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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Lar doce lar?

Ainda reconheço este 6 de Janeiro como dia dedicado aos reis Magos, se bem que a igreja católica celebre este dia no primeiro Domingo de Janeiro, mesmo que não calhe a dia 6.

O bolo-rei não pode faltar à minha mesa assim como outras iguarias.

Mas hoje há um aniversário na família. A minha sogra, completamente demente, faz hoje 93 anos.

Desde 2021 que está num lar. Profundamente incapaz de se valer acabou por ter de ser colocada numa instituição especializada. E se há muitos lares em que os idosos ficam piores do que estavam em casa a verdade é que este mantém uma qualidade de vida aos utentes muito apreciável!

Por exemplo hoje organizaram um lanche com direito a bolo para a minha sogra. Ao que sei uma iniciativa que têm para todos os idosos ali residentes.

As filhas estiveram presentes e cantaram os parabéns. Até tiveram direito a apagar as velas do enorme bolo já que a mãe nem tem consciência do que teria de fazer!

Sei que há ali muitos idosos de diferentes idades e com diferentes níveis de insanidade e até alguns quase perfeitos não obstante a longevidade. Todavia e tendo em conta que já não caminho para novo temo que o meu futuro seja aterrar num local deste tipo.

Mas assumo já... se for este estabelecimento fico bem entregue!

Será da velhice?

Uma das coisas que por aí vou escutando é que as pessoas chegando a uma certa idade tornam-se gulosas. Ou dito de uma forma mais simplista começam a apreciar melhor os doces!

Os mais conhecedores deste fenómeno atiram para a idade a perda de paladar o que vai originar uma buscva por coisas mais apetitosas.

Ora bem... então não é que eu tenho notado um maior gosto por doces. Na verdade antigamente ligava pouco ou nada a bolos, bolachas e chocolates. Mas recentemente dei por mim a comer uma tablete de chocolate de uma só vez. Obviamente que não era muito grande, mas ainda assim considerei um exagero.

No entanto esta fuga para a frente não me leva a comer tudo o que é doce e me aparece na frente. Um pão-de-ló, por exemplo, ainda é para mim incomestível. Tal como as filhós que se fritam cá por casa... aquilo sabe a... coisa nenhuma, já que açúcar é apenas uma amostra!

Ao invés dos bolos, os pudins são bem vindos assim como as rabanadas e demais doces... de colher! Portanto... levanto a questão: isto de ser guloso será da velhice?

Degradação!

Estou há uma semana com os meus pais. Desde Sábado passado!

O meu pai tem 91 anos, feitos recentemente, e começa agora a ter problemas de saúde mais graves indiciado a iniciar hemodiálise.

A minha mãe, quatro dias depois do meu pai, fez 85 anos. Pouco mais de metro e meio de uma genica única, diria eu que herança da mãe! Todavia a cabeça começa a falhar essencialmente com alguns lapsos de memória. Repete amiúde as mesmas questões e percebe que já não é a mulher de outrora.

Portanto constato um pai triste e quase inerte - o exemplo encontra-se na sua total ausência da apanhana da minha azeitona, algo que nunca aconteceu - e uma mãe que chora o seu novo estado intectectual.

Deste lado temo pelo futuro deles... Como irá o corpo do meu pai receber um tratamento tão forte? Ou como acordará amanhã a minha mãe?

Uma degradação quase galopante e que me assusta!

Profundamente!

Real vetustez!

1foto1texto

Resposta a este desafio!

Desde que os meus avós partiram já lá vão muitos anos, houve um palheiro que nunca mais foi cuidado. Durante muuuuuuitos anos ali foram criadas muitas vacas e bezerros alguns cuidados até por mim. Lá moraram cavalos, burros e mulas e foi mais recentemente garagem de um velho tractor do meu pai.

Mas agora... Bom agora não estando em ruínas (eu não deixaria) em alguns espaços os barrotes que seguram as tábuas da parte de cima apresentam esta imagem.

20230908_171519_resized.jpg 

Sinais do tempo que passa... tãããããããão depressa!

A idade não perdoa!

Quando chegamos a certa idade e começamos a ver os nossos a definhar, ficamos com aquela ideia ou será sensação: amanhã sou eu que estou assim!

Quer queiramos quer não, a idade tudo nos dá e tira.

Dá-nos sabedoria, mas tira-nos descernimento!

Dá-nos sensatez, mas esconde-nos memória!

Dá-nos calma, mas retira-nos a consciência!

Portanto cada dia será mais um dia. Vivido em plenitude ou muitas vezes nem isso.

Nesta altura da minha vida peço pouco da vida. Talvez um pouco mais de paz no coração, uma noite tranquila e saúde q.b.

Vejo neste mundo tanta demanda, tanta bravata que me sinto chocado. Seria bom que muitos ouvissem o que os chineses dizem após uma partida de xadrez: o peão e o rei encontram-se dentro da mesma caixa.

A verdade é por vezes tão simples.

A gente lê-se por aí!

Educar o amanhã!

Entre diversas coisas que aprendi nos meus relacionamentos com as crianças (filhos, sobrinhos e outros petizes!), uma delas prende-se com a capacidade que os miúdos têm na resposta que devem dar à estúpida pergunta: gostas mais de quem?

Obviamente que o questionado percebe sempre que resposta deve dar e assim contentar quem lhe lançou a questão. Muitas vezes com direito até a prémio.

Nunca gostei deste estratégia para ganhar o carinho e a atenção das crianças. O melhor mesmo é descermos ao nível deles e participarmos nas suas brincadeiras, por muito parvas que sejam para nós (nunca são para eles!). Sermos um deles!

Educar hoje uma criança não é fácil (creio mesmo que nunca o foi!), mas quem educa deve ter sempre em atenção que nenhuma criança é igual à outra. Mesmo que filhos do mesmo pai e mãe!
As crianças requerem dos educadores muita atenção, genuíno carinho e uma enorme resistência psicológica. Diria que sem estes três vectores um miúdo pode facilmente desviar-se do bom caminho.

A disciplina deve ser ministrada, mas outrossim explicada e nunca olvidada... Uma criança que não saiba respeitar a disciplina que lhe é apresentada nunca singrará convenientemente na vida. Porque desde cedo aprendeu que o Mundo rodava à sua volta. Por isso tem de se habituar a escutar a palavra Não. A chantagem psicológica que muitas crianças utilizam para conseguirem os seus intentos nunca deve ser valorizada.

Por fim há que dar a perceber a eles que todos somos precisos... independentemente da idade e da capacidade intectual!

Hoje são eles que precisam de nós! Amanhã somos nós que precisaremos deles!

Atitude!

Velhice não é idade... somente (má) atitude.

Esta minha ideia resulta de muitos anos de vida, de demasiadas vicissitudes e de muitos exemplos que me são oferecidos ver!

Na verdade há gente jovem provavelmente mais velha que eu. Da mesma maneira que se poderá encontrar pessoas com muita idade bem mais novos que eu!

Um destes dias em conversa percebi que a minha mãe, com 84 anos, aceita pacificamente as opções que cada pessoa faz na sua sexualidade. O que tendo em conta a idade que tem e acima de tudo a sua educação religiosa (diria que roça a beatice!) que exibe, parece ser um caso raro de aceitação.

Portanto saio à minha mãe que por sua vez herdou os genes estranhos da minha avó, que sempre foi uma mulher muito à frente do tempo em que viveu.

Voltando à ideia da velhice gostaria de manter este meu espírito sempre aberto a aceitar aquilo que é mais jovem que eu... especialmente as ideias!

Bom fim de semana.

A gente lê-se por aí!

O meu maior receio!

Sempre que vou o lar ver a minha demente sogra saio de lá sempre a pensar: quando serei eu a entrar aqui?

Tenho perfeita consciéncia que o meu caminho será naquele sentido, pois os filhos terão de trabalhar até mais tarde e provavelmente até estarão longe de mim.

Mas independentemente de todas as razões sinto-me sempre confrangido quando visito o lar. Mesmo sabendo que a idosa estará muito melhor ali que estaria em casa.

A idade é uma coisa tramada! Quando pensamos que nada nos atinge, lá vêm os anos a colocar-nos no sítio devido para que não tenhamos ilusões ou renovadas esperanças.

Saber viver com a idade que temos é quase um luxo. Mas é aqui que reside essencialmente o meu maior receio: jamais conseguir assumir a minha idade e com ela as minhas reais limitações.

A gente lê-se por aí!

Filosofia de fim de semana

Há momentos na minha vida em que fico a pensar se não estarei, por vezes, a exigir demais dos outros, especialmente daqueles que me rodeiam. Esqueço-me que cada uma das partes que fazem de mim um todo são também um todo feito de outras partes. Parece confuso mas é muito simples.

O problema é que a velhice não é somente uma espécie de filosofia de vida (só é velho quem se sente realmente velho, dizem!), mas acarreta consigo algumas bravuras, tristezas e incapacidades de lidar... com o inesperado. Ou como costumo ouvir dos mais idosos cá de casa: "isso é já muita confusão para a minha cabeça"! No fundo este é que é o verdadeiro buzilis dos idosos.

Também já cheguei àquele momento em que gostaria de ter uns dias mais serenos, observar mais ao meu redor e receber dos meus aquele carinho tão especial.

Mas a vida nem sempre (nunca é!!!) como nós gostaríamos que fosse e assim só há que aceitar e sorrir ao ver o Sol de manhã, mesmo que este traga um inclemente calor.

Um imenso vazio!

Todas as semanas vou duas vezes ao lar visitar a minha sogra. De 91 anos e profundamente demente, não sabe quem lhe aparece na frente. Se filhas, netos, genros ou bisnetos.

Como não sabe o seu nome nem de nenhum familiar. Não se recorda de pai, mãe ou irmãos. É um ser vivo, mas não vivente.

As filhas perante um cenário profundamente decadente e com algumas limitações físicas não tiveram outra opção senão colocá-la num lugar sem luxos, mas onde receberia (e recebe) toda a atenção e carinho devidos à sua situaçáo. Quase oito meses passados, se bem que a demencia seja cada vez mais profunda e irreversível, certo é que parece minimamente feliz... se isso se poderá afirmar já que não tem qualquer consciência do que é a felicidade, muito menos de quem foi ou onde se encontra.

Observo este triste cenário e fico muitas vezes a pensar quantos anos me restarão para chegar a este estado? Sinceramente prefiro partir antes de tal fado. Que Deus se compadeça deste pobre...

Limito-me, e para terminar, evocar uma frase recorrente nestes casos: o que fomos e no que nos tornamos!

Uma verdade que é a assumpção de um imenso vazio.

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