Hoje no restaurante onde almocei com a família mais próxima havia um quiosque de venda de jogo. Mas sem clientes na altura.
No entanto em cima do balcão havia um panfleto a alertar os apostadores para o perigo do jogo.
Não sei quando principiou esta campanha, mas concordo definitivamente com ela.
Porém...
Este panfleto, por dentro, tem uma série de questões tentando identificar o problema de cada apostador viciado. Com indicações de contactos para o caso de responder afirmativamente a quatro ou mais questões.
A ideia será de os apostadores o fazerem, de forma muito responsável, evitando com isso diversos problemas financeiros e sociais.
No entanto ponho em sérias dúvidas se os apostadores mais viciados respondem com sinceridade às questões. Como se sabe a negação peremptória de um determinado vício será a primeira defesa de um viciado.
Reafirmo que a iniciativa tem muito valor, mas desconfio da sua eficácia!
A Organização Mundial de Saúde considera que o vício em videojogos é uma doença do foro psiquiátrico.
Face a esta resolução da OMS podemos estar a um passo de dizermos que todos somos doentes mentais. Porque todos temos tendências viciantes. Ou não?
Fumar, beber, jogar em casinos, totobolas ou euromilhões, fazer compras, tudo pode tornar-se um vício. E se assim for assumido, (quase) todos nós somos doentes do foro mental, porque raras são as pessoas que não têm vícios.
Eu próprio, que costumo dizer não tenho desses vícios que estragam as vidas pessoais e não só, posso considerar-me um doente mental já que não passo um dia sem que escreva qualquer coisa. E quando isso não acontece quase que fico de ressaca, qual toxicodependente.
Face ao que precede parece-me assim pouco razoável que uma organização Mundial venha publicamente afirmar que o gosto por videojogos seja uma doença.
As empresas fabricantes deste tipo de actividade devem ter delirado com esta assumpção.
Neste momento da minha vida não tenho qualquer vício. Mas assumo que já os tive. Fumei, joguei de forma compulsiva "flippers" e cheguei a beber demasiado.
Um dia decidi acabar com os vícios. Comecei pelo jogo, depois veio o álcool e finalmente o tabaco.
No entanto para que tudo isto resultasse não necessitei de qualquer tratamento médico nem qualquer consulta da especialidade. Impus a mim mesmo essas regras e naturalmente consegui cumpri-las com maior ou menor esforço. Bastou unicamento força de vontade.
Ao que parece há actualmente nos hospitais públicos consultas destinadas para aqueles que pretendem deixar de fumar. Percebo que seja uma tentativa para evitar futuramente males maiores, com os eventuais aparecimentos de doenças derivadas do uso do tabaco. No entanto parece-me exagerado a ideia de que estas consultas tenham de ser em maior número.
Olhando à distância e de forma desapaixonada e ainda por cima por alguém que já foi fumador, seria bom que as pessoas envolvidas percebessem de uma vez por todas que não foi o Estado o fomentador dos seus vícios e portanto será já uma benesse ter uma consulta para saber como lidar com o problema.
Assumo que este tema não é pacífico nem congregador de ideias, mas também será bom que se entenda que anda muita genta a financiar a cura dos vícios dos outros, para os quais jamais contribuiu.