Creio que em tempos houve para aí um anúncio, já não lembro a quê que tinha como slogan publicitário o titulo deste postal.
Quem como eu vive na cidade tem sempre ao seus redor um conjunto de supermercados (a expressão "grande superfície" parece-me exagerada), todos eles equipadpos de secção de padaria e onde poderemos achar todo o tipo de pão.
Pão grande, pequeno, mistura, branco, encarnado, de alfarroba, de beterraba, de milho e até, imaginem, há pão feito de simples farinha de trigo. Porém com tanto fermento dentro que ao fim de dois dias qualquer pedaço de pão está carregadinho de humidade. Depois há aquele pão de massa mãe e alguns devem ter ainda mais longínquos antepassados porque rapidamente o pão ganhar bolor.
Nunca fui padeiro e muito menos ousei abraçar a aventura de um dia cozer pão. Porém na aldeia onde fui criado houve aaaaaaaaanos a fio uma belíssima padaria de cujo forno exalava sempre um perfume de vida renovadaque se espalhava pelo povo. Era de tal forma saboroso e bem feito que facilmente comeria um pão de quilo ao pequeno almoço. Confesso que nunca o fiz, mas vontade nunca me faltou!
Curiosamente a padaria da aldeia vizinha usava dos mesmos produtos da padaria da minha aldeia, mas nunca, nunca conseguiram chegar aos calcanhares daquele pão que eu comia.
Hoje foi ao mercado que costumo frequentar em tempos de veraneio. Há lá um posto que vende pão de local chamado Alfarim povoação que faz paredes meias com a aldeia do Meco. Trouxe um pão de quilo e não sei se foi a saudade ou outra coisa qualquer não é que o raio do pão quase pareceu o da minha aldeia?
Ontem baixei a barreira (mais física do que psicológica!) dos 90 quilos de peso. De forma gradual tenho vindo a perder alguma gordura o que em termos de saúde não é mau.
Mas como o fiz é que pode ser curioso. Sem dietas tontas, nem exercícios físicos exacerbados, certo é que a balança lá vai dando boas notícias.
Há uns anos cheguei aos três dígitos. Olhava-me ao espelho e via… uma bolacha. Literalmente. Percebi que teria de ser mais regrado, mas acima de tudo alterei um pouco os maus hábitos alimentares. Todavia continuei com peso a mais...
Em 2021 com o Covid perdi muito peso, para mais voltar a aumentar.
Entretanto um dos assuntos estrela da internet é sempre o excesso de quilos e as milhentas formas de emagrecer. E como saberão há de tudo um pouco, como também há muitos culpados: o álcool, as gorduras, os doces, o sedentarismo e quase sempre o pão. Este encabeça assim muitas listas.
Durante tempos também acreditei que o pão era o principal culpado do meu peso excessivo. Até que no início deste Verão tive que levar com um implante dentário, para já provisório, e a recomendação da médica dentista é que não poderia comer uma “sandocha” à moda antiga, nem uma torrada bem tostada pois arriscaria a estragar o que havia feito. Obviamente que houve outras, mas não tão relevantes para mim.
Perante esta triste sentença optei por comer à mesma o pão todavia numa tacinha com leite e café. As tão conhecidas e velhas como o Mundo… sopinhas de leite! Que sinceramente nem aprecio mas que são macias e humildes aos dentes!
Não sei se foi disso ou de outra opção alimentar a verdade é que a balança é agora mais sensata.
Percebi por fim que o pão (geralmente água, farinha e fermento) não nos engorda. O que nos transforma em gordos são os acompanhamentos. Ou seja… a manteiga, o queijo, fiambre, um qualquer doce e mais não sei quantas coisas que podemos colocar como recheio. Anormalmente hipercalóricas!
Esta assumpção fez-me até recordar a piada do cientista que foi retirando uma asa a uma mosca e depois dizia-lhe para voar. E ela voava… Até que tirou todas as asas e mandou a mosca voar, Esta não saiu do lugar, obviamente. A conclusão do cientista era que uma mosca sem asas… ficava surda!
Há por aí uns supermercados que começaram a vender um pão a que deram o pomposo nome de "Pão de Rio Maior". O pão não é mau, pelo menos é melhor que a maioria dos que se vendem por essas pagarias, mas é pequeno e fico com a ideia de que tem muida venda. Antes assim!
Um destes dias fui a desses estabelecimentos para comprar o dito pão e quando me aproximo dos cacifos com diversos tipos dou com a seguinte mensagem: Por questão de higiene use as pinças e luvas para mexer no pão.
O aviso faz todo o sentido. Mais... fez com que eu olhasse para as minhas próprias mãos. Ora como não considerei que estas estavam imaculadas fui arrancar uma luva muito fina e que se encontra nesta zona. Retiro uma só luva, calço-a na mão direita, retiro o pão e enfio-o no saco de papel. Não costumo cortar na maquina porque quando está muito quente fica desfeito.
Vou pagar na caixa! No instante seguinte dou por mim a olhar para a minha mão destra tentando lembrar-me do que havia feito.
Revi tudo e no final não consegui evitar uma quase gargalhada.
É verdade que fui pegar no pão com uma luva de plástico, mas esta foi retirada do expositor com a mesma mão (suja ou não). O que equivale dizer que se a mão estivesse muito suja, a sujidade passaria para a luva que pegou a seguir no pão... Digo eu...
Ou será que estou a ver mal?
Portanto a pinça será sempre melhor... para pegar no pão. Mas sem luva.