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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Mais de meio século casados!

Sei que já é tarde. O dia foi longo com muitos afazeres e por isso só agora assentei arraiais de forma a escrever.

E a verdade é que eu hoje deveria ter escrito algo de muito profundo e muito "meloso" tendo em consideração que os meus pais perfazem o fantástico número de 59 anos de casados.

Não estive com eles mas telefonei. Para eles foi suficiente. Também exigem pouco da vida (com a idade que têm, só pode!).

Contudo o que conta é que numa época em que tudo é muito efémero, sejam os objectos, os empregos ou as pessoas, encontrar gente que vive há mais de meio século junto... reconheço que é obra!

Para ambos continuo a pedir que vivam somente mais um dia de cada vez, porque tenho consciência que há-de chegar aquela altura em que um deles ficará só. É a lei natural da vida.

Espero que tenham passado um dia em paz!

Como se explica…

... a uma criança de tenra idade que a sua mãe faleceu?

As crianças têm geralmente uma capacidade muito maior que os adultos para aceitar o que vida tem para lhes oferecer.

Todavia há acontecimentos que elas não entendem. E a morte de um dos pais, especialmente se for a mãe, apresenta-se como algo demasiado estranho e incompreensível.

Alguém que eu conheço ficou viúvo há poucos meses. E com dois filhos de 3 e 6 anos respectivamente para educar.

No início tentou explicar-lhes que a mãe tivera de partir para ser uma estrela no céu. Uma explicação quiçá rebuscada mas que os filhos aceitaram. Todavia um dia mais tarde um deles perguntou:

- Porque não se despediu a mamã de mim?

Eis assim a tal pergunta inocente que desarma qualquer um. Explicar a uma criança o que é a morte é algo complexo e de difícil compreensão. Porém esconder também esta evidência pode corresponder a algo ainda pior.

E por isso volto à pergunta inicial: como se explica?

Sinceramente não sei! E nem a questão religiosa pode aqui ser evocada como desculpa.

Mas admiro quem, neste mundo, luta todos os dias para ser ao mesmo tempo um pouco de pai e mãe, só porque o outro jamais estará presente. As explicações, essas, terão de vir depois!

O meu futuro é já ali

Olho para os meus pais já idosos e pergunto a mim mesmo, se na minha velhice serei assim? Eu sei que a idade tudo traz: o esquecimento, o desleixo, a vontade de sossegar, a impaciência...  um ror de coisas menos boas! E a juntar a tudo isto... menos saúde.

Por isso e tendo em conta que também caminho para lá (a velhice), tento já engendrar uma forma de evitar tais sensações. E uma das coisas é percebermos rapidamente que não justifica rodear-mo-nos de coisas inúteis e que só nos enchem a casa, a maioria das vezes sem qualquer proveito.

O meu faleciddo sogro, um homem bom e muito sábio, sempre que lhe perguntávamos se podíamos deitar algo fora ele dizia que não, sempre com a mesma resposta:

- Pode ser preciso para qualquer coisa...

E a verdade que muitas vezes recorriamos àquilo que pensávamos ser inútil.

Entendo que os mais velhos, quase todos habituados na sua juventude a ter pouco, plasmem ainda hoje esses sentimentos de poupança no seu dia a dia. É normal que assim seja.

Por isso tento desfazer-me dessa mesma matriz e tento, serenamente, conceber uma outra onde eu, na minha velhice, possa ser feliz tendo o menos possível. Sei que parece um paradoxo mas na realidade quanto mais temos menos somos.

Como já disse, nem sei onde, a felicidade é algo que não se compra nem vende. Simplesmente se conquista!

Uma questão de nomes?

O nosso nome próprio é algo que nos identifica mas claramente não nos define. Isso é ponto assente!

E não vale a pena andarem a fazer slides com as definições de nomes, e a enviá-las por mail, que não vale a pena, porque nada (ou tudo?) corresponde à realidade de cada um. Nem todos os Franciscos são Papas, nem todos os Cavacos são Presidentes (neste último caso nos anos oitenta havia uma irmandade de Cavacos altamente perigosa!), nem todos os Pedros são PM...

A cada um é obviamente dado um nome e com o qual será conhecido, por escolha de pais, padrinhos, tios, avós ou somente por tradição familiar... Mas é aqui, nesta opção, que reside muitas vezes o cerne da questão. Há pais que julgam que as suas crianças o serão para toda a vida, sem direito a crescer ou a ter opiniões. E espetam-lhes com os nomes mais estapafúrdios que podemos imaginar, olvidando que a criança irá lidar com essa não decisão da sua parte, para o resto da vida.

Entendo que muitos pais não pretendam dar um nome corriqueiro aos filhos, bem pelo contrário. Estão no seu natural direito. Todavia há opções.. que parecem tiradas duma qualquer personagem dos livros de aventuras de Harry Porter.

Ora é aqui que toca o grande ponto. As crianças são geralmente muito francas e quiçá cruéis. De tal forma quando apanham algum nome menos normal, tendem a distorcê-lo e a usá-lo quase como arma de arremesso. (O princípo do bullying?)

Compreendo que o nome para um filho não é escolher um modelo ou cor de um carro, mas algo que vai perdurar para toda a vida e é por isso que este assunto deve ser discutido em família, pesando todos os prós e contras dessa decisão.

Portanto homens e mulheres, prestes a serem pais e mães, pensem bem que nome querem dar aos vossos filhos... para que mais tarde não se arrependam amargamente dessa (má) decisão.

Longe da cidade... outra vez

Pois é... estou novamente longe da cidade. A agricultura dá-me cabo dos fins de semana e das costas!

Mas aproveito para estar com os pais, velhotes mas sempre disponíveis e amigos.

Agora é a minha vez de lhes dar apoio. A vida é obviamente assim...

Houve tempo que eles me deram muito. Agora é a minha vez de retribuir.

Mesmo que seja à custa dos meus fins de semana.

Também sou pai…

As sociedades ocidentais têm sérias dificuldades em lidar com a morte. A perda de um familiar ou amigo é, para quase todos nós, tal como a própria palavra refere, uma perda! E obviamente que este sentimento agudiza-se quando envolve gente (muito) jovem.

É costume dizer-se que, pela lei natural da vida, devem ser os filhos a enterrarem os pais, jamais o contrário. Mas essa tal de vida não entende destas filosofias populares e arrebanha qualquer um de nós… E quando menos se espera.

Dos trágicos acontecimentos deste fim de semana no Meco ressai para além da dor profunda da morte, a tenebrosa amargura dos familiares e amigos, por não terem um corpo. Creio ser uma sensação de vazio interior que jamais será preenchido. E a revolta que vai crescendo no íntimo daqueles pais será uma ferida permanentemente aberta.

Há ainda uma questão que ficará, eternamente, sem resposta e que se resume no seguinte: porquê o meu filho?

Como pai, nem consigo imaginar a dor que sentem, neste instante, aqueles que perderam os seus descendentes!

De todo!

Que raio de vida!

 

Que sentimentos perpassam pelo espírito daqueles pais que acusados, quiçá de prepotentes e ditadores, não deixam os filhos passar um fim-de-semana com amigos junto à praia?

 

Que sentimentos povoam o coração daqueles pais que, de olhos no mar, aguardam ansiosamente que a mancha azul devolva a terra os corpos dos seus jovens infantes?

Coisas (tristes) da vida

Crescemos quase sempre juntos. Quando ía a casa dele era como se fosse a minha e vice-versa.

 

Os nossos pais militares de carreira, andavam por esses mares fora em busca de sustento para a família.

As nossas mães sofriam de ausências e agruras pelas incertezas da guerra em África. 

 

Mais velho que eu seis meses, mas de anos diferentes, acabámos por nunca andarmos na escola ao mesmo tempo. Ainda por cima ele sempre foi muito bom aluno e eu um cábula emperdenido. Depressa ganhou balanço e eu fiquei na cauda de um pelotão da vida.

 

Com ele, todavia, aprendi a gostar de música. Ouvíamos no seu gravador de bobines, igual a um meu, as boas canções da época que ele arranjava nem sei onde.

O meu amigo acabaria finalmente por se licenciar em Engenharia Agrónoma com nota de excelência.

 

Fui ao primeiro casamento dele e ele ao meu. A vida separou-nos mas eu jamais o esqueci. Nem à sua mãe Maria e ao seu pai Teodoro.

Pai este que partiu, ao que sei hoje, para a sua última viagem. Ele que palmilhou tantas léguas nesses oceanos da vida, embarcou finalmente num cruzeiro sem retorno.

 

Ao Mário, meu amigo de há mais de cinquenta anos, um abraço profundo de amizade.

 

Certamente que nunca lerás este texto... Mas lê-o o teu pai, esteja lá onde estiver.

Dia do Pai - A homenagem devida ao meu pai e aos meus filhos!

Hoje é dia de S. José.

 

Por isso hoje se comemora o "dia do Pai".

 

Um pai é (devia ser!) um exemplo para os seus descendentes. Todavia infelizmente nem sempre é assim. Ainda há pouco tempo em Beja um homem matou a sua filha e a neta numa atitude drástica e terrível.

 

Eu sou pai de dois homens adultos. Neles vou depositando os meus parcos rendimentos. Para além da aposta nos estudos para que tenham uma "enxada" capaz de lhes dar sustento num futuro, o meu maior investimento é no carinho, ternura, atenção que lhes dispenso.

 

Sou (pretendo ser) um amigo mais que um pai austero em quem eles possam confiar.

 

Mas todo este sentido para a vida dos meus filhos advém de alguém que me ensinou tudo o que sei. Falo naturalmente do meu pai, felizmente ainda vivo (e que Deus mo conserve por muitos anos!). Ele tem sido um exemplo, um esteio, uma baía onde posso calmamente fundear

sempre que o mar da minha vida é de tempestade. A ele devo estar aqui a escrever...

 

Estamos quase no final deste "dia dio Pai". Porém a única coisa que eu pretendo dos meus filhos é que sintam tanto orgulho de mim, como eu sinto do meu querido pai.

 

Obrigado pelo exemplo, pai!

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