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LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

O que ia escrever antes de...

Não gosto de demagogia. Muito menos de alguém que já tem uma pasta muito difícil neste governo e que é a senhora Ministra da Saúde.

Lí as suas declarações e achei no mínimo tristes e demagógicas. Ao invés do que disse sobre as vulnerabilidade dos mais fragéis eu tenho a noção que este virus não tem qualquer preocupação demagógica e ataca os que estiveram na sua zona de acção.

Escrevo ciente das excepções, mas ao mesmo tempo com a experiência do que foi ser infectado.

Era para escrever muito mais sobre isto, mas entretanto soube do falecimento repentino de Jorge Coelho e tudo se alterou.

Se bem que não partilhasse das suas ideias políticas reconheço que era um homem empenhado e de uma visão estratégica invulgar.

Lamento a sua morte e só espero e desejo que descanse em Paz.

O mito da gravata!

Comecei a usar gravata muito cedo, ainda miúdo. Obviamente por escolha familiar.

Depois atravessei aquela fase parva da adolescência e gravatas... nem vê-las. Fazia parte...

Todavia quando comecei a trabalhar a tempo inteiro, no pretérito ano de 1979, passei a usar, diariamente, fato e gravata. Daí até ao dia 13 de Março de 2020 usei centenas de gravatas em centenas de dias de trabalho e não só. De todas as cores e padrões. Ainda tenho uma que toca o "gingle bells".

Ora bem... a gravata não é, ao inverso do que muitos cavalheiros da nossa praça assumem, nada simbólica. É unicamente um acessório masculino e serve para enfeitar a indumentária masculina. Nada mais.

Durante muitos e muitos anos pretendeu-se associar esta peça de vestuário a diversas opções políticas, Repare-se a este propósito que quase todos os homens de esquerda do nosso país mesmo que andem de casaco não usam gravata, quiçá associando aquela a outros regimes. Um (quase) mito tolo!

No entanto continuo a achar que a exclusão do uso de gravata só porque sim, parece-me um tanto parvo. É como usar meias... há também quem não as use. Lembro-me até que quando fui a Londres ter encontrado no Metro um cavalheiro já com alguma idade vestido com um fato de tweed  (estávamos em pleno Verão, imagine-se), camisa, gravata e... sem meias. Portanto...

Assim sendo cavalheiros, não se acanhem que não perdem virilidade por usarem uma gravata nem que seja somente ao almoço num qualquer Domingo de Páscoa.

Como eu usei!

(Já tinha saudades!!!)

Santa Páscoa!

Calculo que para muitos de vós a Páscoa seja apenas um conjunto de dias que culminam numa espécie de boda... com a família, Mesmo com esta pandemia tenho a certeza que o almoço de hoje será naturalmente diferente.

No entanto para mim a Páscoa convida-me ao pensamento e à introspecção. Como católico esta é altura em que a vida Eterna vence a Morte terrena, simbolizada pela cruxificação de Cristo (a Morte) e a sua Ressurreição (a Vida Eterna).

Não tenhos grandes dotes teológicos para explicar a aplicação destes dois conceitos nas nossas vidas de hoje. Mas ainda assim tentarei algo.

Há gente que passa pela vida de forma quase incógnita. Nada fez pelo outros, nada construiu, por nada lutou. Assim quando desaparecer jamais será lembrado (a Morte terrena).

Entretanto há aqueles que vivem a vida num frenezim. Ajudam, falam, refilam, estendem a mão a quem precisa (na maioria das vezes nem é de dinheiro que se fala!), bravatam por uma ideia, constroem, assumem-se, enfim, como gente viva. Um dia quando deixaram este mundo terreno serão ainda lembrados por muito tempo por aquilo que fizeram, que foram, pelo exemplo e postura.

Terão então ganho a Vida Eterna.

Posto isto desejo a todos que aqui vieram uma Santíssima Páscoa.

Todavia não se esqueçam de serem alguém.

Para conquistarem e Eternidade.

Triste será o fim!

Sou testemunha permanente da entrada de alguém no mundo oco e vazio da senilidade.

A minha sogra foi durante muitos anos a matriarca da família. O que ela dizia era lei para as filhas e até para o marido.

Quando cheguei à família fiz-lhe alguma frente. Que acredito que não tenha apreciado. Mas acabou por aceitar pois percebeu que não tinha intenções enviezadas apenas o bem comum.

Nos finais dos anos oitenta ao meu sogro foi diagnosticado um tumor na próstata. A minha sogra que sempre conviveu mal com as doenças e com a morte. quando soube da doença do marido andou uma série de dias a chorar pelos cantos.

Deste episódio resultou uma profunda depressão que culminou em muita medicação para lutar contra. Eram dias, semanas na cama sem nunca sair, a não ser para ir à casa de banho.

Com a morte do meu sogro já em 2008 a depressão piorou. E iniciou-se o processo de transferência para a senilidade.

Não vale a pena aqui desenvolver o decadência de alguém que podia e queria tudo. Hoje não sabe o que é uma colher, um garfo ou quem são as filhas a quem geralmente trata por "a senhora isto, a senhora aquilo".

A memória, essa, esgotou-se. Sai de um lado da casa e já não sabe regressar. De quando em vez evoca pai e mãe, mas raramente se lembra do marido com quem viveu mais de meio século.

Uma mulher que foi o esmero do asseio, já nem sabe o que isso é. Também nunca se senta à mesa que diga que gosta da comida. 

Dia a dia vou assistindo a um definhar triste. E imparável!

Não fosse o carinho e o cuidado permanente daqueles que a rodeiam provavelmente já teria partido deste Mundo.

Acrescento que no caso presente seria uma dádiva se Deus um dia a levasse. É que ela já não vive!

E os que a rodeiam apenas sofrem.

Sexta-feira Santa!

Hojé é sexta-feira de Paixão. Um dia santo para os católicos onde me incluo ou diria mesmo o dia mais importante nesta fé que professo de forma voluntária e sentida.

Não sei explicar o que este dia representa para mim, pois é mais forte que um mero sentimento. Acima de tudo é entregar a minha simples vida nas mãos puras de Deus.

Tenho consciência, no entanto, que nem sempre fui assim. Durante anos afastei-me da fé. Ou fosse porque não queria ser diferente dos demais com quem convivia ou fosse por preguiça ou somente por descrença pura, a verdade é que durante muitos anos fugi de Deus.

Todavia um dia Ele entrou, sem eu dar conta, na minha vida. E desde essa altura nunca mais deixei de Lhe agradecer todos os momentos que me tem proporcionado: os bons e os menos bons.

Viver estes dias Santos é um privilégio que gosto genuinamente de sentir.

Que Deus me deixe vivê-los na sua plenitude.

Pensamentos para um fim de tarde!

Está um dia triste.

Há um capelo de nuvens a tapar o Sol brilhante e o céu anilado. Da rua vem um bafo quente incomum nesta altura do ano.

Vou à janela da minha sala e penetro o olhar na paisagem urbana que se espraia na minha frente.

Pergunto-me quantas pessoas naqueles prédios que observo estarão em casa presas, rodeadas de dilemas que não conseguem resolver? Ou olimpicamente sós...

Eu também em casa, como muitos confinado, tenho tudo ao meu dispôr e vivendo serenamente cada dia. Até uma neta para me preencher os dias mais nostálgicos... Assim como livros, muitos livros. Por fim a escrita... esta que aqui vou lançando diariamente e que me devolve sempre em triplicado o que aqui coloco.

Viver obriga-nos sempre a actos de enorme coragem. Porque nem tudo corre como gostaríamos e por vezes não estamos preparados para um desaire.

Olho para esta urbe e reconheço que sou um homem feliz. Por que o Mundo, ao invés do que dizia o poeta, não é uma bola colorida, mas uma pedra cinzenta para a qual é necessário perícia para lhe pegar.

O meu momento Nabeiro

Juntado-me às comemorações dos 90 anos do Comendador Manuel Rui Azinhais Nabeiro venho relatar o meu momento (leia-se encontro) com o empresário alentejano.

Como sempre cheguei cedo ao trabalho. Passaria pouco das oito da manhã.

Deixei o carro na garagem para depois subir as escadas até ao rés do chão onde apanhei o elevador mais próximo do meu gabinete.

Chegado ao quinto andar saí. No átrio encontrei o Comendador que falava ao telemóvel. Passei por detrás não interrompendo a conversa e fui para o meu gabinete.

Tirei o casaco, liguei o computador e voltei ao átrio para tomar café.

Nesse átrio onde parara o elevador, o empresário ainda aguardava que o chamassem na qualidade de testemunha de um caso qualquer.

Travámos este diálogo:

- Bom dia Sr. Comendador!

- Bom dia - respondeu, naquele seu sotaque bem alentejano e muito simpático.

Tirei o café da máquina ao que se seguiu:

- Sabe quem é que encomenda os cafés? - perguntou Rui Nabeiro.

- Creio que deve ser por concurso, mas há um Departamento interno que trata disso.

- Estive agora a falar para Campo Maior a tentar perceber porque aqui não há máquinas da nossa marca...

- Pois não sei... Mas acredito que um dia cá teremos as suas máquinas...

- Sem dúvida! - declarou.

Por fim despedi-me dele, apertando-lhe a mão e ele acto contínuo entregou-me um cartão com o seu nome e contactos. Rematou assim:

- Se um dia necessitar de alguma coisa, ligue-me. Terei muito prazer em ser-lhe útil.

- Muito obrigado... Se um dia tiver necessidade farei como diz.

E fui à minha vida com o pensamento: "É desta têmpera que se fazem os grandes homens e empresários".

Passados tantos anos deste episódio ainda hoje me sinto um privilegiado por me ter cruzado, mesmo de forma fortuita e rápida, com este alentejano.

Culturas de verão

Todos os anos vou aqui repetindo as minhas plantações.

Já sem as couves de inverno e após alguns meses de intempérie que deixou a terra num autêntico lamaçal, eis uns dias quentes que enxugaram a chão. Aproveitei assim esta trégua para enterrar dois compostores de estrume doméstico para que as próximas plantações tenham os nutrientes necessários e naturais para crescerem.

Ainda não plantei os tomateiros. Um vizinho disse que mos traria e deste modo aguardo.

O que já estão plantados são os feijoeiros e o cebolo. Este ano experimentei comprar feijão já nascido e plantá-lo em vez da costumada sementeira. A ver como corre!

20210326_145327.jpg

Faltam os tomateiros, as curgetes e os pepinos, mas a terra, essa, já esta pronta após espalhar o lixo organico. Agora os compostores vão ser lavados e guardados. Durante a Primavera e o Verão não faço compostagem... Os mosquitos mesmo com terra por cima são em demasia.

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O estigma do “filho único”

Durante muitos e muitos anos sofri na pele do estigma do “filho único”. Fosse na escola ou fora desta qualquer coisa que eu dissesse ou fizesse fora do normal, diziam logo que era por ser filho único. Como se esta realidade fosse culpa ou vontade minha.

Acrescentavam também que os filhos morgados eram invejosos e muito mimados. Outro mito sem sentido.

Na verdade, e no que me tocou, nunca invejei ninguém (talvez só aquele colega que tinha um sucesso especial com as raparigas…), nem nunca me senti mimado. Bem pelo contrário.

Até na aldeia alguém achava que eu era maluco, só por dar asas à minha liberdade quando por lá andava.

Mas o tempo e essencialmente a vida teve o condão de me iluminar para o realidade. E de súbito dei conta que o problema provavelmente seria de quem me invectivava.

Deixei por isso de me preocupar com aquilo que diziam de mim e fui fazendo a minha caminhada. Umas vezes caindo, outras erguendo, mas convicto das minhas ideias e desejos.

Quando em 1982 entrei para o Banco de Portugal após dois anos de ferozes testes, o meu prestígio como pessoa, entre aqueles que conviviam comigo, subiu muito. Mas eu continuava a ser o mesmo “maluco” ou o “filho único” que fora até ali. Não mudei…

A diferença residiu na forma como os outros me passaram a ver. Mas nisso eu fui totalmente inocente.

Hoje com 62 anos, reformado e avô dou por mim a pensar naqueles que durante tanto tempo me glosaram e acabo, sinceramente, por ter pena deles.

Porque, acima de tudo, eles nunca perceberam que a vida colocou-nos, para o bem e para o mal, nos trilhos que merecemos!

A gente lê-se por aí!

Devagar ou com vagar?

Quando há 9 anos fiquei surdo do ouvido direito devido a dois AIT'S não tinha consciência do meu futuro, especialmente o que seria viver com uma anomalia.

A surdez é algo invisível. Enquanto os invisuais, por exemplo, andam normalmente acompanhados nem que seja por um cão que os ajuda e qualquer um consegue dar conta da sua incapacidade, à surdez ninguém percebe... Até se falar!

Toda a minha família sabe que tenho esta deficiência com a qual tento viver normalmente. Talvez esta seja uma das razões porque também deixei de ver televisão: tinha sempre de aumentar muito o volume para conseguir escutar.

Quem comigo fala a primeira vez não se apercebe, mas eu tenho, quase sempre, o cuidado de avisar o outro que terá de falar mais devagar para que eu perceba. Não é preciso mais alto... somente mais lentamente.

No entanto o que mais me custa é no momento em que me chamam. Então se for na rua, pior ainda.

Já que só um dos ouvidos está operacional, sempre que oiço o meu nome que não sei de onde vem, é uma desorientação da minha cabeça. Pareço uma ventoínha a tentar descobrir donde virá o chamamento.

As próteses auditivas pouco me ajudam já que com elas a minha cabeço assemelha-se a uma caixa de ressonância. Prefiro ficar assim e solicitar que falem pausadamente.

Tendo este tema como pano de fundo ficam desde já a saber que quando me encontrarem na rua têm de falar devagar e com vagar!

A gente lê-se por aí!

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