Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Bom gosto = ideias simples

Modéstia à parte costumo dizer que não sou suficientemente rico para ter bom gosto. Por exemplo: estão a ver aquela camisa estampada, gírissima, que me ficaria a matar e me faria parecer 20 anos mais novo? Pois... é a mais cara da loja.

Comprei por isso a mais foleira, a mais rasca e claro a mais barata.

Então quer dizer que o bom gosto está directamente relacionado com o preço alto do que queremos comprar?

Mais ou menos, acrescento! Mas não só

Na verdade há coisas caríssimas que jamais compraria, porque não gosto e porque não sou de modas. Da mesma maneira que poderá haver coisas baratas e de muito bom gosto.

Então o que é isso de bom gosto? Haverá alguma matriz, um modelo, ou será inerente a cada um de nós? Sinceramente penso que a última opção será a mais fiel à realidade já que o que cada um gosta é claramente diferente do que os outros gostam.

Por exemplo: sou estupidamente rico e compro um Ferrari. Todavia moro numa casa repleta de objectos sem qualidade, símbolo de novo riquismo.

Ou sou imbecilmente rico e compro um Ferrari. No entanto na minha moradia há alguns objectos de muita qualidade mostrando alguma sobriedade.

O bom e o mau gosto separam-se através duma linha muito ténue. É no saber por que linha nos regemos que vamos fazendo as nossas opções.

Termino como comecei: sempre tive bom gosto, não tenho é dinheiro.

Será de familia?

Tenho uma tia que celebrizou na família a seguinte saída: "Quem me dera morrer para me estender!"

Percebo cada vez melhor o sentido desta frase, já que são nove e meia da noite de um Domingo de Outono e ainda tenho tanta coisa para fazer...

Tal como ela, que sempre vi com algo na mão a trabalhar, também passo o estupor do fim de semana numa roda viva.

Reparem... isto não é um problema de hoje nem de ontem.

Há mais de trinta anos num quetionário Proust respondi que aquilo que mais gostaria de ter era um fim de semana para descansar.

Evoco finalmente aqui uma outra tia, irmã mais velha da primeira acima mencionada entretanto já falecida, que durante muitos e muitos anos jamais a vi parar um segundo. De manhã à noite.

Parece sina, herança ou virus familiar...

Será?

 

Oitenta!

No início da semana foi o meu pai. No fim é a minha mãe!

Oitenta Outonos já vividos, feitos hoje!

Posso dizer que se sacrificou sempre por mim, que abandonou pai e mãe na aldeia para seguir o marido para a cidade desconhecida, que trabalhou muito para nos sustentar. Posso dizer tudo isto porque é verdade, mas muuuuuuuuuuuuito mais ficará por dizer.

É aos oitentas anos, e não obstante algumas mazelas inerentes aos anos já gozados, uma incrível força da natureza. A Ti'Leta (diminuitivo de Violeta e como é conhecida na família) é assim uma espécie de matriarca.

Este dia foi dela. Recebeu, ao que sei, muitas chamadas de parabéns, o que a enche certamente de alegria.

A minha mãe não é a melhor mãe do mundo, porque ela é só minha e não a trocaria por outra.

Portanto... parabéns mãezinha!

Da minha mocidade!

Dos meus tempos de miúdo guardo poucas e gratas recordações.

Filho único, uma mãe doméstica e hiperprotectora, um pai a lutar no Ultramar para ganhar mais uns cobres foi a mistura (im)perfeita.

De tal forma que não sendo nada mimado, a liberdade de ser criança foi-me cerceada desde muito cedo.

O que equivale dizer que quando aoa 10 anos entrei para os escuteiros foi uma alegria para mim.

Lembro-me do meu juramento na igreja de Almada, do nome da patrulha (Falcão) da qual cheguei a ser sub-chefe de alguns exploradores, dos acampamentos ao frio e à chuva, do convívio e solidariedade.

Só agora reconheço quão importante foi para a minha vida conviver naquele ambiente. A máxima de fazer uma boa acção todos os dias, de estar sempre alerta ou fazer do mundo um local melhor acompanhou-me desde essa altura até aos dias de hoje.

Aprendi a respeitar o próximo, a ser amigo do ambiente, a viver uma vida assente em valores humanos.

Sinto que muitas vezes não o consegui, mas ainda hoje olho para o mundo sempre com a esperança de que um dia o deixarei melhor!

Ainda guardo o lenço, a boina (que obviamente já não me serve), o Manuel do escutismo de Baden-Powell e um gosto muito especial em fazer nós.

Porque escuteiro um dia, escuteiro toda a vida.

 

Fim de semana loooongo!

Três dias longe da cidade por troca de uma aldeia na Cova da Beira parece tentador.

Pois... isso seria teoricamente interessante se não tivessemos setecentas mil coisas para fazer.

Cheguei quinta-feira já noite com jantar por fazer, mas rapidamente organizámos as coisas.

O dia seguinte seria feriado portanto sem malta para trabalhar, o que equvaleu dedicar-mo-nos à azáfama de limpar uma casa que estava há meses sem intervenção. Deu para notar que as aranhas tomaram conta do espaço sem a nossa superior autorização.

Resultado: todo o emaranhado (a expressão é aqui quase literal) de teias foi naturalmente removido. As teias e um pó fininho e teimoso que tentava permanecer na casa.

Mas levou-se a tarefa a bom porto e no dia seguinte eis-nos finalmente no campo para podar as videiras das quais não retiramos as uvas porque alguém, devidamento autorizado, o havia feito previamente.

Pode ser que um destes dias também venha a fazer vinho. Não sendo um dos trabalhos mais duros na agricultura a poda, ainda assim, exige perícia e algum saber.

20181006_122312[1].jpg20181006_173904[1].jpg

                                                                 (antes)                                                         (após)

O Sol inclemente aquecia-nos e não fosse a água levada de casa o trabalho seria muito mais duro de suportar. Depois havia que juntar num monte as longas hastes cortadas. No inverno ou quando chover hão-de ser queimadas.

O final do dia foi reservado para apanhar uns marmelos e alguma fruta que o calor do Estio ainda deixou, Especialmente abrunhos.

Regressou-se a Lisboa após o almoço.

Portanto mais um fim de semana looooooooongo e trabalhoso..

Como é apanágio cá em casa.

Crónica numa aldeia beirã

São sete da manhã de um dia feriado Nacional.

Gosto de acordar cedo na aldeia. Sentir o cheiro da maresia, ou escutar os cães repentinamente acordados por alguém que passa na rua... Eu!

Não há vivalma. A aldeia está cada vez mais idosa e deserta, que os mais novos náo querem a serenidade destes campos, mas o reboliço das grandes urbees.

Finalmente cruzo-me com um homem: o responsável pela Confraria das Almas. Magro, esquálido e de poucas falas percorre a aldeia de lés a lés em passo decidido. Nunca se sabe de onde vem nem par onde vai. É assim o Gervásio a quem nem vale a pena dar a saudação pois a resposta é imperceptível.

Passo por um café já aberto. Atravesso a porta e encontro a costumada ti'Filomena por detrás do balcão.

- Bom dia.

- Bom dia. O que vai ser?

- Um café!

Já na rua percebo porque o estabelecimento tem tão pouco gente. Ali não abunda a simpatia.

As casas de granito cinzento aqui e ali rebocadas a areia espalham-se pelo aglomerado.

Toca o sino na igreja indicando a meia hora certa. Começo a ouvir vozes e gargalhadas. 
A aldeia finalmente parece ter acordado.

O dia é de feriado mas há tanta coisa a fazer. Que o amanho não requer dias determinados e o gado tem de comer sempre.

O Sol vai agora brilhando e as andorinhas durante a primavera tão afadigadas foram substituídas por vazios.

Num charca longe há patos bravos em puro descanso. Mesmo ao lado os coelhos e as lebres fogem. Há tiros nas redondezas.

A aldeia desperta já e vai ganhando normalmente vida.

No povoado humilde e pacaro não há sinais luminosos nem passadeiras nerm sentidos proibídos. E são raros os acidentes.

Quem terá ensinado os aldeões a andar na estrada?

A noite cai cedo. Há cada menos gente nas ruas e demasiado no café.

O Mundo é das bonecas!

A história começou há uns tempos quando a Golimix me enviou uma mensagem via feicebuque com o seu novel projecto: bonecas.

Desde que visitei o museu do Brinquedo em Paris, paredes meias com o Centro George Pompidou e após ter visitado por diversas vezes o já tristemente encerrado Museu do Brinquedo de Sintra, fiquei naturalmente apreciador da arte de fazer brinquedos.

Rapidamente encomendei uma boneca. A família estava para crescer e já se sabia que seria uma menina e deste modo pretendi ser o primeiro a oferecer uma boneca... a outra boneca. Assim surgiu a Maria. Menina travessa mas outrossim bem disposta. Como convém nestas coisas de brinquedos.

DSC_0002.JPG

 

Deveras encantado e agradado com o trabalho da artista encomendei mais duas bonecas. Uma loira que seria para oferecer à minha mulher, ela sim uma genuína apreciadora deste tipo de brinquedo maioritariamente feminino, e uma outra para oferecer a uma menina que está para nascer.

No entanto numa simpática troca de galhardetes entre mim e a futura mãe, concordou-se que não daria uma boneca à menina. Tem já demais ainda antes de vir ao Mundo!

Acabei então por oferecer à minha mulher a Joana...(desculpa miúda, mas esta é a tua cara, imagino eu!!!)

DSC_0028.JPG

 

e brindar uma amiga com a outra que estava primeiramente destinada aqui para casa, a Mariazinha

42200818_319112732180782_2514075942985400320_n.jpg

Uma troca à última da hora que até saiu muito bem.

A Lina é mesmo uma artista que merece o carinho e a ternura de todos nós.

Obrigado pela excelência das meninas!

A gente lê-se por aí!

Quando a dor dói!

Num filme medíocre Dalton, um segurança de uma discoteca, interpretado pelo malogrado Patrick Swayze, após uma zaragata em que ficou ferido, tem uma saída fantástica para a médica que o estava a tratar quando esta disse que iria doer. Diz então a personagem:

“A dor não dói!”

Isto para a época deve ter sido profundo (estávamos em 1989), mas hoje, quase trinta anos passados, entendo o que se pretendeu dizer.

Isto para explicar que esta manhã, muito cedo, acordei com um ataque de gota que me deixou muito combalido. A verdade é que sou um bocadinho como o tal Dalton referido acima, mas só que desta vez a coisa deu com força tal que me vi a pontos de quase chorar.

Carreguei com uns comprimidos e a coisa melhorou até agora. Não imagino como estarei mais logo.

No entanto calculo o que não deverão ter sofrido os nossos monarcas âs mãos das cozinheiras da altura, quando certamente enchiam os pratos de borrego, cabrito ou outra carne nova.

Esta dor dói mesmo!

Ano após ano!

Repete-se a ideia, história, vontade, desejo.

Fico triste, mas é a vontade do próprio, que hei-de eu fazer?

Há 29 anos nascia o meu infante mais novo.

Foram estes momentos que fizeram e ainda fazem de mim, um homem completo. Mesmo que ele não queira que o abrace de forma efusiva , como eu gostaria e ele merece.

É assim uma espécie de bravata entre nós sem que haja no fim um verdadeiro vencedor.

Nem vencido.

Até para o ano... se cá estivermos ambos!

 

A vida tal como ela é!

Ontem podia ter sido uma dia maravilhoso,. Porém foi só um dia bom!

A família cresceu ontem pelas dez e meia da manhã, Coincidentemente no dia que uma tetra avó materna (que eu ainda conheci) faria anos se fosse viva. Uma menina com 3,400 gramas e de nome C,

Que só hoje, estranhamente, se soube a graça.

Pobre criança que nem à nascença conseguiu ter o seu nome definido.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D