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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

A Dona D.

Em toda a minha vida de trabalho - já se contam 40 anos - conheci muita gente. Novos, velhos, outros nem tanto, viscondes e marqueses, condes e duques, engenheiros e doutores, arquitectos e professores, serventes e contabilistas, amanuenses e telefonistas. Já para não falar do público quase anónimo que atendi nos anos que trabalhei ao balcão.

Muitos dos com quem lidei diariamente marcaram-me muito, nomeadamente no sentido de ser uma pessoa melhor, de estar sempre disponível e ver a vida de forma bem diferente.

Guardo de todos estes anos muitas histórias. Algumas vivi-as e senti-as na pele, mas outras ou foram contadas por outros ou apenas assisti sem ter qualquer intervenção.

No entanto de todas as pessoas há uma que se destacou. Era telefonista e quando a conheci já não era propriamente uma jovem.

Solteira, todavia não perdia uma oportunidade para se divertir. Hoje reconheço que esta colega, à altura, sabia mais da vida no seu dedo mindinho que eu no corpo inteiro. A Dona D. tinha também um verbo fácil o que equivale dizer que muitas vezes assisti a algumas altercações, especialmente ao telefone.

A sua filosofia baseava-se num princípio básico: gozar hoje pois não sei se estou cá amanhã.

Para além desta postura tão genuína a Dona D. tinha outros ditos, a saber:

- mais vale perder um bom amigo que uma boa resposta;

- o amor é uma chatice, o sexo uma necessidade, portanto não nos chateemos;

- se não era para aí que eu queria ligar porque atendeu? (Dizia isto sempre que se enganava no número);

Finalmente diria que a sua história de vida me ajudou a superar muitos maus momentos com os quais fui lidando.

Realmente nem sei porque me lembrei hoje dela. 

Um desabafo para a “Mula”!

Por mais de uma vez a "Mula" tem falado do dilema que são as decisões das nossas vidas. Será que esta ou aquela escolha será boa para a minha vida? Terei naquela altura decidido bem o caminho?

Pois é… Jamais saberemos se as nossas opções foram as melhores ou piores. Mesmo que tenhamos optado por uma via a determinada altura e que essa opção não nos tenha sido favorável, continuo a pensar que é preferível tomarmos uma atitude, decisão, opção ou seja lá o que for, que nos mantermos naquele limbo onde a incerteza é rainha e perante o qual somos sempre levamos a concluir: e se… e se… e se…

Muita gente considera que a felicidade é assim uma espécie de medicamento que tomamos e que nos curará das nossas tristezas. É um engano. Pois a felicidade para mim não é forçosamente igual para outra pessoa. Já o disse aqui por diversas vezes, e não me canso de repetir, que a felicidade é um caminho, não um destino. É batalhar, lutar para se ultrapassar os obstáculos. E se nestas lutas conseguirmos chegar ao destino tanto melhor, se não conseguirmos pelos menos não podemos dizer que não tentámos.

A "Mula" desafabou a sua separação após muitos anos de relação. E que por vezes ainda lhe assistem dúvidas. Diria que é normal! Da mesma forma algum tempo após estar casado perguntei a mim mesmo se não teria feito uma asneira.

Hoje, dia Internacional da Mulher, reconheço que não fiz nenhuma asneira. O que não equivale dizer que para a semana não pense precisamente o contrário. Ou que não tenhamos tido os nossos momentos menos… simpáticos. Faz parte!

Ah e tal então onde entra o arrependimento? Perguntar-me-ão vocês. Eu responderei que o arrependimento é a prova real da nossa aprendizagem de vida. Se tivermos verdadeira consciência do mal que fizemos, dificilmente cometeremos o mesmo erro.

Portanto "Mula" o passado está no Museu. O Mundo abre-se à tua frente e só tens de o viver cada minuto, cada segundo, cada nano segundo!

Como se fosse o último! Nada mais.

Este é o Portugal de Costa!

Hoje dia de Carnaval com o país em alerta amarelo devido ao mau tempo, com tanto folião a veguear por essas terras eis que um homem com cerca de trinta anos me bate à porta a pedir comida para alimentar a família constituída pela mulher e quatro filhos.

Arranjei um avio pequeno, porque nestas coisas lamentavelmente fico sempre de pé atrás, e entreguei-lho. Ele agradeceu e perguntou-me se sabia onde poderia arranjar trabalho. Disse que não sabia, mas dei algumas dicas de empresas às quais poderia recorrer.

Voltou a agradecer e partiu em busca de outras portas onde bater.

Será este o país que António Costa nos oferece com tanta veemência?

Constatação!

Nasci em Lisboa, mas muito cedo fui viver para aldeia dos meus pais. Até à idade escolar.

A partir dessa altura passei a ir menos vezes, já que naquele tempo não havia autoestradas e para se fazerem 120 quilómetros demorava-se quase 5 horas.

Vieram enão as vias rápidas e os expressos rodoviários e a minha juventude foi passada novamente na aldeia. Especialmente nas férias ou em fins-de-semana, num vai-vém contínuo. Nesse tempo conhecia toda gente e todos me conheciam.

Depois casei e adoptei outra aldeia para residir mais tempo. Situada na Beira Baixa bem no vale da Serra da Gardunha gosto de por cá estar mesmo que a estada seja sinónimo de muito trabalho.

Finalmente hoje dei por mim a perceber que passamos a ser duma qualquer aldeia quando já conhecemos os habitantes pelos carros que têm!

Parece estranho, mas é uma anormal constatação!.

Domingo gordo!

Há uns tempos comprei um prédio rústico na aldeia da minha mulher na Beira Baixa. O meu interesse na compra não era assim evidente mas após breves negociações lá adquiri o naco de terra pelo preço que me patreceu justo.

Como disse uma vez Mark Twain: terra é algo que já não se fabrica.

Portanto este fim de semana gordo foi o momento propício para uma intervenção mais profunda no terreno já que este encontrava-se abandonado pelos donos havia muitos anos.

Estão a imaginar, não estão? Um Domingo duro, muito duro. 

De tal forma que a esta hora quase nem sinto as mãos.

Ah, só mais uma coisa... Os Sapadores Florestais já lá tinham andado a cortar o mato. Agora foram os detalhes: oliveiras, figueiras, ameixeiras, nespereiras, videiras tudo podado e colocada a rama toda em monte para queimar quando chover.

Se gostasse do Carnaval diria que me mascarei de agricultor...

O dia de ontem!

Ontem foi um dia razoável. Nomeadamente porque durante a manhá soube da triste notícia da morte da filha de uma amiga e colega. Sempre achei um pouco anti natura os pais enterrarem os filhos quando devia ser o contrário, essencialmente pelo normal correr da vida. Mas a vida é mesmo assim... não se compadece de ninguém.

Tirando então o fim de noite num velório, o dia foi recheado de telefonemas, mensagens todas elas provas evidentes que a minha passagem por este mundo ainda vai deixando algumas marcas.

Comentava ontem alguém que não conhecia ninguém que gostasse tanto de comemorar o aniversário como eu. Reconheço que é verdade. Numa altura em que há tanta depressáo, tantas vontades de fazer disparates, viver é uma benção.

Deste modo venho aqui publicamente agradecer a todos quantos por esta via me endereçaram os parabéns. Vocês são gente faaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaantástica!

A alegria dos 60!

Desde há uns tempos adoptei a postura de não fazer anos, mas tão-somente comemorar aniversários. É mais fácil…

Portanto hoje comemoro seis décadas de existência. Sinceramente nunca pensei chegar a esta idade.

O pior é que não me sinto nada sexagenário. Quiçá sexygenário… mas provavelmente nem isso!

Mais a sério insisto na ideia de que a idade é unicamente um número ao qual todos os anos podemos ir somando mais um. Tudo o resto é uma falácia, porque há gente com pouca idade, mas muito velhos e pessoas com muitos anos e claramente jovens.

Com esta minha juventude poderei dizer que tenho a experiência de vida de um sexagenário, vivo o dia como se tivesse trinta e brinco como se tivesse 15 anos. Isto é… tudo pela metade.

Assertivamente diria que a minha existência tem sido assim uma espécie de peregrinação a pé ao encontro de um qualquer santuário. Primeiro iniciei a vida numa velocidade própria de quem é jovem ou pouco experiente em longas caminhadas. Depois vieram os desafios, os medos tal qual as dores nas pernas e a perspectiva de mais uma longuíssima subida ou descida de estrada. Finalmente quando nos aproximamos do fim renasce em nós a alegria de vermos a vida de forma muito diferente, assim como percebemos ao longe o pináculo de um qualquer templo onde pretendemos chegar.

É nesta altura que passamos a ter verdadeira consciência do que foi a nossa vida e iniciamos a filosofia de dar valor a tudo quanto nos rodeia, por mais ínfimo que seja.

Talvez ser feliz seja isto mesmo: sabermos  realmente quem somos e qual o nosso verdadeiro caminho.

A gente lê-se por aí!

Vinte anos!

Faz hoje precisamente 20 anos que fui operado pela primeira vez à minha vista esquerda. A descoberta de um descolamento da retina obrigou-me a ser internado numa clínica onde um cirurgião tentou remendar uma retina muito estragada.

No entanto a operação não foi o pior, mas as suas consequências. E durante mais de um mês obrigaram-me a estar permanentemente de cabeça virada para baixo, sem poder ler ou sequer ver televisão. De noite e dia!

Lembro-me que nessa altura vali-me do meu filho mais novo que me lia as notícias de um jornal que alguém me comprava.

Para quem como eu adora ler e escrever estar mais de um mês inactivo foi dose. Todavia só ao fim de sete intervenções e muitos meses parado consegui voltar à vida activa.

Após muitos médicos e diferentes opiniões acabei por ir parar a Barcelona onde me operaram pela última vez – já estava em Junho – e com relativo sucesso.

Vinte anos decorreram já. Parece que foi ontem!

O tempo corre demasiado veloz…

Não me perguntem isto

Um destes dias numa consulta de Medicina no meu trabalho, a determinada altura o médico que eu conheço bem, mas que nunca me auscultara, viu o meu processo já antigo e a páginas tantas declarou:

- Já li aqui que tens como hobbies as caminhadas, a leitura e... a escrita.

- É verdade Doutor...

- E escreves sobre o quê?

Fiquei atónito com a questão. Não é que me custe dizer sobre o que escrevo. Todavia acho uma parvoíce perguntarem-me sobre o que escrevo. Como se esta declaração me rotulasse qual marca ou mera chancela.

Escrevo porque gosto, porque quero, porque me sinto bem, porque essencialmente escrever faz de mim alguém mais completo.

Finalmente escrevo sobre tudo e nada! Foi a resposta que dei ao médico, naquele dia.

 

É sempre bom regressar!

Após 19 dias de internamento eis que o meu pai acabou por sair hoje do hospital. Finalmente, acrescento eu…

Foram quase três semanas de muitas incertezas, receios, dúvidas e sempre com aquela nuvem negra a pairar sobre o meu espírito.

Mas ao fim deste tempo tudo correu como esperado e temos novamente o homem em casa.

Respiro fundo. Apazigua-se o meu coração. Renasce a esperança.

De novos dias.

Porque é sempre bom regressar a casa!

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