Setembro - o mês dos figos!
Lá para a aldeia onde fui criado há nos pedaços de terra rija e barrenta algumas figueiras. E há de toda a espécie: do Algarve, Pingo Mel, Corigos, do Norte.
Por esta altura é ver a malta a correr para debaixo das figueiras em busca dos melhores frutos. Alguns serão para comer logo, assim fresquinhos acabados de apanhar, mas a maioria serão para secar ao Sol.
Lembro-me quando miúdo e ainda antes da escola iniciar, andar com a minha avó em busca dos tão gostosos e característicos frutos.
Mas as figueiras não são oliveiras. Nestas pode-se subir sem perigo para cimo de um ramo que ele fica ali firme e hirto a aguenta com o nosso peso. No entanto as figueiras são falsas como Judas. Nem todos os ramos se fixam e ao menor peso, por mais grossos que sejam, vergam-se facilmente.
Ora naquele tempo de apanha com a avó Pureza, este que ora se assina subiu ágil à arvore em busca de mais frutos e mais depressa eu subisse mais depressa caía.
Numa terra onde as pedras são muitas e enormes, tive a sorte de cair no único pedaço de terra por debaixo dos ramos verdes da figueira. Bastaria poucos centímetros ao lado e provavelmente hoje não estaria aqui a escrever.
Por tudo isto é que uns figos secos ao calor de Setembro têm outro sabor.