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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Aquele dia!

Nesta já longa vida que tenho atravessado aprendi, entre muitas coisas, que não é por não se ir a um médico que não se está doente.

Na verdade, enquanto alguém com conhecimento médico não nos disser que estamos realmente doentes tudo o que temos pode ser meramente passageiro. Mesmo que nos sintamos horrivelmente mal.

Mas curiosamente ou talvez não, os piores seres a assumirem as suas próprias doenças são os… médicos.

Mais medricas, piegas e maus doentes que estes profissionais de saúde, não há! Sei do que falo, pois lido diariamente com dois médicos na família e que temem os colegas de uma forma quase absurda. A ida, por exemplo, a um mero dentista parece uma prova de dificuldade elevadíssima.

Depois são pouco sensíveis aos bons hábitos sejam eles alimentares ou outros já que fumam, bebem, comem sem terem qualquer cuidado, colocando deste modo as suas vidas em risco.

Pois é… mas enquanto um colega não o disser que estão a fazer asneiras vendem erradamente saúde.

Até aquele dia!

Kit para que te quero!

Cada dia que passa e cada relação que tenho com serviços médicos privados, mais fico convencido que o melhor que poderia ter acontecido aos hospitais privados foi esta pandemia.

Se formos usar um serviço médico de forma particular pagamos e bem por ele. Mas se usarmos debaixo de algum acordo esse valor baixa drasticamente o que não interessa nada aos hospitais, mesmo que estes publicamente assumam o contrário.

aqui falei do abuso que é a diferença de preços para o kit sanitário. Depois fica a ideia de que já se encontra instituído o pagamento  desse valor e que, tirando raras excepções, aquele não será passível de comparticipação.

Mas o pior de tudo prende-se com a lata dos hospitais privados em fazerem-se pagar dos ditos kits, nomeadamente nas cirurgias, como se fosse uma coisa extra quando o faziam naturalmente antes da pandemia.

Mas tenho mais… Um destes dias fui a um hospital a uma consulta. Já no gabinete o médico pede-me para passarmos para a sala ao lado para fazer um exame. Nem o médico nem eu fomos “desinfectados” nem mesmo o equipamento o foi, nem antes de mim nem depois. Pelo menos não vi ninguém que o tivesse feito nem com indicação para o fazer. No final paguei 2 euros por algo que não aconteceu nem se fez. Nem é que 2 euros seja muito dinheiro, mas é tão-somente a acção, a postura do hospital, cujo único interesse é ganhar dinheiro “à pala” de uma eventual doença.

Depois não há uma entitade reguladora que olhe para estes casos, que fiscalize e que coloque estes hospitais privados em sentido. Talvez por tudo isto estou cada vez mais convicto que a saúde, a par da água potável, será o grande negócio do futuro.

Estatísticas: a verdade da mentira!

Desde que se iniciou esta pandemia escutamos todos os dias a divuldação de números e mais números.

Infectactos, recuperados, internados, óbitos e toda uma série de dados estatísticos com percentagens à mistura, a maioria das quais nem entendemos.

Mais, alguns daqueles dados não reflectem a verdadeira realidade pois as estatísticas podem ser e serão certamente relevantes, mas não plasmam a verdade pura e dura.

Reparem no seguinte exemplo cá de casa. Somos cinco pessoas que convivemos diariamente uns com os outros, refeições incluídas. Eu sou o mais novo desta mão cheia de gente e já conto 61 anos. A mais velha tem 89. Pelo meio há 63, 68 e 74 anos. Tudo gente de risco... é o que dizem!

De todos só eu (2) e a minha mulher (3) fizemos testes de Covid19, essencialmente devido a viagem aos Açores. Há um a mais feito à minha mulher devido a uma pequena intervenção a uma mão e que obriga ao teste. Assim tudo somado são 5 testes já realizados.

Ora se pegarmos na tal estatística e a aplicarmos aqui em casa dará curiosamente um teste por pessoa. O que não corresponde à verdade.

Ora da mesma forma o número de testes que aparecem por aí divulgados pelas autoridades não correspondem ao número de pessoas testadas. Quase de certeza que estará muito abaixo do milhão de pessoas testadas... Mas isto é só um palpite!

Seria preferível dar somente o número de pessoas diferentes que se sujeitaram ao teste. Assim mantém-se em aberto uma espécie de verdade que é uma anormal mentira!

Negócio da China!

É uma mera coincidência termos na nossa linguagem popular esta expressão que toda a gente sabe o que significa e a origem deste virus. Mas pronto coincidências à parte vamos ao que interessa.

Hoje fui à primeira consulta após desconfinamento, ainda por cima… dentista. Uma consulta que obriga normalmente a contactos evidentes entre paciente, médico e assistentes.

A consulta estava marcada para as nove e meia da manhã. Cheguei às nove e vinte e cinco. Dei entrada na recepção e mandaram-me aguardar na sala de espera.

Pelo que me haviam dito seria o primeiro a ser atendido. “Boa” – pensei eu até porque tinha mais coisas a fazer nesta manhã.

A verdade é que só entrei no gabinete eram 10 e 15. Inaceitável, mas enfim... Cumprimentos para aqui e para ali encontrei a médica devidamente protegida. Todavia… ela já o fazia antes deste vírus surgir. Pelo menos sempre a vi de máscara, bata, touca e luvas. Desta vez, para além destes paramentos, tinha somente mais uma viseira de plástico. A assistente vestia-se da mesma maneira.

A meio da consulta um percalço pois tive de mudar de gabinete já que o equipamento não se encontrava em condições. No fim tudo correu bem e regressarei lá para o fim do ano! Saí!

Fui pagar e de repente apresentam-me duas contas… A primeira respeitante ao “kit” sanitário e a segunda que correspondeu aos tratamentos. Paguei.

Sei que este procedimento do pagamento dos “kit’s” tem sido adoptado por todos os hospitais e clinicas privadas, mas deixem-me desabafar: é um verdadeiro abuso.

No fundo, no fundo não percebo se o tal “kit” serve para defender o doente do médico ou o médico do doente.

Mais… tive a oportunidade de reparar que a médica que me assistiu não despiu os paramentos para o próximo paciente. Isto é… mais um doente a pagar um “kit” sem ter sido utilizado.

Curiosamente a minha mulher vai semanalmente à esteticista que apresenta as mesmas defesas sanitárias (bata, luvas, máscaras e viseira) mas não se cobra disso.

Depois os preços são de uma amplitude inaceitável. Há quem se cobre de sete euros e meio enquanto outros cobram de 10 euros…

Parece-me mesmo um negócio amarelo.

Fármaco eficaz!

Não é por chegarmos a uma certa e determinada idade que devemos considerar parar de todo. Eu, pelo menos, não o pretendo fazer, não obstante estar a pouco mais de 15 dias das férias que antecedem a minha reforma.

Porém... o corpo começa a dar sinais... É, deste modo, conveniente perceber o que ele nos está a tentar dizer.

No meu caso descobri que há um lítigio latente entre o que desejo fazer (e é muito) e os tais sinais.

Exemplifico... Gosto de escrever, mas todas as manhãs as minhas mãos doem-me. Tenho diversos problemas de "dedos em gatilho" em ambas as mãos, que já sofreram algumas infiltrações, mas acima de tudo há uma bravata com os meus ombros.

Tenho algumas "ites", segundo dizem alguns especialistas da área, o que diminiu a minha capacidade de trabalho, seja no meu emprego, cada vez menos importante, seja para estes momentos de escrita, cada vez mais importantes.

Todavia há que resistir... Como sempre o fiz.

Portanto está na hora de iniciar a tomar umas cápsulas de um fármaco que não sendo novo é muitas vezes eficaz e para o qual não é necessário qualquer receita médica.

Chama-se "aguentocaína".

A gente lê-se por aí!

Serei saudável?

Durante todos os meus 60 anos sempre que me perguntam se sou saudável eu respondo sempre que sim.

Somei anos, uns atrás dos outros, e com eles vieram algumas mazelas: uma apendicite, uma timpanoplastia, um descolamento de retina que me deixou sem ver de um dos olhos, dois AIT’s que me deixaram meio surdo (só oiço do ouvido esquerdo), dois dedos da mão “em gatilho”, um espigão no calcanhar esquerdo… e não me lembro de mais nada, por agora.

Não obstante todos estes episódios continuo a considerar-me uma pessoa saudável. E a pergunta é mesmo esta: quando é que poderemos ser considerados pessoas doentes ou saudáveis? Depende de quê ou de quem? Ou é tão-unicamente uma questão de atitude?

Ser uma pessoa sã não é necessariamente obrigatório a ser alguém sem doenças. Quantas andam por aí sem padecer de qualquer enfermidade, mas que são muito mais doentes que todos os outros que têm verdadeiras doenças?

Dir-me-ão que as doenças psicológicas são tão más quanto as outras. Ou quiçá piores. É bem verdade! O que assenta na minha teoria de que ser-se doente é, retirando as reais e mortais enfermidades, uma espécie de opção de vida.

Portanto e quanto a mim sentir-me-ei saudável enquanto puder ser livre de optar. E neste caso em particular opto por ter mente sã em corpo são (mesmo com mazelas)!

Uma Rosa de greves

Chamava-se Rosa!

Mas podia-se chamar-se Ana, Joaquina ou Filipa. Não importa! É só mais um nome!

Trabalhava aqui e ali sempre nas limpezas, numa permanente correria. Daí os seus recursos serem geralmente escassos.

Há tempos foi diagnosticada com uma doença do foro oncológico. Grave!

Obviamente a necessitar de intervenção cirúrgica com alguma urgência.

Sem capacidade financeira para entrar num hospital privado, deu então entrada na lista de espera um hospital público. Como tantos outros doentes…

Há meses que aguardava cirurgia. Todavia as diversas greves no sector foram sempre adiando a intervenção.

Soube ontem que já saiu da lista de espera.

Morrera no dia anterior!

O meu olho esquerdo!

Há vinte anos passei por uma das piores fases da minha vida.

Numa terça–feira muito chuvosa de Fevereiro desse ano de 1999 fui diagnosticado com um descolamento da retina do meu olho esquerdo.

No dia seguinte fui para o hospital e mais tarde, nesse mesmo dia, a uma outra consulta de um oftalmologista conceituado na praça. O diagnóstico mantinha-se e a sentença dada: operação!

Operado logo na quinta-feira regressei a casa alguns dias mais tarde com muitas restrições. A começar com a permanente cabeça para baixo. Deste modo não conseguia ver televisão, unicamente ouvir, não podia ler e muito menos escrever. Um profundo martírio…

Ao fim de umas semanas parecia estar melhor. Puro engano…

Estávamos na semana da Páscoa e na quinta-feira só se trabalha de manhã. Nesse mesmo dia regressei ao meu emprego para na segunda feira seguinte estar novamente pior da vista esquerda.

Abreviando, andei mais uns meses nesta montanha russa. Um dia já cansado com tanta incapacidade de me darem uma visão minimamente competente, acabei por abordar o médico que me acompanhava e perguntei-lhe se fosse filho dele onde me levaria?

A resposta veio pronta, qual alívio:

- A Barcelona ao Doutor Corcostégui – respondeu sem receio.

Passados uns dias consegui consulta na clínica especializada. Cheguei segunda-feira a Barcelona, para ser consultado na terça e operado na quinta, o que equivaleu a numa mesma semana ir duas vezes à cidade condal e por outras duas vezes regressar a Lisboa.

O melhor é que já não havia necessidade de estar de cabeça para baixo e na semana seguinte estava a trabalhar em pleno. O pior é que depois das diversas deficientes intervenções em Lisboa o médico catalão pouco mais poderia fazer. Fiquei com aquilo que se chama “count fingers”. Mas antes isso que uma negritude total!

Um outro problema da altura foi que de um lado havia pesetas noutro moravam os escudos… e os cartões eram ainda pouco utlizados. Desde modo andei com 650 mil pesetas nos bolsos.

Regressei à clínica diversas vezes, acima de tudo para controlo. Todavia em 2013 novo problema na vista direita, muito semelhante ao primeiro, levou-me novamente à cidade da Sagrada Família. Desta vez havia sido previamente tratado em Lisboa e, portanto, não houve necessidade de nova intervenção.

Finalmente deixo aqui a indicação de umas das melhores clínicas de olhos do Mundo. Chama-se IMO e está em Barcelona. Um exemplo de excelência e competência

Que adoraria ver em Portugal!

https://www.imo.es/es#

Alguém anda a brincar com o fogo!

Primeiro foram e são ainda os enfermeiros que à custa das suas greves, obviamente justas, adiaram milhares de cirurgias.

Agora dois dos mais importantes grupos fornecedores de cuidados de saúde privados avançaram para a rescisão dos acordos envolvendo utentes da ADSE.

Assim num ápice pode acontecer uma de duas coisas: ou a ADSE recua na história de que existiram gastos em demasia ou os hospitais do SNS vão ter um incremento de clientes anormal.

Tendo em conta que em muitos serviços nos hospitais civis os doentes espalham-se nos corredores em macas a aguardar vez numa cama, nada melhor que esta nova situação para tornar as enfermarias ainda mais caóticas.

Se há algo com a qual os portugueses não gostam de brincar é com a sua saúde. E têm toda a razão.

O pior é que ultimamente anda muita gente a revolver nesta.

Ou então andam a brincar com o fogo. Depois não se admirem de saírem chamuscados.

A saúde a que não temos direito!

A mui recente doença do meu pai que o levou a uma mesa de operação e aos Cuidados Intensivos numa unidade hospitalar deu para identificar alguns detalhes e que me levaram a concluir o seguinte:

1 – a saúde definitivamente não é para todos;

2 – as pessoas sem quaisquer recursos financeiros estão num patamar de risco muito maior que os outros;

Quando ao meu pai foi colocada a opção entre ser operado num hospital privado ou num público, nem eu nem a minha mãe tivemos qualquer dúvida e optámos pelo privado. Por diversas ordens de razão.

A primeira é que a cirurgia far-se-ia daí a uns dias sem quaisquer restricções de tempo, equipamento ou pessoal. A segunda é que no público a fila de espera é enorme e havia sempre a questão da greve dos enfermeiros que poderia obstar à sua realização em tempo útil, se bem que o cirurgião fosse precisamente o mesmo.

Na admissão do meu pai foi necessário deixar uma verba razoavelmente avultada, como se fosse uma espécie de caução. Já depois da cirurgia e ainda nos CI foi necessário reforçar aquela garantia ainda com mais dinheiro que da primeira vez. Ontem à saída fizeram-se as contas finais e parece que ainda há uma pequena verba para receber. Melhor assim.

Todavia no mesmo quarto do meu pai entrou no Domingo um doente que sofrera a mesma cirurgia. No entanto socorrera-se de um seguro de saúde que tinha e cujo plafond já havia esgotado, passando a sair da sua carteira todas as futuras despesas. Pelo que percebi a conta ultrapassara já os 20 mil euros, tecto máximo que a seguradora pagaria.

A despesa do meu pai e tendo em conta alguns acordos sociais com a unidade hospitalar ficaram, durante os 19 dias, por um terço do outro doente.

Temos assim que em Portugal quem tem um pé-de-meia poderá ter mais direitos, no que à saúde diz respeito, que aquele que nada tem e que se sujeita a ir para um hospital público sem a certeza de lhe fazerem a dita cirurgia em tempo normal.

E depois leio o artigo 64º da Constituição Portuguesa!

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