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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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O adeus de Pedro Passos Coelho

Durante o governo de PPC fui seu critico. Dele e de alguns dos seus ministros.

Mas neste momento do seu abandono da vida pública tenho que dar a mão à palmatória, pois PPC foi um Primeiro-Ministro com muita coragem.

A sua subserviência à tróica fez dele sempre um alvo a abater, por todos os quadrantes da sociedade e partidos políticos, incluindo o seu. Tenaz e persistente, o antigo líder do actual maior partido da oposição, nunca deixou, no entanto, de tomar uma posição mesmo que isso lhe trouxesse muitos amargos de boca.

Lembro-me bem da expressão "que se lixem as eleições!" que na altura tanto burburinho criou, nomeadamente dentro do PSD. Todavia Passos continuou a sua obra contra tudo e contra todos. Sem saber PC desbravou o caminho mais dificil para a Geringonça serenamente palmilhar.

Sai ao fim de oito anos de presença contínua na política mas perfila-se, justificadamente, como um futuro candidato a PR após o segundo mandato de Marcelo.

Finalmente concluo com um velhíssimo chiché: ainda agora partiu e já sinto saudades dele.

 

Que se lixem as eleições!

Esta frase proferida vai para uns tempos pelo actual primeiro ministro terá sido talvez a máxima que norteou a elaboração do próximo orçamento do Estado.

Creio mesmo que tanto PPC como PP estarão exaustos dos últimos anos de governação. Foram tantos os casos, tantas as “argoladas” enfiadas por este governo que são os próprios a não acreditarem num bom resultado dos seus partidos nas próximas eleições. Ainda por cima sendo o adversário mais directo António Costa…

Talvez por isso o orçamento para 2015 reflecte pouca inversão nos cortes de subsídios e pensões enquanto mantêm a Taxa adicional de 3,5% em sede de IRS.

Geralmente em anos de eleições os governos tendem a abrir os cordões à bolsa tentando dessa forma arrecadar mais alguns votos. Todavia PPC não entende assim e mantem a austeridade para o ano que vem, seguindo o exemplo do “amigo” Cavaco Silva no seu último mandato como PM.

Com esta atitude o líder do PSD teima em manter o rumo de traçou para o País, com os elevadíssimos custos que todos sabemos, e para si próprio. Reconheço mérito nesta coerência de Passos Coelho, não se deixando embalar por eventuais benesses que o fizessem eleitoralmente aproximar de Costa.

A partir de agora as portas de saída para o actual PM, nas próximas eleições, escancararam-se. Se alguém ainda tinha dúvidas quanto a isso, com este orçamento, esta passou a ser uma certeza.

Política de vão de escada!

Não foi inocente só ter vindo recentemente a  público a estória de PPC e da Tecnoforma.

 

Parece que a denúncia, obviamente anónima, porque "é deles o Reino dos Céus", não teve fundamento e a montanha acabou por parir um rato. Todavia na mente dos portugueses este assuntto não morreu e ficará gravado para memória futura.

 

Curiosamente ou não amanhã há primárias no PS. Os debates televisivos dos candidatos em despique por um lugar no Largo do Rato foram um "flop". Conforme as tendências jornalísticas as vitórias foram assim apresentadas. Para uns ganhou Costa, para outros o vencedor foi Seguro. Todavia nesta última semana as atenções estavam todas viradas para o duelo PPC-Oposição no que respeita aos rendimentos do Primeiro-Ministro.

 

Desta forma desviou-se o centro das atenções para temas mais ou menos marginais, em vez de se centrar nas propostas dos futuros candidatos a PM, o que me leva a pensar que em política tudo é válido!

 

Pedro Passos Coelho tem claramente os dias contados como governante e desta forma a questão principal para os portugueses deveria ser: quem se seguirá? Mas ninguém tem a coragem de a formular... Porque será?

 

 

 

Porquê, senhor Presidente?

Não me recordo de haver duas semanas políticas tão inúteis, como estas últimas.

 

A demissão de Vítor Gaspar fez implodir o Governo. O líder do CDS demite-se das suas funções, devido à entrada de Maria Luís para as Finanças. Passos Coelho tenta segurar Paulo Portas com um novo (re)acordo entre os partidos da coligação dando-lhe o lugar de vice Primeiro Ministro. Sem se perceber ainda muito bem porquê, o Presidente da República meteu-se nesta brincadeira, lançando mais pólvora para uma fogueira já de si demasiado crepitante.

 

Obviamente que a semana de reuniões tripartidas foi um “flop” e Cavaco Silva, tal como eu calculei aqui, acabou por aceitar o governo de Passos Coelho com ou sem remodelação. A pergunta permanece assim no ar, qual nuvem plúmbea: porquê senhor Presidente?

 

Olhando à distância estes (novos?) líderes partidários, Pedro, Paulo e António José, quase se assemelham a três crianças a brincar felizes aos políticos, enquanto o avô Aníbal se diverte a observá-los placidamente.

 

Creio que é tempo de deixarmo-nos de brincadeiras e começar a sério a trabalhar, para que não hipotequemos definitivamente o nosso futuro e o dos nossos filhos.

E agora Pedro?

 

Em consciência, tenho que admitir que Pedro Passos Coelho não estava preparado para ser Primeiro-ministro de Portugal. Estes últimos dois anos de governação (de)mostraram isso mesmo: uma profunda incapacidade de gerir um país à beira de um colapso financeiro.

 

Quando no Verão de 2011, após a vitória do PSD nas legislativas, comecei a perceber alguns dos elementos que iriam constituir o elenco governativo da altura, considerei que aqueles homens e mulheres tinham tudo para vencer.

 

Erro meu!

 

Depressa percebi que Passos Coelho obedecia cegamente à Troika ou a Angela Merkle. E mais depressa ainda, senti(mos) na carteira o peso desse seguidismo quase doentio à líder germânica. Em contraponto Paulo Portas surgia como crítico à política de austeridade imposta por Vítor Gaspar.

 

Politicamente faltava a Pedro Passos Coelho alguém que fizesse a ponte entre os diversos ministérios. E daí a existência de Miguel Relvas no governo. Mas foi pior a emenda que o soneto… pois decorrido pouco tempo já Relvas era alvo de profundas vaias e críticas por parte de grande parte da sociedade civil e não só.

 

É deste conflito de (muitos e estranhos) interesses que emerge Paulo Portas. Como costumo dizer “o actual líder do CDS sabe mais, num dedo mindinho sobre política, que Passos Coelho no corpo inteiro”.

 

E realmente não foi necessário esperar muito para o presidente do CDS, escalar no governo, entregando a Passos Coelho a responsabilidade de dar a cara por um governo que (já!) não escolheu.

 

Enfim, olhando para o actual Primeiro-ministro, sinto-o triste, longe da realidade, sem capacidade para gerir e reagir com vigor e inclemência a tantos e tão intensos conflitos, que vão minando uma coligação que nunca o foi verdadeiramente.

 

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