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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Doar vinte anos... em roupas!

Durante toda a minha vida fui comprando roupa que ia normalmente usando enquanto trabalhava. Depois havia sempre os aniversários ou o Natal e lá vinha mais umas peças para acrescentar ao enorme rol de roupa que os diversos guarda-fatos espalhados pela casa iam escondendo.

Ao fim de todos este tempo dei conta das dezenas de quilos de vestimentas guardadas: fatos completos, camisas, calças...

O mesmo se passou com a minha mulher.

Foi agora a altura de dar uma enorme volta na nossa roupa. Escolhida, arranjada, lavada e devidamente dobrada, juntou-se em diversos sacos e caixas. Depois foi escolher um local onde entregar toda esta roupa.

Um dos locais onde, há tempos, cheguei a entregar alguma roupa usada está neste momento encerrado, devido à pandemia. Por isso recorri a outro local que não conhecia e do qual gostei muito essencialmente pelo trabalho que ali processam para tanta gente. Crianças, idosos, famílias inteiras que dependem daquela gente.

Entreguei deste modo mais de vinte anos de roupas de homem e mulher. Acredito piamente que serão bem distribuídos!

Saudades minhas!

Não obstante ainda não ter gozado umas férias como nos outros anos, com muita praia e muitas horas num "dolce far niente" já começo a ter reais saudades:

- de uma bela noite de chuva;

- de sentir aquele frio gélido;

- da roupa quente;

- do fogo crepitante de uma lareira acolhedora;

- daquela comida tão própria de inverno;

- do cheiro a terra molhada.

Quando um peixe é um... cachorro!

O herói gaulês Astérix só temia uma coisa: que o céu caísse em cima da sua cabeça.

Não sou gaulês e portanto esse receio não preenche os meus dias. Todavia há um outro temor que me assalta e que de alguma forma obriga-me a pensar no futuro e a escrever este postal. Prende-se com a eventual perda da capacidade cognitiva. Algo que tenho vindo a testemunhar diariamente aqui mesmo em casa com uma "criança" de 89 anos!

Há muito que esta idosa perdeu o sentido dos objectos, nem sabe como elas se chamam. Fala coisas sem nexo e é quase necessário um manual para perceber o que pretende dizer com a sua verbalização.

As pessoas que a rodeiam são-lhe ainda familiares, mas não sabe o nome... Nem das filhas, genros, nem dos netos. Depois a palavra "coisa" serve para traduzir tudo. A memória é algo quase inexistente de tal forma que faz algo para logo a seguir negar que o fez. Nem mesmo a memória mais antiga perdura.

Mas hoje, após o almoço e com a televisão ligada essencialmente para ela, viu no pequeno ecran um simpático cachorro. De repente disse: peixe!

Estava ainda às voltas com o meu café quando escutei o animal e por isso perguntei:

- Onde?

E apontou-me com a cabeça a televisão. Quando olhei para lá dou de caras com um canito. Admirado por ter verbalizado um animal, insisti:

- Aquilo é o quê?

- Peixe... - devolveu.

Definitivamente não me preocupa comer a sopa com um garfo ou o puré com uma faca. Aflige-me, isso sim, deixar de saber quem são os meus filhos, sobrinhos, netos ou amigos.

Isto sim... é que me pode vir a tirar o sono!

A gente lê-se por aí!

Reformado... em tempo de pandemia!

Se há alturas em que as coisas não deviam acontecer, esta é uma delas...

Reformei-me oficialmente já em fase de desconfinamento, mas ainda assim sem a liberdade de outrora. De que me vale não ter de ir trabalhar se não posso sair de casa como calcularia, desejaria e mereceria?

Obviamente que quando assinei o acordo de saída da empresa, o virus era uma coisa das noticias de televisão, que vivia para lá das muralhas chinesas e jamais se imaginou que entraria nas nossas vidas de forma tão abrupta e tão evidente, limitando-nos o trabalho, as relações, a nossa liberdade de... tudo.

Pelo que vou sentindo, lendo e constatando esta situação pandémica vai perdurar por mais algum tempo. E eu aqui (quase) preso! Faltam-me os almoços de família, de amigos, de colegas. (Nem tive direito àquele almoço de despedida que se costuma organizar quando alguém ia embora da empresa!). Sinto saudade dos abraços e dos carinhos de filhos. E tendo sido avô hápoucos meses ainda nem sequer dei um mero beijo à neta! Quem diria?

Realmente não poderia ter escolhido pior momento para me reformar. Mas adivinhar o futuro é proibido!

Aguardemos pois por dias melhores e até lá vamos esgalhando uns textos...

As melhores férias!

Nota:

Entre as longas férias na Nazaré ou a primeira viagem de avião com os meus filhos até ao arquipélago da Madeira, passando por outras viagens (Itália, Áustria, Inglaterra, França…) teria muito por onde escolher. No entanto fica este registo que foi para mim demasiado marcante.

 

Lembro-me como se fosse hoje: 6 de Setembro de 1980. Naquele sábado embarquei para França… sozinho. Mas com alguns parcos francos franceses no bolso.

Foi um mês em terras gauleses quase sempre sozinho. Desses dias bons guardo tanta coisa: aquela noite em Montmartre, na Place du Tertre onde comprei um quadro que ainda hoje existe ou o livro “Les Fleurs du Mal” de Baudelaire comprado num alfarrabista no Quartier Latin.

Ou a singela recordação daquele sorriso que uma jovem francesa no comboio para Versailles, linda como jamais eu vira uma mulher, me brindou. E um rubor estampado na minha face…

 

Resposta a este desafio da Ana!

Primeiro de Agosto... primeiro de reformado!

Dizia a minha falecida avó. primeiro de Agosto, primeiro de Inverno!

No entanto eu preferi fazer uma pequena adaptação ao ditado e plasmá-lo na minha vida o que deu o título supra.

Hoje deixei de ter oficialmente patrão (a não ser a esposa, mas essa não me paga e terá de ser para sempre!) e passei para aquele enorme grupo de risco chamado... reformados.

Até ontem, e não obstante não ir ao gabinete desde 15 de Junho passado, eu tinha uma entidade patronal. Mas que através de um acordo mútuo comigo resolveu brindar-me com a aposentação.

Recordo que estive nesta empresa 37 anos, 9 meses e 25 dias. Muuuuuuuito mais que a idade da maioria actual dos empregados da empresa.

Fui feliz a trabalhar, muito feliz. E tive sempre a sorte de fazer o que gostava. A minha postura tagarela e sempre com um sorriso antes de uma palavra abriu-me muitas portas e fiz imensos amigos. Que agora abandono de certa forma.

Não penso voltar a um lugar onde fui feliz. Não é por nada, mas simplesmente lembro-me que quando estava a trabalhar e apareciam uns colegas mais velhos, reformados e ociosos colavam-se à gente e não nos largavam. Por isso não pretendo fazer parte dessa gente incapaz de lidar com os dias vazios.

Vou ficar por aqui e por ali... em busca do dia seguinte.

No fim de contas como sempre fiz!

A gente lê-se por aí!

37a9m25d - #6

O Segismundo!

Pelas diversas empresas por onde passei encontrei sempre figuras pitorescas. Num lado foi o Anselmo um mal assumido homossexual, mas que tinha imensa graça e sempre disposto para pregar uma boa partida. Noutro havia um jurista que corria o Departamento todo a cumprimentar cada colega com um aperto de mão. Quando acabava era hora do almoço. E assim sucessivamente.

Porém o Segismundo bateu a todos. As suas ingenuidades levavam-no a cair nas maiores patranhas com uma infantilidade atroz e incomum para um homem casado. Quase todos os dias ao seu redor algo era orquestrado para que ele se espalhasse. Outras vezes era ele mesmo que se colocava a jeito de ser vítima.

Há tantas histórias com o Segismundo que só ele dava quase um livro. Entre muitas que ouvi contar e outras que assisti há uma que sobressai e que reza assim.

Havia entre os diversos colegas um que era filho de um reconhecido médico e por isso foi certa vez abordado, um pouco à socapa, pelo Segismundo:

- Chico, preciso falar contigo uma coisa importante.

- Diz lá companheiro.

- Bem… é que… sabes…

- Ó homem desembucha!

- A minha mulher vai ter que fazer um exame…

- E…

- Daqueles ao peito!

- Ah uma mamografia?

- Isso… E sabes como é… ela nunca fez… está com medo…

- Oh Segismundo diz a ela para não se preocupar. Isso é uma coisa corriqueira.

- Achas?

- Claro… A minha mulher também já fez.

- Ah sim… E que tal?

- Aquilo não custa nada…

- Ah, ainda bem…

- Só há um pormenor…

- Qual é?

- Quando forem mexer na mama da tua mulher tu não deixes…

- Como assim?

- Então dizes que na mama da tua mulher só tu é que mexes…

- Tu achas isso?

- Com a minha mulher foi assim. Com a tua fazes como achares...

O Chico virou então as costas ao colega ciente de que este acreditara na mentira.

No dia seguinte ao exame o Segismundo passa pelo Chico e diz entre dentes com uma contida raiva:

- Só me arranjas é sarilhos!

A vida dá cada volta!

Começo com um paradoxo: temos a certeza de não haver certezas na vida!

Esta tarde ligou-me um jovem com quem trabalhei há uns anos, para matar saudades. Falámos um bom bocado e comuniquei-lhe a minha recente reforma e outras situações.

Também ele me anunciou a vontade de sair de Portugal para trabalhar na sua área. Para tal tem recebido alguns convites tendo respondido a alguns. Portanto prepara-se para dar um salto na vida.

Não imagino (provavelmente nem ele!) se será melhor ou pior do que está hoje, mas ainda assim prefere arriscar. E eu concordo!

O mais curioso é que este jovem que eu conheci quando ele tinha18 anos não queria estudar. Achava que o estudo não iria trazer grandes proveitos, bastava a prática. Mas eu dava-lhe sempre na cabeça para ir estudar.

Um dia decidiu finalmente pegar nos livros. Inscreveu-se numa Universidade privada e durante uns anitos conciliou estudos e trabalho. Com esforço, mas também com proveito. Agora quer ir fazer o MBA em Gestão de projectos mesmo que vá para fora de Portugal.

Sinceramente fiquei muito contente com a notícia. Quem diria que este jovem que há uns anos prefereria uma boa noitada com amigos a uma uma maratoma de estudo, estivesse agora deveras empenhado em diferentes vôos.

A vida dá cada volta!

Só espero mesmo é que consiga ser feliz! Ele merece!

Ínfimo diário de férias nos Açores... 4

... em tempo de pandemia!

Pois foi... hoje tive de repetir o teste de Covid19 na Graciosa (amanhã deverei saber o resultado).

Mas nada que me impedisse de dar mais uma volta à bela ilha da Graciosa e descobrir no meio de um monte junto ao parque eólico da ilha esta pequena maravilha.

Aqui chamam-lhe a caldeirinha!

Uma velha cratera... fuuuuuuuuunda que a fotografia não consegue mostrar.

20200719_110946.jpg

37a9m25d - #5

Educar os mais novos

Uma saudação ou cumprimento não é nada que custe assim tanto a dar. Bom dia, boa tarde ou até boa noite parecem-me expressões simples de soletrar e não fica mal a quem as profere.

Mas desde que a empresa passou a receber no seu seio jovens acabadinhos de sair das faculdades com médias altíssimas, mas deficiente educação cívica, os casos de alguma má educação sucederam.

Fui “vítima” de um desses momentos já que certa manhã fui o último a entrar num elevador quase cheio. Quando o fiz dei obviamente os bons dias num tom de voz normal. Todavia os jovens doutores que me acompanhavam nesse transporte nem se dignaram responder.

Ora como tenho mau feitio e detesto ficar a remoer, olhei ao meu redor confirmando que estava rodeado dos jovens, puxei do meu vozeirão e:

- BOM DIA. Desculpem-me se vos acordei!

Quiçá assustados pelo timbre e potência da minha voz lá me responderam:

- Bom dia, bom dia, bom dia…

Contudo não foi este episódio que hoje aqui me trouxe, mas um outro protagonizado pela minha colega de gabinete.

Sempre tive o hábito de chegar cedo ao trabalho. Assim a meio da manhã decidi ir tomar um café. A máquina encontrava-se no pátio dos elevadores e deste espaço seguia-se para os gabinetes ou… para as casas de banho.

Quando cheguei estava uma jovem menina, jurista por formação, à espera que a máquina lhe fornecesse o café. Dei os bons dias, que ela não devolveu. Desta vez não estava virado para a educação e deste modo nada disse. Coincidentemente a minha colega de gabinete saiu logo atrás de mim e dirigiu-se para a casa de banho das senhoras. Passando por detrás de mim e da jurista cumprimentou com um sonoro:

- Bom dia!

A menina voltou a não dizer nada. Esperou que o copo enchesse de café. Entretanto a minha companheira de gabinete percebendo que a outra nem se dignara responder e antes de chegar à casa de banho deu meia volta e voltando-se então para mim comentou:

- Ou é surda ou é muda!

E regressou ao gabinete.

Eu nada acrescentei, mas percebi um evidente rubor em alguém!

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