Nos meus tempos de juventude uma garagem era quase sempre sinal de... festas! Carnaval, Santos Populares, um aniversário ou Passagem de Ano tudo servia para se organizar uma festa numa qualquer garagem.
O tempo passou e hoje qualquer prédio tem de ter garagens, pelo menos uma por cada fogo. Tal como as moradias... que também são obrigadas a sua.
Uma garagem é hoje aquele lugar da casa multifacetado, já que ele pode ser adaptado àquilo que se quiser. Há assim garagens transformadas em oficinas de carpintaria, electricidade, canalização ou até de fabrico de estores. Também há quem as use para ali desenvolver o seu hobby, seja este costura, bordados ou simplesmente montar puzzles e pendurá-los na parede.
As festas entretanto derivaram para outros locais, mas é frequente encontrarmoss uma garagem de qualquer moradia transformada em verdadeira arrecadação de material velho e sem uso, mas do qual o proprietário é incapaz de se livar dele devido a bizarras afinidades.
Porém e ainda nas moradias, o mais comum é o tuga redesenhar a sua garagem para se tornar numa... cozinha. Aquela cozinha onde pode fazer toda a bodegada sem sujar a principal. Quase diria que parece ser o sonho de qualquer português, mandar fazer um casa só para ter uma garagem e nela adaptar uma cozinha bem apetrechada.
Resuminho uma garagem serve para tudo... tudo mesmo.
Até serve, pasme-se, para colocar viaturas lá dentro.
Há uns anos a empresa onde (ainda!) trabalho decidiu solicitar voluntários para Assistentes de Piso (AP). Esta função não remunerada, como convém, tem como intuito ajudar, em caso de emergência, à evacuação de todos os empregados da empresa para um lugar seguro mais ou menos longe do edifício.
Para tal foi dada formação aos colaboradores que se voluntariaram. Eu fui um deles!
Desde essa altura fui saltando de edifício em edifício. Em cada sítio por onde passei fui devidamente informado sobre os procedimentos a ter para uma rápida evacuação do prédio e por se deveriam deslocar as pessoas.
Hoje trabalho nas Avenidas Novas num edifício construído provavelmente na década de 70 e sem quaisquer preocupações na salvaguarda das pessoas em caso de catástrofe, salvaguardando unicamente para uma escada exterior de emergência que serve do primeiro ao nono piso.
É aqui que as coisas tendem a tornar-se complicadas. As traseiras do edifício estão vedadas para as ruas circundantes o que equivale dizer que sempre que se usar as escadas de emergência algures há que reentrar no prédio para através das escadas interiores se poder sair para a rua.
Ora nada melhor que uma seta ou diversas a indicar o caminho no piso 1, conforme foto.
Contudo há neste caminho das pedras pequenos (ou grandes) detalhes que poderão, e de que maneira, prejudicar uma eventual evacuação.
Trabalho no centro da cidade de Lisboa, ali bem perto onde se cruzam caminhos, alegrias e tristezas e onde a estátua de um antigo ministro de Portugal muito bem acompanhado pelo rei da selva , fiscaliza a baixa com o seu nome.
Do cimo do prédio onde trabalho tenho uma visão bem simpática das diversas colinas da cidade e até do Tejo, espelho fantástico desta urbe Pombalina e não só!
Um destes dias voltei a subir ao cimo do prédio e de lá conferi as gruas de construção que pude contar até á distância que a minha vista alcançou. Nove... A baixa de Lisboa quase sugere um verdadeiro estaleiro tal o número de torres altaneiras que ajudam nas obras de edificação.
Mas o pior é que os edifícios que se estão a construir são quase todos para hotéis. Isto é, o centro da cidade vai assim perdendo cada vez mais habitantes permanentes.
Daqui a uns tempos a baixa lisboeta tornar-se-á a ser um autêntico deserto… Se não o for já!
Detesto andar à procura de um lugar para estacionar o carro, de forma correcta e geralmente em espinha, quando de súbito surge um espaço e encontro lá uma daquelas miniaturas que ocupam metade do espaço livre.
Acontece-me tanta vez que quase parece perseguição.
Olhando para este tema mais a sério era tempo de as câmaras destinarem aos carros mais pequenos, espaços próprios de forma a evitar-se estas situações menos simpáticas.