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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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A água e a vida!

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Resposta a este desafio!

A água que corre entre as galerias ripícolas assemelha-se por vezes à vida que cada um vai vivendo.

Eis um exemplo de uma ribeira que mesmo de caudal quase invisível vai correndo por entre pedras, ramos e folhas até a um ribeiro maior, por sua vez criou uma albufeira, para após muitos quilómetros acabar no Tejo e mais tarde no Oceano Atlântico.

Também a vida começa muito pequena para ir crescendo conforme vamos ficando mais velhos. Ums vezes andamos devagar, outras mais depressa para no fim da vida desaguarmos num mundo que nunca conhecemos.

agua_ameal.jpg

 

O silêncio é de ouro!

Haverá pouco mais de um mês escrevi este postal, tudo por causa da maneira como cada um dirima a sua própria doença, especialmente através da quantidade de comprimidos que toma.

O curioso é que ontem calhou a vez ao meu pai que do alto dos seus 91 anos de idade dizia, quase com graça, à médica que o anda a seguir, após esta lhe ter receitado mais um comprimido:

- Ó Dôtora daqui a nada não me chega um dia para todos os comprimidos que tenho de tomar...

Ao sorriso da médica, continuou:

- Mais um comprimido significa que estou cada vez pior...

Para finalizar:

- Acha que vale a pena?

A médica desfez-se em razões quase óbvias, mas o meu pai não ficou muito convencido! Já no carro a caminho de casa, apercebi-me que fazia contas. Nada lhe disse pois já imaginava que seria dele que partiria a conversa:

- Sabes quantos comprimidos tomo por dia?

- Isso interessa? O que realmente conta é que cada um tem a sua função profilática ou curativa.

Um silêncio que estranhei. De súbito remata:

- Curativa? Ou será para adiar o que é certo?

Percebi a sua ideia, mas não lhe respondi... O silêncio nestes casos é de ouro... fino!

O professor do futuro!

À questão muitas vezes formulada por outrém, se já me arrependi de alguma coisa no meu passado, posso assumir que não me arrependo nada do que fiz nem do que não fiz. Porque todas as minhas acções foram decididas, muitas vezes, sem ter verdadeira consciência das consequências dos meus actos. Era novo, inexperiente e acima de tudo ingénuo.

Provavelmente com aquilo que sei hoje muitas daquelas decisões seriam tomadas de forma diferente. Porque na verdade actualmente não serei a mesma pessoa do meu, já longínquo, passado. Mas é normal que assim seja. A idade, a experiência, a vida vai-nos permanentemente mostrando outros horizontes.

Hoje sou um homem maduro, bem consciente das minhas actuais limitações físicas e até psicológicas. Se em alguns casos serei mais paciente, noutros a minha postura extremou-se. Mas certamente não serei só eu que me tornei assim. Todos nós, conforme vamos avançando na idade e através dos eventos que se atravessam no nosso caminho, aprendemos a lidar melhor (ou se calhar até na) com as situações.

Faz parte da nossa vivência. O que realmente não podemos ter é receio do futuro. Nada sabemos sobre ele, é certo, mas ainda assim com o lastro do nosso passado conseguiremos iluminar o futuro.

Digo eu!

Namorar ainda existe?

Hoje por todo o lado onde andei vi óbvias referências ao dia de S. Valentim, mais conhecido pelo dia dos namorados. Mais uma campanha comercial para a economia continuar a andar e a mexer-se.

Diria eu que namorar é coisa antiquada, ou não? A juventude de hoje está pouco virada para esse com promisso antigo. Lembro-me de uma prima direita, lá na aldeia, namorar à janela, tal como fez provavelmente a minha tia e antes dela a minha avó. E eram a dias específicos. Se não me falha a memória seria à quarta-feira ao fim do dia e ao Domingo após o almoço.

Actualmente nada disto faz sentido. Nem para os jovens, nem mesmo para mim que já sou velho. Certo é que o comércio esfrega as mãos por estes dias. As flores, os chocolates, quiçá livros tudo serve para mostrar quanto se gosta do outro.

Por aqui não houve direito a prendas porque esperava uma mesa de cirurgia para alguém... Há dias de S. Valentim assim... Estranhos!

 

Fez ontem 25 anos!

Foi no, já longínquo, dia 11 de Fevereiro de 1999 que me sujeitei à primeira cirurgia ao meu olho esquerdo, vítima de um descolamento de retina. Um problema assaz frequente, especialmente em altos míopes como eu sou!

A cirurgia correu bem e as coisas aparentemente andaram bem até... ao início de Abril quando tudo se reverteu. Programou-se nova cirurgia, mas sem grandes resultados e acabei por ficar internado uns dias no Hospital Gama Pinto. Também sem melhoras...

Para não me alongar acabei em Junho por ir a Barcelona ao IMO (Instituto de Microcirurgia Ocular) onde fui novamente operado com melhores resultados, se bem que sem visão suficiente. A única coisa que fiquei foi com aquilo que os ingleses chamam de "count fingers". Que é neste momento aquilo que tenho.

Portanto entre Fevereiro e Junho de 1999 a minha vida resumiu-se a ficar quieto, sem poder fazer qualquer esforço, sem poder ver televisão, ler ou sequer escrever. Recordo a este propósito que o meu filho mais novo sentava-se a meu lado na cama e lia-me em voz alta o jornal.

Para piorar as coisas, já de si pouco famosas, tudo isto aconteceu no ano em que iniciei a construir a minha casa. Quem já passou pela aventura ou desventura de construir uma habitação sabe que todos os tostões contam... Agora imaginem o meu azar!

Não tenho vergonha de assumir que pedi ajuda até aos meus filhos pequenos, especialmente para a cirurgia em Barcelona que custou na altura 650 mil pesetas, mais ou menos 800 000 escudos ou quatro mil euros. Cheguei a recorrer aos seus mealheiros para comprar as pesetas necessárias.

Como escrevi no dealbar deste postal, fez ontem 25 anos que tudo começou. Mas ao invés do que seria suposto pensar foi um ano de enorme aprendizagem! Principalmente nos quatros meses que mearam entre a minha vinda para casa e o regresso ao trabalho. Já que tinha de estar permanentemente de cabeça para baixo foi neste tempo, que... tive tempo:

Para pensar!

Para chorar!

Para rir!

Para sentir!

E finalmente:

Para mudar!

Definitivamente hoje não sou o mesmo daquela época, nem penso da mesma maneira. Talvez por isso agora não pare... especialmente dentro da minha cabeça onde tudo fervilha a enorme temperatura, querendo fazer tanta coisa...

Finalmente este texto não serve como lamechice nem como desabafo, mas tão somente como mais uma estória da minha vida e da luta que tantas vezes tive dentro de mim mesmo, até acordar para uma realidade tão diferente daquela em que acreditava.

Como nota à margem posso confessar que paguei tudo e a toda a gente!

Uma Karlotta invernosa!

Após umas semanas de quase calor estival com temperatut«ras a subirem, em alguns locais, acima dos 20 graus centígrados, eis que uma depressão de nome Karlotta veio acordar o povo para o Inverno.

Uma estação que estará no seu meio caminho para a Primavera e talvez por isso ainda será necessário agasalhos e chapéus de chuva.

Pela zona de Lisboa chove copiosamente! Não sei como estará no resto do país, mas era bom que para o Sul chovesse também assim!

Entretanto não tarda nada que as notícias televisivas sejam desviadas das estranhas análises dos debates para as inundações em diversos locais da capital e arredores. Nem necessito de ver televisão para saber que é sempre assim!

O problema para mim deste dia é que ainda hoje tenho algumas voltas para dar e com esta pluviosidade, reconheço que não me apetece nada. Nadinha mesmo! Mas tem de ser!

Contem-me vocês desse lado e onde estão como se comporta por aí esta Karlotta!

Cuidar da alimentação!

Sou pai de dois filhos, hoje homens e pais. Mas criei quatro crianças já que os meus dois sobrinhos viveram grande parte da sua vida comigo. Fui eu que os levei e fui buscar à escola, à natação, ao inglês. Muito eu corri naquele tempo, especialmente de carro, para que todos chegassem a tempo e a horas.

Da mesma forma também lhes dei muitas vezes de comer, ajudando os avós (os meus sogros!) nesses trabalhos. 

Tudo isto para dizer que sempre tive o cuidado de dar a todos eles uma alimentação cuidada onde nunca faltou aquele peso de carne e peixe, muitos legumes e leguminosas e obviamente a sopa, para além da fruta. Talvez por isso cresceram saudáveis, sem problemas de maior.

Sei que já passou uma geração sobre aquele tempo, que hoje há uma nova filosofia para a dieta alimentícia, tendo muitos pais optado por uma alimentação mais à base de vegetais por troca da carne e do peixe.

Não sendo eu nutricionista, não me cabe dizer bem ou mal das novas experiências alimentares, o que conta mesmo é que as crianças cresçam saudáveis.

Mas se há pais que têm esta opção, também há aqueles quee alimentam os filhos à base de comida de plástico. Querem lá saber do peso da carne, do peixe que os infantes ingerem! Muito menos se bebem com fartura refrigerantes em vez de água. Depois enchem os bolsos dos miúdos de bolos, todos eles de qualidade muuuuuuuuuuito duvidosa.

Há também quem leve os filhos à pastelaria, logo pela manhã, onde bebem aquele sumo de pacote carregadinho de açúcar, mais um bolo envolto em creme e levam mais um ou dois para a merenda!

Eu que cuido de uma criança e quatro anos, longe de mim substituir o seu pequeno alomoço feito com fruta verdadeira e cereais, por produtos, quiçá mais saborosos, mas provavelmente menos saudáveis.

Pois é educar uma criança não é facilitar-nos a vida. Na maioria das vezes é complicá-la.

Mas eu, sinceramente, prefiro assim!

Bom senso precisa-se!

No início do Verão de 2021 escrevi este postal assumindo a decisão de entregar-me aos médicos, de forma a ser avaliado o estado da minha saúde.

Desde esse dia já bati a não sei quantos gabinetes médicos: Otorrino, Oftaolmologtia, Cardiologia, Urologia, Gastro e até Alergologia... Não imagino a quantos mais especialidades terei de ir.

Entretanto recentemente a minha médica de Gastro, que descobriu em mim um ror de pequenas maleitas (gastrite, pólipos, ferro a mais, etc, etc, etc!), diz com todas as palavras perante os resultados de novas análises:

- Não gosto destes valores pancreáticos... Podem querer dizer um tumor maligno no pâncreas!

Se não morri naquele instante pouco terá faltado. Sei que não sou eterno, como ninguém o é. Todavia dizer-me aquilo assim de sopetão, deixou-me quase de rastos.

Cuidei em não dizer nada a ninguém pois não queria causar algum pânico familiar. Semanas mais tarde fiz uns exames mais completos (ressonância magnética com contraste) e aguardei desesperado os resultados.

Finalmente eis a notícia do resultado, mas como não percebo nada de medicina aguardei pela consulta. Estão a imaginar a minha cara quando defronte da médica aguardei o terrível veredicto.

- Nada de anormal... apenas uns pequeníssimos quistos sem importância.

O meu coração saltou de alegria, mas em vez de fazer uma cara feliz e contente, não exibi qualquer emoção. Saí do consultório com a firme vontade de nunca mais lá aparecer, mas dizem os especialistas que ela é das melhores na sua área.

Agora, semanas passadas sobre este estranho evento médico, dei por mim a pensar qual a necessidade daquela médica em assumir uma desconfiança sem ter certeza. Até poderia ter o palpite, mas o bom-senso deveria sobrepor-se a frieza das palavras.

Mas isto sou eu que não percebo nada de medicina! Só que andei algumas semanas bem assustado! Olá se andei!

Promessas!

Todos que me conhecem bem sabem o que mais gosto de fazer é... escrever! Não escrevo amiúde porque o meu mundo não se centra exclusivamente em mim, tendo por isso muitos caminhos dispersos, obrigando-me quantas vezes a optar em favor dos outros em vez de mim mesmo. Mas a vida é assim e por muito que gostássemos de fazer outras coisas... torna-se assaz difícil.

Continuo, no entanto, a escrever aqui pelo menos um postal por dia que não sendo muita coisa obriga-me a uma certa disciplina. Problema? É que para seguir esta minha forçada teimosia diária, deixo muitos postais que leio e gosto de outros escribas sem comentários meus.

Se pudesse andaria o dia todo a dar palpites neste ou naquele blogue, neste ou naquele postal. Só que o dia tem apenas 24 horas e não dá para tudo. E levanto-me todos os dias cedo.

Posto isto venho ora mui humilde pedir desculpa a todos aqueles que provavelmente contariam com um comentário meu, mas em vez dele têm... silêncio.

Prometo estar mais presente. Ou como escreveu Jorge Luís Borges (Também os homens podem prometer, porque na promessa há algo imortal)

Um dia teria de ser!

Andava a adiar há alguns tempos, quiçá demasiados, mas hoje decidi que teria de assumir o meu problema e dar solucção à coisa!

Começo pelo princípio que remonta ao tempo em que era lactente. Nessa altura sempre que me nascia um dente... era abençoado com uma otite.

O que devo ter sofrido porque as otites são piores que dar à luz. Riam-se as senhoras, mas agora as epidurais ajudam, e de que maneira, as parturientes.

Bom... certo é que toda a vida sofri dos ouvidos, para em 2012 ter sido acometido de um síndrome de surdês súbita que me deixou a ouvir apenas do lado esquerdo. Mesmo com a ajuda de prótese no lado direito não melhorei assim por aí além.

O tempo decorreu, fui envelhecendo e ultimamente tenho constatado que mesmo o ouvido esquerdo já não é o que era. O que equivale dizer que cá em casa quando falam para mim raramente os oiço. Isto é, eu até oiço as vozes, mas não percebo patavina do que dizem o que obriga as pessoas ao meu redor a repetir com demasiada frequência o que disseram.

Cansado desta situação decidi ir buscar a prótese que usei no ouvido direito e coloquei-a no esquerdo. A verdade é que passei a ouvir o que me dizem, mas também oiço com a mesma potência o bater dos talheres, o ruído exterior o que em certos casos é assaz incomodativo! Sei que é possível ser configurado, mas só para a semana irei a uma loja!

Sinceramente não gosto de usar isto! Não gosto, pronto! Mas percebo que pode vir a ser, num futuro mais ou menos próximo, um enorme auxílio.

A ver vamos!

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