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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Diário rápido!

6.14 da manhã. O despertador toca. Desligo-o.

Decido ficar mais dois minutos. Fico 10.

Quando dou por mim estou já atrasado. Muito.

Tomo banho, faço a barba num ápice.

Acordo a mulher que já está também atrasada.

Vamo-nos despachando o mais depressa que podemos.

Estou pronto. Tiro o carro da garagem e espero por ela.

Saímos com 15 minutos de atraso.

Não vale a pena correr no trânsito. Está parado!

Deixo a minha mulher, vou para o meu trabalho.

Chego atrasado, claro. Terei de compensar.

Saio a horas tardias.

Chove copiosamente na cidade e o trânsito está um caos.

Demoro uma hora a chegar a casa quando poderia demorar metade.

Chego cansado, mas fico a ver a televisão até tarde.

Entretanto prometo amanhã levantar-me a horas.

6.14 da manhã…

A cidade e as serras (versão breve) - VI

Saí da cidade a 27 de Outubro para só regressar dia 8 de Novembro. Duas semanas afastado de Lisboa onde o trânsito, o barulho citadino, a má educação, a insensibilidade humana prevalecem acima de tudo o resto.

Todos os anos tenho por hábito escrever um pequeno texto, mais ou menos por esta altura, sobre os sentimentos de quem, após alguns dias no campo, regressa à urbe.

Reli os meus textos anteriores e está lá tudo. 

Nada mudou, infelizmente! E se tal aconteceu foi certamente para muito pior.

Amanhã vou embrenhar-me no meio da cidade, correr para o Metro, fugir à cratera aberta no asfalto, tentar chegar a casa incólume.

Hoje doem-me as mãos do trabalho do campo, Amanhá doer-me-á a alma!

Só mais um dia!

Hoje o dia correu normalmente.

Choveu, fez Sol, houve vento.

O trânsito citadino continuou um estrafego.

Há quem tenha buzinas novas nos carros e adore usá-las.

Os peóes mantiveram a mesma postura nas ruas de só terem direitos e poucos deveres.

E depois de um dia simples como tantos outros acabei por vir aqui escrever... normalidades!

Vício a quanto obrigas!

Cada um de nós tem normalmente os seus pequenos ou grandes vícios. Uns quase passam despercebidos, todavia há outros que se vêem à légua. Mas pronto... não me cabe criticar, constato apenas, até porque eu próprio já pertenci ao clube...

A manhã desta sexta feira acordou assim para o gelado. Tão fria que estava que eu, que até nem sou muito friorento, reconheci a fresquidão matinal. O problema nem era propriamente o frio mas unicamente um vento irritante e persistente que gelava toda a gente.

Como habitualmente tenho sítio certo para tomar o meu pequeno almoço. Já de regresso ao trabalho passo por uma pastelaria que tem uma esplanada.

Corria o tal frio gelado, as pessoas passavam apressadas procurando o calor dos gabinetes, os carros teriam os aquecimentos ligados, com toda a certeza.

Com tudo isto há uma jovem que tomava o pequeno almoço na tal esplanada. O empregado vem lá de dentro e perguntou-lhe:

- Não quer ir lá para dentro?

- Não, obrigada. Fico aqui fora porque posso fumar...

Rapidamente tiro a minha conclusão: vício a quanto obrigas...

A tecnologia na ponta dos dedos

O título oferece a ideia de ir falar desses telefones inteligentes ou algum "ai" qualquer coisa. Pois, desenganem-se meus amigos... desenganem-se.

A estória é outra e reza assim:

Hoje fui a uma agência de uma Instituição Bancária fazer um depósito em numerário. A maior parte deste ia em notas de 20 euros.

Esperei uns breves minutos que me atendessem e quando me cheguei à caixa, comuniquei à jovem o meu intuito e dei-lhe o número da conta de destino do dinheiro. Enquanto a senhora acedia aos dados, recontei à mão o dinheiro a depositar, não fosse faltar algum. Estava todo.

Entreguei o numerário à senhora que acto contínuo, colocou as notas numa máquina. Que as deveria ter contado... Mas não contou. A determinada altura o equipamento parou.

A bancária retirou o tampo, abriu o equipamento e finalmente encontrou algumas notas. Mas faltavam mais... Outros cacifos abertos e mais notas... Algumas já em mau estado.

Parecia que estavam todas agora. Montou toda a parafernália e reiniciou o sistema.

No entanto, ou fosse da operadora ou fossem das notas ou, quem sabe, de alguma bruxaria meio estranha, a verdade é que a máquina voltou a não aceitar o dinheiro.

Resultado: a jovem teve de contar o dinheiro à mão.

A verdade é que desde que me aproximei do balcão haviam passado perto de dez minutos. Para contar um conjunto de notas que eu antes havia contado em 15 segundos.

A tal tecnologia na ponta dos dedos.

 

Será que só eu é que assisto - VI

São seis da tarde. Após ter ido ao médico com a minha mulher para ser observada a um ligeiro traumatismo no olho (nada de grave, felizmente!), acabei a tarde numa pastelaria. A minha mulher entretanto fora à farmácia buscar medicamentos. Enfim tudo normal.

Quando entrei reparei numa mesa onde uma mulher roliça acompanhada de três gaiatos pequenos acabava também de merendar. Sentei-me numa mesa de forma a que a mãe e os filhos ficaram atrás de mim. Oiço então este diálogo, nas minhas costas:

- Vamos meninos toca a despachar que tenho mais que fazer.

Diz um dos catraios:

- Ó mãe ainda tenho fome. Quero uma sandes...

- Não queres nada. Queres é despachar - o tom de voz da mãe não deixou dúvidas à criança que acabou por comer o que lhe restava.

- Ainda por cima não tenho dinheiro...

Finalmente ergeu o corpanzil balofo da cadeira e dirigiu-se à caixa para pagar. Fez o pagamento enquanto os três miúdos saiam ordeiramente da pastelaria para a rua fria.

Olhei para trás e percebi entre espantado e revoltado que a mulher trocara a sandes do filho por uma raspadinha de 2 euros.

Ainda por cima sem prémio!

Crónica numa sala de espera

São cinco da tarde. Estou há hora e meia a aguardar que chamem a minha mãe para uma consulta médica. As pessoas vão entrando e saindo conforme vão sendo chamadas.

Entra então um casal. Ele veste umas calças cremes e um pólo a condizer e parece um homem normalísssimo. Como na sala só um lugar vago procura outra sala para se sentar. A esposa é o contraste e fica na sala onde me encontro. Veste uma túnica branca acabada de sair da máquina de lavar roupa, umas calças também alvas e calça umas sandálias rasas.

Senta-se e retira então de um saco uma bisnaga e toca a besuntar as mãos e os dedos com o creme saído e dos quais se destacam uns "cachuchos" enormes enfiados. O cabelo preto, obviamente pintado, contrasta com a roupa. A tez é morena de quem usa a piscina para ganhar alguma cor, e os lábios são finos mas brilhantemente vermelhos. Após a rotina das mãos segue o batom passado pelos lábios como estivesse para entrar numa festa em vez de um consultório. Depois rebusca mais coisas na mala e tira uma espécie de livro de apontamentos e o telemóvel. Assisto então, entre o divertido e o pasmado, ao seguinte diálogo:

- Boa tarde! Tenho uma cadelinha com uma... (disse a doença!) e necesssito de uma consulta para ela, urgentemente. O Dr. R... não é ortopedista?... Pois é esse mesmo... Necessito urgentemente de uma consulta.

Tudo isto foi dito num tom de voz que muitos homens não têm e com uns décibeis altamente nocivos para os ouvidos dos presentes. Mas regressemos ao diálogo:

- Sexta feira próxima? Não posso! Não vou estar cá. (A consulta era urgente, a princípio!)

A chamada parece ter-se desligado. Tenta mais uma vez mas parece que ninguém a atende.Finalmente:

- A chamada caiu... 

Combina a dita consulta. Liga novo número:

- Tá J... preciso que me dê os nomes dos comprimidos do Dr - supus que o tal doutor fosse o marido, naquele instante longe da esposa espalhafatosa e provavelmente muito descansado.

- Como? Ésse, ipsilon, éle, não é éle... ah éfe, sim... - e vai escrevendo no seu bloco notas.

O tom de voz mantem-se mavioso... Todos os presentes e quiça alguns ausentes no andar inferior, vão começar a saber quais os medicamentos... Depois passou para o que irá ser o jantar pois continua a falar num tom muito acima do que é normal. Desliga finalmente o telefone e já se consegue ouvir a televisão pendurada na parede.

De súbito levanta-se, procura a assistente e após breve diálogo, desta vez e curiosamente em tom baixo, parte deixando o marido sozinho.

Nunca mais vi tal personagem.

Entretanto a minha mãe foi chamada!

A boa alma lusa!

Metropolitano de Lisboa, estação do Marquês, seis da tarde.

O comboio pára, saem e entram pessoas. Eu também. A carruagem fica somente meia.

Estou de pé junto à porta, pois a distância de duas estações não justifica sentar-me. Subitamente a meu lado uma senhora agita-se de forma estranha. Devagar vai passando com as mãos pelo vestido como fosse uma revista. Depois procura no casaco, regressa ao vestido e espreita a mala. Transporta na mão um telemóvel e uma pequena carteira. É nesta que procura agora. Volta à mala.

Todos os utentes ao redor da senhora, eu incluído, percebemos que a senhora procura algo que não encontra. Parece desesperada. Vai repetindo as buscas e em surdina vai falando algo que não entendo.

É deveras assustador a atitude desta senhora. Quase me atrevo a perguntar se necessita de ajuda.

O comboio pára na estação de Picoas e repete-se a saída e entrada de passageiros. Entretanto não tiro os olhos da senhora que continua atarefadíssima em busca de algo. Novamente busca na carteira e de repente num gesto de triunfo saca de um pequeno papel. Acalma-se enfim!

Todos ao redor, que assistiram ao pequeno drama, respiram de alívio.

Nem eu nem os outros passageiros a conheciam, mas a preocupação dela alastrou-se a todos nós. À boa maneira Lusa!

Será que só eu é que assisto… (V) 

São quase cinco da tarde. Caminho apressado para o hospital onde me aguarda um exame perto da hora do chá inglês. Desde o metro ao portão de entrada são trezentos metros de um passeio largo.

Cruzo-me com diversas pessoas anónimas e de (quase) todas as idades. O sol bate forte mas hoje até nem está muito calor. Olho em frente quando me apercebo de uma idosa que agarrada a uma bengala caminha em sentido contrário do meu muito devagar, denotando esforço.

No instante seguinte percebo que cambaleia e ameaça cair. Estou a meia dúzia de metros da anciã… nem tanto! Temo que possa tombar e a minha reacção instantânea é correr ao seu encontro. Em boa hora o fiz porque a senhora larga a bengala e se não fosse eu teria caído com violência na calçada.

Não a deixo cair, amparo-a e dou-lhe a bengala. Logo uma jovem aparece junto de mim disposta a ajudar. Identifica-se como enfermeira do hospital que eu tinha como destino. Olho em redor e encontro uma parede pequena que serve às mil maravilhas para a senhora se sentar. Devagar, eu a jovem enfermeira, conseguimos que ela descanse.

- Como se chama? – pergunto!

- Verónica…

- Que idade tem? – pergunta a enfermeira.

- Oitenta e nove…

Aqui olhámos um para o outro e a pergunta estava lá… Todinha…

- Como era possível que esta senhora ande em Lisboa completamente sozinha?

Continuou o breve interrogatório:

- Donde vem e para onde vai?

Numa voz sumida foi respondendo:

- Fui a uma consulta ao hospital e agora vou ali apanhar o autocarro que pára à minha porta.

- Não tem ninguém para a acompanhar: filhos, netos… alguém?

Olhou-nos a ambos e eu percebi naquele olhar, que jamais esquecerei, o verdadeiro sentido da solidão. Entretanto a enfermeira aproveitara a mão dada à idosa para lhe medir a pulsação. Apercebi-me pelas vezes que olhava o relógio. Finalmente respondeu:

- Estão todos muito longe.

- A senhora tem uma pulsação muito fraca. É melhor vir ao hospital para ser observada.

Num gesto que pareceu repentino pretendeu levantar-se, mas nós impedimo-la. Logo no momento seguinte soou qualquer coisa que identifiquei como sendo um telemóvel. Da idosa que também ouvira. Da mala, tão velha quanto a dona, Verónica retirou o aparelho, olhou o monitor e disse:

- É o meu filho.

Antes de falar, a enfermeira virou-se para a doente e perguntou mais uma vez, enquanto retirava o aparelho das mãos da senhora:

- Posso falar com o seu filho?

Não resistiu. A jovem afastou-se de mim enquanto falava para alguém. Não foi necessário um minuto para voltar a entregar o aparelho à dona:

- Falei com o seu filho… Ele está a sair do golfe e vem já buscá-la.

Será que só eu é que assisto... (IV)

Todos os dias me cruzo com um homem, provavelmente da minha idade. Tem o cabelo cinza, barba por aparar, calça umas sandálias gastas e veste um casaco que invarialvelmente coloca por cima das costas.

Todos os dias vejo-o a puxar um pequeno cesto de compras com rodas (primórdios dos troles?). Tem o aspecto triste de quem vive na rua mas aquela cara não em é estranha. Tenho quase a certeza de o ter visto algures na minha vida noutro local.

Todos os dias penso em escrever algo sobre este sem-abrigo. Esta manhã aguardava eu que o sinal passasse a verde quando reparo que atravessa a avenida sem quaisquer cuidados com os carros. Pára junto a um caixote do lixo e espreita. Está a um metro de mim. Consigo perceber o interesse naquele espaço. Larga o carro, enfia o braço e retira uma pequena caixa de piza. Abre-a e esta quase cheia com fatias. Fecha-a e coloca no seu cesto e parte para a sua volta.

Todos os dias será esta a sua sina? Procurar no lixo algo para comer? Neste país?

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