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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Estes turistas que nos invadem…

O conceito de turismo transformou-se em Portugal, nomeadamente em Lisboa onde a baixa pombalina passou a ser uma espácia de Nações Unidas em ponto pequeno, tal é a quantidade de gente oriunda de todo o lado que visita a capital.

Se juntarmos os emigrantes oriundos da Ásia que proliferam com lojas de recordações onde antigamente havia lojas de qualidade, temos uma mistura de povos raças e línguas impensável há uns anos.

Os turistas invadem assim a nossa cidade tomando-a literalmente de assalto. No metro, nos restaurantes, nas lojas ou simplesmente nas ruas eles exibem muitas vezes de uma prepotência que roça por vezes a imbecilidade. Nem imagino se procederão da mesma maneira nos países de origem. Quero crer que não…

Também sou turista, mas normalmente quando passeio respeito os lugares onde estou e acima de tudo a sua cultura e modo de vida dos locais.

Lisboa é neste momento um local de gente quase louca… dando razão a uma célebre personagem de BD.

Obelix_loucososromanos.jpg

 

Na minha cidade X - hospitalidade lusa!

São dez da manhã. Acabo de sair do consultórtio dentário onde fui retirar os pontos após a intervenção da semana passada. Tudo nornal.

Umas nuvens aqui a ali vão tapando o sol, dando à cidade uma atmosfera serena.

No cruzamento da Rua do Conde de Redondo com a Rua Gomes Freire encontro na passadeira um casal a falar francês com uma ranchada de filhos (contei pelo menos 5). Percebo pela sua postura que se encontram perdidos. Tento entender se já se situaram enquanto vão olhando para o telemóvel.

Finalmente, no meu enferrujado francês, pergunto para onde querem ir. A senhora responde que é para o hotel. Devolvo a questão no sentido de saber a morada que ela não tem. Diz que o marido é que sabe, mas que entretanto passara para o lado da lá da estrada.

Quando regressa reafirmo se precisa de ajuda. Responde de maus modos dizendo que não!

Dexo-os então e sigo a minha viagem.

Já relativamente longe olho para trás e eles continuam às voltas completamente perdidos.

Pois... não aceitaram a costumada hospitalidade lusa e provavelmente ainda agora andam em busca do hotel!

 

O turismo bairrista

Até há uns anos a baixa pombalina, e não só, alimentavam-se exclusivamente dos próprios lisboetas. Os turistas existiam, mas em número muito inferior aos da cidade. O seu valor era quase residual...

Neste panorama era fácil sermos abordados por algum empregado de restaurante a convidar-nos a entrar na sua "xafarica" de forma a taparmos o apetite.

Porém a evolução é uma coisa muito gira. Mas muito facilmente perdemos o controlo das coisas.

Hoje fui à Baixa Pombalina fazer uma compra. Atravessei ruas e ruelas passei à frente de inúmeros restaurante e para meu espanto... não fui abordado por nenhum empregado de restaurante.

A minha vestimenta de trabalho (fato e gravata) colocava-me nos "a excluir". Para logo atrás de mim um casal com ar estrangeiro ser rapidamente abordado.

O mais curioso é que na zona onde trabalho, fora do centro pombalino, não há turistas a não ser aqueles que saem dos hotéis em busca do Metro ou outro transporte.

Naquela zona há também uma imensidão de restaurantes. Mas nenhum deles anda a angariar clientes na rua. Outras posturas...

Noutro local da cidade mais turistico há novas abordagens e ofertas. Deste modo a cidade de Lisboa vive diferentes vidas.

Porque o turismo o obriga, porque a cidade parece perder identidade.

São assim os euros a mandar! E é pena! Ou provavelmente... não!

 

Esta minha cidade!

Trabalho no centro da cidade de Lisboa, ali bem perto onde se cruzam caminhos, alegrias e tristezas e onde a estátua de um antigo ministro de Portugal muito bem acompanhado pelo rei da selva , fiscaliza a baixa com o seu nome.

Do cimo do prédio onde trabalho tenho uma visão bem simpática das diversas colinas da cidade e até do Tejo, espelho fantástico desta urbe Pombalina e não só!

Um destes dias voltei a subir ao cimo do prédio e de lá conferi as gruas de construção que pude contar até á distância que a minha vista alcançou. Nove... A baixa de Lisboa quase sugere um verdadeiro estaleiro tal o número de torres altaneiras que ajudam nas obras de edificação.

Mas o pior é que os edifícios que se estão a construir são quase todos para hotéis. Isto é, o centro da cidade vai assim perdendo cada vez mais habitantes permanentes.

Daqui a uns tempos a baixa lisboeta tornar-se-á a ser um autêntico deserto… Se não o for já!

Baixa Pombalina, tempos novos?

Durante anos trabalhei na Baixa de Lisboa. Um local cosmopolita tanto em pessoas como em lojas, de todos os géneros e para todos os gostos... e bolsas.

Bom... depois houve o incêndio do Chiado... no Verão de 1988. E este golpe foi realmente fatal.

Grande parte das grandes empresas (leia-se bancos) acabaram por fugir da Baixa e deste modo, o que fora durante dezenas de anos, o centro financeiro do país transferiu-se para outros locais, alguns deles até para fora da cidade..

Lentamente toda aquela área foi assim definhando, não obstante as tentativas de reanimar a zona rainha do Chiado: Os Grandes Armazéns! Com relativo exito...

Mas a Baixa é muito mais que a rua Garrett e ruas envolventes. Desde o Tejo até ao Rossio e desde a rua do Cruxifixo à rua da Madalena, há um conjunto de pequenos negócios que a evolução dos (novos) tempos tem vindo a encerrar.

A maioria dos prédios acabaram por ficar devolutos o que originou naturalmente enormes e radicais intervenções nos edifícios.

São estas intervenções que estão a determinar o fim da Baixa. Hoje todos aquelas lojas, comércios, locais históricos e não só, que durante anos conhecemos, estão todos transformados em hotéis. E há para todos os gostos e carteiras.

Hoje soube que a cervejaria Caracol que me recordo desde muito miúdo, fechou também. Porque naquele lugar vai nascer, imaginem... um hotel!

O charme da Baixa desapareceu. Olvidando ainda algumas lojas que tentam resistir a esta nova invasão, certo é que a Lisboa está a perder, dia a dia, a sua normal identificação. As casas de souvenirs e os restaurantes de qualidade duvidosa são outra doença na Baixa.

Um verdadeiro casamento entre a cidade e o rio jamais se fez, E agora parece-me demasiado tarde.

O pior é que, se um dia alguém coloca uma bomba nesta cidade o turismo, que agora literalmente invade e alimenta a capital, desaparece num ápice.

Lisboa deixou há muito de ser a "Menina e Moça" de que falava Ary dos Santos. Hoje a Baixa passou a ser uma idosa a quem fizeram uma (má) operação plástica.

 

A cidade que está na moda: Lisboa

Nasci, mas nunca vivi em Lisboa. Não obstante isso, desde sempre andei pela capital com grande à-vontade. Muito jovem conheci as ruas e ruelas e tirando alguns bairros mais recentes sei onde são a maioria dos arruamentos.

Conheço muitas cidades, capitais e não só, desta nossa velha Europa, mas reconheço que Lisboa é deveras especial. Como disse uma vez o realizador Wim Wenders sobre a capital: “à luz do dia até os sons brilham”. Mas não é só a luminosidade é também o pulsar da cidade através das constantes correrias ou dos passeios, o trânsito caótico, até a vida mundana são características de Lisboa.

Hoje desci ao coração da cidade. De metro!

A população citadina nesta altura do ano quase desapareceu. Os utentes do metropolitano são, na sua grande maioria, turistas. Vêm aos magotes, trazem toda a família, as malas e mochilas e cheiram mal. Muito mal! Não me venham com a tal história que é do turismo de “pé-descalço”… Bem pelo contrário! Mas adiante!

A Baixa Pombalina, antigamente pejada de trabalhadores locais que enchiam por completo os restaurantes desta bonita parte da cidade, é hoje anormalmente invadida de estrangeiros. São às centenas se não aos milhares. Procuram sol, calor, comer e beber por tuta e meia.

Os alfacinhas deixaram assim de ser proprietários das suas belas ruas e das lojas e restaurantes. Hoje a Baixa está invadida de pequenos negócios de toda  a espécie de souvenirs que proliferam como cogumelos.

No entanto tenho consciência de que a capital necessita desta economia, como de pão para a boca, para poder sobreviver… Mas o que vi hoje pareceu-me um exagero de gente. Sem culpa de quem nos visita, obviamente.

Como Lisboeta assumo que não gosto de ver a cidade onde nasci assim invadida.

Como viajante percebo que quem vem queira aproveitar na sua plenitude a beleza da cidade.

Baixa pombalina – Morte anunciada de uma capital?

 

As capitais são por excelência enormes centros populacionais, mas são também locais de imensa concentração turística. E obviamente económica!

Há certamente outras cidades que não sendo capitais, tornaram-se importantes pela sua história, beleza ou actividades culturais.

Lembrei-me de falar disto após uma destas manhãs ter atravessado a Baixa Pombalina. Foi uma dor de alma como soe dizer-se. Eu que ali trabalhei durante 14 anos, convivendo permanentemente com aquele comércio, senti uma tristeza profunda em perceber o número exorbitante de lojas fechadas ou entregues a pequenos negócios turísticos de venda de lembranças.

Em abono da verdade a culpa não é dos lojistas, mas das entidades empregadoras, que há vinte anos proliferavam e bem pela Baixa de Lisboa, como eram os casos dos Bancos e Companhias de Seguros. Tirando algumas raras e honrosas excepções, quase todas as entidades bancárias retiraram deste centro da cidade algumas das suas sedes institucionais. Preferiram a zona ribeirinha da antiga Expo, actual Parque das Nações, ou a zona do eixo Praça de Espanha/Sete Rios.

O prejuízo económico e social que adveio destas “fugas” ainda não foi contabilizado, nem sei se alguma vez alguém conseguirá fazê-lo com rigor.

Esta capital, que tanto tem para dar a quem a visita, podia e devia ser olhada com outros olhos, que entendessem a cidade como um ser com vida ou com alma. Em Londres, Picadilly Circus continua a ser um centro nevrálgico da cidade. Em Paris, os Campos-Elísios e em Roma, a Praça Novana, permanecem âmagos de capitais, contendo vida própria.

Já para não falar da Praça de S. Marcos em Veneza ou das conhecidas Ramblas em Barcelona.

Sinto Lisboa a definhar dia após dia. E sem que ninguém olhe e pegue na cidade e lhe dê um novo rumo.

O futuro é já amanhã!

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