meus cuidados desde que os meus filhos.

Pois... este fim de semana recebi em minha casa o corpa frágil, todavia simpático da minha neta.

Mas reconheço que a minha vida ficou toda desconfigurada. Vivemos estes dias somente com ela e para ela. Comer, dormir, brancar, cuidar requer muito tempo e dedicação.

E a partir de amanhã será sempre assim durante a semana já que a mãe regressa ao trabalho presencial. A miúda é irrequieta, já gatinha e não tarda que esteja a andar. Mas vale a pena retomarmos esta responsabilidade.

Foi um sábado e um Domingo atípicos , mas a alegria infantil regressou a esta casa até agora recheada de... velhos!

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