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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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O medo de ter medo!

Numa das aventuras de "Ástérix o Gaulês" a aldeia esteve para ser invadida por numerosos e valentes Normandos que procuravam... o medo. Esta aventura termina quando os invasores ouvem o bardo gaulês que canta tão mal que acaba por incutir o medo nos guerreiros normandos.

Ora o medo. dizem os especialistas, é a forma que o nosso corpo e essencialmente a mente tem de se defender de um qualquer perigo. Os medos são geralmente associados a episódios traumáticos que aconteceram algures no nosso passado e que a nossa memória guarda até ao presente.

Eu, por exemplo, detesto osgas. Mas sei que esta situação foi herdada da minha mãe que sempre me incutiu este receio. Como eu há pessoas com medos de coisas estranhas como borboletas ou caracóis. Ou mesmo galinhas. Já para não falar de medo de andar de avião ou do escuro.

Faz parte da nossa vida termos alguns temores, mas o que mais convém e interessa é que consigamos viver felizes mesmo com eles. Tenho todavia consciência que muitos de nós não gostam de falar dos seus estranhos receios pois sentem-se menorizados por demonstrarem publicamente medo de um inocente grilo ou de uma pequena barata.

Portanto termino com a ideia de que ter medo de ter medo é que não é, sinceramente. muito saudável!

Nem para o corpo e muito menos para a mente!

Como vejo hoje o 25 de Abril

Aproximam-se mais umas festividades do 25 de Abril de 1974.

E regresso a essa quinta feira plúmbea e fria. Sobrava em calor revolucionário.

Andava na escola e o meu pai, sendo militar permanente, veio logo comunicar para não sairmos de casa. Estava a decorrer um golpe de Estado. (Só mais tarde se criaria o mito da Revolução dos Cravos!!!)

Telefonia ligada, logo iniciámos a escutar um locutor a falar. Creio que era o Luís Filipe Costa! Dizia o que se estava a passar a pedido de um tal Movimento das Forças Armadas que naquele instante desconhecíamos quem era ou o que era.

Só de tarde, creio eu, a televisão passou a série “Daktari”.

Esta é a primeira grande recordação que tenho do dealbar do meu 25 de Abril de 1974.

A dita Revolução veio depois e o país tanto avançava na democracia como recuava. Lembro-me bem do PREC (Processo Revolucionário em Curso) que quase levou o país a uma guerra civil. Recordo do 28 de Setembro com as barricadas nas estradas, do 11 de Março e a nacionalização de muitos sectores da economia portuguesa. E do 25 de Novembro.

No fundo o 25 de Abril foram todos estes acontecimentos. Foi outrossim as diversas eleições democráticas, os diferentes governos que caiam para virem novos, a apressada descolonização, a reforma agrária que verdadeiramente nunca se fez, as sucessivas greves, as constantes manifestações.

Durante quase dez anos Portugal foi um país estranho. Ou se era a favor ou contra, nunca havia a meia medida. Ou se era de esquerda ou então fascista. Ou pobre e revolucionário ou então rico e burguês.

Pretendeu-se o sistema social nórdico implantado num país de tendência latina em questões laborais. Tentava-se a implementação de diferentes sistemas políticos, quando obviamente nenhum servia para um povo que desde o início do século XX não sabia o que era o Mundo para além das suas fronteiras.

Talvez por tudo isto tenhamos hoje uma classe política tão pálida, tão enfezada para abraçar outros cometimentos. Nasceu entre dois polos opostos e nunca soube qual escolher. Adaptou-se ao que mais lhe convinha.

Sobra ainda daqueles dias a liberdade, dirão alguns. Será verdade, mas até quando?

Entretanto comemore-se mais um ano do 25 de Abril.

A montanha pariu um rato.

Terá mesmo?

Ao invés do que os adeptos preferem o futebol há muuuuuuito que deixou de ser um desporto tão-somente, para se tornar um negócio de muitos, mas muitos milhões.

Certo é que os clubes foram-se endividando para que pudessem comprar mais aquela estrela, sempre no intuito de o retorno fosse desportivo, mas outrossim financeiro.

Obviamente não estou a escrever nada que não se saiba desde há muito.

O problema cresceu quando a pandemia covídica tomou conta das nossas vidas originando entre muitas inibições, o não ser possível jogos com adeptos no estádio. Portanto os lugares que eram geralmente (bem) pagos pelos sócios passaram a estar vazios e os clubes deixaram de ter essa receita.

Sem outras grandes receitas os clubes continuaram a ter a mesma despesa com os seus atletas. Adivinha-se que o resultado das contas… Bateram rapidamente no vermelho.

Esta semana surgiu com a bomba da criação de uma Superliga Europeia por alguns dos maiores clubes europeus. O que é curioso pois geralmente são os pequenos que se revoltam contra os grandes, quando desta vez foram os grandes que se abespinharam contra a UEFA.

Foi o pânico, a ignomínia, o caos.

Os órgãos da UEFA e FIFA apressaram-se a apresentar eventuais castigos aos clubes que alinhassem nesta bravata. Os governos, antigos atletas, treinadores também eles vieram a publico falar contra. Assim como os adeptos que se manifestaram.

Parece que hoje tudo se alterou já que quase todos os clubes envolvidos recuaram no desejo de participarem nessa tal Super Liga. Portanto a dita montanha pariu um rato…

Todavia sinto que nada ficará como dantes. Nem os clubes perante os seus adeptos, nem a UEFA perante os clubes envolvidos. A confusão está definitivamente instalada.

Fica, no entanto, a ideia de que este projecto estava morto à nascença. O que estes clubes fizeram foi um “lançar de barro à parede” a ver se a coisa pegava, pois não acredito que os mentores desta tentativa de golpe no Estado que é o futebol europeu e mundial, não calculassem previamente os anticorpos que iriam originar.

Porém insisto na ideia que da montanha não saiu um rato, mas quase de certeza algo muito maior.

A UEFA e a FIFA também já devem ter percebido isso!

Basta agora aguardar para ver o que será!

Astrid et Raphaëlle - dupla imbatível

Há umas semanas um familiar próximo aconselhou-me vivamente a ver uma série policial que passava na televisão por cabo. Assim fiz!

As figuras principais são duas mulheres que por serem diferentes acabam por se complementar.

Quão diferentes como pode ser alguém com um espectro de autismo e uma mulher completamente desorganizada, porém neurotípica.

Vi os nove episódios que constituiram esta série (desconheço entretanto se será emitida uma segunda série). E eu que há muito deixei de ver televisão acabei por, às segundas feiras, procurar ver mais um episódio.

Astrid e Raphaëlle, assim se chama a série deu-me uma visão mais assertiva de como uma pessoa com sindrome de Asperger vê o nosso mundo neurotípico e se comunica e interage com ele.

Não importa referir os casos, mas tão somente perceber como alguém diferente da maioria da população pode ser uma mais valia para quem com ela convive.

Ao metodismo e memória fabulosa da criminalista Astrid contrapos-se sempre o repentismo e desorganização da agente policial Raphaëlle. Os olhares esquivos de uma opunham-se aos afectos sinceros de outra que aprendeu a demonstrar. Mas na resolução dos crimes acabavam por se complementar.

Grande trabalho de ambas as actrizes, mas Sara Mortensen (Astrid) teve uma actuação de grande mérito.

Num video que vi "á posteriori" a actriz franco-norueguesa assumiu que contactou muitos pais com crianças autistas e até mesmo alguns autistas de forma a rentar encarnar melhor o papel. 

A série terminou ontem, mas fiquei a salivar por mais.

Merece ser visto!

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Escutado por aí! (Baseado em factos reais!!)

Hoje tive de ir ao supermercado fazer umas compras rápidas.

Vou de carro que o estabelecimento é longe de casa. Estaciono e busco a entrada. Saio mesmo em frente ao supermercado.

Rapidamente faço a recolha dos produtos, dirigo-me à caixa e pago. Quais quer cinco chegaram... não mais!

Quando vou a caminho do carro com as compras na mão oiço esta conversa entre senhoras:

- Quem diria que eu, que nunca gostei de Centros Comerciais, apreciasse tanto a vinda a um.

 

Desconfinamento arriscado!

Amanhã aplicar-se-á a terceira fase do desconfinamento. Pelo que li não será igual para todos concelhos o que para mim faz todo o sentido.

Talvez assim as pessoas percebam quão prejudicam a economia quando saem à rua só porque "jánãoaguentomais".

O futuro estã ainda muito incerto e não obstante a vacinação, ninguém sabe em bom rigor, por quanto tempo permanece a vacina no corpo das pessoas.

Sinto também que a comunidade médica nacional e internacional anda aos papéis na busca de origens, curas, vacinas e efeitos secundários apresentados pelos infectados.

Pelo que me foi dado perceber cada doente infectado fica com mazelas diferentes. Uns nos pulmões, outros no estômago e outros até ao nível neurológico, já para não falar da mobilidade reduzida derivada muitas vezes do internamento hospitalar. No meu caso assumo que como pouco já que não tenho apetite, durmo ainda menos que antigamente e essencialmente o meu corpo reage de forma diferente de outrora. Todavia nem consigo explicar com assertividade esta mutação, todavia sinto-a.

Portanto amanhã desconfina-se para daqui a um mês voltar-se a confinar...

Teimam ou apostam?

Quando a morte é o início...

... de uma guerra!

Há muita gente que se considera imortal, quando no fundo, no fundo nascemos e morremos um pouco todos os dias!

Esta manhã deram-me a triste notícia de que a minha vizinha da frente, uma simpática idosa, viúva com 87 anos, havia morrido no hospital após diversas falências de orgãos. Ainda a semana passada fui chamado a sua casa para a levantar do chão onde caíra.

Esta tarde vi o filho mais velho a levar coisas de casa para o seu carro. Ao ver-me atravessou a rua e dirigiu-se-me. Dei-lhe as condolências para vir logo com a conversa das partilhas entre ele e o irmão como se eu fosse parte interessada.

Deixei-o falar até que aproveitei a saída da minha neta para me despedir dele. Detesto olimpicamente este tipo de paleio...

Prevejo com aquelas palavras o início de uma demanda, tendo como base uns bens que daqui a uns anos já nem serão dos irmãos porque também eles seguirão, mais tarde ou mais cedo, os caminhos dos pais.

É assim que se começa uma guerra familiar. Por uns tarecos!

 

O que ia escrever antes de...

Não gosto de demagogia. Muito menos de alguém que já tem uma pasta muito difícil neste governo e que é a senhora Ministra da Saúde.

Lí as suas declarações e achei no mínimo tristes e demagógicas. Ao invés do que disse sobre as vulnerabilidade dos mais fragéis eu tenho a noção que este virus não tem qualquer preocupação demagógica e ataca os que estiveram na sua zona de acção.

Escrevo ciente das excepções, mas ao mesmo tempo com a experiência do que foi ser infectado.

Era para escrever muito mais sobre isto, mas entretanto soube do falecimento repentino de Jorge Coelho e tudo se alterou.

Se bem que não partilhasse das suas ideias políticas reconheço que era um homem empenhado e de uma visão estratégica invulgar.

Lamento a sua morte e só espero e desejo que descanse em Paz.

O mito da gravata!

Comecei a usar gravata muito cedo, ainda miúdo. Obviamente por escolha familiar.

Depois atravessei aquela fase parva da adolescência e gravatas... nem vê-las. Fazia parte...

Todavia quando comecei a trabalhar a tempo inteiro, no pretérito ano de 1979, passei a usar, diariamente, fato e gravata. Daí até ao dia 13 de Março de 2020 usei centenas de gravatas em centenas de dias de trabalho e não só. De todas as cores e padrões. Ainda tenho uma que toca o "gingle bells".

Ora bem... a gravata não é, ao inverso do que muitos cavalheiros da nossa praça assumem, nada simbólica. É unicamente um acessório masculino e serve para enfeitar a indumentária masculina. Nada mais.

Durante muitos e muitos anos pretendeu-se associar esta peça de vestuário a diversas opções políticas, Repare-se a este propósito que quase todos os homens de esquerda do nosso país mesmo que andem de casaco não usam gravata, quiçá associando aquela a outros regimes. Um (quase) mito tolo!

No entanto continuo a achar que a exclusão do uso de gravata só porque sim, parece-me um tanto parvo. É como usar meias... há também quem não as use. Lembro-me até que quando fui a Londres ter encontrado no Metro um cavalheiro já com alguma idade vestido com um fato de tweed  (estávamos em pleno Verão, imagine-se), camisa, gravata e... sem meias. Portanto...

Assim sendo cavalheiros, não se acanhem que não perdem virilidade por usarem uma gravata nem que seja somente ao almoço num qualquer Domingo de Páscoa.

Como eu usei!

(Já tinha saudades!!!)

O meu momento Nabeiro

Juntado-me às comemorações dos 90 anos do Comendador Manuel Rui Azinhais Nabeiro venho relatar o meu momento (leia-se encontro) com o empresário alentejano.

Como sempre cheguei cedo ao trabalho. Passaria pouco das oito da manhã.

Deixei o carro na garagem para depois subir as escadas até ao rés do chão onde apanhei o elevador mais próximo do meu gabinete.

Chegado ao quinto andar saí. No átrio encontrei o Comendador que falava ao telemóvel. Passei por detrás não interrompendo a conversa e fui para o meu gabinete.

Tirei o casaco, liguei o computador e voltei ao átrio para tomar café.

Nesse átrio onde parara o elevador, o empresário ainda aguardava que o chamassem na qualidade de testemunha de um caso qualquer.

Travámos este diálogo:

- Bom dia Sr. Comendador!

- Bom dia - respondeu, naquele seu sotaque bem alentejano e muito simpático.

Tirei o café da máquina ao que se seguiu:

- Sabe quem é que encomenda os cafés? - perguntou Rui Nabeiro.

- Creio que deve ser por concurso, mas há um Departamento interno que trata disso.

- Estive agora a falar para Campo Maior a tentar perceber porque aqui não há máquinas da nossa marca...

- Pois não sei... Mas acredito que um dia cá teremos as suas máquinas...

- Sem dúvida! - declarou.

Por fim despedi-me dele, apertando-lhe a mão e ele acto contínuo entregou-me um cartão com o seu nome e contactos. Rematou assim:

- Se um dia necessitar de alguma coisa, ligue-me. Terei muito prazer em ser-lhe útil.

- Muito obrigado... Se um dia tiver necessidade farei como diz.

E fui à minha vida com o pensamento: "É desta têmpera que se fazem os grandes homens e empresários".

Passados tantos anos deste episódio ainda hoje me sinto um privilegiado por me ter cruzado, mesmo de forma fortuita e rápida, com este alentejano.

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