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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Controvérsia poética!

Foi notícia de primeira página num jornal diário a errada atribuição da autoria de um poema a Sophia de Mello Breyner Andresen.

Segundo o autor do texto, a filha da poetisa tenta desassociar o escrito da suposta autora. Todavia parece um trabalho árduo já que numa pesquisa rápida na Internet este poema está (quase) sempre atribuído à primeira mulher vencedora do Prémio Camões.

Voltando ainda ao texto do jornalista, este refere que o poema é “…fraquinho…” entre outros epitetos desvalorizando obviamente os versos. Não sou um especialista na escrita da poetisa nascida no Porto e portanto não posso avaliar se o poema teve ou não o cunho de Sophia.

Mas nestas coisas de direitos de autor e apócrifos fico sempre de pé atrás, porque não percebo porque alguém que escreve um texto deixe que a autoria do escrito seja atribuído a outrém sem que isso o melindre. Só se houver segundas (más) intenções, o que não parece ser o caso.

Há, no entanto, nesta história algo estranho, aspectos que não consigo compreender. Primeiro a forma como este poema aparece ligado à Sophia, depois a sua imensa proliferação.

Fica somente uma questão: não poderia a poetisa ter somente escrito um poema menos bom aos olhos dos especialistas?

Quem anda pela escrita nem sempre é feliz nos seus textos. Faz parte da vida!

Hoje dia 10 de Junho

Hoje lembrei-me deste dia tão especial.

Hoje em 1580 falecia Luís Vaz de Camões e pouco tempo depois Portugal perderia a sua soberania para Espanha, que só recuperaria em 1640.

Hoje é dia de Camões, quiçá o maior poeta de todos os tempos.

Hoje andei a reler diversos sonetos de diversos autores, Camões incluído..

Hoje li também Bocage... e ficou dessa leitura este lindo soneto em homenagem ao nosso enorme poeta:

 

Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado ao meu quando os cotejo!
Igual causa nos fez perdendo o Tejo
Arrostar co sacrílego gigante:

 

Como tu, junto ao Ganges sussurrante
Da penúria cruel no horror me vejo;
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
Também carpindo estou, saudoso amante:

 

Lubíbrio, como tu, da sorte dura,
Meu fim demando ao Céu, pela certeza
De que só terei paz na sepultura:

 

Modelo meu tu és... Mas, ó tristeza!...
Se te imito nos transes da ventura,
Não te imito nos dons da natureza.

Sobre os 100 anos da morte de Mário de Sá-Carneiro

Comemora-se hoje os 100 anos da morte daquele que foi por muitos considerado o impulsionador do Modernismo em Portugal.

Amigo íntimo de Fernando Pessoa a quem influencia com a sua visão vanguardista, foi a este poeta que Mário escreve uma última carta anunciando o que faria alguns dias depois: suicidar-se.

Um dos mais brilhantes poetas do início do século XX e que raramente é divulgado, deixou-nos alguns textos fantásticos.

Como o que segue:

Fim

Quando eu morrer batam em latas,

Rompam aos saltos e aos pinotes,

Façam estalar no ar chicotes,

Chamem palhaços e acrobatas!

 

Que o meu caixão vá sobre um burro

Ajaezado à andaluza...

A um morto nada se recusa,

E eu quero por força ir de burro!

Para a Fátima, com imensa alegria!

Se alguém tivesse dúvidas da tua qualidade como escritora e poeta, tens finalmente a prova daquilo que sempre pensei.


A fasquia subiu alguns níveis. Mas para uma escritora como tu nada é impossível.

 

Como já te disse uma vez a felicidade não se compra em pacotes de linha branca, mas conquista-se. E por vezes (a maioria!) sofre-se muito.

 

Parabéns Fátima.

A minha prima Isilda

Descobri faz algum tempo um talento numa prima, Isilda de seu nome: o de escrever poesias.

Nasceu numa pequena aldeia, de nome estranho: Covão do Feto.

Aprendeu a ler e a escrever sim, mas cedo partiu para a fábrica para trabalhar e ganhar o seu sustento. Um dia, porém, decidiu procurar sorte em França. E para lá partiu onde já se encontrava um irmão.

Casou em terras gaulesas também com um imigrante luso e lá nasceram os seus dois filhos. Regressou à aldeia que a viu nascer e por cá foi refazendo a vida.

A Isilda é mulher de resposta sempre pronta. Obstinada, tem até nos seus dizeres alguma graça.

Contou-me ela que certo dia vindo da loja, aflita com os pés, por causa do reumático que a atacava, passou por um aldeão inválido, sentado na cadeira donde nunca saía, na frente da casa. O doente vendo a minha prima arrastando os pés, perguntou-lhe em tom de gozo:

- Vens do Manel Ferrador?

Isilda aproximou-se e observou, tentando perceber se ouvira bem a questão:

- Diga lá senhor Zé, o que me quer?

Ele insistiu:

- Vens do Manel Ferrador?

Furibunda com a pergunta, logo respondeu a preceito:

- Venho, venho! E sabe o que ele me disse?

- Eu não…

- Que há muito tempo que vossemecê não vai lá para ser ferrado!

O velho calou-se, engoliu em seco e deixou a mulher seguir o seu caminho.

É desta fibra que a minha prima Isilda é feita.

No dia em que fez 64 anos aceitou que eu abrisse um blogue em seu nome, onde vou colocando as suas poesias, tão simples mas ao mesmo tempo tão genuínas.

Aqui fica o seu endereço: http://obloguedaisilda.blogs.sapo.pt/

Visitem, leiam e divirtam-se!

Poesia

É… forma do verbo SER

Estar sempre presente

É prodígio de alguns.

Dar a mão a quem a estende

É ser livre de escolher.

Criar alegria neste mundo rezingão

É loucura de iluminados.

Chorar uma lágrima salgada

É querer ser feliz.

Amar o Luar em dia radioso

É acreditar no sonho.

Esperar, ceder, resignar

É ser o amigo que não morre.

Finalmente, viver

É tudo o que nós precisamos.


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