Este postal foi escriro mesmo no encerrar portas de 2024. Porém fala um pouco de como a actual sociedade lida com as crenças e obviamente com a fé.
Há neste Mundo diversos loucos que querem a todo o custo tomar conta de um pedaço de Universo sem perceberem que daqui a uns tempos não estarão cá.
O pior é que estes doidos assentam as suas ideias e decisões nas Palavras Sagradas. Um dia mais tarde saber irão saber quão erradas foram as suas decisões, mas aí talvez seja tarde demais.
Fica todavia o testemunho de quem percebeu como a palavra fé pode-se transformar numa bóia, corda, cabo, tábua de salvação.
Há uns anos largos participei numa oficina de escrita, ministrada por um escritor que eu não conhecia. Fi-lo apenas com o intuito de perceber o que se faria num local destes.
Não dei por mal empregue o tempo que passei naqueles serões, mas ainda assim esperava mais. Também é verdade que pelo preço que foi... nem valeria a pena dizer mal, só porque sim.
O escritor sabia da coisa, tinha bom dom na sua oralidade, mas sinceramernte diria que aprendi pouco, naquela oficina de escrita. Ou melhor: aquilo quem para mim poderia ser uma dúvida na minha técnicade escrita passou a ser uma certeza. Tirando isso...
Isto para dizer que não merece a pena convidarem-me para proferir palestras sobre a escrita criativa ou outra que na altura declino o convite. Para ser coerente e sério comigo mesmo, porque não tenho, nem apetência, nem queda para ensinar algo que ainda estou a aprender.
Na verdade cada autor terá, no meu singelo entender, a sua técnica de escrever, para além da competência da inspiração.
Escrever é uma arte difícil de agradar a todos. Mas para quem escreve, o ser agradável à maioria dos leitores, não deverá ser o mais importante nem premente!
Ao que parece Cristiano Ronaldo faz hoje 41 anos e para já a costumada felicitação: parabéns e que contes muitos com muita saúde.
Obviamente que o maior jogador de futebol de todos os tempos nunca lerá este texto nem esta sincera felicitação, mas para mim também não se torna importante que o faça.
Ora bem... 41 anos também já os fiz. E muitos outros a seguir. Porém parece-me menos sensato fazer-se de um aniversário um coisa assim... muito especial.
É verdade que o aniversariante se chama CR7 e que ele é ainda um extraordinário jogador de futebol, mas é neste momento uma marca.
Há tempos li que é o futebolista mais rico do Mundo com uma fortuna calculada em mais 1,2 mil milhões de euros. Coisa pouca.
Recentemente voltou à ribalta não pelos golos que marcou, mas por causa da Liga Árabe tendo em conta a forma como a equipa de Ronaldo tem vindo a ser (mal) tratada.
Calculo que para aqueles lados do Mundo o futebol não é somente um desporto, mas mais uma forma de propaganda do país e tanto se lhes dá que ganhe o A,B ou C. O problema é que Cristiano não convive bem com quem não mostra aptidões para vencer.
Só que aos 41 anos já deveria pensar noutros caminhos para a sua vida.
Pois, mas há ainda aquela fasquia dos 1000 golos...
Regresso ao tema da intempérie, chuvas em demasia, tempestades impensáveis.
Todos temos mais ou menos consciência que a chuva faz falta, que sem água o Mundo será um autêntico deserto. Em diversas regiões do nosso país há alturas do ano em que a água escasseia, nem que seja para as coisas mais básicas.
Esta ideia, constatação, assumpção foi assumida pela quase totalidade do nosso povo, passando a ser normal a escassez de água.
Tal como as nossas cidades, que não foram pensadas nem projectadas para receber chuva com fartura e daí muitas zonas ficarem submersas, bastando para tal uns pinguitos de chuva, a maioria das casas das nossas aldeias não estão preparadas para receberem tamanhas quantidades de água, principalmente as mais vetustas. E muito menos fortes rajadas de vento. Acrescento que para este caso do vento... sinto que ninguém está verdadeiramente preparado.
Não gosto de ser advogado do Diabo, mas há muita gente na aldeia que prefere gastar o dinheiro numa televisão toda xpto, a arranjar um telhado ou uma casa. Não digo apenas porque sim, mas porque já assisti a gente para quem a casa "está bem como está", sem necessidade de qualquer intervenção.
Depois, quando acontecem estes acidentes, estão na linha da frente para receberem ajuda.
Umas das coisas que na família se tem feito é cuidar dos nossos edifícios, sejam estes casas de habitação ou meros barracões para gado ou alfaias. Obviamente que não seremos mais que os outros e as árvores em redor das nossas construções poderão tornar-se um perigo permanente. Mas aí não podemos fazer nada senão rezar a todos os nossos santinhos para que nada se estrague.
Resumindo:
- se uma edilidade emanar uma lei sobre a necessidade imperiosa das pessoas cuidarem das suas casas, ninguém quer saber, ninguém dá um passo sequer para dar cumprimento à lei:
- porém quando as catástrofes acontecem a culpa é sempre do governo em funções (seja ele de que partido for).
Provavelmente estes fenómenos tenderão a repetir-se e deste modo seria bom que as edilidades fizessem quanto antes um levantamento exaustivo do estado das habitações nas zonas rurais. Principalmente em zonas não afectadas... porque das outras já se sabe como estavam!
Há uns anos abri um blogue cujo tema seria, em princípio, gastronomia. Falaria de restaurantes (nunca falei), de receitas de culinária (nunca escrevi), de vinhos (nunca ousei escrever sobre isso), portanto um blogue que não serviu para nada.
Ou quase!
Certo é que associei a esse blogue um outro mail que engendrei e que raramente visito. Também a este estava ligado a minha conta de feicebuque que depois nem fechei, mas não tenho lá colocado qualquer actividade.
Hoje recebi um aviso que iriam fechar a minha caixa de correio por inactividade. Pois bem corri para (virtualmente) e abri o mail que tinha na caixa de entrada centenas de mensagens. Já para não falar do SPAM!
Andei por ali a deambular para tentar perceber o que me tinham enviado por mail. Muitos convites para participar em cenas de turismo, muitas propostas de trabalho (alguém deve pensar que já trabalho pouco, com os netos às costas), convites muito quentes (ai a minha próstata antiga!!!) e claro mensagens do tal feicebuque que nem li.
Tenho consciência que muitos dos convites que recebi não foi realmente alguém a enviar, mas uma máquina que dispara aquilo para todos os clientes de uma certa plataforma. Calculo que a publicidade pagará tudo isto, mas não será um tanto exagerado a quantidade de mails que se recebe sem qualquer interesse? E quanto é que isso pesará nos servidores da SAPO?
Pois é... Mas são os blogues que pagam, para já, a primeira factura. Acredito, no entanto, que outras facturas virão.
Ainda ontem parece que foi Natal e já estamos quase a entrar em Fevereiro.
O tempo corre tão depressa que nem damos por isso. Ou melhor damos quando se aproximam certas datas e começamos a perceber que a última parece que foi ontem.
Geralmente esta consciencialização do tempo decorrido, transformado em algo a que se chama idade, fica muito mais forte quando ficamos mais velhos. Num ápice contamos os anos passados e ganhamos a certeza de que não iremos viver os mesmos números de anos. Com a eventual certeza de que iremos ter mais problemas com a saúde, com o nosso bem-estar mental e social.
Uso isto para dizer que não obstante a minha (quase) provecta idade diria que a minha cabeça terá metade dos anos do CC. E o coração ainda menos.
De tal forma pergunto-me amiúde como aqui cheguei? A resposta estará entre a minha e a memória de quem comigo viveu e conviveu!
E, sinceramente, a minha única preocupação com o meu futuro não é morrer, mas tão só dar trabalho aos que cá estão, sejam filhos, netos ou demais família.
Um dia perguntaram-me o que faria se fosse rico. A minha resposta foi simples:
- Nada, rigorosamente nada!
Olham admirados para mim e ficam, quiçá, a pensar que sou louco.
Com esta idade há muito que deixei de me preocupar com o que pensam acerca de mim, especialmente se não for muito bom.
A pandemia ameaçava já o Mundo, para neste mesmo dia no ano de 2020 e sem medos das eventuais ameaças nascer a minha primeira neta.
Desde este dia, há precisamente seis anos, até hoje já nasceram, entretanto, mais três crianças que me enchem o coração e algumas deles os dias. Mas não me importo, mesmo sabendo que recai sobre os meus ombros outras responsabilidades.
Uma coisa é sermos pais e termos o poder de orientar os nossos decendentes outra é sermos avós e tentarmos conciliar a nossa visão para as novas crianças, com a perspectiva por vezes muito diferente das dos nossos filhos para os seus descendentes. O que nem sempre é fácil, admito!
Curiosamernte há umas semanas e em conversa com uma amiga com filhos já crescidos ela assumia que gostaria de ter muitos netos, mas jamais estaria disponível para tomar conta deles. Não é caso virgam e muito menos anormal. Opcões!
Só que deste lado olho para estes infantes não apenas como meus legais sucessores, mas como reais focos de ternura, amor, carinho, solidariedade e compromisso. De muita entrega e recebimento na mesma medida!
Não pretendo com esta prosa atacar alguém que não pensa como eu... Longe disso. Mas fica, quiçá, um aviso: no futuro só colheremos se semearmos. A realidade da vida diz-nos que nem sempre será assim, mas quero crer que deixo às minhas crianças bons exemplos, para que eles um dia mais tarde sejam outrossim bons exemplos para quem os seguir.
Uma grande e boa amiga enviou-me esta manhã uma mensagem que dizia: "O melhor do Ano Novo são os Velhos Amigos"!
Gostei muuuuuuito da frase e agradeci-lhe convenientemente.
Mal sabia eu que hoje, ou melhor, neste fim de tarde iria aproveitar a tal frase fantástica e dar-lhe uma nova roupagem tendo em conta o que assisti.
Realmente não é nada de mui grave e que venha com isso mal ao Mundo, todavia passam os anos, os governos, mudam-se as mentalidades, mas o português em certas coisas mantêm-se fiel aos seus princípios.
Entre muitos que a população lusa gosta, um deles ensarilha-me a cabeça e prende-se com a pontualidade ou a falta dela.
Quando trabalhava e tinha um horário rígido sempre cheguei a horas ao local de trabalho. Depois quando passei a ter um horário mais aberto ainda assim gostava de estar cedo no meu gabinete.
Mas devo ser uma excentricidade lusa já que neste país raras são as pessoas que chegam a horas. Ou dito de outra maneira: a malta julga que chegar 15 minutos ou meia hora mais tarde que a hora aprazada é ser pontual.
Bom o pior é que este vício velho mantem-se no Ano Novo. Daí o título deste postal.
Hoje fui assistir ao Concerto de Ano Novo no CCB. Uma tradição familiar já com alguns anos e que os velhotes agradecem a quem ofereceu. O espectáculo estava marcado no bilhete para as 17 horas.
A tempo e horas saí de casa em busca de um lugar para o carro e ainda com folga temporal para chegar. Quando me sentei na cadeira que me calhara em sorte, faltavam cerca de 8 minutos para as cinco da tarde.
A imagem supra foi feita depois das 17 horas e enviada a diferentes amigos e à qual anexei esta mensagem: "Concerto de Ano Novo com vícios velhos. Era para começar às 17 horas. Pois ainda está assim. E já são 17 e 02. Ai, aí!"
E pronto... o concerto começou muito depois deste envio de mensagens, já tinha o telemóvel desligado.
Ofereceram-me este Natal um belísssimo livro sobre os "Romeiros de São Miguel". HOje estive apenas a folheá-lo e foi nesse bocadinho que a minha neta se aproximou de mim e perguntou que livro era aquele.
A publicação tem o sugestivo nome de "Rostos de fé" com um conjunto de óptimas fotografias. Mas foi nestre entretanto que surgiu a questão: como se ensina o que é a "fé" a uma criança de cinco, quase seis anos?
A verdade é que há cá em casa uma série de objectos de cariz católico e aos quais a cachopa nunca sentiu interesse em perceber o seu significado.
No entanto mantenho algumas outras perguntas em aberto, para além da que já formulei:
- Como se explica a crença num Deus Todo Poderoso?
- Como se traduz para uma linguagem actual todo o Mistério da Paixão de Cristo?
- Como trestemunhamos Maria a uma criança?
Questões para as quais não tenho uma resposta assertiva e coerente. Numa época em que só se acredita no factual, todo este manancial de ideias e perguntas coloca-nos num patamar de dúvidas permanentes.
Provavelmente 2026 será o ano para eu encontrar respostas a estas questões. Ou se calhar até não!
Independentemente das opções político/religiosas que cada pessoa tenha, ainda assim hoje é um dia de Festa.
Festa da família para a família.
Sei que os hospitais estão repletos de gente abandonada pelos seus. É uma realidade triste desta e de todas as épocas. Mas fica quase a certeza que quem umtem esta atitude terá mais tarde o troco e nessa altura pode ser que perceba o que fez.
Fora isso, e como vou ter um dia bem complicado desejo a todos os meus amigos, leitores, comentadores e outros um Santo e Feliz Natal.