Principiou hoje a Semana Santa que culminará com a Morte e Ressurreição de Cristo.
Para a maioria dos católicos esta será sempre uma semana muito especial porque viver-se a Paixão de Cristo é uma ventura que nem todos sabem reconhecer e muito menos perceber.
Provavelmente eu também não!
Ora bem... este ano será para mim, se tudo correr como espero e desejo, em termos de fé, marcante. Já que em Junho próximo serei abençoado com o Sacramento do Crisma.
Desde que abracei convictamente a fé, após um hiato de alguns anos, acima de tudo por falta de coragem, senti que o tal Sacramento do Crisma fazia sentido para mim. E quanto mais avanço na idade mais sentido faz. É algo que não sei explicar por palavras, mas que vem de dentro para fora.
Faz-me até lembrar o tempo em que peregrinava pois quando me perguntavam porque fazia aquela longa caminhada até à Cova da Iria eu respondia invariavelmente:
- Não sei porque venho, mas Deus certamente saberá!
Obviamente que o Sacramento do Crisma não fará de mim um homem santo, nem será isso que pretendo. O que apenas necessito será entender, não com a razão, mas somente com a alma, este Mistério fantástico que Cristo nos deixou para que diariamente nos tornemos humildemente melhores.
Termino com a certeza de que a Páscoa deste ano será para mim muito especial. Muito mesmo!
Com o Domingo de Ramos celebrado ontem, iniciou-se a semana maior dos católicos a que eu orgulhosamente pertenço.
Se o vírus não tivesse entrado pelo país adentro, parte deste tempo Pascal seria passado a caminhar até Fátima, num encontro sempre renovado com a Mãe de todos nós.
Porém Deus propôs-me e propõe-nos este ano outros desafios, diferentes alternativas.
O confinamento, quarentena, clausura, o que quiserem chamar, a que estamos actualmente sujeitos, obriga-nos a repensar a nossa vida neste mundo terreno, a finalmente perceber que somos demasiado frágeis, a inventar dentro de nós novas formas de percebermos este universo que nos rodeia.
Esta semana maior deverá assim servir para acordarmos para uma realidade que será certamente muito diferente daquela que até agora estávamos habituados. Deus através do seu filho Jesus Cristo deu-nos em exemplo de entrega e de sacrifício. É este então o tempo de Lhe seguirmos o exemplo de renovação dos nossos corações, de diferenciarmos o que é importante do que é acessório.
Sei que muita gente não crê neste renascimento Pascal. Não importa… Acredito eu!
E é por isso que rezo todos os dias pelos meus familiares, por todos os meus amigos mesmo aqueles que não crêem (essencialmente estes!!!) e, acima de tudo, por todos aqueles que nos hospitais vão lutando pelas vidas dos outros. São eles as verdadeiras testemunhas da Redenção e Ressurreição de Cristo.
Ontem cá em casa alguém relatava que antigamente a Semana Santa era uma semana de profunda tristeza, onde não havia televisão, pouca rádio e muito menos risos.
Quase meio século passado pouca gente liga hoja à Semana Santa. Ou melhor até gostam porque sempre há um feriado, que até é à sexta e dá para ir passear.
Nesta semana regresso, no entanto, àqueles dias tristes de antigamente. Não que ande triste, mas contenho-me nas festividades e almoços com colegas e amigos.
Mas nada desta minha postura tem a ver com alguma ordem religiosa. É um sentimento muito pessoal e não pretendo com isto influenciar rigorosamente ninguém.
Esta semana, para mim, é de meditação, de uma procura incessante da cura para os males da humanidade através da oração, de tentativa de olhar a dignidade do homem pecador e pedir que Jesus, preso na Cruz, me ajude a contemplá-lo com a certeza da Sua magnífica capacidade de perdoar.