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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Almoço a italiana!

Hoje foi dia de almoço com antigos colegas de trabalho! Desta vez fomos apenas dez contra a vintena que por vezes costuma ser.

Agora podemos falar de trabalho, colegas e antigos chefes! Rir dos outros e de nós. Recontar aquela estória tantas vezes repoetuda em cada repasto, mas que todos adoram escutar pela enésima vez!

Trazer à memória personagens com quem trabalhámos, a maioria pelas parvoíces com que nos brindaram. 

Portanto um almoço convívio bem divertido, entre risoto e diferentes massas italianas. um restaurante que não conhecia, mas com... pinta (a lasanha de lavagante ficou-me no goto, talvez para a próxima!).

Todavia houve uma altura em que me senti triste... especialmente quando alguém se lembrou de perguntar:

- Vocês lembram-se do Manel Cachopo? Morreu a semana passada!

Um balde de água fria! Depois outros:

- E o engenheiro Jacinto

- A sério? Ainda há meses que me encontrei com ele na Baixa.

Ai tantos e tantas que já foram embora. Gente boa e menos boa. Competente e incompetente, mas todos a fazerem parte daqueles nossos dias!

Lancei a ideia para a mesa antes de acabarmos!

- No próximo almoço ninguém fala de mortos! Só aqui vimos para comemorar a amizade e a vida!

Ficou prometido! A ver se serão capazes!

Três anos!

Faz hoje precisamente três anos que passei a engordar aquele clube a que pomposamente clamam de... reformados.

Estávamos no dealbar da pandemia quando abracei esta ideia de reforma. Temi que as coisas não corressem bem, mas até agora a vida tem sido simpática para comigo.

De vez em quando dou conta de mais um colega que partiu. Fico triste, mas ao.mesmo tempo sinto uma egoísta alegria por ainda andar por cá.

Calculo que um dia não escreverei algo semelhante a hoje, mas até isso aceito com estoicismo.

Todavia até lá... há que agradecer cada dia, cada instante vivido.

A gente lê-se por aí!

Três anos depois!

Neste mesmo dia há precisamente três anos despedia-me virtualmente dos colegas do trabalho, pois ia entrar de férias para logo a seguir passar à reforma.

Segue infra a mensagem que enviei na altura aos meus colegas. Não enderecei a todos porque, sinceramente, ao fim de mais de trinta e cinco anos já conseguia separar o trigo do joio. E alguns nem a água que gastavam mereceiam. Mas isso foram outras estórias que hoje aqui não interessa.

Esta foi a mensagem que escrevi e que depois de a reler, mesmo depois de passados estes anos, não retiraraia uma vírgula.

"Boa tarde,

ONTEM fui um jovem que aos 23 anos abraçou o desafio de entrar nesta casa. Quase inocente e ingénuo estava, ainda assim, muito longe de imaginar como é que aquele passo, no já longínquo dia 6 de Outubro de 1982, quando entrei pela primeira vez no 148 da Rua do Comércio, viria a influenciar a sua vida.

HOJE sou um homem maduro. Daquele menino de ontem resta muito pouco ou quase nada. Entrei solteiro, mas por aqui casei, fui pai e avô. Quem diria? Nem eu, nos meus sonhos mais optimistas, calculei aqui chegar. Mas saio desta casa de cabeça erguida, consciente que trabalhei não para uma instituição, mas essencialmente tentei defender uma causa. Retiro-me por isso feliz. Muito feliz.

AMANHàacordarei igual ao que sempre fui até aqui: um amante da vida. Não imagino se viverei um dia, uma semana ou uma década. Mas também não é algo que me preocupe grandemente. Viverei apenas o segundo seguinte sem medos ou dúvidas. Nem poderia ser de outra forma.

FINALMENTE vou-me despedir. Sem lágrimas nem sorrisos. Sem amplexos nem osculações. Esta pandemia retirou-nos, outrossim, estes pequenos e singelos prazeres. Mas é a vida!!!

QUERO no entanto deixar aqui um agradecimento profundo e autêntico pelo contributo que deste pela forma com que saio desta casa. Não o posso nem devo esquecer!

AO fim de 37 anos, 9 meses e 25 dias, a porta onde entrei tem o mesmo sentido de hoje. O do dever cumprido.

DESEJO que o teu futuro seja tão radioso quanto tu esperas e desejas. E que no fim da tua caminhada possas também viver a alegria que hoje vivo.

OBRIGADO."

Decorrido 36 meses continuo a pensar que fiz bem em sair. Tenho os meus dias preenchidos, a vida repleta de eventos (bons e maus!), alguns sonhos realizados, mas muitos ainda por realizar.

A vida acaba sempre por nos mostrar quais os resultados das nossas decisões. Independentemente do que possa acontecer num futuro mais perto ou mais longe, ainda não arrependi de ter saído.

Talvez amanhã penso o inverso, porém ainda não cheguei lá!

A gente lê-se por aí!

Há três anos!

Neste mesmo dia de 2020 Portugal assumia publicamente que tinha entre mãos um grave problema de saúde pública. Falamos obviamente do covid-19 que tantas vítimas fez e que obrigou a um recolhimento nunca visto em Portugal.

Era sexta-feira e as ordens recebidas eram de recolher a casa donde se trabalharia. Iniciei pela primeira e única vez o teletrabalho, que valha a verdade para mim nem era mau de todo. Desde este dia 13 de Março de 2020 até finais de Junho quando entrei de férias para depois passar à reforma, só voltei ao meu gabinete uma única vez.

Nesse dia 19 de Maio fiz o que havia a fazer numa enormíssima sala completamente vazia e silenciosa. Foi realmente um dia triste, após tantos anos a ver a sala sempre repleta de colegas. Saí do andar, desci as escada a pé, despedi-me dos seguranças e entrei na rua quase deserta.

Temi que me assaltasse aquele sentimento de nostalgia tão próprio de quem sai de um local onde jamais regressará. Tal não aconteceu!

Como também não aconteceu quando neste mesmo dia 13 de Março me apercebi que a minha vida iria mudar radicalmente com a assumpção da reforma no Agosto seguinte.

A vida tem os seus momentos, nomalmente efémeros. Ousar percebê-los e aceitá-los é apanágio de muito poucos.

Pela minha parte creio que consegui perceber!

A morte dele... em mim!

Falar do meu desaparecimento deste mundo é algo que não me atormenta!

Sei que a ceifeira é uma das duas certezas da minha vida (a outra será sempre o meu imutável passado) e portanto olho para aquela de forma (quase) natural!

No entanto quando sou confrontado com a morte dos outros, nomeadamente quando ainda deveriam estar vivos por serem novos, fico sempre circunspecto e triste.

Hoje soube da partida de um antigo colega. Teria mais ou menos a minha idade e reformara-se um pouco antes de mim. Trabalhámos muitas vezes em colaboração e isso fez com que nos tornássemos, para além de colegas, bons amigos!

Desconhecia que estava doente e daí nunca ter perguntado a ninguém pela sua saúde. Quando hoje soube da sua morte tive realmente um choque.

Mas será sempre alguém que não esquecerei, muito à maneira de Jorge Luís Borges, já que há muitos anos comprei um daqueles telefones antigos de disco, mas faltava uma peça. Tendo em conta que era com ele que falava dos telefones no trabalho, perguntei-lhe se teria no seu lixo que guardava algo que servisse naquele equipamento. Disse que iria ver e levou parte do disco com os números mas nunca devolveu. Por isso quando de futuro olhar para o dito equipamento incompleto lembrar-me-ei sempre dele!

E sorrirei porque sei que ele, lá onde estiver, também deverá estar a sorrir!

Descança em Paz, companheiro!

Um magusto de emoções!

Regressei tal como no ano passado a um local que me diz ainda muito: o último departamento onde trabalhei.

Fui um convidado genuinamente feliz em mais um magusto, pois é óptimo rever velhos amigos e amigas, conhecer colegas novos, enfim conviver com gente faaaaaaaaaantástica.

A vida é assim feita destes pequenos prazeres. Que ficarão marcados no meu coração enquanto tiver dois dedos de tino.

Contei e recontei estórias antigas, algumas já por aqui partilhadas, falei (e muito) das minhas actuais actividades e tentei aconselhar os mais novos a terem uma postura de competência e serenidade.

A noite caiu sobre a cidade com uma brandura atípica para estes dias. Ficou a belíssima memória destes momentos.

Despedi-me de todos com a alma cheia! Prometida está a marmelada... espero não me esquecer!

Neste dia... ontem e hoje!

Faz hoje 43 anos que principiei oficialmente a trabalhar. Escrevi oficialmente porque foi o dia em que entrei para uma empresa onde comecei a descontar para a minha reforma e outrossim a pagar os meus impostos, como era na altura o imposto profissional!

Desde esse dia até 31 de Julho de 2020 estive 5 dias desempregado, quando saí desta empresa e me transferi para o Banco de Portugal.

Mais de 40 anos a trabalhar, a dedicar-me de alma e coração aos desafios que me foram surgindo, a tentar responder com competência ao que me era solicitado.

A verdade é que passamos tantos anos a trabalhar que nem damos conta como a vida correu célere, como envelhecemos, como fomos angariando algumas dores… Mas também algumas alegrias, amigos, venturas.

Hoje regressei a mais um almoço com antigos colegas. Nem me recordo quantos eram à mesa, mas certamente mais de uma dúzia. Cheguei atrasado o que nestas ocasiões é sempre bom porque o último a chegar dá um aceno geral e estão todos cumprimentados.

Revi gente que já não via certamente há uns bons anos. Especialmente porque optaram por ir para o BCE e quando regressaram já eu estava reformado.

Já na rua a festa continuou… Foi o momento dos cumprimentos e das despedidas. Dos abraços e dos ósculos às senhoras.

Senti-me bem… Muito bem mesmo! Acima de tudo porque ainda não fui esquecido pelos antigos colegas.
Como ser humano o pior que me poderia acontecer é ser olvidado ou ser apenas uma cinza na memória. Doer-me-ia!

E amanhã tenho magusto com outros colegas!

Vida social é dura!

Quarenta anos!

Há precisamente 40 anos, neste mesmo dia 6 de Outubro, entrei no Banco de Portugal, onde permaneci como empregado efectivo até 2020, ano em que me reformei.

Já por aqui fui contando algumas das minhas aventutras e desventuras enquanto funcionário do Banco. Se pretender ler basta usar a pista 37a9m25d que irá dar a um conjunto de peripécias quase todas carregadas de algum humor.

Calculo de todos quantos entraram na minha incorporação não deverá haver nenhum ainda em actividade. Mas não sei com precisão.

Quando estava a trabalhar geralmente por esta altura convocava todos quantos havíamos entrado nessa altura, para um almoço. Durante alguns tomei essa iniciativa. Todavia nesta altura do campeonato da vida há provavelmente alguns que estarão "fora-de-jogo"!

Quarenta anos é um número quase bíblico já que há referências a este múmero em diversas partes do Novo e Antigo testamento.
Não obstante as coisas nunca me terem corrido de feição dentro daquela casa como correnram a outros, é certo também que nunca culpei a Institução por isso, já a culpa deve ser assacada somente a este. Alguns (ir)responsáveis terão algumas culpas neste cartório. Mas eu também!

Até por que tinha outra vida cá fora, muuuuuuuuuuuuuito mais interessante!

Do menino de 23 anos que entrou naquele pretérito dia existe agora muito pouco. Talvez o amor pela vida!

A imagem que fica!

Há 40 anos quando estava a poucas semanas de ingressar num novo trabalho, um tio próximo deu-me o seguinte conselho: toma cuidado como entras na empresa, já que a primeira imagem que deres aos teus colegas será aquela que irá perdurar para sempre.

Fiquei um tanto apreensivo, mas depressa percebi quão verdade havia sido aquele aviso, já que anos mais tarde alguns dos colegas que tinham entrado comigo no mesmo dia receberam outros desafios, enquanto eu me mantinha no meu local de trabalho original. 

É certo que jamais usei de subterfúgios para alcançar outros cometimentos, como alguns usaram. Nunca foi do meu feitio pois sempre gostei de ser sério... comigo mesmo. De pouco me valeu esta postura já que muitos ultrapassaram-me pela direita e pela esquerda, enquanto mantinha o mesmo caminho. O dinheiro para mim não é tudo, nunca o foi, e a minha consciência tinha e tem muito mais valor que uns meros euros a mais no fim do mês.

Talvez por isso (ou provavelmente não!) ainda hoje sou recordado por antigos colegas com quem trabalhei, não obstante já estar reformado há dois anos. De tal forma que marcaram um churrasco e convidaram-me para fazer parte do convívio. Podiam perfeitamente não o ter feito, já que não têm qualquer obrigação para comigo.

Tudo isto para dizer simplesmente que a vida também nos dá alguns prémios. Não serão Óscares “hollywoodescos”, mas ainda são prémios. E boooooooons!

Fica por dizer, porque nunca o soube, qual foi a imagem que os colegas tiveram de mim naquele dia de Outono, há 40 anos.

Mas isso agora já não conta!

A gente lê-se por aí!

Dois anos de vida boa!

Pois é parece que foi ontem, mas já passaram dois anos desde que me reformei.

Muitos ao lerem isto dirão ou, no mínimo, pensarão "dois anos de boa vida"!

Realmente foram um par de anos não de uma boa vida, mas de uma vida boa. Que são coisas bem diferentes.

Boa vida poderá significar muita coisa, dependendo do utilizador e obviamente será diferente de pessoa para pessoa. Uma vida boa requer uma série de funcionalidades para as quais nem todos estão aptos.

Tenho consciência que desde 2020 tenho tido uma vida boa, acima de tudo porque me entregaram, nas horas normais de expediente, a responsabilidade de tomar conta de uma criança que no início teria meses e agora já tem meses e... anos.

Foram até agora 24 meses de redescoberta, de alegria, de muito cuidado, de enorme trabalho, mas que culmina sempre naquele abraço apertado de uma criança.

Trabalho mais agora que antigamente? Talvez! Mas este é daqueles trabalhos em que o reconhecimento é visto na altura, no momento. E só por isso vale a pena.

Termino a desejar apenas mais um ano de reforma e de vida boa!

E nada de boa vida!

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