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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Consertar vidas!

Nunca considerei, no princípio da minha vida, vir a ser médico. Mas se alguma vez o tivesse sido talvez optasse pela especialidade de Psiquiatria.

Nem imagino o trabalho que estes médicos terão agora, levando em linha de conta esta pandemia.

A saúde mental é assumidamente muito mais grave do que à partida se supõe. Só quem passou por esta doença é que entende quão grave é, por exemplo, uma depressão. O que ela muda na pessoa e  acima de tudo o que ela leva a fazer ou a não fazer...

Nunca fui dado a este tipo de doenças e até teria, provavelmente, motivos válidos para tal, mas consegui escapar, até agora, por entre os pingos desta estranha chuva. Entretanto amanhã é um novo dia e quem sabe se não será a minha vez de esparramar-me nesse antro tão negro.

Não obstante convivi directamente com essa doença na pessoa da minha mulher. E digo-vos que se ser doente não é nada fácil... o cuidador próximo estará muito longe de uns dias fantásticos.

Mas não me estou a queixar, apenas a falar da minha experiência.

Faço agora a ponte para os actuais médicos psiquiatras e aquilo que devem escutar nas suas consultas, muitas vezes percebendo que a solução passaria certamente por não haver confinamentos nem pandemias, Se os médicos de outras especialidades lutam permanentemente nos hospitais pelas vidas dos pacientes internados com Covid, também os psiquiatras tentam, quiçá, consertar, à sua maneira, as vidas de muita gente.

Mas ninguém se lembra disso, pois não?

Como será o dia seguinte?

Vou deambulando, devidamente mascarado, pelas ruas desertas da cidade e pergunto-me como ficaremos depois desta pandemia? Que relações sobrarão ou de que forma aquelas serão evidenciadas?

Os abraços, os beijos, os afagos e os carinhos voltarão a ser o que sempre foram?

Tanta pergunta que me assalta o espírito. Tantas dúvidas que crescem no meu coração.

E no fim fica a simples dúvida se valerá a pena tanto sacrifício para amanhã percebermos que fomos todos infectados e sem saber como! De que valeu então o afastamento ou o confinamento?

Recordo que no início desta pandemia, um médico especializado nesta área de vírus dizer que o melhor que deveria acontecer ao mundo seria sermos todos infectados. Só assim se imunizavam as pessoas.

Obviamente que morreria muita gente, assumiu o tal especialista (tal como está a acontecer), mas seria a forma mais fácil de combater esta doença. E quiçá mais barato… digo eu!

No entanto percebo que ninguém se queira arriscar a infectar-se de propósito pois o resultado pode ser catastrófico. Conheço alguns tristes exemplos!

Todavia regresso ao início deste texto: como ficaremos no dia seguinte ao fim da pandemia?

A minha resposta é mui simples: não imagino!

Diz-me quem conheces…

... dir-te-ei quando serás vacinado!

Este rectângulo não é um país, nem uma nação, nem sequer um reino… é uma espécie de terra de todos.

Nomeadamente daqueles que podem inserir a mão num pote de mel. De certeza que vêm repletos do doce néctar. Assim se passa neste pedaço de terra à beira-mar plantado onde quem pode manda e quem não pode aguenta.

Com a pandemia o escrutínio sobre as figuras públicas, sejam elas políticas ou meras gestoras, é cada vez maior. Depois os jornais, telejornais e outras plataformas andam tão atentas que não se pode dar um traque… pois toda a gente escutará!

Mas faz sentido! Não se pode pedir a um povo para se confinar e depois cada um aproveitar do seu lugar para retirar dividendos.

Vêm aí os alemães, médicos e enfermeiros. Mas seria bom que os avisassem de que estamos num país mui diferente da Alemanha, onde a nossa desorganização é muito organizada! De outra forma os técnicos de saúde importados irão arriscar-se a ter muitos problemas logísticos para os quais nunca estudaram. Nem se prepararam!

Algumas considerações...

Acho estranho que venham profissionais de saúde para Portugal, quando há portugueses naquela área a sairem do país!

Admira-me que as sucessões de casos de vacinações indevidas surjam a toda a hora e não oiço uma palavra do PM nem do PR;

Parece que os deputados têm mais direitos que a maioria dos portugueses;

Desde sábado passado, data em que soubemos que havia infectados em casa, o meu telmóvel não pára de tocar: autoridade sanitária concelhia, comissão de saúde, delegado de saúde, um sem número de meninas a dizer que vão enviar um inquérito. Tanta gente supostamente preocupada connosco e ninguém nos diz se deveremos ou não repetir os testes;

A burocracia lusa a ganhar aos médicos e enfermeiros.

Provavelmente seria necessário importar mais gestores da Alemanha e menos médicos!

 

Simplesmente... imprevisível!

Por muito que critiquemos a DGS ou as autoridades competentes na gestão desta pandemia reconheço que nenhum político, médico, enfermeiro ou outros previam o que neste momento se está a passar nos hospitais e nas casas das pessoas. Nem nos piores cenários...

Ainda hoje recebi a chamada de um amigo que se encontra infectado. Teve um prognóstico reservado, sofreu a sua parte, mas neste momento está já em lenta recuperação. Contou-me ele que esteve três horas dentro do carro a aguardar que lhe fizessem um exame aos pulmões. Depois quiseram enviá-lo para o hospital. A filha preferiu contactar um médico particular e em vez de ir para o tal hospital acabou para ir para casa, onde está a recuperar devagar como já referi.

Entretanto aqui por casa as coisas tendem a entrar nalguma normalidade... Já não há quem tenha febre, apenas alguma tosse. Mas reconheço que tivemos sorte, muita sorte. 

Alguns médicos da Saúde 24 vão-nos ligando para saber o ponto de situação e admiram-se da nossa situação não ter entrado em ruptura. Assumo que foi sorte. Pura sorte!

Mas houve quem não a tenha tido...

No melhor pano... cai a nódoa!

Pelo que me é dado assistir ao meu redor dificilmente alguém escapará a ficar infectado com este ou outro qualquer vírus.

Por muito que tentemos não nos relacionar dentro e fora da família e amigos, por muito que fujamos dos outros que nos rodeiam especialmente nos supermercados, por muita máscara que usemos ou pela profusão com que desinfectamos as mãos a verdade é que nenhum de nós está completamente imune a esta pandemia.

E se há quem passe por isto sem qualquer sintoma e problema, outros há que sofrem mais. Sejam com febre, diarreias, falta de cheiro e sabor e acima de tudo com problemas respiratórios. Mas não estou a dizer nada que não se saiba já!

Só estou apenas a avisar a quem ainda acha que isto é apenas uma gripe mais forte. Será bom que se desengane rapidamente.

Ontem ao fim da noite comunicaram-me que alguém muito próximo estava positivo ao covid. Resultado: estamos todos de saída para ir fazer testes num "drive thru".

Quem diria... Eu que que nem saio de casa para despejar o lixo!

A dor que nos entra em casa!

Hoje foi um dia quase normal tendo como referência os dias que antecederam a minha doença. De tal forma que só agora, já noite, consigo sentar-me e escrever umas linhas.

Mas prefiro um dia assim àqueles em que alternei a cama com o sofá, desfiando mágoas e tristezas.

Fui a Lisboa tratar de assuntos inadiáveis e a capital quase parece uma cidade fantasma. Há algum movimento, mas comparado com o que seria há um ano parece mesmo um deserto.

Não admira todos os dias os números de infectados e mortos crescem sem pudor. E não parece haver forma de travar estes trágicos números. As pessoas continuam descrentes... Descrentes da realidade pandémica, descrentes do caos hospitalar, descrentes, no fundo, delas mesmas.

O mundo está virado do avesso. Completamente. 

Cabe a todos nós, sem excepção, assumir que esta pandemia não é uma mera gripe, mas um caso muito sério que poderá hipotecar todo o nosso futuro.

Pensem nisso antes de sair de casa...

 

O perigo espreita-nos em qualquer lado.

Cada vez estou mais convencido que o alastrar desta pandemia se deve aquelas pessoas que desde o início assumiram uma dúvida quanto à verdadeira gripe. Muitos nunca acreditaram e continuaram a trabalhar e a conviver sem máscaa.

Conheço vários... Um deles mora duas casas acima de mim. Somos amigos há muitos anos e sempre que, recentemente, psssava por mim eu afastava-me.

Ele dzia:

- Acreditas mesmo nesta doença?

- Sim acredito... E tu tambem deverias acreditar!

Naquela semana riu-se de mim.

Soube recentemente que foi infectado, alastrando à mulher, filho, filha e genro. Entretanto ficou em casa para hoje já se encontrar na fila na urgência para ser internado num hospital.

É desta gente que eu tenho muuuuuuuuuuuuuuuuito receio!

Coragem precisa-se!

Oiço tanta gente a falar desta miséria que estamos a viver com a pandemia que fico sem ponta de sangue quando percebo que os nossoa governantes não têm coragem para parar o país.

Das duas uma: ou param já este rectângulo e deste modo podemos baixar os contágios ou então arriscamo-nos a no final desta profundíssima crise (se houver final) a termos uma população reduzida. À velocidade a que as pessoas estão a morrer...

Outra situação bem mais grave prende-se com a opção entregue aos médicos. Ter que decidir entre este ou aquele doente quando no fundo e face ao juramento que fizeram, deveriam salvar ambos parece-me tenebroso.

Os bons governantes medem-se pela forma como se impoêm sem receios perante os problemas. Não demonstrar coragem para confinar toda a gente como foi em Março e Abril só porque estão reféns de umas quaisquer Associações empresariais parece-me muito má ideia.

O país irá pagar demasiado caro essa falta de coragem!

Depois não venham cá com desculpas.

2021 - Ano zero!

Como já escrevi não ligo muito às passagens de Ano. No entanto aceito que a maioria das pessoas considerem a mudança de dia, mês e ano de uma só vez uma janela de oportunidades.

O povo costuma dizer: ano novo, vida nova.

Todavia não foi preciso uma mudança radical de calendário em 2020 para que todas as nossas vidas se alterassem de forma (quase) radical.

O que antigamente nos animava e aconchegava, como eram os beijos e abraços, passaram de um dia para o outro a ser estranhas armas.

Bom... mas não falemos agora de coisas menos boas.

Com a nova vacina o Mundo terá tendência para melhorar e paulatinamente regressar ao que sempre foi. Assim o ano 2021 deverá ser o ano zero para muitos de nós tendo em conta os afastamentos familiares, os confinamentos obrigatórios, os demasiados tempos em teletrabalho.

O próximo ano que ora entra nas nossas vidas tem tudo para ser diferente. Desejamo-lo para melhor! Mas só o será para todos se cada um de nós fizer a sua parte acatando e aceitando que as regras sanitárias e não só deverão ser respeitadas e cumpridas à risca.

Termino o último postal de 2020 desejando que todos os que aqui vêm beber algumas palavras, tentem viver no próximo ano um dia de cada vez, com a saúde desejável, a alegria espontânea das crianças, os sonhos dos poetas e a esperança renovada dos eleitos.

Fiquem bem, cuidem-se que a gente lê-se por aí.

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