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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Estou de férias! E agora?

O título deste postal não se refere a mim. Mas tenho percebido que há muita gente que vai de férias só porque sim...

Obviamente que também existe o inverso quando muitos só querem estar de férias (e quase conseguem tendo em conta a sua produção no local de trabalho!!!).

Mas a questão é real: há quem vá de férias e nunca saia de casa! O que é naturalmente muito estranho.

Ainda por cima num país com tanto mar, tanta praia, tanto museu, tanta beleza natural.

Eu, que só agora iniciei as minhas férias, espero que a praia se prepare para mim. E a areia e o astro-reil.

Adoro dormir ao Sol. Sei que não o devo fazer mas lagarto é lagarto.

Espero ainda fazer uns passeios. O ano passado fui à aldeia de Juromenha. Este ano logo se vê. O tempo, a paciência e a necessidade de descanço ditarão as suas leis.

Mas ando com o desejo de conhecer a costa alentejana abaixo de Porto Covo.Veremos então o que nos reservam estas férias.

A gente lê-se por aí!

 

(Re)visitar Évora!

Tal como havia escrito neste postal em Abril passado, regressei à capital do Alto Alentejo. A cidade museu onde ao dobrar de uma esquina há um antigo palacete, uma janela bonita, um azulejo especial.

No Museu do Relógio encontravam-se três aparelhos já reparados e tendo em conta o sábado achei por bem regressar a uma cidade, da qual gosto especialmente.

Nunca lá trabalhei nem nunca lá vivi. Todavia Évora é uma cidade fascinante.

Eram 10 e maia da manhã quando cheguei a uma cidade que se encontra em festa, à conta do S.João. Percorri as ruas pejadas de turistas, visitei demoradamente a Igreja do Convento de S. Francisco, assim como uma exposição de Presépios pertencentes a um casal da terra, com mais de 2700 peças.

Uma exposição de peças de arte sacra e paramentos, também pertencentes ao velho Convento Franciscano, foi outra das mostras que visitei.

A igreja do Convento surgiu como uma belíssima surpresa. Totalmente recuperada desde 2015, merece um olhar atento sobre a quantidade de retábulos expostos. Todavia de toda ela sobressai esta Capela pela sua imponência e beleza.

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Mas, sinceramente, todo o trabalho de restauro feito na igreja está ao nível de muita coisa que já vi fora de Portugal. Muito, muito bom!

A Capela dos Ossos, celebérrimo templo anexo ao Convento continua a ser um monumento curioso. Especialmente a sua frase na entrada: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos", como que a dar a chamar-nos à atenção para a nossa efémera vida. 

Tentei entretanto chegar à Sé, mas esta fechou cedo demais para o meu tempo. Só que já em tempos a visitara... Portanto não fiquei grandemente aborrecido!

Aproveitei para ver se as obras ao lado já haviam terminado.

Parece que ainda não...

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Três ilhas, cinco dias - uma breve análise

O arquipélago dos Açores é constituído por 9 ilhas. Destas já conheci seis. Faltam assim S.Jorge, Graciosa e Santa Maria.

Durante muito tempo ouvi falar das Flores e do Corvo como ilhas onde a pobreza era evidente. No entanto e nos dias que por ali passei fiquei com uma noção diferente daquela que havia lido e ouvido.

Os insulares são gente simpática, disponível e muito hospitaleira. Terão obviamente partes menos boas, mas também no Continente as temos. E com demasiada fartura.

Curioso é que não vi ninguém a pedir, não percebi gente ociosa, não evidenciei qualquer violência.

O peixe é fonte de riqueza e sustento para muitas famílias. E por onde passei vi também muito gado bovino, algum caprino, assim como galinhas, galos, patos que passeavam livremente à beira da estrada.

Outra curiosidade prende-se com a quantidade de merendários espalhados pelas ilhas, especialmente nas Flores, já que o Corvo tem somente uma estrada de 7800 metros que vai da vila ao Caldeirão. Nestes merendários podem-se encontrar fornos de lenha, água canalizada e grelhas para churrascos, já com a lenha preparada. Durante estes dias somente em Ponta Delgada das Flores vi o convívio familiar num destes pontos.

Percebi também que nas Flores há alguns estrangeiros a viver permanentemente. O Neil, escocês e que era o proprietário do alojamento onde ficámos e encontrei o Luc um francês de Toulouse e antigo colaborador das Forças Militares Gaulesas. Radicado há 20 antos nas Flores vive da sua reforma e do que a terra, que entretanto comprou, lhe dá. Para além dos dois barcos nos quais pesca.

O Pico pareceu-me mais cosmopolitano, com maior movimento de automóveis já que a ilha é a segunda maior do arquipélago. No entanto a simpatia mantinha-se e percebi unicamente uma certa animosidade para com o Faial.

Voltarei àquele arquipélago. Essencialmente para ver as três ilhas que me faltam.

 

Três ilhas, cinco dias - Pequenino

O último dia no Pico previa-se intenso. Por isso às sete da manhã já estávamos numa pastelaria a tomar o pequeno almoço, ali bem no centro da Madalena do Pico.

Havíamos previsto subir por estrada à montanha, acima de tudo para observar as lagoas. Depois desceríamos novamente às Lages para visitar o museu e finalmente espreitar à luz do dia a orla costeira entre o porto de antigos baleeiros e a capital da ilha, antes de rumarmos ao Aeroporto para o regresso.

A subida iniciou-se muito bem com a serra mais alta de Portugal a seguir-nos. De vez em quando um banco de nevoeiro obrigava-nos a velocidade mais reduzida pois como soe dizer-se "não se via um palmo à frente do nariz".

Finalmente à esquerda a indicação da lagoa do Capitão. A primeira que nos surgiu e sem dúvida a mais bonita,

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Alguns patos andavam por ali serenamente a gozar dos raios de sol que o nevoeiro deixara escapar. A calma do local é simplesmente contagiante. Senti-me, ao olhar aquela montanha ali imponente, deveras pequenino.

Voltámos à estrada principal em busca de mais lagoas. Só que caiu um nevoeiro tamanho que a determinada altura perdi-me com as lagoas e os seus nomes. Ficaram algumas fotos mesmo que enovoadas.

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Era tal o nevoeiro que cheguei a perguntar a uns bezerros simpáticos, o caminho.

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Cheguei às Lages a horas de ver o museu beleeiro. Um belíssimo naco de história de uma povoação repleta de estórias.

Gostei especialmente deste quadro, feito em osso de baleia, talvez por simbolizar a vida de muita gente.

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Passado tantos anos após o fim da caça da baleia, este cetáceo continua a dar riqueza ao local, especialmente pela aventura que será avistar baleias. No porto simpático e acolhedor são já algumas as ofertas para ver baleias e golfinhos. Uma aventura a fazer futuramente.

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Era hora de regressar ao caminho.

Mais umas fotos para recordar.

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Até chegarmos perto de Madalena, já depois de Candelária podemos apreciar um dos mais belos patrimónios da humanidade: as típicas vinhas do Pico que vão crescendo por entre jeirões de pedra negra.

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A paisagem é realmente deslumbrante. E obriga a parar. E sentir. Paredes meias com o mar...

Finalmente chegara a hora do almoço e aproveitou-se para uma última refeição que foi um manjar dos deuses. O restaurante "Ancoradouro" surgiu assim na nossa frente por acaso e foi uma óptima escolha.

Entradas de queijo de S. João e mel para um e linguiça e inhame para outro, que acabámos por partilhar, para depois se seguir um bife simplesmente soberbo. O vinho tinto da região a condizer e uma sobremesa de se tirar o chapéu. Não foi barato mas valeu a pena.

Fazia-se tarde. E estava muito abafado. Terminámos fazendo uma visita à igreja da Madalena que me impressionou verdadeiramente. Havia obras no centro da povoação o que limitou o nosso passeio.

Pouco depois das três da tarde entregava o carro na Aerogare.

O Pico merece, sem dúvida, uma visita mais detalhada. Essencialmente para um dia poder ver baleias e quiçá subir ao ponto mais alto de Portugal.

Assim tenha eu vida e saúde para o fazer!

Três ilhas, cinco dias - Enublado

Este quarto dia de visita a três ilhas dos Açores passei-o quase todo em transbordos aéreos.

Compreendo que a SATA tenha necessidade de minimizar custos, mas sair da Flores às onze da manhã e chegar ao PIco perto das seis da tarde parece-me realmente um desperdício... de tempo.

À saída da Fajã acabei por passar pela aldeida da Cuada, um projecto de alojamento turístico, que aproveitou as antigas casas da aldeia que entretanto haviam sido abandonadas pelos seus proprietários e fazer deste lugar um sítio de descanso quase perfeito.

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Segui para o aeroporto de Santa Cruz mas só comecei a passear na ilha do Pico eram perto das sete da tarde. Ainda assim consegui dar uma volta pela ilha, obviamente de carro, tendo parado em alguns locais bem simpáticos. Como é o caso de S. Roque do Pico também ela em tempos uma terra de baleeiros.

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Do Pico consegue-se ver a Ilha do Faial e a comprida ilha de S. Jorge. Todavia não percebi ainda o porquê da rivalidade que há entre os habitantes das diversas ilhas. Então entre Pico e Faial a coisa parece ser muito evidente.

A segunda maior ilha do arquipélado acoriano viveu muito da pesca da baleia e da agricultura. Desde 1987 data em que a última baleia foi pescada os habitantes do Pico apontaram os seus esforços para a produção de vinho. De tal forma que o vinhedo do Pico foi há uns anos transformado em património Mundial.

Curioso ainda a montanha do Pico,,, Há sempre ao redor da maior montanha de Portugal uma penumbra que nunca nos deixa ver a montanha como gostaríamos. O acesso ao topo é feito somente a pé e recorrendo a guias especializados. Pelo que percebi são necessárias 4 horas para subir e outras tantas para descer.

Nesta ilha, como em todas as outras, as populações procuram a beira do mar para se instalarem, donde retiram muito sustento.

Conforme fui atravessando a ilha apanhei bom tempo, nevoeiro e também muitas nuvens. Acabei por parar para jantar nas Lajes do Pico (já percebi que Lajes é um nome de povoação muito comum nos Açores!!!). Povoação onde se encontra um belo museu em honra dos baleeiros, erigido nos antigos armazéns onde se guardavam as embarcações da faina da pesca da baleia.

À hora a que cheguei já se encontrava encerrado, mas ficou o desejo de ali voltar.

Acabei por jantar no "Café da Ritinha" local bem aprazível e com bom peixe. Preços razoáveis.

Não obstante a hora tardia ainda consegui apanhar um exemplo do que apanhei no Pico.

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 Estávamos em vésoeras do dia dedicado ao santo de Lisboa. por isso acabei por ser convidado pelos donos do restaurante a participar na festa que eles tinham reservada para essa noite, A costumada simpatia açoriana a vir ao de cima. Todavia declinei o convite tendo em conta trinta quilómetros de uma estrada que não conhecia, ainda por cima de noite.

O espírito enublado que me acompanhou durante todo o dia, a desaparecer com este singelo convite.

Madalena do Pico esperava-me

 

Três ilhas, cinco dias - Esmagado

Por telefone havia reservado, dias antes, viagem para a ilha do Corvo. Deste modo foi bem cedo que saímos da Fajã Grande para Santa Cruz das Flores, onde chegámos a tempo e horas, já que nos haviam avisado que o transportador para o Corvo detestava sair atrasado.

Cerca de um quarteirão de pessoas, todas turistas e de diversas nacionalidades, entraram à hora marcada na embarcação. Saímos devagar por entre as rochas que há milhares de anos foi lava incandescente.

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A viagem não foi directa à ilha e fomos então brindados com uma volta ao redor da costa leste e norte da ilha das Flores, donde destaco as inúmeras quedas de água,

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para além dos já falados ilhéus.

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Outro dos eventos que sublimou este dia foi sem dúvida a visita a algumas cavernas, destacando delas a "Cathedral Cave" como o navegador gostou de lhe chamar.

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Após mais de meia hora nesta inesquecível volta eis-nos então a caminho da ilha mais pequena do Arquipélago dos Açores.

Foram cerca de 45 minutos a uma velocidade constante de 22 nós marítimos (aproximadamente 40 quilómetros à hora), sem sobressaltos nem golfinhos.

A vila do Corvo apareceu finalmente no nosso horizonte. Todavia o cimo da ilha surgia forrada de uma cor plúmbea que nos fez temer o pior.

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A embarcação atracou e tentámos logo arranjar transporte para o cima da montanha que sabíamos ser o local absolutamente imperdível. Após algum compasso de espera lá veio o carro que levou dois casais para o topo.

Tenho consciência que o ser humano nem sempre está bem preparado para o belo. E então se for oferecido pela Natureza, ainda menos. Talvez por isso me comovi ao ver este espectáculo,

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A fotografia não consegue ser totalmente fiel à beleza do local. Mesmo que as nuvens se dissipem e se tente uma melhor perspectiva,

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O que foi uma antiga cratera de um vulcão já extinto tem agora 5 quilómetros de perímetro e dois de diâmetro. As duas lagoas separadas por pequenas elevações no seu interior tornam a paisagem ainda mais bucólica. E o verde... essa cor tão brilhantemente natural é constante.

Senti-me totalmente esmagado pela visão desta paisagem.

Numa descida de mais de um quilómetro acabei por chegar bem perto da água onde as râs, impávidas e serenas coaxavam com alegria.

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A vista de baixo é outrossim imperdível e não fosse o carro que nos traria para a vila estaria muito mais tempo naquele lugar. Um verdadeiro santuário de paz.

Aqui e ali salpicado por alguma vaca que na descida e subida nos olha com indiferença preferindo obviamente o pasto fresco e viçoso.

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Subimos devagar a encosta, não sem antes voltar a fixar aquela paisagem perfeita.

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Já no cimo as nuvens voltaram a cobrir o Caldeirão inibindo mais fotografias. Regressámos ao mundo dos homens onde no restaurante local "O Caldeirão" comi um "peixão" delicioso. A minha mulher optou por cherne. Não foi barato já que não comi entradas nem sobremesa, mas valeu a pena pela qualidade do prato.

Eram 16 horas quando regressámos a Santa Cruz das Flores, agora sem direito a mais brindes. Quiçá a visualização da tão perigosa "Caravela Portuguesa", mesmo a li à beira do cais.

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Regressámos à Fajã Grande para já tarde irmos jantar à "Barraca C'abana".

Já conhecia o local do primeiro dia, mas faltava-me ainda ver algo neste dia tão preenchido e tão marcante: o pôr-do-sol!

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Às 21 horas e 32 minutos!

Três ilhas, cinco dias - Deliciado

Uma das curiosidades da ilha das Flores, nesta altura do ano, é o tamanho dos dias. Começam muito cedo, pelas 6 da manhã já é dia alto e às 11 da noite ainda há uma penumbra diurna.

Após o primeiro dia de muitas emoções pictóricas, já faladas no texto anterior, este segundo dia foi essencialmente dedicado a visitar as diversas povoações da ilha, todas elas ribeirinhas ao mar.

Cada aldeia desenvolve-se quase sempre à volta do seu pequeno porto ou ancoradouro. Seja no cais ou nalgum terreno mais alargado é frequente verem-se embarcações para diversos fins mas, essencialmente diria, para a pesca artesanal. Não olvidando algum pequeno veleiro de recreio.

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Muito acima no nível do mar porém bem visível de quase toda a povoação eleva-se a igreja. Todas elas muito parecidas com diferentes santos padroeiros mas normalmente bem estimadas, especialmente por dentro.

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A costa da ilha quando não tem habitações é porque são as escarpas íngremes que dominam a paisagem. Depois… os rochedos que vão saindo do mar como se procurassem ar e vida. Negros e irregulares.

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Ponta Delgada das Flores parece, ao longe, ser uma mui pequena povoação. Todavia já dentro do povoado quase que cresce.

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Parei o carro num estacionamento e percorri a parte interior do lugar, sempre a pé. Coincidentemente era Domingo e aproveitei para assistir à missa no Dia de Portugal na igraja matriz da freguesia.

A igreja ainda assim estava bem composta de fiéis na maioria mulheres idosas..

Depois… foi hora do almoço. No Pescador comemos cabrito à moda das Flores (parecido com a chanfana da Beira Alta) e bife de atum. E claro está… antes as célebres lapas. Deliciosas. Preço bom, se bem que não tenha comido sobremesa.

No entanto antes do almoço ficara algo para ver: o Portinho. Mas perdemo-nos antes de lá chegar.

O curioso é que quando passara a primeira vez pelo restaurante para tentar saber qual a melhor hora para comer, cruzei-me com um pescador que trazia seguramente nas mãos mais de vintes quilos de um peixe vermelho: as vejas. Meti-me com o pescador que me explicou o que iria fazer com elas: salgá-las e secá-las. Depois serão cozidas como o bacalhau e segundo o pescador é um peixe muito saboroso.

A caminho do carro voltei a encotrar o pescador que me perguntou se conhecera o portinho. Respondi-lhe negativamente até que ele me explicou como ir para lá. Havia que descer 168 degraus e depois subi-los. Que não achei problema.

Regressámos ao sítio e à segunda tentativa encontrámos o passadiço que mais parecia uma parede divisória de um terreno.

Um conjunto de degraus levou-nos finalmente ao tal Portinho. Uma espécie de praia reservada de águas límpidas, tão limpidas que me deliciei tempos infinitos a ver aquele espectáculo.

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Após a subida foi a altura de visitar a ponta da ilha e o seu farol do Albernaz. No caminho bom mas tortuoso outra curiosidade. Ao lado da ponte que atravessa uma ribeira eis que encontro um conjunto de galináceos que ao invés do que é costuma se aproximam de mim. Sem receio, sem qualquer temor.

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Ao fim de alguns quilómetros lá surgiu o tal farol, último e luminoso reduto de uma ilha perdida no Oceano.

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De volta a Santa Cruz ainda houve tempo de apreciar num parque temático alguns gamos

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e uns belíssimos pavões, machos e fêmeas e crias.

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O dia terminou em Santa Cruz no pequeno boqueirão que foi em tempos recolha da pesca da baleia.

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O dia seguinte previa-se novamente recheado...

Três ilhas, cinco dias - Maravilhado!

Deliciado

Esmagado

Enublado

Pequenino

Saimos de madrugada. O voo para Ponta Delgada sairia às 6 e meia da manhã.

Já na capital açoriana apanhámos novo avião para as Flores. Todavia este ainda haveria de parar na Horta. Nesta aerogare reabasteceu de combustível pois, por vezes, os aviões não aterram e têm de regressar sem sequer poisar na ilha onde “o azul é mais azul e o verde mais verde”.

Chegámos à ilha pelas onze horas locais – menos uma hora que no Continente. Algumas nuvens degladiavam-se com um sol quente.

Levantou-se a viatura e corremos para o apartamento para mudarmos para uma roupa e calçado mais prático.

A viagem de carro entre Santa Cruz e Fajã Grande, local onde ficámos alojados, começou a dar uma pálida ideia da beleza que iria encontrar mais tarde. O verde era constante mesmo que de variadíssimos tons. Um sobe e desce, curvas e a primeira constatação: muito gado bovino espalhado pelas encostas. Por vezes são minúsculos pontos na paisagem.

A foto da Fajâzinha tirada do miradouro da estrada para o Mosteiro é um bom exemplo.

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Já no alojamento, mudámos rapidamente de calçado e como havia chegado a hora de almoço procurou-se um local para comer. Entre algumas opções e indicações que tinha, optei um pouco ao acaso, pelo PapaDiamandis. O restaurante é amplo com uma óptima esplanada e vista para o mar, praia e acima de tudo para o poço do Bacalhau. Uma cascata donde cai água permanentemente.

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O almoço foi naturalmente peixe. Não sem antes haver uma entrada de lapas que estavam uma delícia. Sabiam a verdadeiro mar. Depois o tal peixe: uma garoupa e um boca-negra assados na brasa. Muito bom. Mas o melhor estaria para vir, pois com a chegada da sobremesa o meu palato foi confrontado com um dos mais saborosos pudins de ovos que comi em toda a minha vida. Sublime!

O preço da refeição pareceu-me na altura, um tanto exagerado, mas mais tarde percebi que era um valor mais ou menos normal.

Saciados era tempo de procurar... aventura.

Começei pela Lagoinha ou Poço da Caldeira do Ferreiro ou ainda a Lagoa das Patas, esta última porque segundo afirmam pela manhã é possível avistar bandos de patos selvagens que pernoitam na lagoa.

Ao local chega-se através de um caminho pedregoso que com chuva ou apenas molhado deverá ser perigoso, especialmente a descer. Daí no início do caminho encontrarmos uns bastões, que deverão ser devolvidos no final e que eu pensei poderem ajudar na subida. Porém depressa percebi que a descida poder-se-ia tornar muito mais perigosa.

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Sincera e dificilmente estamos preparados para a beleza do local. Parece uma dessas paisagens retiradas de um qualquer filme de Hollywood. O sítio obriga por isso ao silêncio. Porque a água, o chilrear dos pintassilgos e dos melros são mais fortes que a nossa voz. E imperam... tal como o coaxar das rãs...

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As fotografias não fazem justiça à real beleza do local, pois até as árvores, em profunda veneração, se vergam a esta obra quase perfeita da mãe natureza.

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A saída não sendo íngreme deve-se ter cuidado, porque o chão não é macio. As levadas ladeiam em parte o caminho transportando a água para a ribeira.

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Muitos turistas, especialmente estrangeiros, costumam fazer a volta das lagoas a pé. Serão alguns quilómetros, primeiro sempre a subir, mas sem nunca se ter a certeza de se conseguir ver, tal é o nevoeiro que por demasiadas vezes inunda o cimo das encostas. No entanto ao todo vi sete lagoas. Para além da já referida Lagoa do Paço do Ferreiro, nesta tarde conseguimos ver as restantes seis.

Lagoa Negra

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Lagoa Comprida

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Lagoa Rasa

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Lagoa Seca

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Lagoa das Lombas 

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Lagoa Funda

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Dizem que a Lagoa Comprida tem vindo a perder água. É evidente a diferença.

Algumas delas são visivéis de pontos diferentes o que nos dá uma visão realmente muito diferente das Lagoas.

Reconheço, especialmente pelos dias seguintes, que tive muita sorte em conseguir numa tarde vê-las todas. Tirando a das Lombas onde o nevoeiro ia pregando algumas partidas as restantes foram bem apreciadas.

Curiosamente terminei o dia muito perto de onde almocei.

Aqui, no Poço do Bacalhau.

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De novo por aqui!

Durante cinco dias fui aqui colocando uma palavra associada com uma foto, tentando de forma sucinta com ambas ilustrar cada dia vivido nos três ilhas do arquipélago dos Açores.

Cinco dias que, não fossem os transbordos de avião, teria dado tempo para ver muito mais. Mas enfim é o que temos.

De uma forma muito geral direi que as ilhas que visitei não são aquele reduto escondido algures no mar. Bem pelo contrário.

Vi muuuuuuuuuuuitos turistas, portugueses e não só. Gente que procurou encontrar beleza natural, desportos especiais e que não ficou certamente defraudada.

As Flores e depois o Corvo são dois monumentos à natureza. A água é uma constante e não fosse algum calor provavelmente seria ainda mais. Os ilhéus relacionam-se bem com o gado e com o mar. De um lado e de outro há riqueza e sustento. Basta trabalhar o suficiente.

Assim como o turismo que cada vez mais se torna menos sazonal.

Uma aposta na diversidade de oferta de lazer parece ter sido ganha. Já que descidas de falésias, mergulho e visitas temáticas às baleias têm tido um grande incremento. Faltarão alguns detalhes, quiçá menores, mas quem vive no Continente nem sempre tem tudo o que deseja.

Nas próximos textos vou alargar a ideia que transmiti cada dia. Para que percebam que no meio do Atlântico a Natureza ainda é a rainha.

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