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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Raspemo-nos... ao vício!

Tenho assistido a muitos casos envolvendo a raspadinha. Desde uma mulher que preferiu jogar a dar uma sandes ao filho, aos velhotes que deixam de comprar medicamentos por a dívida de raspadinhas no quiosque ser tão grande que pouco sobra para remédios. Enfim um ror de situações que todos ou quase todos nós vamos diariamente assistindo.

Li hoje que começa a haver por parte de algumas entidades (leia-se governo) alguma preocupação pela forma viciante como as pessoas seguem a raspadinha.

Qualquer vício é...tramado! Ou a pessoa percebe o caminho que está a trilhar e coloca um travão na atitude ou continua em negação e a gastar o que tem e não tem!

Muitas podem ser as causas para esta doença de adição, mas a principal é a forma como se vendem sonhos ao preço da "uva mijona"! A constatação dos factos prova o que disse acima pois o estudo evidencia que são as pessoas de menos recursos, deficiente formação intelectual e alguns desiquilíbrios emocionais as mais propensas a este vício da raspadinha!

Agora creio que será tarde para inverter a situação para os mais velhos. O melhor mesmo é iniciar bem cedo, obviamente na escola, uma simples formação sobre a vida financeira.

Acrescento que durante muitos anos os meus filhos sempre assistiram e assumiram como normal que eu e a mãe fizéssemos contas de forma aberta e sem segredos. Talvez por isso hoje eles estejam a abraçar os seus próprios projectos.

Eu sei o que é um vício já que durante anos derreti muito dinheiro. Mas acordei a tempo para a realidade e num àpice deixei tudo. Portanto o primeiro passo é assumir que há um vício de jogo. Depois lentamente tudo se concerta!

Por fim e como nota de rodapé fica a pergunta: como pensará o governo travar esta cegueira pela tal de raspadinha?

Jogar a vida!

A idade ensinou-me a discernir que a vida tem muito mais de jogo que qualquer boletim impresso e atirado para uma máquina numa vã esperança que aquela se altere! Como num passe de ilusionista.

Hoje de manhã fui a uma pastelaria comprar pão e o local de pagamento deste é também um quiosque de jogo. À minha frente uma idosa gastou uns parcos euros por qualquer coisa que terá comido e alguns euros em troca de jogo. 

Estava eu a assistir a esta troca de dinheiro por esperanças, jamais concretizadas, quando reparei neste aviso.

20230730_173245_resized.jpg

Logo ali fiquei com a ideia de que a SCML deve viver longe da actual realidade do povoléu, pois deveria também proibir o jogo a quem tivesse mais de... 81 anos.

Dir-me-ão alguns de vós que há muita gente com aquela provecta idade bem autónoma e capaz de decidir sobre se deve (ou pode) ou não jogar! De acordo!

Da mesma forma haverá gente com menos de 18 anos com essa igual capacidade, tal como há quem tenha 30 ou 40 anos e não consiga controlar-se... 

Curiosamente nestas mini férias na ilha das Flores deu-se o seguinte caso: entrei num café para beber algo que me refrescasse e dei conta que o dono estava de telemóvel assente em cima do balcão a jogar num casino "on-line".

Em tom de brincadeira perguntei:

- Está a jogar a sério?

- Claro, senhor!

- Já ganhou alguma coisa?

- Nadinha!

Naquele instante apeteceu-me dizer muita coisa, mas apenas encolhi os ombros e paguei a minha despesa.

Depois do que aconteceu esta manhã fui à minha carteira e retirei de lá uma nota de cinco euros que coliquei junto a outras de igual valir e que tenho guardado desde há muitas semanas. De certa forma é como tivesse também jogado, semanalmente, numa qualquer raspadinha ou euromilhões.

Certo, certo é que fiz a conta certa! Cem notas de cinco euros que perfaz a módica quantia de quinhentos euros que poderiam não existir se também jogasse.

A vida, como disse no início deste postal, é realmente um jogo. Umas vezes fácil, outras vezes demasiado perigoso.

Seria bom que pensássemos nisto. Nem que fosse de vez em quando!

A gente lê-se por aí!

Vencer o cigarro? Sim, é possível!

Por causa deste texto lembrei-me do que foi a minha luta contra os cigarros e cachimbo.

Teria 25 anos... e era um daqueles fumadores de permanente cigarro na boca. E quando não era o cigarro era o cachimbo. Recordo que na altura (em 1984) gastava diaramente 3 maços de cigarros. Não era só o dinheiro que derretia, como a minha saúde que ficava em risco, já para não falar do cheiro que provavelmente eu exalaria devido ao fumo.  Tudo somado... uma desgraça.

Um dia estava na esplanada numa das praias da Costa da Caparica a acabar de almoçar com um velho amigo quando pego num cigarro e este pergunta-me:

- Quando é que deixas de fumar?

A questão posta assim de chofre e vinda dele que também fora fumador deixou-me meio atarantado e não lhe dei logo resposta. Coincidentemente o maço tinha apenas um cigarro que fumei com calma. Depois de apagar a beata comuniquei:

- Foi o meu último cigarro!

Obviamente que o meu amigo deve ter-se rido por dentro. Certo é que desde esse dia nunca mais fumei!

Todavia e durante alguns meses tive de alterar a minha vida social, nomeadamente no que referia a almoços e jantares e ao que bebia. Conhecendo-me bem logo percebi que duas ou três coisas teriam de ser temporariamente banidas. Creio ser aqui que reside parte do sucesso para deixarmos de fumar: na capacidade de percebermos que factores externos nos levam ao cigarro.

Assim deixei de beber café, às refeições não havia nem vinho nem cerveja e nos bares bebia apenas 7up (passe a publicidade).

A verdade é que paulatinamente fui calcorreando o caminho dos "cambada de saudáveis" como se dizia na altura, para hoje, muitos anos depois estar completamente livre do tabaco.

Deixar de fumar é fácil? Não é! Mas basta o próprio convencer-se a si mesmo de que é capaz e tudo se consegue. Repito a si mesmo e não aos outros!

Não serve este texto de manual de nada, até porque cada pessoa é uma pessoa e reage de forma diferente às situações. Mas há uma certeza feroz e da qual me valho para atacar os fumadores: ninguém nasce com um cigarro na boca, ninguém!

Nota final para dizer que meses depois já bebia café e bebia os meus copos... mas sempre sem tabaco!

Crónica de um quotidiano...

,,, cada vez mais usual

Os telemóveis são hoje parte integrante das nossas vidas. Sem eles é como andar sem roupa pois naqueles pequenos aparelhos temos (quase) tudo à distância de um dedo.

Hoje de tarde tive de ir a um hipermercado fazer umas breves compras. Como sabia o que queria foi só retirar os produtos da prateleira para logo me dirigir a uma daquelas caixas automáticas sem operadora em que somos nós que fazemos o trabalho todo. Enfim menos mão de obra...

Estava eu então a passar os produtos pela máquina quando do lado oposto surgiu uma jovem para pagar também as suas compras. No entanto estava de telemóvel em punho em amena cavaqueira. Não é que isso me preocupasse, todavia achei que aquela postura não se coadunava com o local e o momento.

Infelizmente é frequente ver estas situações em supermercados, originando enorme lentidão nos pagamentos.

Regressando ao início deste texto compreendo que os telemóveis podem-nos ajudar a resolver situações de forma quase remota, mas desde que as pessoas anónimas não sofram com isso.

O caso de aqui relatei é um entre muitos que já assisti... desde entrarem no supermercado, fazerem as compras, pagarem e sairem sempre ao telefone.

O ser humano pode e deve evoluir, todavia ficar permanentemente refém de um telefone não é evolução... é parvoíce!

O saber do dinheiro!

Percebo que num país onde a média no salário nacional bruto em 2020 não chegou aos 750 euros os mais pobres anseiem por mais dinheiro para terem uma vida mais digna, como lhes é conferido constitucionalmente logo no primeiro artigo.

Porém a Constituição diz uma coisa, mas a realidade na sociedade portuguesa acaba por ser bem diferente, o que leva a muita gente procurar, quiçá de uma forma mais fácil, aquilo que não conseguem diariamente.

Ora bem, um destes dias, e tendo em conta alguns sorteios de valores estupidamente elevados, perguntaram-me o que faria se fosse o feliz comtemplado. Fiquei a pensar e só soube responder:

- Não sei o que faria, mas sei certamente o que não faria!

É nesta capacidade de perceber o que o dinheiro faz das pessoas é que reside o grande cerne desta questão monetária. A maioria das pessoas em Portugal não entende, nem tem consciência do que é um valor com muitos zeros.

Relembro a este propósito a primeira vez que entrei numa casa forte na tesouraria onde trabalhei perto de 15 anos. Nunca tinha visto tanto dinheiro de uma só vez. Passada a primeira semana aquilo era somente papel.

Já me chamaram também a atenção para estar atento aos dias 8 de cada mês, nos quiosques ou papelarias onde se vende jogo, principalmente raspadinhas. A fila de idosos é enorme nestes dias, que após receberem a sua pensáo vão ali testar e tentar a sorte. Ainda gostaria de saber para quê? Não têm dinheiro para medicamentos, mas para o vício do jogo não falha...

Por fim não serei melhor ou pior que todos os outros portugueses, mas ensinou-me a vida que o dinheiro só tem dois verdadeiros prazeres: é saber ganhá-lo e saber gastá-lo!

Vício a quanto obrigas!

Cada um de nós tem normalmente os seus pequenos ou grandes vícios. Uns quase passam despercebidos, todavia há outros que se vêem à légua. Mas pronto... não me cabe criticar, constato apenas, até porque eu próprio já pertenci ao clube...

A manhã desta sexta feira acordou assim para o gelado. Tão fria que estava que eu, que até nem sou muito friorento, reconheci a fresquidão matinal. O problema nem era propriamente o frio mas unicamente um vento irritante e persistente que gelava toda a gente.

Como habitualmente tenho sítio certo para tomar o meu pequeno almoço. Já de regresso ao trabalho passo por uma pastelaria que tem uma esplanada.

Corria o tal frio gelado, as pessoas passavam apressadas procurando o calor dos gabinetes, os carros teriam os aquecimentos ligados, com toda a certeza.

Com tudo isto há uma jovem que tomava o pequeno almoço na tal esplanada. O empregado vem lá de dentro e perguntou-lhe:

- Não quer ir lá para dentro?

- Não, obrigada. Fico aqui fora porque posso fumar...

Rapidamente tiro a minha conclusão: vício a quanto obrigas...

Vício!

Seis da tarde. Enquando aguardo que a minha mulher saia do tratamento de fisioterapia vou a uma caixa de multibanco.

É uma daquelas salas fechadas, onde àquela hora só se acede através do próprio cartão. Chegámos dois à porta na mesma altura. Passo o cartão mas dou passagem à senhora, que primeiro hesita mas após a minha insistência entra mas educadamente agradece.

A sala é grande e eu afasto-me o suficiente para a senhora fazer as suas operações descansada. Noto que primeiro pede uma espécie de consulta de movimentos, que percebo através do tamanho do talão. Observa o dito papel, abana a cabeça e resmunga qualquer coisa que não percebo. Levanta então algum dinheiro.

Finalmente liberta a máquina. Todavia ao passar por mim tem a seguinte confisssão:

"Um destes dias nem tenho dinheiro para comer."

Não sei que dizer nestas situações. Encolho os ombros, coloco um sorriso brando e tento chegar-me ao Multibanco. Foi a minha vez de requerer o dinheiro. Depois procuro uma pastelaria perto para merendar. O estabelecimento vende à entrada outrossim jogo: lotarias, raspadinhas e tem um posto de obliteração de bilhetes de totobola, totoloto e euromilhões.

O curioso é que quando entro encontro a mesma senhora do multibanco a comprar uma mão cheia de raspadinhas, que após breves minutos deitou fora sem qualquer prémio.

Fiquei a pensar nas palavras dela minutos antes:

"Um destes dias nem tenho dinheiro para comer."

Concluí baixinho: "A gastar dinheiro daquela maneira será muito fácil ficar sem dinheiro para comer!"

Um vício é pior que cem esposas.

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