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LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Aquele abraço!

O périplo que iniciei na passada quarta-feira pelos diversos departamentos, como elemento de uma lista candidata à Comissão de Trabalhadores, levou-me a diversos locais onde encontrei muita gente conhecida, como já havia referido aqui.

Mas hoje foi ainda mais especial tendo em conta que visitei o meu anterior local de trabalho e donde saí faz uns breves meses.

Conforme fui entrando nas diversas salas, um coro de cumprimentos e sorrisos surgiram ao reverem-me. E sinceramente foi óptimo encontrar gente boa. Malta a quem ajudei tanta e tanta vez. Que se mostraram hoje gratos...

Uns jovens, outros menos, uns valorosos técnicos, outros responsáveis líderes de equipas... Todos me receberam com imensa simpatia e carinho.

Mas houve uma delas que foi realmente especial... muito especial. Tem idade para ser minha filha, mas talvez por isso admirei ainda mais a sua postura. Levantou-se do seu lugar e com dois beijos e um profundo abraço deu asas à sua alegria ao ver-me. Um momento muito terno pela espotaneidade e acima de tudo pela sinceridade.

De que até hoje vivi, este foi sido o instante que irei recordar e guardar no meu coração como um momento sublime. Há pessoas que não enganam. Esta é uma delas... e aquele abraço traduziu tudo.

Bem-hajas C.

Reviver o passado

Um destes dias ao mixordar nuns papéis antigos encontrei o meu primeiro contracto de trabalho.

Numa folha azul encontram-se 5 cláusulas devidamente dactilografadas, em que ambas as entidades se comprometiam a uma série de regras.

Desde esse ano até hoje já passaram perto de 40 anos. Entretanto mudei de emprego e neste de Departamentos, para estar agora quase na porta de saída.

Lembro-me, ainda assim do primeiro dia. Era Novembro e pairava naquele 3º andar, de um prédio velho na Avenida da Liberdade, um cheiro entre o bafio dos papéis e a aragem da minha alegria.

Por lá andei alguns anos subjugado a um contracto a prazo. O primeiro ordenado correspondeu a 9.800 escudos ou em valores actuais a 48.88 euros. Acrescia um subsídio de almoço de 1320 escudos ou 6.58 euros.

Numa altura em que se fala tanto de precaridade no emprego, olvidarão que esta já existe há demasiados anos.

Curiosamente numa altura em que a esquerda lusa estava ainda no auge. E o governo era chefiado por uma mulher que mais tarde se ligaria a uma esquerda mais radical.

Outros tempos, outras vontades!

C_Trabalho_0 (1).jpg C_Trabalho_1.jpg

 

 

A noite de hoje!

Hoje à noite um grupo de colegas do trabalho, oriundos de diversos Departamentos, vão juntar-se num imenso repasto.

Foi há 35 anos que este grupo de jovens "assentou praça" na mesma empresa. Muitos já partiram, outros reformaram-se, mas a maioria ainda cá continua.

Fomos crescendo e envelhecendo, sempre com aquela ideia estapafúrdia de que este tempo jamais chegaria. Julgávamo-nos eternos (eu pelo menos pensava assim!).

A ideia deste encontro foi do V. Parabéns a ele... E a trabalheira que não deve ter dado... Ui nem imagino!

Finalmente será bom rever alguns colegas que não vejo há muuuuuuuuuuuuitos anos, agora que estamos todos junto à porta de saída.

Amar fora de portas!

A minha já quase provecta idade, a minha educação e formação cívica e até a minha fé não são, ainda assim, inibidores de ter conversas que aborde com a devida naturalidade a sexualidade do ser humano.

Trago aqui este tema porque há muito a minha cabeça vem pedindo para ser falado (leia-se escrito). Porém, porque há outros assuntos mais prementes foi sendo sempre assunto adiado. Mas agora vamos atacar a fundo.

Sempre achei, por exemplo, que uma grande diferença de idades entre homens e mulheres não é razão para não haver uma relação próxima e efectuosa. Tal como do mesmo sexo. Ainda por cima hoje em dia isso parece ser já uma evidente normalidade.

Basta ver o caso do Presidente Francês, Emanuel Macron para se perceber que o amor não escolhe idades. Da mesma maneira que a relação entre um homem mais velho e uma mulher muito mais nova não me cria qualquer prurido. Tenho até na família um caso em que um tio-avô acabou por ter uma relação com uma mulher quase meio século mais nova. E dessa relação nasceram três filhos.

Portanto sou assim um homem aberto à diferença desde que esta não colida com a liberdade de opção de cada um.

Mas se sou assim “open mind” isso não invalida que não olhe para algumas atitudes e as critique com veemência. É o caso das relações amorosas nos locais de trabalho.

Compreendo que estar oito ou mais horas ao lado de alguém possa, obviamente. criar uma efectuosidade muito próxima. Todavia esta proximidade não pode ou não deve ser levado ao extremo de, no próprio local de trabalho, se demonstrar essa amizade colorida ao ponto de num vão escuro de uma escada ou num qualquer arquivo se consumar um acto sexual.

Ainda por cima quando há tantos hotéis e pensões espalhados pelas cidades.

Parece-me de muito mau gosto e de uma promiscuidade a roçar a libertinagem. O que não deve ser, de todo, aceitável.

Tristemente, tenho sempre a sensação que estes casos carregam consigo outros interesses e outros sentimentos, de parte a parte. O que ainda piora a situação.

A sociedade está cada vez mais flexível para a vida, mas esta flexibilidade nunca deve colocar em causa o bom nome da empresa, sob o risco de cair num ridículo, perfeitamente evitável.

Mau feitio no trabalho

Todas as grandes empresas têm bolhas de especialistas informáticos quando não enormes Departamentos nesta área, com diversas valências desde o desenvolvimento de aplicações internas até, quiçá, o mais importante: o suporte ao utilizador. Esta última vertente é a minha área, que não sendo nem boa nem má, é o meu trabalho.

Há uma ideia generalizada que o pessoal que dá o apoio informático numa empresa nunca está no seu lugar e demora horas a resolver um problema.

Pela minha parte tento sempre chegar a todos os lados, especialmente quando os problemas são de alguma gravidade.

Ao invés, há utilizadores que são autênticas “melgas” ao considerarem o seu próprio trabalho o mais importante da empresa, assumindo erradamente que se não fizerem aquele trabalho a empresa pára. Olvidam certamente que os cemitérios estão repletos de insubstituíveis. E pior que tudo, julgam que estamos ali para as servir…

Hoje tive de ir instalar um software numa utilizadora. Combinei com ela uma altura do dia e à hora aprazada comecei o meu trabalho. No entanto pedi-lhe que não se afastasse muito pois poderia ter necessidade dela. Respondeu-me que ia fazer não sei o quê, que seria rápido. Bom,  passado mais de uma hora aparece “fresca e airosa” sem a mínima preocupação com o meu trabalho.

Após breves momentos presentes voltou a desaparecer, sem deixar rasto.

Teve azar… bateu comigo. Não a procurei, a aplicação ficou por ser testada e eu sai na minha hora, já que tinha um compromisso ao qual não podia chegar atrasado.

Imagino o que terá ficado a pensar de mim, mas sinceramente dou pouco valor ao que os outros pensam.

O meu mau feitio a vir ao de cima!

Trocaram-me as voltas!

Tenho por hábito afirmar que quem não valoriza o seu passado não pode valorizar o seu futuro. Esta máxima na sua génese aplica-se tanto a pessoas como a empresas.

Hoje precisei de ir à tesouraria da casa onde trabalho há perto de 35 anos. Esta é uma entidade secular com perto de dois mil empregados e, portanto, com um enorme passado. Umas vezes mais brilhantes outras nem tanto. Mas vai fazendo o seu percurso.

Como ia dizendo (leia-se escrevendo) entrei na tesouraria, onde trabalhei 15 anos, e procurei um colega desse tempo mas muito, muito complicado em termos de trabalho. Abordei-o, tu cá tu lá, e pedi-lhe uma coisa e ele sem mais, manda-me tirar uma senha. Eis o primeiro revés. Algo que ele faria em 10 segundos, repito 10 segundos, não mais e obriga-me a tirar senha. Bom percebi o contexto e lá fui à maquineta retirar a dita.

Passaram-se vinte minutos até que alguém chamou pelo meu número. Não era o mesmo colega. Dei a minha senha a uma jovem que provavelmente já nasceu depois de eu estar na empresa, e disse ao que vinha. Pois bem, mandou-me preencher um papel.

- Mas eu sou empregado do activo desta casa… - disse eu tentando demover a minha colega enquanto mostrava a minha identificação.

Nada feito. Furioso com a situação que correspondia somente a uma troca, uma mera troca, abandonei logo a tesouraria invetivando tudo e mais alguma coisa.

Pegando nisto percebi como está agora formatada a nossa sociedade. Não há amigos, colegas, companheiros ou simples conhecidos. Esta nova filosofia laboral não olha às pessoas, ao ser humano, mas somente à burocracia e às normas instituídas, esquecendo que não obstante estar breve da reforma a empresa cresceu também comigo e com as centenas, quiçá milhares, de trabalhadores que me antecederam.

Lembro quando era muito mais novo e algum colega mais velho surgia eu adorava falar com eles saber as suas histórias que foram histórias daquela casa. E fazia sempre o que me pedia… Outros tempos, é certo!

Hoje somos olhados por esta juventude de sangue na guelra e um bloco de gelo no coração, como empecilhos e gente de menos-valia.

Olvidam que também um dia chegarão a velhos. Talvez se lembrem do que fizeram… Ou não!

Competente ou talentoso?

Hoje participei num fórum com debate sob um tema controverso.

A determinada altura falava-se em competências e talento como sendo dois pilares da organização. Muita gente que estava presente falou e debateu com imenso fervor as ideias e os conceitos.

Também deitei umas achas para a fogueira do debate. Nem podia ser de outra maneira… sendo eu como sou…

No entanto não quero deixar aqui de observar (leia-se escrever!) sobre o que considero que poderá ser a diferença entre alguém com muitas competências, mas sem talento e alguém talentoso, mas com muito poucas competências.

Vejamos então alguém que se licenciou, fez o seu mestrado com boas notas e entrou no mercado de trabalho. Terá as competências inerentes ao curso que tirou, mas será suficientemente talentoso numa empresa para lidar com os desafios propostos? Ao invés haverá alguém sem grandes competências técnicas mas suficientemente talentoso para resolver problemas prementes que surjam na empresa? Obviamente que o contrário também pode ser verdade, mas tenho sempre a estranha sensação de que em Portugal o “canudo” abre mais portas que o talento…

Se, entretanto, eu como gestor máximo de uma entidade tiver que escolher alguém para liderar uma equipa, entre os dois exemplos referidos acima, por quem devo optar?

As organizações debatem-se muito com este dilema e para o qual, creio, não têm qualquer solução.

Porque a verdade ficará, quase sempre, a meio caminhos de ambos os pilares.

Férias de 2016 - Fim

Esta manhã quando parti da minha casa, que durante três curtíssimas semanas me recebeu para umas saborosas férias, senti uma espécie de calafrio e muita tristeza.

Souberam-me tão bem estas férias! Sem tempo contado ou melhor com tempo para aquilo que realmente gosto. Agora entendo porque os meus colegas reformados, com quem de vez em quando me encontro, apresentam melhor aspecto depois de deixarem de trabalhar.

Tenho consciência que ter trabalho, numa altura tão complicada como esta que se vive, não só em Portugal, é quase uma benção. Todavia começo a esmorecer... a perder a estaleca que durante tanto tempo foi o meu apanágio.

Ainda por cima este tempo continua a convidar as idas à praia, ao lazer, ao "dolce far niente" e eu a partir de amanhã novamente preso...

Não imagino sequer o que o destino me tem reservado para o futuro mas de uma coisa tenho (quase) a certeza: dificilmente me cansaria desta (boa) vida.

Quase de regresso ao trabalho!

Os meus últimos dias de férias decorrem a uma velocidade não desejada. Como sempre aliás.

Mas pior que a correria do tempo é a forma como vou assumindo este meu regresso ao trabalho. Se há vinte anos sentir-me-ia cheio de vontade em voltar, hoje assumo que esse desejo se encontra naturalmente diluído pelos anos já decorridos e quiçá por algum cansaço psicológico.

Os tempos são outros, o paradigma da empresa onde trabalho mudou radicalmente e assim sinto que, não sendo uma peça a mais… estou gasto, estou puído pelo tempo.

Parece que não mas ando nesta vida há 37 anos. Nem imagino quantos me faltarão ainda mas gostaria de fazer outras coisas diferentes antes da última viagem.

O regresso ao trabalho tem também esse (feliz) condão: a tomada de consciência de que há muita vida para lá do emprego.

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