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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Solidariedade anónima!

Gosto de ir àquele local comer. Sereno, calmo e com umas tostas em pão alentejano fantásticas. As sopas também são (muito) saborosas.

Hoje fui lá almoçar. A costumada tosta, bem passada, a bela sopa e um café!

Na avenida o trânsito flui com relativa normalidade. No passeio duas mesas e respectivas cadeiras onde nos podemos sentar ao ar livre. No entanto prefiro o recato do interior mesmo que seja, por opção, ao balcão.

Surge da rua um homem com alguma idade. Cabelo grande, barba e bigode em desalinho. Veste uma espécie de gabardine cinza. Parece ser um sem-abrigo dos muitos que calcorream a cidade. Mostra-se à porta do estabelecimento.

O patrão sabe ao que ele vem e pergunta-lhe se quer sopa. Não oiço a resposta mas vejo o prato fundo a ser carregado com conchas repletas. E um pão.

Tudo servido como se de um cliente pagante se tratasse. Individual de papel, pão num pires, guardanapo e colher. Tudo colocado na mesa com o respeito a que tem direito.

O homem come o pão misturado na sopa quente e no final vem à porta agradecer, quase em surdina. E parte!

Gestos que me comoveram. Não foi só a sopa posta ao dispor do homem, de forma graciosa mas a maneira como aquele sem abrigo foi tratado. Com todo o respeito!

Num mundo tão economicista, tão pouco preocupado com o ser humano, tão absorvido nas suas idiotices, observar estes gestos mostra que há quem respeite e perceba que a vida tem muitas curvas e demasiadas lombas e nem sempre é uma linha recta.

Este foi um perfeito exemplo de solidariedade anónima!

Solidariedade – uma palavra desvalorizada

 

Há já algum tempo ouvi uma estória, a requerer, todavia, confirmação mas tomando em conta o local onde terá acontecido, acredito plenamente que tal tenha acontecido. Eis o episódio:

 

Numa certa aldeia dinamarquesa os seus habitantes descobriram que um dos seus elementos fugira, durante anos ao fisco, deixando de pagar os impostos que lhe competia. Duma forma civilizada os aldeões pura e simplesmente votaram ao ostracismo o seu conterrâneo.

 

Este caso jamais se passaria em Portugal, pois neste país quem engana o Estado é considerado um cidadão com valor. O problema é que o exemplo vem de cima, isto é, do próprio Estado que não cumpre devidamente com o acordado.

 

Recorro a este tema porque sinto que muitos de nós estamos a ser enganados, não só pelo governo, mas pelos próprios portugueses.

 

Sempre que oiço a palavra solidariedade, eriçam-se os pêlos todos. Custa-me entender como há gente capaz de viver debaixo da capa da tal palavra solidariedade sem nunca fazerem um esforço que seja, para sair desse marasmo social.

 

Sei que o desemprego tem assolado demasiadas famílias. Que há pessoas a passarem muito mal os seus dias. Crianças a irem para a escola sem uma refeição. Sei tudo isso e sinto que poderia fazer um pouco mais por alguns deles.

 

Mas infelizmente há quem se aproveite deste estado de coisas e nem pretenda trabalhar mesmo que haja que fazer. Quem prefira o dia esfomeado mas ocioso. Há quem se sinta bem na pele de pobre e desgraçado.

 

E é por estes casos que a palavra solidariedade perde todo o seu valor.

 

Paga sempre o justo pelo pecador!

 

Pirilampo Mágico 2013 – Uma iniciativa importante

Hoje sem saber como lembrei-me do Pirilampo Mágico. Uma iniciativa da Antena 1 e que tem tido sempre muito sucesso.


E curiosamente um amigo das redes sociais espalhou a foto que abaixo se anexa. Com uma pequena frase, creio da autoria de um amigo comum.

 

Sob o tema a “Ilumina o teu Mundo”, a iniciativa deste ano da Fenacerci parece estar meio adormecida nas ruas. Ou será que o Pirilampo-Mágico foi também engrossar as já longas filas do desemprego?

 

Sei que não! Mas curiosamente noto menos gente a vender o simpático boneco (este ano vem em azul marinho), como via em anos anteriores.

 

Ainda assim fica a foto. E a recomendação de ajudarmos quem nem sequer sabe protestar!

 

O que a Troika não sabe!

 

Uma das maiores vítimas deste tempo de vacas magras, que vamos obrigatoriamente diluindo nos nossos dias, são justamente as crianças. Estas não entendem como de um dia para o outro deixaram de ter direito a comer mais um pão ou a beber mais um copo de leite porque… não há!

Infelizmente não há para o leite, para o pão, para os bens essenciais. O desemprego alastra ferozmente sem se perceber um fim. As forças políticas clamam, o governo responde, o PR encolhe os ombros, a Troika obriga, o povo paga.

Ontem o meu filho fez anos e eu fui à pastelaria buscar o tão tradicional bolo de aniversário. Lá dentro, entre muita gente sentada, encontrei uma jovem mãe, não teria 30 anos, com duas crianças pequenas mas muito sossegadas ao seu redor. Primeiro passei por ela sem me aperceber da sua presença. Era mais uma que por ali estava. No entanto, ao fim de um pouco, descobri estranhamente que ela aguardava…

Mas não entendia bem o quê… Uma empregada colocou numa caixa de papel um bolo. Entretanto de pé no balcão duas senhoras solicitaram cafés e pastéis de nata. E mais uma vez um bolo para a caixa de papelão.

De súbito olhei para a parede defronte de mim, enquanto aguardava que me fossem buscar o bolo previamente encomendado, e pude ler:

“A partir das 18 horas por cada dois bolos comprados leva mais de um de graça”.

E naquele instante fez-se luz. A mãe aguardava a “Happy Hour” das seis da tarde para poder dar aos filhos uma guloseima que lhes matasse a fome. Em tom baixo perguntei à senhora que me atendia, se o que eu percebera seria verdade. Ao que ela respondeu que sim, mas com uma revelação ainda mais aterradora:

- Ela leva os bolos todos que consegue até às nove da noite, hora a que fechamos. É a única alimentação da família.

Tremi todo. E lembrei-me daquele casal no supermercado… que aqui relatei vai para um ano. Desta vez haveria de ser diferente… Desviei-me e disse para a empregada:

- Arranje um saco com pão, fiambre e se puder queijo. E lá dentro coloque também uns pacotes de leite com chocolate e diga-me quanto é.

A senhora obedeceu sem pestanejar e no final deu-me a conta que paguei sem hesitar. Quando saí pude passar a mão pelo cabelo de uma das crianças e percebi que higiene era algo que ali também faltava.

Já no carro, carregando uma caixa onde residia um bolo grande, sorri sozinho, imaginando a reacção daquela mãe ao perceber um saco com mais do que os costumados bolos.

Será que a Troika tem consciência disto?

A palavra do ano

O desafio apresentado pelo SAPO parece interessante e curioso, mas requer um pensamento cuidado e muito sentido.

 

Deste modo, e após alguns largos instantes a pensar e de olhar ao meu redor, creio que a palavra deste ano de 2012 é: solidariedade!

 

Ou:

 

A falta dela…

 

A necessidade dela…

 

O uso dela…

 

O pedido dela…

 

O pensamento nela…

 

O desejo dela…

 

A presença dela…

 

A esperança nela…

 

A exigência dela... 

 

O Ministério dela…

 

E o mistério dela…

 

O fim dela…

 

 

Desejava apenas que a palavra de 2013 fosse: esperança!

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