É já amanhã em Praga, que se realiza a final da supertaça europeia. Se em anos anteriores este troféu surgiu (quase) sempre como um troféu menor, este ano o panorama revela-se bem diferente. Ou não fossem os treinadores de Bayern e Chelsea figuras profundamente mediáticas e com estilos de futebol bem diferentes.
Temos assim a repetição da final da Liga dos Campeões de 2012, onde o Chelsea de Di Matteo levou a melhor sobre o Bayern de Munique de Jupp Heynckes nas grandes penalidades, após um empate a uma bola no tempo regulamentar.
José Mourinho e Pepe Guardiola são treinadores que se conhecem demasiado bem. E se por um lado o Bayern surge como o grande favorito à conquista da supertaça europeia, creio no entanto, que a equipa de Londres ainda terá uma palavra a dizer.
O homem de Setúbal é pródigo em escaqueirar estatísticas. E será talvez por isso que ninguém aposta totalmente numa vitória germânica, mesmo que neste momento o Bayern seja a melhor equipa à face da Terra.
Aposto naturalmente num empate ao fim dos 120 minutos. Depois será a “velhíssima” lotaria das grandes penalidades. E aqui… quem sabe?
Durante duas épocas José Mourinho e Pepe Guardiola, enquanto treinadores, trocaram entre si alguns “mimos” verbais. Tudo em nome dos clubes que representavam tentando, a maior parte das vezes em vão, desferir rudes golpes na estrutura psicológica dos adversários.
Mas o futebol, tal como na vida comum, é pródigo em situações, no mínimo, bizarras. José Mourinho vai rumar novamente a Londres onde iniciou oficialmente a sua carreira de treinador fora de portas. E digo oficialmente porque ainda há aquela história dum tal Barcelona-Atlético de Madrid, para a taça do Rei, em que a equipa “blaugrana” foi para o intervalo a perder por 3 a zero e regressou na segunda parte disposta dar a volta ao resultado. Ao que parece nesse já longínquo ano de 1997 Bobby Robson, à altura treinador do Barcelona, no balneário foi dando instruções aos jogadores para a segunda parte mas o seu tradutor convertia em indicações diferentes. O tradutor chamava-se José Mourinho e o atleta que contou este episódio dava pelo nome de Oscar mas sabia o suficiente de inglês para entender as contradições entre Robson e Mourinho. Fosse disso ou não, a verdade é que o Barcelona passou essa eliminatória mesmo depois de estar a perder por 4 a 2, vencendo o jogo por 5 a 4.
Portanto o nosso José vai receber uma equipa que em anos consecutivos ganhou dois títulos: Liga dos campeões e a Liga Europa. E que desde a sua partida nunca mais conquistou qualquer título inglês.
Do outro lado do canal da Mancha o antigo jogador do Barcelona, curiosamente também presente na tal eliminatória dos 5 a 4, como defesa central ao lado de Fernando Couto, vai herdar uma equipa que ganhou tudo o que havia para vencer este ano: campeonato e taça da Alemanha e a Liga dos Campeões. Um presente envenenado?
Seja como for Guardiola e Mourinho são treinadores, separados nos clubes e campeonatos, mas juntos no regresso aos grandes palcos europeus (e não só!).
E a vibrarem como ninguém com o futebol dos seus comandados!