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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Há 20 anos!

Estava eu em Barcelona.

A cidade em festa por hoje ser o dia da Catalunha.

Não fui lá em turismo, mas unicamente a uma consulta de rotina pós-operatório. Todavia aproveitei para visitar a cidade condal. Sagrada Família, Parc Guel, Casa Milá, Ramblas, Montejuic, Fundação Miró, Bairro gótico… tudo visto nos dias que por ali estive.

Mas relembro esse dia essencialmente por ter sido sábado e a cidade estar completamente engalanada com as bandeiras da região. Por todo o lado havia festa: música, performers, artistas plásticos.

Para ajudar mais à festa, já de si enorme nesse sábado, havia futebol no estádio do Barcelona. Coincidentemente um dérbi catalão.

Mas a febre pelo futebol é tão grande que já bem perto da hora do jogo o metro citadino estava a abarrotar. Ainda por cima o meu hotel ficava nessa linha.

Dessa viagem subterrânea repleta maioritariamente de adeptos do “Barça” retendo as figuras de três idosos, duas senhoras e um cavalheiro, equipados a rigor com as cores “blaugrana”. Um exemplo de um enorme fervor clubístico,

Há vinte anos era um jovem a tentar recuperar de sete cirurgias a um só olho.

Mas fiquei sempre com a certeza de que Barcelona é uma cidade espectacular.

Odeceixe - Costa Vicentina no seu melhor!

Na passada quinta-feira pus-me a caminho até Odeceixe em pleno Algarve. Porquê esta praia ainda estou para saber...

Um diua escutei alguém dizer que a melhoir praia da Costa Vicentina seria esta e fiquei curioso. Ora como a curiosidade é a mãe de muitos males (e bens!!!) eis-me no carro a caminho da costa atlantica.

Optei por seguir em auto-estrada até Alcácer depois saí para Grandola e apanhei um IP qualquer que me levou até perto de Sines.

Aqui entre«i numa estrada nacional e após muitos quilómetros e depois de ter passado Vila Nova de Milfontes e Zambujeira lá encontrei a primeira referência a Odeceixe. Creio mesmo que já estaria em S. Teotónio, mas não sei precisar.

Após uma ponte lá estava a indicação da povoação e logo a seguir a seta a apontar Praia de Odeceixe. Deixei o carro fora da povoação, que me parece demasiado pequena para o enorme movimento de veraneantes.

Primeiro uma volta para ver as paisagens e tirar umas fotos,

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escolher o restaurante para almoçar e finalmente a praia.

Neste local desagua o Rio Mira que não obstante o ano seco ainda trazia algum caudal.

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A foz do rio na junção com o mar é serena e apresenta uma calma sadia e convidativa a banhos. O mar neste dia estava escrespado, de tal maneira que colocaram a bandeira vermelha. Afoitavam-se  somente alguns surfistas, mas sempre com o olhar atento dos Nadadores-salvadores.

Sinceramente gostei do local, da pria, da paisagem e essencialmente da praia. Falta, quiçá, uma maior oferta na área da restauração. No entanto realço que comi rapidamente sem grandes demoras. O preço foi dentro da normalidade para o local e época.

Um local a revisitar numa outra altura menos movimentada.

Duas ilhas - duas jóias #10!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

4 - O porto

5 - Feriado na cidade

6 - Genuinamente bom

7 - As Almas com café no Topo

8 - Sardinhas, Rosais e Fajã dos Curdes

9 - Fajã da Caldeira de Santo Cristo

 

O arco, a corrida, a vila e o regresso

Quando chegámos ao carro, na Fajã dos Cubres, descobri que tinha um pneu em baixo. Nada de muito grave, todavia o suficiente para sair daquele lugar em busca de um bomba de combustível onde pudesse encher a roda.

Estrada acima chegámos ao Norte Pequeno. Aqui decidi ir para Velas onde, quiçá, encontraria alguém que me valesse, pois não sabia se era tão-somente um pneu vazio ou um furo lento.

Conduzia devagar quando me apercebi à direita de uma oficina de carros aberta. Parei, falei com o dono que mui simpaticamente me resolveu o problema mais premente. No meio da conversa, enquanto metia ar perguntou-nos:

- Já visitaram a Fajã da Ribeira da Areia? Olhe que vale a pena... ver o arco!

Pronto... eis-nos uma vez mais estrada abaixo até encontrarmos o local indicado. O mar batia com alguma força nas rochas. A paisagem continuava deslumbrante.

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A surpresa viria a seguir com esta imagem,

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Contou-me o tal mecânico que em 1980 aquando do tremor de terra que assolou fortemente aquelas ilhas, um homem fora para o cimo do arco pescar. Duro de ouvido nem sentiu o abalo. De tal forma que só se apercebeu do cismo quando regressou a casa e a irmã e demais população se mostrou muito assustada, para além dos estragos evidentes.

Também não admira.... Alguém que possa ver estas imagens permanentemente jamais se cansará nem desejará sair do local.

Esta terá sido a mais bela surpresa que tive nesta viagem... Jamais pensei em ver algo semelhante...

Ao longe outra Fajã podia-se observar.

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Entretanto era tempo de regressar pois ainda queria ver algo que nunca tinha visto: uma corrida de toiros à corda. Muito popular nestas ilhas do Atlântico, como Ribatejano que sou tinha gosto em ver este evento. Afianço que o animal nunca foi molestado por ninguém, apenas correu, e o próprio dono da ganadaria a que pertencia o toiro esteve sempre presente entrando outrossim na brincadeira.

Não aguardei pelos restantes toiros, mas fiquei assaz satisfeito com o que vi.

Cheguei às Velas ao fim da tarde. Na Matriz o sacristão, qual ostiário, surgiu à porta do templo a aguardar os fiéis. Desta vez passei a missa e preferi comprar umas recordações. Depois um passeio demorado pela vila onde se destaca na sua praça principal um lindíssimo coreto.

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Aproximou-se a hora de jantar. Entre algumas opções acabei por comer no Clube Naval de Velas. Restaurante simpático, sem luxos e preços acessíveis. De regresso à última noite do hotel ainda constatei novo arco... Todavia, e não obstante ser maior que o anterior, ainda assim não exibia da mesma beleza.

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O dia seguinte foi dedicado ao regresso.

Deixámos S. Jorge pelas onze e meia da manhã de barco sob um Sol forte e sem frio.

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De tal forma que quase toda a gente optou por vir ao ar livre. A bela ilha de S. Jorge afastava-se da minha vista, mas aproximava-se do meu coração e da minha memória.

Chegámos ao Faial eram duas da tarde, ainda a tempo de voltarmos ao Genuíno para almoçar um peixão fantástico. Após o almoço foi a vez do digestivo. E nada melhor que o ex-libris da cidade da Horta para o fazer: o Café Sport, comumente mais conhecido por Peter´s.

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Uma última e apaixonada vista do belo porto da Horta sempre bem supervisionado pelo Pico.

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Parti por fim para o aeroporto do Faial deixando para trás duas ilhas encantadoras, a simpatia de um povo humilde e a renovada beleza de uma hortense.

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Chegámos a Lisboa eram duas da manhã!

Duas ilhas - duas jóias #9!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

4 - O porto

5 - Feriado na cidade

6 - Genuinamente bom

7 - As Almas com café no Topo

8 - Sardinhas, Rosais e Fajã dos Curdes

 

Fajá da Caldeira de Santo Cristo

O momento alto da nossa viagem...

Viver uma vida inteira para um dia chegar aqui vale mesmo a pena...

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Reza a lenda que um dia nesta Fajã apareceu a imagem do Santo Cristo que tanto é venerado nos Açores e mais ainda em Ponta Delgada. Admirados com o aparecimento de tal imagem os habitantes pegaram nela e levaram-na para um sítio mais condizente com o Santo.

Só que no dia seguinte a imagem voltou a aparecer no mesmo local. A história repetiu-se por mais vezes e sempre que tiravam a figura desta Fajã. Perante algo inexplicável o povo ergueu no local uma pequena igreja a que chamaram Ermida do Senho Santo Cristo,

É um templo singelo, mas na sua própria beleza apresenta uma força e ao mesmo tempo uma serenidade invulgar,

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Os naturais da ilha têm enorme devoção a este templo, originando muitas peregrinações ao local.

Nem um compêndio de adjectivos seria suficiente para qualificar este local. Tem tudo... onde não há nada!

Um paradoxo que se justifica, pois...

Não há luz eléctrica...

Não há água canalizada...

Não há carros...

Não há telefone...

Não há televisão...

Mas há paz!

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Serenidade!

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Liberdade!

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Beleza natural!

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Sossego...

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Mar...

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Terra...

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Paisagens...

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Percorri demoradamente aquele lugar. Calcorreei ruas e ruelas, meti-me com os cães que pachorrentamente passeavam no meio da rua,

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embrenhei-me na Caldeira pedregosa,

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rezei na Ermida, chorei de felicidade por poder um dia ter tido a possibilidade de ver este local tão longínquo da balbúrdia cosmopolita.

Uma Fajã que carrega em si mesma a força única de um povo lutador e estóico.

Por ali também almocei. Umas ameijoas que a Caldeira se digna oferecer aos três únicos apanhadores autorizados. Sentado à mesa a paisagem era singela.

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Estive na Fajã horas.

Ms antes de me fazer ao caminho de regresso,

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Tatuaei no meu coração estas imagens...

E prometi a mim mesmo aqui regressar. Mas pelo caminho da montanha.

 

10 - O arco, a corrida, a vila e o regresso

Duas ilhas - duas jóias #7!!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

4 - O porto

5 - Feriado na cidade

6 - Genuinamente bom

As Almas com café no Topo

Inicio este postal com um mui breve exemplo do que foi a viagem de barco entre a cidade da Horta na ilha do Faial e a vila das Velas na ilha de S. Jorge e que durou mais de duas horas já que partimos às nove da manhã e chegámos já passava das onze e meia.

Durante toda a viagem tanto a chuva como o mar encapelado fizeram as suas vítimas. Felizmente que este casal sexagenário passou esta prova com grande distinção chegando à bonita vila das Velas fresco e airoso e pronto para aquilo que a ilha teria para nos mostrar.

Durante a viagem marítima um dos assistentes de bordo aconselhou-nos lugares e restaurantes. Com os pés em terra firme recolhemos a viatura e fomos em busca do hotel onde deixámos as malas. Novamente na estrada eis que começámos a subir para Santo Amaro onde encontraríamos o primeiro restaurante na ilha do bom queijo (mais uma!!!).

O Forno de Lava é um espaço fantástico com boa comida, óptimo serviço e simpatia a rodos. Como é apanágio dos ilhéus. Os preços dentro do que é normal para as ilhas. Pena foi que o nevoeiro tivesse inundado a ilha, inibindo de vermos a paisagem da esplanada do restaurante.

Após o almoço partimos à descoberta da ilha. A ideia seria correr o sul da ilha nesse mesmo dia, tentando ver as Fajãs mais conhecidas para no dia dia seguinte o destino ser... a Fajá da Caldeira de Santo Cristo.

A primeira paragem foi nas Manadas onde o sol mais ou menos surgia por entre umas nuvens cinzentas. Junto ao mar conseguia-se ver a Ilha do Pico à distãncia

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A igreja bem perto parece guardar o local das intempéries.

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Voltei à estrada principal até encontrar o primeiro desvio para uma Fajã. Seria a da Alams a priemeri ra algumas que veria gom gosto. Estrada muito inclinada, curvas deveras apertadas onde seria impossível a passagem de duas viaturas. A determinada altura já quase a chegar a estrada alargou como se houvesse um parque de estacionamento.

Fui aí que deixei a viatura e desci o resto a pé. Esta foi a primeira foto da Fajã

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Ainha havia muito para descer. A paisagem é de cortar a respiração mas o que mais me surprendeu foi a quantidade de lagartixas que se conseguiam ver. Não exagero ao dizer que vi centenas... de todos os tamanhos e cores. Inofensivas, ainda assim pareceu-me claramente estranho aquela quantidade enorme de répteis.

Que me parecem já estar habituados ao ser humano

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Chegar ao nível do mar ainda demorou uns belos minutos, mas valeu a pena.

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A subida fez-se bem sem sobressaltos nem outras viaturas e mais à frente nova Fajã. A dos Vimes que é conhecida por ser o único local da Europa onde se produz café. Mais uma descida até bem perto do mar para encontrar a loja da D. Paula que é uma das três produtoras de café naquela Fajã.

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Tivemos o privilégio de fazer uma visita ao cafezal onde a proprietária contou um pouco da história de como apareceu ali o café. Parece que um antigo emigrante no século XIX regressou á sua ilha e para lá trouxe alguns bagos de café que semeou. Mais tarde a planta deu frutos e daí ter surgido esta pequeníssima actividade.

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Por ali ficámos a tentar perceber como tudo se fazia. Parece que estamos ainda nos velhos tempos pois tudo ali se faz de forma artesanal. Saímos da Fajã e percorremos o caminho para uma das pontas da ilha. Mais conhecida pelo Topo este local deu-nos então isto.

Fica a pergunta: haverá outro mar azul como este?

8 - Sardinhas, Rosais e Fajã dos Curdes

 

Duas ilhas - duas jóias #6!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

4 - O porto

5 - Feriado na cidade

Genuinamente bom!

Quando descíamos com o carro da Espalamaca para dar uma vez mais ao cais, reparei que um dos veleiros que havia visto no dia anterior fizera-se ao mar.

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O "Tres hombres" içara já parte das suas velas para seguir viagem. Todavia deixara a sua marca na marina. Tradição é tradição e será sempre para manter|

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Quando cheguei ao Porto Pim para almoçar a chuva, que toda a manhã fustigara com mais ou menos violência a cidade da Horta, parecia ter amainado.

A conselho de um outro bloguer acabei por ir almoçar ao Genuíno. Sinceramente não me arrependi. Boa comida, bom serviço, simpatia a rodos e um lobo-do-mar à porta para se despedir da gente. Um privilégio ter podido apertar a mão àquele homem.

Genuíno Goulart Madruga nasceu no Pico mas cedo se instalou no Faial. Pescador e marinheiro Genuíno foi o primeiro açoriano a dar a volta ao mundo num solitário.

Uma história de vida que ninguém deverá esquecer.

O tempo entretanto levantara. O sol lançava-se agora com força sobre a cidade. Após o almoço voltei ao porto. Definitivamente não me cansava de ver aquele mundo...

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Percorri calmamente muralhas de betão onde os veleiros estavam encostados. Encontrei um pai e três crianças que haviam partido de Le Havre em França no passado mês de Agosto para ir até às Antilhas, no seu "jubilé" de cor azul, estando agora de regresso ao país natal quase um ano passado.

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Mais um mestre que encontrei a cumprir a tradição.

Aproximava-se o fim da tarde. No dia anterior soubera de um missa na Igreja Matris da Horta seguida de procissão por algumas artérias da cidade.

Chegámos mesmo a tempo de ainda ver os padres a chegarem à Matriz onde foram recebidos com uma enorme fanfarra. Lá dentro os fiéis enchiam o templo aguardando a chegada dos padres. A rua surgiu muito bem enfeitada num trabalho que deve ter sido moroso.

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A devoção que todos os presentes mostraram nas cerimónias do dia Santo foi óbvio sinal de muita fé e crença. Um exemplo para muitos dos continentais...

A noite aproximava-se e com ela a aventura do dia seguinte.

7 - As Almas com café no Topo

Duas ilhas - duas jóias #5!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

4 - O porto

Feriado na cidade

A cidade da Horta acordou sob uma chuva miudinha na quinta feira. Dia importante para os católicos mas apenas mais um feriado para os outros. Após um pequeno almoço onde o queijo da Ilha de S. Jorge foi a estrela e um bom café, peguei no carro e fomos até ao Monte da Guia.

As "Caldeirinhas" apreciadas do cimo do Monte têm outra beleza.

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O vento soprava com força e a chuva molhava com alguma intensidade. A vista da cidade do lado contrário à Espalamaca, especialmente para o Porto Pim denuncia uma vista única, não obstante o cinzentismo da manhã. 

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A descida para o porto fez-se devagar tendo em conta a queda de terras que cortaram o caminho. Procurei o Aquário e o Museu da Baleia. Mas quer um quer outro encontravam-se encerrados por via do feriado...

Virei à esquerda e percorri diversos quilómetros à beira-mar. O negro das rochas destacavam-se como gumes no mar revolto. Apanhei finalmente a estrada que me levaria ao aeroporto. Pelo caminho apanhei diversos Impérios ao Divino Espírito Santo, devoção muito enraizada neste povo insular.

Até que a seta indicava o local...

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Vira-o ao longe lá do Monte da Guia, mas não calculava ver algo tão especial. Um istmo que entra pelo mar dentro. Uma espécie de castelo construído sem intervenção humana, maioritariamente habitado por muitas aves especialmente os já conhecidos e anteriormente referidos cagarros,

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e que conjuntamente com a restante passarada que por ali vive faz-nos sentir a beleza do que é puro em todo o seu esplendor. As vacas que por ali vão pastando perto são outrossim testemenhas desta imensidão de Natureza, em estado genuíno.

Após uma visita à queijaria do "Morro" onde acabámos por comprar uma série de queijos eis que é tempo de regressar à cidade. A povoação Flamengos surge nos painéis identificativos e depressa chego ao Jardim Botânico.

Outro local fantástico onde se tenta preservar e até desenvolver espécies endémicasDSC_0467.JPG

como é o caso da flor "não-me-esqueças" ou mais conhecida por Miosótis.

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Pena foi que o Orquidário não estivesse já aberto. Mas valeu a visita... Demorada.

Entretanto antes da visita percebemos que bem perto dali existiam os charcos de Pedro Miguel. Decidimos assim que saímos pormo-nos a caminho em busca dos ditos...

O tempo continuava plúmbeo e desagradável mas nada nos demoveu. Sobe e desce curva e mais curva, alcatrão e terra, gado atravessado na estrada, para pararmos em... nenhures. A chuva continuava a cair, o vento a soprar com força mas o som que emanava daquele lugar tornou-se inesquecível e inanarrável.

 

Aproximou-se a hora do almoço... Era o momento de experimentar o restaurante Genuíno.

6 - Genuinamente bom

Duas ilhas - duas jóias #4!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

3 - O porto que tem uma cidade

O porto

Após um ligeiro petisco numa esplanada na Taberna de Pim ao sabor de uma fresca brisa da tarde, foi o momento de voltarmos ao porto da cidade da Horta.

Desde traineiras

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a veleiros

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passando pelos iates de luxo,

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todos ali repousam até que novas viagens e renovadas aventuras surgam no horizonte marítimo.

Eu que jamais naveguei em qualquer veleiro, tendo tido apenas a experiência de muitos anos de atravessar o Tejo nos Cacilheiros, comovo-me a olhar aquela fantástica paisagem náutica.

Muitos turistas podem aqui chegar, ver, admirar, tirar um conjunto de fotografias, mas depois passam e rapidamente esquecem. Todavia este porto tem um mistério qualquer associado que desconheço, uma magia única que me assolou quando por ali passei.

Podem ter sido das pinturas,

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que as tripulações tradicionalmente vão deixando como prova da presença naquele porto,

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ou de outra coisa qualquer, no entanto não consigo ficar indiferente àquele lugar.

Ele transporta-nos para muito longe dali, para um mar tantas vezes ingrato mas ao mesmo tempo absolutamente único. Um porto que não é um ex-libris da cidade da Horta... É a cidade que, na sua simplicidade, complementa o porto.

Cai a noite... 

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5 - Feriado na cidade

 

Duas ilhas - duas jóias #3!

1 - Voltas trocadas

2 - Vulcão de emoções

O porto que tem uma cidade

Abandonei os Capelinhos com nostalgia. Mais à frente na estrada que já havia feito principiou novamente a chover.

Conduzi devagar ao passar por Ribeira Funda, Cedros, Salão, Espalhafatos, Pedro Miguel sem ver nenhuma das praias. A chuva intensa limitava os passeios pedestres.

Acabei por chegar à Espalamaca, sem ter passado pela praria de Almoxarife. Ficará para a próxima...

Na rotunda saio para a esquerda que me deu acesso ao Miradouro e onde se destaca uma enorme imagem de Nossa Senhora da Conceição que vela e guarda o porto e a cidade.

Inesperadamente pára de chover e um sol quente surge para secar a estrada. O miradouro é já ali. Daquele alto temos a noção de como a cidade está refém do porto. Uma paisagem única, brilhante e profundamente cativante.

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O Sol ilumina agora a cidade e o porto. Entretanto o Pico esconde-se por detrás de grossas nuvens como se tivesse vergonha de ser testenmunha permanente de tanta beleza.

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É a hora de descer à cidade. Deixo o carro e as malas no hotel e parto a pé para explorar finalmente a meretriz de um espaço que é já uma referência mundial.

Inicio a caminhada à beira porto pelo cais dos ferrys que brevemente me levarão a S. Jorge e com calma que o fim de tarde reserva vou palmilhando a calçada negra e alva.

O mar, o tal de cor azul como não há em outro lugar, anuncia-se calmo, sereno.

Aproximamo-nos da marina que alberga centenas de embarcações de (quase) todos os tamanhos e nacionalidades. Uns encostados, outros atracados ou simplesmente fundeados dá gosta sentir aquele espaço.

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Na avenida, nas esplanadas ou simplesmente no cais velhos e novos lobos-do-mar que barbas longas e peles tisnadas, vão trocando ideias, contando e recontando peripécias passadas ao largo.

No final, bem no final da rua após o porto encontrámos o Porto Pim.

Trezentos e cinquenta metros de verdadeira praia de areia. Negra claro!

Imagem relacionada

4 - O porto

Duas ilhas - duas jóias #2

1 - Voltas trocadas

Vulcão de emoções

A descida da Caldeira correu célere, não porque eu conduzisse depressa, mas porque havia mais confiança no caminho. Entretanto encontro um Faialense de nome Carlos F. com quem falei sobre o belo gado que estava a mudar e num laivo de lucidez perguntei-lhe onde se poderia almoçar, sem luxos mas com qualidade. Eis que a resposta veio a contento com a indicação do restaurante Rumar  na Praia do Norte, onde a D. Ermelinda comanda a cozinha.

Encontrado o asfalto logo virei à esquerda para o Varadouro. Desci o mais que pude para perto do mar onde encontrei uma espécie de praia. Mas sem areia... Óptima para jovens e menos jovens!

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O azul e a limpidez daquelas águas são deveras impressionantes. Ficava ali, se pudesse, horas a mirar o vai-vém das pequenas ondas a bater nas rochas negras. A memória do que vemos e sentimos perdura no nosso espírito, mas a vontade de levar aquele pedaço de mundo connosco é tentador.

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Deixei-me ali ficar por muito tempo, de tal forma que o estômago começou a dar sinal da necessidade de recarga. Peguei no mapa e percebi que a Praia do Norte seria relativamente perto já que a ilha é pequena. Depois voltaria para trás para reiniciar a visita.

O restaurante é simpático com uma vista bonita para o mar e para uns terrenos onde pachorrentamente pastavam algumas vacas e respectivos bezerros. Aqui comi, para além de uma tábua de diferentes e fabulosos queijos do "Morro", a célebre linguiça com inhame. Curiosamente da última vez que almoçara no Faial fora também este belo acepipe. Coincidências...

Após o almoço regressámos (quase) à origem para observarmos e darmos conta do que terá sido a erupção do vulcão dos Capelinhos. Acresce dizer que toda a vida ouvi falar desta erupção, simplesmente porque o meu pai foi testemunha ocular deste fenómeno da natureza e que daria à ilha mais uns hectares de terra cinzenta e originaria um enorme exôdo de Faialenses.

O Centro Interpretativo do Vulcão dos Capelinhos é muito esclarecedor e mereceu visita demorada e atenta.

O próprio farol e após 130 degraus dá-nos uma visão privilegiada de toda uma extensão de terreno inóspito, mas ainda assim muito bonito.

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O pedaço de terra mais jovem de Portugal é agora um refúgio para muitas aves, essencialmente os cagarros onde nidificam sem a intervenção humana.

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Foi com profunda emoção que palmilhei este lugar. Essencialmente em memória:

- dos que ficaram sem as suas casas e terras devido às cinzas;

- dos que se viram obrigados a partir em busca de melhores vidas;

- dos que corajosamente enfrentaram as vissicitudes;

e acima de tudo;

- por estarmos perante algo que aconteceu há uns meros sessenta anos.

 

3 - O porto que tem uma cidade

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