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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Almoço a italiana!

Hoje foi dia de almoço com antigos colegas de trabalho! Desta vez fomos apenas dez contra a vintena que por vezes costuma ser.

Agora podemos falar de trabalho, colegas e antigos chefes! Rir dos outros e de nós. Recontar aquela estória tantas vezes repoetuda em cada repasto, mas que todos adoram escutar pela enésima vez!

Trazer à memória personagens com quem trabalhámos, a maioria pelas parvoíces com que nos brindaram. 

Portanto um almoço convívio bem divertido, entre risoto e diferentes massas italianas. um restaurante que não conhecia, mas com... pinta (a lasanha de lavagante ficou-me no goto, talvez para a próxima!).

Todavia houve uma altura em que me senti triste... especialmente quando alguém se lembrou de perguntar:

- Vocês lembram-se do Manel Cachopo? Morreu a semana passada!

Um balde de água fria! Depois outros:

- E o engenheiro Jacinto

- A sério? Ainda há meses que me encontrei com ele na Baixa.

Ai tantos e tantas que já foram embora. Gente boa e menos boa. Competente e incompetente, mas todos a fazerem parte daqueles nossos dias!

Lancei a ideia para a mesa antes de acabarmos!

- No próximo almoço ninguém fala de mortos! Só aqui vimos para comemorar a amizade e a vida!

Ficou prometido! A ver se serão capazes!

Um foco... desfocado!

Quando trabalhei fui muitas vezes acusado de ser pouco focado. Uma crítica que nunca me atormentou até porque a minha actividade profissional dava-me muito pouco espaço para estar focado num só trabalho.

Como técnico de informática que fui tinha quase permanentemente alguém a ligar-me por telefone para me  comunicar um problema com o seu computador que eu logo tentava resolver. Certo é que nem sempre as coisas corriam da melhor formal e podia demorar mais tempo que o previsto. Assim sendo o trabalho sobre o qual deveria estar completamente focado ficaria adiado.

A experiência de vida diz-me que as pessoas muito focadas tornam-se quase sempre assaz teimosas. Entendo que a perseverança (o nome pomposo para teimosia!!!) seja a mãe do sucesso de grande parte das pessoas bem focadas. Como tal não considero o foco um defeito, mas apenas uma característica de alguém altamente empenhado.

Regressando às criticas a que sempre fui sujeito por causa da minha postura profissional, aceito que a minha mente é muito irriquieta e anda sempre a saltitar de um lado para o outro sem se fixar numa coisa só! Também será uma característica mais que um defeito.

Portanto concluo que se foco corresponde a teimosia prefiro ser como sou… desfocado!

Do Brasil para Portugal!

Hoje fui até à Praça do Império em Lisboa, ali paredes meias entre os Jerónimos e o Centro Cultural de Belém! Levei pela mão a minha neta mais velha já que esta sabia de antemão da existência de pequenos lagos com patos.

Àquela hora da manhã a temperatura era já insuportável, mas a miúda não estava preocupada com o calor, só queria mesmo os marrecos!

Na verdade as aves por lá andavam todas contentes a chapinhar numa água verde... quase castanha. Também lá se encontrava um funcionário que supus ser da junta de freguesia, a tentar limpar a água dos lagos de penas e folhas e quiçá de alguns restos de peregrinos das JMJ... digo eu!

Tagarela como poucos meti conversa com o jardineiro e logo percebi aquele sotaque de um "português com açúcar" como escreveu Eça de Queirós, referindo-se à variação brasileira do luso idioma.

Ora já se sabe que as conversas são "como as cerejas" de tal forma que passado poucos minutos, enquanto a cachopita se entretinha a dar milho e pão aos patos, mantinha com o brasileiro de 42 anos um diálogo interessante.

Disse-me ele que estava em Portugal havia poucos meses, que no Brasil era gerente de um Departamento, mas que desde que chegara ao nosso país já conseguira juntar algum dinheiro. Mandou vir a mulher e os três filhos do outro lado do Atlântico e vivem agora felizes perto de Mafra.
A tagalerice continuou para no fim o Júnior me contar como é viver no Brasil.

Confidenciou-me que o mais grave problema do maior país da América do Sul é a segurança da população. Lá é impossível alguém sair de casa e ir até a uma paragem de autocarro sem arriscar a ser assaltada. O perigo de roubos e assaltos é permanente e nem importa qual a hora do dia.

Referi que já vira alguns depoimentos de brasileiros em videos, mas julguei que podia ser apenas má publicidade. Este irmão de língua assumiu que é tudo verdade. E pior... tem a sensação que aquilo nunca mais terá cura!

Não pensa voltar tão depressa ao Brasil e está encantado com o nosso país onde pensa ficar por muito tempo.

Acabei por me despedir deste quase amigo ciente de que, afinal de contas, Portugal não é tão mau como alguns pretendem passar a vil mensagem!

Revisitar uma amizade!

Hoje falei com um antigo colega de trabalho. Quando entrei no Banco de Portugal, não obstante ser mais velho logo se mostrou bom colega. Trabalhámos juntos ainda alguns anos... na Tesouraria!

No entanto opções profissionais acabaram, anos mais tarde, por nos separar já que ele preferiu outros vôos mesmo que dentro da mesma entidade empregadora.

Todavia a vida tem destas nuances estranhas ou será que será como as marés do mar que são atraídas pela força lunar? Aconteceu que depois fui eu que zarpei para outros mares acabando por nos encontrarmos. Ajudou-me bastante em algumas escolhas que fiz e por isso e por muuuuuito mais, estou eternamente grato!

Hoje somos ambos reformados! Falamos de vez em quando por telefone e nesses minutos recordamos momentos bone outros caricatos e antigos colegas.

Ficou deste nosso relacionamento uma boa e franca amizade, daquelas que o tempo não destrói.

Obrigado C.

Três anos depois!

Neste mesmo dia há precisamente três anos despedia-me virtualmente dos colegas do trabalho, pois ia entrar de férias para logo a seguir passar à reforma.

Segue infra a mensagem que enviei na altura aos meus colegas. Não enderecei a todos porque, sinceramente, ao fim de mais de trinta e cinco anos já conseguia separar o trigo do joio. E alguns nem a água que gastavam mereceiam. Mas isso foram outras estórias que hoje aqui não interessa.

Esta foi a mensagem que escrevi e que depois de a reler, mesmo depois de passados estes anos, não retiraraia uma vírgula.

"Boa tarde,

ONTEM fui um jovem que aos 23 anos abraçou o desafio de entrar nesta casa. Quase inocente e ingénuo estava, ainda assim, muito longe de imaginar como é que aquele passo, no já longínquo dia 6 de Outubro de 1982, quando entrei pela primeira vez no 148 da Rua do Comércio, viria a influenciar a sua vida.

HOJE sou um homem maduro. Daquele menino de ontem resta muito pouco ou quase nada. Entrei solteiro, mas por aqui casei, fui pai e avô. Quem diria? Nem eu, nos meus sonhos mais optimistas, calculei aqui chegar. Mas saio desta casa de cabeça erguida, consciente que trabalhei não para uma instituição, mas essencialmente tentei defender uma causa. Retiro-me por isso feliz. Muito feliz.

AMANHàacordarei igual ao que sempre fui até aqui: um amante da vida. Não imagino se viverei um dia, uma semana ou uma década. Mas também não é algo que me preocupe grandemente. Viverei apenas o segundo seguinte sem medos ou dúvidas. Nem poderia ser de outra forma.

FINALMENTE vou-me despedir. Sem lágrimas nem sorrisos. Sem amplexos nem osculações. Esta pandemia retirou-nos, outrossim, estes pequenos e singelos prazeres. Mas é a vida!!!

QUERO no entanto deixar aqui um agradecimento profundo e autêntico pelo contributo que deste pela forma com que saio desta casa. Não o posso nem devo esquecer!

AO fim de 37 anos, 9 meses e 25 dias, a porta onde entrei tem o mesmo sentido de hoje. O do dever cumprido.

DESEJO que o teu futuro seja tão radioso quanto tu esperas e desejas. E que no fim da tua caminhada possas também viver a alegria que hoje vivo.

OBRIGADO."

Decorrido 36 meses continuo a pensar que fiz bem em sair. Tenho os meus dias preenchidos, a vida repleta de eventos (bons e maus!), alguns sonhos realizados, mas muitos ainda por realizar.

A vida acaba sempre por nos mostrar quais os resultados das nossas decisões. Independentemente do que possa acontecer num futuro mais perto ou mais longe, ainda não arrependi de ter saído.

Talvez amanhã penso o inverso, porém ainda não cheguei lá!

A gente lê-se por aí!

Assédio sexual: será sempre crime!

O assédio sexual parece-me uma atitude nojenta. Assim como são as violações. Diria que estes crimes deveriam ter uma moldura penal mais agravada do que têm, já que se é um crime grave tirar-se a vida a alguém, mas não sei se não será pior roubar-se a dignidade às vítimas de violação.

O tema actual centra-se então no assédio que um conhecido professor catedrático de Coimbra terá feito a diversas mulheres. Se o fez repito se o fez, é um acto como já referi repugnante e que não honra o homem.

No entanto acho curioso que não se fale ou escreva (eu  pelo menos não vi nada escrito) sobre o assédio de mulheres a homens ou de mulheres a mulheres. Eu sei que há porque já fui testemunha. E enquanto trabalhava.

Nas grandes empresas há gente para todos os gostos: heterosexuais, homosexuais e até asexuados. Conheci mulheres que marcavam uma mulher e perseguiam-na de forma evidente, assediando-a sem qualquer receio de serem acusadas. Tal como percebi outras damas a voltearem, quais mosquitos perante a luz, ao redor de um homem, quase sempre solteiro ou divorciado. Impunes!

Em dezenas de anos de actividade vi muita coisa nesta área do assédio sexual, mas só um caso foi levado à justiça porque a vítima era uma jovem e ele um repugnante verme. Quanto aos outros casos nem uma palavra, uma queixa, uma condenação!

Será que o assédio exibido pelo eterno feminino é menos repugnante que pelo homem? Sinceramente creio que não.

Mas isto sou eu a pensar alto!

Ser feliz: será sempre uma luta!

Há uns dias ouvi alguém dizer que "só se é plenamente livre se conseguirmos, durante o dia, dedicarmos tempo àquilo para a qual nos sentimos vocacionados".

Quase concordo com esta ideia. Mas o que faz desviar da total concordância prende-se com aquela nossa dúvida em que nos perguntamos: estarei inteiramente vocacionado para isto que estou a fazer?

Somos seres inundados de dúvidas e de incertezas. Queremos por isso antecipar o futuro, preferencialmente entendê-lo e acima de tudo tentar adivinhá-lo. O cerne é que este não está na sua totalidade nas nossas mãos. Haveremos de vivê-lo, quiçá até influenciá-lo alguma coisa, mas pouco mais.

Quando trabalhava costumava dizer: não faço o que gosto, mas gosto do que faço! Parece uma parvoíce, mas está longe de ser uma imbelicidade, sendo mais uma evidência lógica. Assim no meu tempo de activo "não fazia o que gostava" porque sentia que poderia ser muito mais útil noutra função. Mas aquilo que era a minha normal actividade era algo em que me sentia bem ao fazê-lo "mas gosto do que faço"!

Viver feliz diariamente obriga-nos a uma espécie de bravata contra muita coisa que nos rodeia. Mas valerá sempre a pena lutar!

Sempre!

Neste dia... ontem e hoje!

Faz hoje 43 anos que principiei oficialmente a trabalhar. Escrevi oficialmente porque foi o dia em que entrei para uma empresa onde comecei a descontar para a minha reforma e outrossim a pagar os meus impostos, como era na altura o imposto profissional!

Desde esse dia até 31 de Julho de 2020 estive 5 dias desempregado, quando saí desta empresa e me transferi para o Banco de Portugal.

Mais de 40 anos a trabalhar, a dedicar-me de alma e coração aos desafios que me foram surgindo, a tentar responder com competência ao que me era solicitado.

A verdade é que passamos tantos anos a trabalhar que nem damos conta como a vida correu célere, como envelhecemos, como fomos angariando algumas dores… Mas também algumas alegrias, amigos, venturas.

Hoje regressei a mais um almoço com antigos colegas. Nem me recordo quantos eram à mesa, mas certamente mais de uma dúzia. Cheguei atrasado o que nestas ocasiões é sempre bom porque o último a chegar dá um aceno geral e estão todos cumprimentados.

Revi gente que já não via certamente há uns bons anos. Especialmente porque optaram por ir para o BCE e quando regressaram já eu estava reformado.

Já na rua a festa continuou… Foi o momento dos cumprimentos e das despedidas. Dos abraços e dos ósculos às senhoras.

Senti-me bem… Muito bem mesmo! Acima de tudo porque ainda não fui esquecido pelos antigos colegas.
Como ser humano o pior que me poderia acontecer é ser olvidado ou ser apenas uma cinza na memória. Doer-me-ia!

E amanhã tenho magusto com outros colegas!

Vida social é dura!

Quarenta anos!

Há precisamente 40 anos, neste mesmo dia 6 de Outubro, entrei no Banco de Portugal, onde permaneci como empregado efectivo até 2020, ano em que me reformei.

Já por aqui fui contando algumas das minhas aventutras e desventuras enquanto funcionário do Banco. Se pretender ler basta usar a pista 37a9m25d que irá dar a um conjunto de peripécias quase todas carregadas de algum humor.

Calculo de todos quantos entraram na minha incorporação não deverá haver nenhum ainda em actividade. Mas não sei com precisão.

Quando estava a trabalhar geralmente por esta altura convocava todos quantos havíamos entrado nessa altura, para um almoço. Durante alguns tomei essa iniciativa. Todavia nesta altura do campeonato da vida há provavelmente alguns que estarão "fora-de-jogo"!

Quarenta anos é um número quase bíblico já que há referências a este múmero em diversas partes do Novo e Antigo testamento.
Não obstante as coisas nunca me terem corrido de feição dentro daquela casa como correnram a outros, é certo também que nunca culpei a Institução por isso, já a culpa deve ser assacada somente a este. Alguns (ir)responsáveis terão algumas culpas neste cartório. Mas eu também!

Até por que tinha outra vida cá fora, muuuuuuuuuuuuuito mais interessante!

Do menino de 23 anos que entrou naquele pretérito dia existe agora muito pouco. Talvez o amor pela vida!

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