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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Lisboa a capital dos turistas!

Hoje desci à cidade.

Saí na estação do Metro da Baixa-Chiado, subi as escadas e encontrei-me na Rua do Cruxifixo.

Uma rua repleta de história. Desde o extinto Banco Angola e Metrópole, célebre nos anos 20 do século passado por estar directamente envolvido na maior falsificação de dinheiro em Portugal e quiçá no Mundo, passando por pequenas tascas que alimentaram tanto trabalhador da baixa, esta rua foi um recanto da cidade muito próprio. Por ali se viam muitas vezes personalidades da nossa sociedade, fosse no Império das Limonadas ou no conhecidíssimo Palmeiras ou mesmo no “Quando o telefone toca” uma espécie de restaurante “sempre-em-pé” que servia umas omeletes fantásticas.

Ao fundo os Grandes Armazéns do Grandela, uma loja enorme que eu, enquanto miúdo, adorava visitar, só para andar nas escadas rolantes e que o incêndio do Chiado derreteu.

Olho agora para a rua e mais parece um estaleiro de obras.

Desço a rua da Vitória e encontro-me na Rua Áurea mais conhecida como Rua do Ouro. O trânsito desce no sentido do rio mas as pessoas quase se atropelam num sobe e desce na artéria de origem pombalina.

Atravesso a rua para o outro lado desço até à transversal da rua de S. Julião. Aqui viro à esquerda. Ao fundo volto novamente à esquerda e subo e desço a rua da Madalena. Entro no Poço do Borratém.

Chego ao Martins Moniz e subo a Almirante Reis até à zona dos Anjos.

Não imagino quanto terei andado a pé, mas seguramente que a língua que menos escutei durante este meu trajecto foi o… português.

Estes turistas que nos invadem…

O conceito de turismo transformou-se em Portugal, nomeadamente em Lisboa onde a baixa pombalina passou a ser uma espácia de Nações Unidas em ponto pequeno, tal é a quantidade de gente oriunda de todo o lado que visita a capital.

Se juntarmos os emigrantes oriundos da Ásia que proliferam com lojas de recordações onde antigamente havia lojas de qualidade, temos uma mistura de povos raças e línguas impensável há uns anos.

Os turistas invadem assim a nossa cidade tomando-a literalmente de assalto. No metro, nos restaurantes, nas lojas ou simplesmente nas ruas eles exibem muitas vezes de uma prepotência que roça por vezes a imbecilidade. Nem imagino se procederão da mesma maneira nos países de origem. Quero crer que não…

Também sou turista, mas normalmente quando passeio respeito os lugares onde estou e acima de tudo a sua cultura e modo de vida dos locais.

Lisboa é neste momento um local de gente quase louca… dando razão a uma célebre personagem de BD.

Obelix_loucososromanos.jpg

 

Na minha cidade X - hospitalidade lusa!

São dez da manhã. Acabo de sair do consultórtio dentário onde fui retirar os pontos após a intervenção da semana passada. Tudo nornal.

Umas nuvens aqui a ali vão tapando o sol, dando à cidade uma atmosfera serena.

No cruzamento da Rua do Conde de Redondo com a Rua Gomes Freire encontro na passadeira um casal a falar francês com uma ranchada de filhos (contei pelo menos 5). Percebo pela sua postura que se encontram perdidos. Tento entender se já se situaram enquanto vão olhando para o telemóvel.

Finalmente, no meu enferrujado francês, pergunto para onde querem ir. A senhora responde que é para o hotel. Devolvo a questão no sentido de saber a morada que ela não tem. Diz que o marido é que sabe, mas que entretanto passara para o lado da lá da estrada.

Quando regressa reafirmo se precisa de ajuda. Responde de maus modos dizendo que não!

Dexo-os então e sigo a minha viagem.

Já relativamente longe olho para trás e eles continuam às voltas completamente perdidos.

Pois... não aceitaram a costumada hospitalidade lusa e provavelmente ainda agora andam em busca do hotel!

 

O turismo bairrista

Até há uns anos a baixa pombalina, e não só, alimentavam-se exclusivamente dos próprios lisboetas. Os turistas existiam, mas em número muito inferior aos da cidade. O seu valor era quase residual...

Neste panorama era fácil sermos abordados por algum empregado de restaurante a convidar-nos a entrar na sua "xafarica" de forma a taparmos o apetite.

Porém a evolução é uma coisa muito gira. Mas muito facilmente perdemos o controlo das coisas.

Hoje fui à Baixa Pombalina fazer uma compra. Atravessei ruas e ruelas passei à frente de inúmeros restaurante e para meu espanto... não fui abordado por nenhum empregado de restaurante.

A minha vestimenta de trabalho (fato e gravata) colocava-me nos "a excluir". Para logo atrás de mim um casal com ar estrangeiro ser rapidamente abordado.

O mais curioso é que na zona onde trabalho, fora do centro pombalino, não há turistas a não ser aqueles que saem dos hotéis em busca do Metro ou outro transporte.

Naquela zona há também uma imensidão de restaurantes. Mas nenhum deles anda a angariar clientes na rua. Outras posturas...

Noutro local da cidade mais turistico há novas abordagens e ofertas. Deste modo a cidade de Lisboa vive diferentes vidas.

Porque o turismo o obriga, porque a cidade parece perder identidade.

São assim os euros a mandar! E é pena! Ou provavelmente... não!

 

Esta minha cidade!

Trabalho no centro da cidade de Lisboa, ali bem perto onde se cruzam caminhos, alegrias e tristezas e onde a estátua de um antigo ministro de Portugal muito bem acompanhado pelo rei da selva , fiscaliza a baixa com o seu nome.

Do cimo do prédio onde trabalho tenho uma visão bem simpática das diversas colinas da cidade e até do Tejo, espelho fantástico desta urbe Pombalina e não só!

Um destes dias voltei a subir ao cimo do prédio e de lá conferi as gruas de construção que pude contar até á distância que a minha vista alcançou. Nove... A baixa de Lisboa quase sugere um verdadeiro estaleiro tal o número de torres altaneiras que ajudam nas obras de edificação.

Mas o pior é que os edifícios que se estão a construir são quase todos para hotéis. Isto é, o centro da cidade vai assim perdendo cada vez mais habitantes permanentes.

Daqui a uns tempos a baixa lisboeta tornar-se-á a ser um autêntico deserto… Se não o for já!

Baixa Pombalina, tempos novos?

Durante anos trabalhei na Baixa de Lisboa. Um local cosmopolita tanto em pessoas como em lojas, de todos os géneros e para todos os gostos... e bolsas.

Bom... depois houve o incêndio do Chiado... no Verão de 1988. E este golpe foi realmente fatal.

Grande parte das grandes empresas (leia-se bancos) acabaram por fugir da Baixa e deste modo, o que fora durante dezenas de anos, o centro financeiro do país transferiu-se para outros locais, alguns deles até para fora da cidade..

Lentamente toda aquela área foi assim definhando, não obstante as tentativas de reanimar a zona rainha do Chiado: Os Grandes Armazéns! Com relativo exito...

Mas a Baixa é muito mais que a rua Garrett e ruas envolventes. Desde o Tejo até ao Rossio e desde a rua do Cruxifixo à rua da Madalena, há um conjunto de pequenos negócios que a evolução dos (novos) tempos tem vindo a encerrar.

A maioria dos prédios acabaram por ficar devolutos o que originou naturalmente enormes e radicais intervenções nos edifícios.

São estas intervenções que estão a determinar o fim da Baixa. Hoje todos aquelas lojas, comércios, locais históricos e não só, que durante anos conhecemos, estão todos transformados em hotéis. E há para todos os gostos e carteiras.

Hoje soube que a cervejaria Caracol que me recordo desde muito miúdo, fechou também. Porque naquele lugar vai nascer, imaginem... um hotel!

O charme da Baixa desapareceu. Olvidando ainda algumas lojas que tentam resistir a esta nova invasão, certo é que a Lisboa está a perder, dia a dia, a sua normal identificação. As casas de souvenirs e os restaurantes de qualidade duvidosa são outra doença na Baixa.

Um verdadeiro casamento entre a cidade e o rio jamais se fez, E agora parece-me demasiado tarde.

O pior é que, se um dia alguém coloca uma bomba nesta cidade o turismo, que agora literalmente invade e alimenta a capital, desaparece num ápice.

Lisboa deixou há muito de ser a "Menina e Moça" de que falava Ary dos Santos. Hoje a Baixa passou a ser uma idosa a quem fizeram uma (má) operação plástica.

 

A cidade que está na moda: Lisboa

Nasci, mas nunca vivi em Lisboa. Não obstante isso, desde sempre andei pela capital com grande à-vontade. Muito jovem conheci as ruas e ruelas e tirando alguns bairros mais recentes sei onde são a maioria dos arruamentos.

Conheço muitas cidades, capitais e não só, desta nossa velha Europa, mas reconheço que Lisboa é deveras especial. Como disse uma vez o realizador Wim Wenders sobre a capital: “à luz do dia até os sons brilham”. Mas não é só a luminosidade é também o pulsar da cidade através das constantes correrias ou dos passeios, o trânsito caótico, até a vida mundana são características de Lisboa.

Hoje desci ao coração da cidade. De metro!

A população citadina nesta altura do ano quase desapareceu. Os utentes do metropolitano são, na sua grande maioria, turistas. Vêm aos magotes, trazem toda a família, as malas e mochilas e cheiram mal. Muito mal! Não me venham com a tal história que é do turismo de “pé-descalço”… Bem pelo contrário! Mas adiante!

A Baixa Pombalina, antigamente pejada de trabalhadores locais que enchiam por completo os restaurantes desta bonita parte da cidade, é hoje anormalmente invadida de estrangeiros. São às centenas se não aos milhares. Procuram sol, calor, comer e beber por tuta e meia.

Os alfacinhas deixaram assim de ser proprietários das suas belas ruas e das lojas e restaurantes. Hoje a Baixa está invadida de pequenos negócios de toda  a espécie de souvenirs que proliferam como cogumelos.

No entanto tenho consciência de que a capital necessita desta economia, como de pão para a boca, para poder sobreviver… Mas o que vi hoje pareceu-me um exagero de gente. Sem culpa de quem nos visita, obviamente.

Como Lisboeta assumo que não gosto de ver a cidade onde nasci assim invadida.

Como viajante percebo que quem vem queira aproveitar na sua plenitude a beleza da cidade.

Baixa pombalina – Morte anunciada de uma capital?

 

As capitais são por excelência enormes centros populacionais, mas são também locais de imensa concentração turística. E obviamente económica!

Há certamente outras cidades que não sendo capitais, tornaram-se importantes pela sua história, beleza ou actividades culturais.

Lembrei-me de falar disto após uma destas manhãs ter atravessado a Baixa Pombalina. Foi uma dor de alma como soe dizer-se. Eu que ali trabalhei durante 14 anos, convivendo permanentemente com aquele comércio, senti uma tristeza profunda em perceber o número exorbitante de lojas fechadas ou entregues a pequenos negócios turísticos de venda de lembranças.

Em abono da verdade a culpa não é dos lojistas, mas das entidades empregadoras, que há vinte anos proliferavam e bem pela Baixa de Lisboa, como eram os casos dos Bancos e Companhias de Seguros. Tirando algumas raras e honrosas excepções, quase todas as entidades bancárias retiraram deste centro da cidade algumas das suas sedes institucionais. Preferiram a zona ribeirinha da antiga Expo, actual Parque das Nações, ou a zona do eixo Praça de Espanha/Sete Rios.

O prejuízo económico e social que adveio destas “fugas” ainda não foi contabilizado, nem sei se alguma vez alguém conseguirá fazê-lo com rigor.

Esta capital, que tanto tem para dar a quem a visita, podia e devia ser olhada com outros olhos, que entendessem a cidade como um ser com vida ou com alma. Em Londres, Picadilly Circus continua a ser um centro nevrálgico da cidade. Em Paris, os Campos-Elísios e em Roma, a Praça Novana, permanecem âmagos de capitais, contendo vida própria.

Já para não falar da Praça de S. Marcos em Veneza ou das conhecidas Ramblas em Barcelona.

Sinto Lisboa a definhar dia após dia. E sem que ninguém olhe e pegue na cidade e lhe dê um novo rumo.

O futuro é já amanhã!

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