Foi quase à hora de principiar que descobri que o debate entre candidatos a Belém envolveria Ventura e Catarina Martins.
Em termos ideológicos reais estou longe da Catarina Martins, mas muuuuuuuuuuuuuuuuuito mais longe do seu adversário desta noite.
Um debate onde nada se discutiu, discutindo-se muito. Todavia e em termos formais creio que o Ventura terá apanhando pela frente, pela primeira vez, alguém com (quase) o seu estilo de retórica, o que pareceu não agradar a Ventura.
Este candidato, que já sabemos não muda de discurso venha quem vier debater com ele, teve pela frente uma mulher que não o receou nem se atemorizou com o excessso de pressão "só para dizer isto" que Ventura usa amiúde interrompendo por tempo indeterminado, nem com o seu verbo muito inflamado..
Quem asssistiu a este degradante espectáculo de televisão e se tivesse dúvidas em qual dos candidatos votar ficaria com as dúvidas sem ganhar qualquer esclarecimento.
Seria bom que todos os candidatos se mostrassem à altura da eleição presidencial e não fizesse um circo pouco simpático à volta da eleição.
Por acaso nunca pensei em votar em nenhum destes candidatos que esta noite se degladiaram, mas se tivesse alguma queda por algum... preferia cair que votar num deles.
Ainda assim reconheço que a ex-lider do BE esteve um pouco acima do seu adversário.
Já era tempo disso!
Nota final para José Alberto Carvalho, que como pivot, esta noite esteve muito abaixo do que é costume.
Como calculo o tema desta semana dos candidatos à Presidência da República passará provavelmente pela questão do 25 de Novembro.
A esquerda (leia-se PCP ou CDU) estará na frente de batalha contra alguma comemoração ainda que oficial enquanto o PS e restantes partidos do centro-direita apoiarão todas e quaisquer iniciativas para o relembrar.
Vivi esse dia. Mais, por essa altura escutavamos lá em casa e quase em surdina uma estação que emitia da Alemanha e em português, noticiários sobre Portugal muuuuuuuuuuito mais cedo do que saberia no País. Foi ali que altura escutei alguns observadores, sobre um caminho que Portugal trilhava no sentido de uma eventual guerra civil que, felizmente para todos, nunca se concretizou.
Por esse tempo a Direcção Geral da Comunicação Social, sediada no Palácio Foz, havia criado uma editora própria chamada "Terra Livre" e com ela lançou alguns livros, hoje verdadeiras peças de coelcção, dos quais tenhos vários exemplares, sendo que um deles chama-se precisamente "25 de Novembro".
Uma coligação de cartoons publicados em diferentes jornais da época mostrando um país completamente em roda livre, sem qualquer controlo político ou militar.
Recupero hoje esse livro porque nele podemos perceber com exatidão o que foram aqueles dias que antecederam o 25 de Novembro. Uma publicação sem qualquer conotação política apenas a compilação de desenhos e notícias, pura e simples.
Não sei se o 25 de Novembro será uma data histórica a exigir comemorações oficiais, mas o curioso vem agora quando descobri um cartoon mostrando os vencedores políticos e militares da acção armada.
Reparem bem nas figuras...
Por fim a justiça ou injustiça a este dia não é para ser feita neste tempo, mas pela própria História.
Tal como tudo na política cada dirigente partidário olha para os resultados das recentes eleições autárquicas com a sua própria visão, isto é, se ganharam é porque as pessoas acreditam neles, mas se perdem desculpam-se com a esfarrapada ideia de que nas autárquicas ovque contam são os candidatos locais.
Foi por esta última razão que não fui votar até porque não conheço o antigo Presidente da Junta, tal como não o conheço o candidato vencedor nem sei que partido terá ganho a eleição.
Porém os resultados a nível global de alguns partidos já principiaram a deixar as suas marcas, como pude hoje perceber com a próxima saída da Coordenadora do BE. Um partido que a par de outros continuam o seu triste caminho no sentido da extinção.
Este partido só pode queixar-se de si mesmo quando há uns anos aplaudiu e apoiou a "geringonça" de Costa. Um erro crasso que lhes está a custar a sua sobrevivência política. Obviamente que não foi só o BE a sofrer as consequências daquela espécie de associação partidária, mas sendo este um partido com menor implantação fora dos grandes centros urbanos seria previsível este trambolhão.
Cabe agora ao próximo Coordenador do BE mostrar outra dinâmica para que o BE não passe de forma definitiva à história.
A vitória de Maria Corina Machado como Prémio Nobel da Paz é um gesto de grande cuidado e acrescentaria de imensa coragem por parte da Academia Norueguesa que escolhe entre os candidatos recomendados.
Obviamente que a esquerda portuguesa não irá perorar sobre a nova laureada até porque a Venezuela é um daqueles países onde a democracia pluralista não existe, tudo em nome de uma filosofia política muito estranha.
Dizem que um dos candidatos seria Donald Trump. O que eu me ri com a ideia de premiar um imbecil daquele calibre. Se tal acontecesse o prestígio desse prémio e dos respectivos premiados roçaria a linha vermelha. O mundo necessita de gente que lute com ganas pela paz, independentemente da sua opção política. Não é defendermos a paz na Palestina e a guerra na Ucrânia.
Assim sendo a Academia Norueguesa poderá ter criado um mal-estar político em Caracas. E as consequência disso pode-se reflectir no preço do petróleo.
Seja como for... saúdo entusiasticamente a vitória de Maria contra o boçal Trump.
Sinceramente nunca entendi para que servem as sondagens.
Umas dizem que ganha o A, outras afirmam (quase) categoricamente que ganhará o B e há quem aposte que o resultado eleitoral poderá rematar num empate técnico.
Com estes dados como se alinhavam as estratégias futuras? De quem está à frente e especialmente de quem está em risco de perder.
Releembro que na primeira vitória com maioria absoluta de Cavaco Silva os estudiosos desta espécie de ciência mal parida, quase que deram em loucos porque nenhuma das sondagens dava uma vitória esmagadora ao Professor, como acabou por acontecer.
E outra questão: será que as pessoas inquiridas responderão com seriedade? Num país em que o povo adora e pela-se por enganar o Estado fugindo aos impostos não me admiraria nada que alguém questionado numa sondagem respondesse ao invés do que vota...
Na minha singela óptica as sondagens têm como função entreter o pessoal. Enquanto, por exemplo, se discute se sai Moedas e entra Leitão em Lisboa, o povo vai esquecendo as inúmeras bravatas com que se depara diariamente!
E agora veio-me à ideia um cavalheiro de uma empresa de sondagens muito solicitada pelas TV's, mas creio nunca tal empresa acertou num resultado eleitoral... Nem sequer se aproximaõu. Não sei se ainda axiste, mas fiz uma busca rápida e parece que sim... que ainda é viva!
Não sou historiador nem para lá caminho. Também tenho consciência que no meu tempo de escola a História de Portugal e do Mundo era explicada de forma diferente do que será hoje.
Visto que não sou um especialista em factos antigos e respectivas razões que originaram longas e sangrentas bravatas, tenho vindo com a idade a tomar sentido que como tudo ocorre. Ou ocorreu!
Pelo que vou percebendo os historiadores gostam amiúde de colocar uma data precisa num determinado acontecimento e a partir dai assumirem que foi nesse instante que uma guerra, uma conquista ou uma derrota principiaram. Aceito essa teoria tendo em conta o passado mais ou menos longínquo.
Todavia nos dias que hoje correm uma longa guerra, principia no momento que a população anónima, mesmo que de um país não directamente envolvido, percebe que mais tarde ou mais cedo haverá enormíssimos confrontos bélicos e que estes entrarão pela casa dentro não só via televisão ou internet, mas infelizmente de forma real e de maneira muito violenta.
Estamos perto desta assumpção... muito perto mesmo! E não me admiraria nada que a Europa, mais breve do que julgava ou desejava, venha a pegar em armas.
Haja alguém que perceba que caminhos andamos a trilhar, para que um destes dias não venha a ser tarde demais!
Desde que me lembro, o Banco de Portugal, entidade onde trabalhei 37 anos, 9 meses e 25 dias, sempre desejou ter uma sede própria.
Após o incêndio do Chiado a maioria das instituições bancárias com sedes e/ou filiais na Baixa Pombalina fugiram daquela zona tão perigosa e vulnerável.
O BdP tentou fazer o mesmo, deixando somente a administração e departamentos de apoio a esta na (ainda) sede. Foi mesmo constituído nos finais dos anos 80 um gabinete especializado para a escolha de projectos apresentados em concurso. E a primeira escolha foi a Praça de Espanha, com um edifício moderno e que estranhamente teria a linha de comboio a passar por baixo.
Porém ao que vim a saber mais tarde a CML teria de expropriar uma certa zona e como nunca o conseguiu fazer o projecto morreu, não à nascença, mas perto. Até foi feito na altura um livro com a ideia do edifício e distribuído pelo pesssoal.
O tempo passou e após a Expo98 a ideia de uma sede na zona nobre da capital voltou a tomar forma. Mas a coisa acabou também por morrer. Creio que por ser demasiado caro a aquisição do terreno. Entretanto havia muito daquela fantasia do "diz-se, diz-se" que convenhamos vale tanto como uma nota de três dólares.
A verdade é que o edifício dos Anjos não abarcava os Departamentos todos, mesmo depois do Departamento de Emissão e Tesouraria ter-se mudado de malas e bagagens para bem longe do centro da cidade onde sempre estivera.
Posto isto, e não estando eu já no activo da instituição reguladora, ainda assim compreendo a necessidade de todos os serviços do BdP num só local. Espalhá-los pela cidade parece-me pouco assertivo e algo desorganizado.
Ora quem conseguir este desiderato, de dar seguimento a um desejo antigo, poderá e deverá ficar na história da centenária instituição. Daí, o ainda governador Mário Centeno, ter-se chegado à frente com as normais acções para a construção da tal sede.
Politicamente é irrelevante! Socialmente também. Porém institucionalmente é muito importante. Daí ter achado de algum mau gosto as declarações do próximo governador, por quem tenho por ele uma anormal crença num trabalho meritório.
Todavia não principia bem! Por vezes é "mais vale o que fica por dizer, que aquilo que se diz!"
Tenho pelo direito à greve o maior dos respeitos. Não sei se é resquícios da minha costela proletária... mas enfim reconheço que a greve bem estruturada e pensado pode servir para os trabalhadores conseguirem mais proventoss.
Só que em Portugal (e provavelmente noutros países) a greve ao trabalho pode ser, e é muitas vezes, instrumentalizada por sindicatos reféns de algumas forças políticas. A greve faz-se não por justas regalias mas porque serve de arma contra os diferentes governos.
Peguemos num pouco da história dos últimos anos e veremos que logo a seguir ao 25 de Abril os sindicatos abriram diversas bravatas contra o patronato usando como arma de arremesso a greve. Muitas empresas acabaram por sucubir outras aguentaram-se com maior ou menor dificuldade. E até ao 11 de Março de 1975 as greves sucediam-se em todos os sectores, deixando o país completamente sem rumo e sem capacidade de resposta.
Só que com a ascensão ao poder da esquerda personalizada no General Vasco Gonçalves originando o conhecido Verão Quente de 1975 alimentado pelo PREC, acabou por criar a ideia de que a greve deixaria de ter o valor que sempre lhe haviam atribuído. Recordo os cartazes colados nas paredes pela mesma organização que defendia a "unidade sindical" com o slogan "Não à greve pela greve!". Um sinal evidente de que a greve, tantas vezes usada pela Intersindical como forma de luta passava a ter menos valor.
Durante o meu tempo de activo laboral também fiz greve. Fui sindicalizado pelo recentemente falecido Mouta Liz, que era meu colega de trabalho e um ferveroso sindicalista. Certa altura neste caminho de trabalho o Sindicato a que eu pertencia convocou uma greve ao trabalho. No dia anterior à greve fui assediado por alguns colegas para aderir à forma de luta.
Acabei por aderir, mas ao invés de outros saí de casa e estive sempre à porta da empresa desde manhã até à tarde, numa prova que não usara o dia para outra actividade. Fizera greve sim, mas convicto da nossa razão. A verdade é que mais tarde vim a saber que antes da greve o acordo estaria selado entre as partes, mas que aquela forma de luta fora somente um teste à capacidade de mobilização do Sindicato.
Os anos passaram, as politicas laborais alteraram-se e hoje, mais do que nunca, a greve deixou de ter aquele valor de forma de luta por mais direitos, para se tornar uma demonstração de descontentamento político. Paralelamente os sindicatos têm vindo a perder força já que têm cada vez menos sócios o que acaba por enfraquecer as ditas organizações.
Finalmente continuo a pensar que a greve faz sentido desde que estejam todos (leia-se diferentes sindicatos) a lutar pelos mesmos direitos e não cada sindicato a pensar unicamente nas suas próprias demandas.
Muito tenho lido sobre algumas recentes declarações de Sua Excelência o Senhor Presidente da República. A maioria não acrescentam nada ao que sabemos, nem melhoram a nossa visão sobre os assuntos mais quentes ou controversos. Nem vale a pena falar aqui desses temas que estão permanentemente na ordem do dia.
O que me leva a questionar sobre as razões que levam os Senhores Presidentes, em fim de mandato, a terem uma postura pouco condizente com o lugar que ocupam. É que isto de ser Presidente será até ao último dia do seu magistério e não meses antes.
Parece que com a meta de fim da missão à vista, nada melhor que libertar as amarras do Palácio de Belém e pegar no verbo e distribui-lo por toda a sociedade, numa demanda quase quixotesca. Dito de outra maneira os Presidentes neste formato de desmachar de feira, perdem a compostura a disparam contra tudo e todos.
Sinceramente não me parece bem este apanhar de boleia de fim de festa. Dá mau aspecto ao ainda dono do lugar e pior à função, já de si pouco influente nos desafios governamentais.
Remato que não é só o Professor que usa deste pressuposto, Já Mário Soares, Jorge, Sampaio e Cavaco Silva, enquanto Presidentes, optaram por atitudes semelhantes.
Não, não venho perorar sobre o conflito celestial que opõem os Anjos e Joana Marques. Sei do que se trata, mas não vi nenhum vídeo e portanto longe de opinar a favor ou contra qualquer uma das partes.
Gosto de humor daquele bem feito, inteligente e sem uma necessidade evidente de brejeirice ordinária. Por exemplo o humor apresentado pelos “Gato Fedorento” são exemplo deste meu pensamento, se bem que RAP tenha, com a sua actividade a solo, perdido algum fulgor e assertividade.
Só que o humor é uma arma perigosa… especialmente para quem a usa como forma de fazer sorrir os outros. O problema é que nem todos têm sensibilidade e poder de encaixe para aguentarem as criticas vindas através do humor. Vai daí a melhor maneira de contornar essa incapacidade é impedir que os humoristas façam com competência o seu trabalho.
Trago aqui o caso com três humoristas - um português, um angolano e um brasileiro - que foram, muito recentemente, proibidos de entrarem em Moçambique onde deveriam ter actuado. Como se sabe nestas coisas cada uma das partes desculpa-se com razões diferentes perante o sucedido, mas desconfio que tudo não passou de uma espécie de censura por parte do Governo moçambicano, depois de um dos actores ter publicamente afirmado o apoio a uma determinada figura política moçambicana.
Digam o que disserem os ataques frontais à liberdade de expressão continuam a ocorrer e cada vez com mais frequência.