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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Já fui maluco!

Há muitos anos quando os nossos mais íntimos pensamentos eram por nós verbalizados, vinha sempre alguém que nos dizia: "Estás maluco, agora andas a falar sózinho..."

Nessa altura ficávamos muito preocupados essencialmente pela imagem que transmitíamos.

Mas o tempo e a ciência fez um favor enorme à humanidade...

Com a invenção e posterior proliferação dos telemóveis passámos todos a estar mais contactáveis. O curioso é que muitas vezes quando ligamos a alguém a primeira pergunta é: onde estás?

Mas voltando às conversas a sós nas ruas reconheço que evoluimos muito. De tal forma que quando hoje vemos alguém que aparentemente se encontra a falar sózinho nalgum diálogo aceso, já consideramos que deve ser uma pessoa muito atarefada.

Tudo por causa de uns auscultadores ou então de um qualquer "denteazul".

Quanta mudança Santo Deus!

A tecnologia na ponta dos dedos

O título oferece a ideia de ir falar desses telefones inteligentes ou algum "ai" qualquer coisa. Pois, desenganem-se meus amigos... desenganem-se.

A estória é outra e reza assim:

Hoje fui a uma agência de uma Instituição Bancária fazer um depósito em numerário. A maior parte deste ia em notas de 20 euros.

Esperei uns breves minutos que me atendessem e quando me cheguei à caixa, comuniquei à jovem o meu intuito e dei-lhe o número da conta de destino do dinheiro. Enquanto a senhora acedia aos dados, recontei à mão o dinheiro a depositar, não fosse faltar algum. Estava todo.

Entreguei o numerário à senhora que acto contínuo, colocou as notas numa máquina. Que as deveria ter contado... Mas não contou. A determinada altura o equipamento parou.

A bancária retirou o tampo, abriu o equipamento e finalmente encontrou algumas notas. Mas faltavam mais... Outros cacifos abertos e mais notas... Algumas já em mau estado.

Parecia que estavam todas agora. Montou toda a parafernália e reiniciou o sistema.

No entanto, ou fosse da operadora ou fossem das notas ou, quem sabe, de alguma bruxaria meio estranha, a verdade é que a máquina voltou a não aceitar o dinheiro.

Resultado: a jovem teve de contar o dinheiro à mão.

A verdade é que desde que me aproximei do balcão haviam passado perto de dez minutos. Para contar um conjunto de notas que eu antes havia contado em 15 segundos.

A tal tecnologia na ponta dos dedos.

 

Ainda os 70 anos do Metro de Lisboa

Hoje voltei a andar de Metropolitano em Lisboa. Uma empresa Lisboeta com 70 anos... Acabadinhos de o fazer. Xiii é obra. Nem imagino quantos milhões de passageiros terá transportado durante estas décadas.

Lembro-me bem da primeira linha que começava (ou terminava) em Alvalade e que alternadamente passavam, até ao Marquês de Pombal, para dois destinos: Entre Campos e Sete Rios.

Vem-me à lembrança as carruagens vermelhas de bancos azuis e pegas que nasciam do tecto das composições às quais os passageiros se agarravam quando viajavam de pé.

Vi, para mal dos meus pecados, alguém a atirar-se à linha numa estação. Um acontecimento que me marcou durante muitos anos. Foi frequente a repetição destes casos. Depois as televisões deixaram de dar essa notícias e a coisa pareceu ter abrandado.

Recordo-me do bilhete branco muito antes do Passe Social e que me dava acesso ao transporte. Como me recordo de ver os carteiristas a tentarem roubar um turista e que eu descuidadamente aproveitei o balanço da carruagem e caí para cima do estrangeiro evitando assim um furto.

O Metro sempre foi um transporte rápido. Cresceu muito nos últimos anos especialmente a partir dos anos 90, muito por força da Expo 98 e mais tarde pelo Euro 2004.

Entretanto foram acabando as bilheteiras nas estações sendo substituídas por máquinas. A evolução assim obrigou.

Por tudo isto custa-me perceber porque nas estações há cada vez menos máquinas a receber dinheiro e somente cartões. Algo que merecia um olhar atento por parte dos responsáveis desta entidade.

O metropolitano é um transporte público e daí que todas as estaçôes deveriam estar equipadas com maquinaria à altura do transportado e acima de tudo do turista.

Tecnologia ou vaidade?

Lembro-me do primeiro frigorífico lá em casa, assim como do primeiro fogão e mais tarde da primeira televisão. Destes objectos já nenhum existe, foram substituídos por outros mais modernos. Todavia duraram dezenas de anos. Recordo ainda do ferro de engomar da minha mãe, de ferro, de um fogareiro onde ardia o carvão para fazer um churrasco e de uma velha telefonia castanha em baquelite.

Meio século passado a velocidade com que trocamos de objectos, mesmo os mais caros, é deveras impressionante. Naturalmente entendo que, estando a nossa sociedade cada vez mais adaptada às novas tecnologias, estas deixaram de ser uma utilidade para ser uma espécie de estatuto de vida.

Salvas honrosas excepções a maioria das pessoas não necessita de tanta modernidade. Ter um telemóvel de última geração, um "tablet" e um portátil, e tudo ao mesmo tempo é sinal de um estatuto igual ou semelhante aos dos meus antigos colegas quando surgiam na escola com uma motorizada nova.

Tenho este portátil donde me assino e um telemóvel moderno. Mas para durarem anos até que morram de velhice informática.

880 minutos...

… foi o tempo gasto por mim, no passado mês de Julho, em chamadas feitas através do telemóvel. Naturalmente que a maioria delas, foram do âmbito profissional, mas ainda assim reconheço que é muito tempo (talvez demasiado) para se estar ao telefone. … E nem estou a contar com as chamadas recebidas! Desta evidência, questiono-me como pode este país e o Mundo viver sem telemóveis? E eu próprio. Talvez por isso, durante as férias, raramente lhes dou uso. Também eles necessitam de férias!

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