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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Poliglota no... português!

Um destes dias desloquei-me à Baixa Pombalina de Metro. Estava quase a passar as cancelas para sair quando fui abordado por uma jovem senhora.

Pelo sotaque automaticamente percebi que era de origem brasileira:

- Bom djia! Você podia me ajudá?

- Claro, faça o favor de dizer.

- Comi vou para Picoaj?

Visualizei mentalmente o caminho.

- Desce estas escadas e apanha o comboio que vai para a Reboleira mas sai no Marquês de Pombal. Aqui procura o destino Odivelas, apanha outro comboio e será na estação seguinte...

- Oi...

Pela experiência sei que quando um brasileiro usa a expressão "oi" significa que não entendeu o que se disse. Fiquei a matutar onde é que aquela jovem deixara de perceber... Acabei por perguntar utilizando o meu suposto tradutor de português - brasileiro.

- Moça... o qui foi que não entendeu?

A jovem riu e respondeu:

- Até ao Marquej eu entendji...

- A moça sai do trem no marquej, sobe as escadjas e vá em busca da palavra Odivelas. Desce as escadjas e espera por outro trem e sai na estação seguintje.

- Legau... Agora entendi perfeitjamente. Muito obrigado viu?

- De nada... Adoro praticar... brasileiro!

Portuês?

Será mais ou menos consensual que a língua que Camões tão bem soube usar é de dificil compreensão, especialmente pelos estrangeiros que tentam entender este nosso léxico.

Leio por aí muita coisa mal escrita e outrossim muita coisa bem escrita. Oiço políticos, jornalistas (sim jornalistas!!!), empresários, gente da cultura (sim, estes também!!!) a falar muito mal...

Nem quero imaginar o que e4screverão nos seus textos... Mas enfim...

Provavelmente também não serei um óptimo exemplo na correcção morfológica e de sintaxe do português, mas eu não sou ninguém. Nem pretendo ser mais do que aquilo que sou!

Todavia há momentos em que ainda me espanto com o que leio. Hoje foi um desses dias.

Levantei-me bem cedo e entre muitas voltas a dar fui ao mercado comprar pés de cebola para plantar. Aproximei-me da banca perguntei ao vendecor o preço e acabei por trazer uma mão de pés de cebola valenciana.

Só que mesmo ao lado consegui ler isto...

portuesa (1).jpg

De disserem muito depressa percebe-se que tipo de couve é...

Escreve-se como se ouve ou diz! Ponto.

E agora como se diz?

Li um destes dias que a Holanda abdicou deste nome para se tornarem definitivamente nos Países-Baixos, como já era conhecido.

Obviamente que esta foi uma decisão de quem manda, gere, reina aquele país das túlipas. Nem sei se a população foi consultada para tal mudança. Mas também não é preocupação minha.

O que eu fico com dúvidas é saber como o léxico português vai lidar com os naturais daquele país...

Até ao final de 2019 os naturais eram os holandeses. E agora? Pequenos-baixinhos, baixotes, pequeninos, "baixeses", "pequeneses" ou nederlandeses.

Alguém saberá a resposta?

(In)português!

Já não sei se é mau português, bom Acordo Ortográfico ou simplesmente as pessoas é que nabem escrevere.

Hoje encontrei esta fotografia tirada a um posto de combustível durante a minha ultima peregrinação.

Há uns tempos alguém falava em inconseguimento. Eu falo em (in)português!

Mau-portugues (1).jpg

 

 

Mau purtuguez

Á dias atrás percebi como se escreve mal na nossa língua. Camões se foce vivo morreria certamente com o que de mal se vai redigindo por aí.

Um dos maiores erros prendesse com a conjugação verbal e a utilização dos pronomes nos verbos. A confusão é tanta que se confunde apresenta-mos com apresentamos. Ambas as duas formas verbais estão certas só por si mas têm sentidos diferentes. E é aqui que as coisas se confundem… Ao invés de ouviste e ouvis-te em que só uma das formas está claramente correcta.

Também já tenho dados os meus erros… Mas tento evitar a todo o custo! De tal forma o fasso, que dou por mim a procurar nos dicionários disponíveis ou no prontuário de Língua portuguesa as respostas às minhas próprias questões.

Não imagino se os erros surgem por culpa do novo acordo ortográfico ou só mente porque as pessoas escrevem como falam. E não me refiro a quaisqueres pessoas analfabetas mas a muitos licenciados. Infelizmente!

A nossa língua corre o risco de se deteriorar. Mas como é normal neste país ninguém se preocupa.

 

Nota:

Os sublinhados correspondem a palavras ou expressões que eu vi escritas, tanto em textos de trabalhos como em comentários em blogues. Uma lástima… 

Á dias atrás – erro muito comum mesmo em televisão e em jornalistas. O verbo haver é aqui obrigatório e não necessita do advérbio. Assim Há dias é suficiente;

Foce – o uso da segunda consoante do alfabeto em vez dos dois “esses” é frequente. Se fosse eu não escreveria assim;

Prendesse – confusão com prende-se;

Apresenta-mos – na mesma linha da forma verbal anterior. A confusão na correcta aplicação destas formas verbais é deveras grande:

Ambas as duas – mais um erro tão normal que quase já nem estranho… Ambas será sempre suficiente;

Ouvis-te – forma verbal que não existe. O hífen está a mais;

Fasso – a contínua e já referida confusão;

Só mente – este suposto advérbio de modo está claramente errado. Somente soa melhor;

Quaisqueres – esta palavra, muito comum na linguagem falada, nunca a vi assim escrita, mas sei de quem já a viu. Ainda por cima numa tese universitária. Quaisquer creio ser a forma certa.

Ainda o meu Não Acordo!

Ando a ler Aquilino Ribeiro.

Uma edição muito velha em papel tão castanho quanto a patine dos anos que por lá passaram!.

Quem já leu Aquilino conhece-lhe o tipo de escrita e o vocabulário.

Só que esta edição tem algo mais curioso. O português nele impresso é anterior ao acordo de 1945.

Os advérbios de modo são todos acentuados com acentos graves, há palavras com grafias diferentes (p.e. mecher em vez do actual mexer!), e ainda outros exemplos que não merece a pena aqui trazer.

Uma coisa é certa... Custa-me muito menos ler aquele português que o actual, com o N.A.O.

 

Os contos... das nossas contas!

Nos anos sessenta o presidente Francês de Gaulle recriou a moeda francesa. O velho franco estava tão desvalorizado que foi necessário dar novo impulso à moeda gaulesa. Deste modo os franceses passaram a conviver com duas moedas. Uma que existia com uma valor muito baixo e a antiga que era usada como referência. E este pressuposto ainda vigorava em 1980 quando visitei Paris pela primeira vez. De tal forma que os mais antigos ainda faziam contas em francos antigos que rapidamente convertiam para novos (bastava retirarem alguns zeros!!!).

É por isto que não me espanta nada que haja ainda em Portugal, quem faça as contas em escudos para depois a converter para euros! Ou vice-versa. Não me parece que haja qualquer problema! Nem vem nenhum mal ao mundo.

Paralelamente acrescentarei que a expressão conto não se refere somente a uma forma de escrita, tão popular entre os escritores portugueses e não só, mas é também uma medida e que significa mil.

Por isso outrora se dizia um conto quando se pretendia dizer mil escudos. E daqui mil contos significar um milhão de escudos ou mil vezes mil escudos. Acente neste mesmo pressuposto posso actualmente dizer mil contos só que isso significa... um milhão de euros.

Mudou a moeda mas não mudou a semântica.

Quiçá tenha apenas mudado os contos das nossas contas!

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