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LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Não me perguntem isto

Um destes dias numa consulta de Medicina no meu trabalho, a determinada altura o médico que eu conheço bem, mas que nunca me auscultara, viu o meu processo já antigo e a páginas tantas declarou:

- Já li aqui que tens como hobbies as caminhadas, a leitura e... a escrita.

- É verdade Doutor...

- E escreves sobre o quê?

Fiquei atónito com a questão. Não é que me custe dizer sobre o que escrevo. Todavia acho uma parvoíce perguntarem-me sobre o que escrevo. Como se esta declaração me rotulasse qual marca ou mera chancela.

Escrevo porque gosto, porque quero, porque me sinto bem, porque essencialmente escrever faz de mim alguém mais completo.

Finalmente escrevo sobre tudo e nada! Foi a resposta que dei ao médico, naquele dia.

 

É sempre bom regressar!

Após 19 dias de internamento eis que o meu pai acabou por sair hoje do hospital. Finalmente, acrescento eu…

Foram quase três semanas de muitas incertezas, receios, dúvidas e sempre com aquela nuvem negra a pairar sobre o meu espírito.

Mas ao fim deste tempo tudo correu como esperado e temos novamente o homem em casa.

Respiro fundo. Apazigua-se o meu coração. Renasce a esperança.

De novos dias.

Porque é sempre bom regressar a casa!

Dias de tempestade!

Desde o Natal que a minha vida é uma roda viva qual tempestade terrível. Primeiro foi a crescente preocupação com a anemia do meu pai que o impedia de ser operado, para depois ser a própria cirurgia e os consequentes Cuidados Intensivos.

Todos os dias  tenho ido ao hospital ver o meu pai. De manhã levo-lhe o jornal, para de tarde regressar à sua companhia e por lá ficar um bom bocado a conversar e a vê-lo comer a merenda e o jantar.

No entanto nos primeiros dias após os CI aquela cabeça parecia muito desarrumada: diálogos impensáveis, ideias completamente baralhadas e fora de contexto, deslocalização total.

A juntar a isto tudo uma apneia profunda que mesmo com máscara não parecia ajudar. Mas alguém cá em casa, que percebe destas coisas dizia-me:

- Dá-lhe 48 horas...

E dei! Na realidade após este tempo encontrei-o bem melhor. Com uma melhor mobilidade e independência motora. O descernimento regressou, assim como a sensatez.

Hoje enquanto passeávamos no corredor falámos de muita coisa. Do passado, do presente e obviamente do futuro. Não fizemos planos, mas alinhámos somente ideias. Como há muito não fazíamos.

Curioso (ou talvez não) como a vida por vezes escolhe os piores trilhos para nos colocar no bom caminho.

Inexorável... o tempo!

Vivo numa zona residencial onde o que prevalece maioritariamente como habitações são... moradias.

Quando vim para aqui morar conheciamo-nos quase todos: era a D. Isménia, o senhor Duarte, a Júlia ou as manas gémeas Ana e Joana.

Muitas vezes dávamos boleia uns aos outros ou simplesmente aos nossos filhos ou netos. Todavia o tempo corre a nosso desfavor porque nos tornamos mais velhos e estes mais velhos ainda. E há os que partem numa última viagem. Para sempre.

Nesta minha rua passava e ainda passa um só autocarro de vez em quando. Naquele tempo trazia e levava muita gente... Agora passa quase sempre vazio!

Soube hoje que uma das moradias da rua encontra-se à venda. Mais uma família que sai daqui, optando provavelmente por um prédio de elevadores. Mas sem jardim ou quintal! Sem árvores nem relva. Talvez rodeado de muitas lojas e cafés.

É que a vida e os anos não perdoam. Nem a mim, nem a ninguém!

Sensação estranha

Conhecem aquela sensação estranha de alguém que está a falar com vocês a dizer que está tudo fantástico e vocês, pura e simplesmente, não acreditam?

Pois... hoje senti isso. Reconheço que pode ser uma parvoíce, mas que querem... não gosto deste sentimento de desconfiança!

A gente lê-se por aí! E boa semana!

Bom gosto = ideias simples

Modéstia à parte costumo dizer que não sou suficientemente rico para ter bom gosto. Por exemplo: estão a ver aquela camisa estampada, gírissima, que me ficaria a matar e me faria parecer 20 anos mais novo? Pois... é a mais cara da loja.

Comprei por isso a mais foleira, a mais rasca e claro a mais barata.

Então quer dizer que o bom gosto está directamente relacionado com o preço alto do que queremos comprar?

Mais ou menos, acrescento! Mas não só

Na verdade há coisas caríssimas que jamais compraria, porque não gosto e porque não sou de modas. Da mesma maneira que poderá haver coisas baratas e de muito bom gosto.

Então o que é isso de bom gosto? Haverá alguma matriz, um modelo, ou será inerente a cada um de nós? Sinceramente penso que a última opção será a mais fiel à realidade já que o que cada um gosta é claramente diferente do que os outros gostam.

Por exemplo: sou estupidamente rico e compro um Ferrari. Todavia moro numa casa repleta de objectos sem qualidade, símbolo de novo riquismo.

Ou sou imbecilmente rico e compro um Ferrari. No entanto na minha moradia há alguns objectos de muita qualidade mostrando alguma sobriedade.

O bom e o mau gosto separam-se através duma linha muito ténue. É no saber por que linha nos regemos que vamos fazendo as nossas opções.

Termino como comecei: sempre tive bom gosto, não tenho é dinheiro.

Será de familia?

Tenho uma tia que celebrizou na família a seguinte saída: "Quem me dera morrer para me estender!"

Percebo cada vez melhor o sentido desta frase, já que são nove e meia da noite de um Domingo de Outono e ainda tenho tanta coisa para fazer...

Tal como ela, que sempre vi com algo na mão a trabalhar, também passo o estupor do fim de semana numa roda viva.

Reparem... isto não é um problema de hoje nem de ontem.

Há mais de trinta anos num quetionário Proust respondi que aquilo que mais gostaria de ter era um fim de semana para descansar.

Evoco finalmente aqui uma outra tia, irmã mais velha da primeira acima mencionada entretanto já falecida, que durante muitos e muitos anos jamais a vi parar um segundo. De manhã à noite.

Parece sina, herança ou virus familiar...

Será?

 

Oitenta!

No início da semana foi o meu pai. No fim é a minha mãe!

Oitenta Outonos já vividos, feitos hoje!

Posso dizer que se sacrificou sempre por mim, que abandonou pai e mãe na aldeia para seguir o marido para a cidade desconhecida, que trabalhou muito para nos sustentar. Posso dizer tudo isto porque é verdade, mas muuuuuuuuuuuuito mais ficará por dizer.

É aos oitentas anos, e não obstante algumas mazelas inerentes aos anos já gozados, uma incrível força da natureza. A Ti'Leta (diminuitivo de Violeta e como é conhecida na família) é assim uma espécie de matriarca.

Este dia foi dela. Recebeu, ao que sei, muitas chamadas de parabéns, o que a enche certamente de alegria.

A minha mãe não é a melhor mãe do mundo, porque ela é só minha e não a trocaria por outra.

Portanto... parabéns mãezinha!

Da minha mocidade!

Dos meus tempos de miúdo guardo poucas e gratas recordações.

Filho único, uma mãe doméstica e hiperprotectora, um pai a lutar no Ultramar para ganhar mais uns cobres foi a mistura (im)perfeita.

De tal forma que não sendo nada mimado, a liberdade de ser criança foi-me cerceada desde muito cedo.

O que equivale dizer que quando aoa 10 anos entrei para os escuteiros foi uma alegria para mim.

Lembro-me do meu juramento na igreja de Almada, do nome da patrulha (Falcão) da qual cheguei a ser sub-chefe de alguns exploradores, dos acampamentos ao frio e à chuva, do convívio e solidariedade.

Só agora reconheço quão importante foi para a minha vida conviver naquele ambiente. A máxima de fazer uma boa acção todos os dias, de estar sempre alerta ou fazer do mundo um local melhor acompanhou-me desde essa altura até aos dias de hoje.

Aprendi a respeitar o próximo, a ser amigo do ambiente, a viver uma vida assente em valores humanos.

Sinto que muitas vezes não o consegui, mas ainda hoje olho para o mundo sempre com a esperança de que um dia o deixarei melhor!

Ainda guardo o lenço, a boina (que obviamente já não me serve), o Manuel do escutismo de Baden-Powell e um gosto muito especial em fazer nós.

Porque escuteiro um dia, escuteiro toda a vida.

 

Fim de semana loooongo!

Três dias longe da cidade por troca de uma aldeia na Cova da Beira parece tentador.

Pois... isso seria teoricamente interessante se não tivessemos setecentas mil coisas para fazer.

Cheguei quinta-feira já noite com jantar por fazer, mas rapidamente organizámos as coisas.

O dia seguinte seria feriado portanto sem malta para trabalhar, o que equvaleu dedicar-mo-nos à azáfama de limpar uma casa que estava há meses sem intervenção. Deu para notar que as aranhas tomaram conta do espaço sem a nossa superior autorização.

Resultado: todo o emaranhado (a expressão é aqui quase literal) de teias foi naturalmente removido. As teias e um pó fininho e teimoso que tentava permanecer na casa.

Mas levou-se a tarefa a bom porto e no dia seguinte eis-nos finalmente no campo para podar as videiras das quais não retiramos as uvas porque alguém, devidamento autorizado, o havia feito previamente.

Pode ser que um destes dias também venha a fazer vinho. Não sendo um dos trabalhos mais duros na agricultura a poda, ainda assim, exige perícia e algum saber.

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                                                                 (antes)                                                         (após)

O Sol inclemente aquecia-nos e não fosse a água levada de casa o trabalho seria muito mais duro de suportar. Depois havia que juntar num monte as longas hastes cortadas. No inverno ou quando chover hão-de ser queimadas.

O final do dia foi reservado para apanhar uns marmelos e alguma fruta que o calor do Estio ainda deixou, Especialmente abrunhos.

Regressou-se a Lisboa após o almoço.

Portanto mais um fim de semana looooooooongo e trabalhoso..

Como é apanágio cá em casa.

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