De manhâ!
Todos os dias ali passo de manhã no meu carro! É uma casa velha de três pisos. A porta ao meio alta e mal estimada divide os lados dos velhos andares. Nas janelas não há estores, nem portadas. Mas pode-se apreciar a alvura de umas cortinas de renda que não deixam ver para dentro, tirando…
Aquele canto, num rés do chão, onde um enorme gato pardo dorme encostado ao vidro aquecido pela manhã solarenga. E quando não está o felino, surge uma idosa. Provavelmente ambos procuram na rua o interesse que não encontram em casa.
Passo tão depressa que não consigo perceber a idade da anciã, mas carrega muitos invernos, com toda a certeza.
Hoje, pela primeira vez, de há muitos anos a esta parte, a cortina não estava aberta. Não vi nem gato, nem dona…
A pergunta doeu-me fazer: que lhes terá acontecido?
