A pandemia ameaçava já o Mundo, para neste mesmo dia no ano de 2020 e sem medos das eventuais ameaças nascer a minha primeira neta.
Desde este dia, há precisamente seis anos, até hoje já nasceram, entretanto, mais três crianças que me enchem o coração e algumas deles os dias. Mas não me importo, mesmo sabendo que recai sobre os meus ombros outras responsabilidades.
Uma coisa é sermos pais e termos o poder de orientar os nossos decendentes outra é sermos avós e tentarmos conciliar a nossa visão para as novas crianças, com a perspectiva por vezes muito diferente das dos nossos filhos para os seus descendentes. O que nem sempre é fácil, admito!
Curiosamernte há umas semanas e em conversa com uma amiga com filhos já crescidos ela assumia que gostaria de ter muitos netos, mas jamais estaria disponível para tomar conta deles. Não é caso virgam e muito menos anormal. Opcões!
Só que deste lado olho para estes infantes não apenas como meus legais sucessores, mas como reais focos de ternura, amor, carinho, solidariedade e compromisso. De muita entrega e recebimento na mesma medida!
Não pretendo com esta prosa atacar alguém que não pensa como eu... Longe disso. Mas fica, quiçá, um aviso: no futuro só colheremos se semearmos. A realidade da vida diz-nos que nem sempre será assim, mas quero crer que deixo às minhas crianças bons exemplos, para que eles um dia mais tarde sejam outrossim bons exemplos para quem os seguir.
Este foi o primeiro Natal que passei com todos os filhos (dois) e todos os netos (quatro), presentes.
A manhã em redor da árvore de Natal foi anárquica. Se juntar aos meus netos directos mais doiis sobrinhos-netos da mesma idade dos meus netos a coisa não se torna nada fácil.
De tal forma foi a confusão (leia-se alegria!) que a determinada altura foi a minha neta mais velha a própria a abrir-me as minhas prendas.
Fiz um pequeno video com o telemóvel filmando a barafunda generalizada, mas não publico por razões óbvias. Todavia ficou o registo.
Paralelamente à brincadeira houve o verso desta moeda com a recolha dos meus idosos pais na aldeia bem cedo e no meio uma pequena complicação com a minha quase demente mãe, mas que com calma e carinho resolvi.
Foi, no entanto, um bom dia de Natal.
Que Deus me dê saúde e a todos para voltar a repetir este encontro.
Um dos primeiros avisos dos meus filhos no que respeita a prendas de Natal prende-se com o desejo de cada avô e cada avó só dar uma prenda a cada neto.
Tudo em defesa da lógica de que uma ou duas prendas são suficientes para cada criança. Compreendo o conceito, mas como avô sinto-me triste por não poder oferecer o que gostaria, a exemplo do que fazia o avô do falecido Eng. João Arbués Moreira fundador do extinto Museu do Brinquedo de Sintra (onde andará este vastíssimo espólio???), e que brindava todos os netos com muitos brinquedos para que eles não fossem à escola (este caso foi-me relatado pelo próprio engenheiro numa das minhas visitas ao museu).
Como se percebe há quase uma demanda associada a estas opções das prendas. E eu sei que eles têm razão. Recordo a este propósito que o meu filho mais novo pegava numa prenda e ficava ali entretido com a primeira oferta sem se preocupar com o monte de outras por abrir.
O desperdício não ajuda, nem educa! Já para não falar do espaço que os brinquedos acabam por ocupar. Não, não é no quarto, mas pela casa toda.
Remato com esta acção. Há uns anos juntamos sacos e sacos de brinquedos que já nenhum dos miúdos queria e entregámos tudo a um serviço de Pediatria de um Hospital público.
O curioso é que ainda por cá ficaram algumas arcas cheias... de trapalhada infantil.
A verdade é que para alguém que nunca teve uma imensidade de brinquedos nem amigos com quem verdadeiramente brincar, chegar a esta altura do campeonato da vida e ser lançado às crianças é, no mínimo, desafiante.
Hoje as crianças quase nem querem brincar. Provavelmente também porque não sabem, já que bem cedo ficam vidrados nos telemóveis a vibrarem com fantasias sem graça. E aquelas brincadeiras tão comuns há meio século esfumam-se qual vapor. Brincar à apanhada, ao lenço, ao eixo, ás escondidas são exemplos de brincadeiras que cairam em desuso.
As crianças com quatro/cinco anos já escolhem a roupa que querem usar ou o penteado e os pais nem se atrevem a contrariar, não vá a criança fazer uma birra monumental.
Mas regressando às brincadeiras dos e com os meus netos, tento criar com eles um certo revivalismo de brincadeiras que sabia existirem, porém raramente gozei delas. No entanto será isto que elas necessitam? Não imagino!
Saber brincar é algo muito importante no desenvolvimento cognitivo e social de qualquer criança. Nem é preciso ser-se psicólogo nem pediatra para assumir esta ideia, pois é algo natural.
Posto tudo o que escrevi acima, ainda hoje busco aquela brincadeira perfeita (nem sei se haverá tal coisa!) para os meus miúdos, para os estimular a procurar brincar mais que ferrar os olhos num qualquer ecran!
Tenho dado fé que as crianças da actualidade parecem ser muuuuuuuuuuito mais inteligentes que os seus antecessores. Especialmente os avós!
Também é verdade que quando os meus filhos eram pequenos eu, por estar a trabalhar, pouco os via. Daí talvez não perceber a própria evolução deles.
Ora como agora ando com um "caipira canininho" sempre atrás, no carro, já que em casa ando sempre eu atrás dele... tenho tido a percepção mais real da evolução do cachopito.
E assumo aqui e agora que daqui a uns anos o meu neto irá bater-me aos pontos, não só porque estarei mais velho e provavelmente mais limitado, enquanto para ele a galáxia a milhares de quilómetros-luz será o limite, mas também porque ele está a ser formatado para se tornar um especialista em qualquer coisa aos... 12 anos.
Hoje estava com ele na minha sala a tentar entretê-lo sem televisão nem outros apetrechos informáticos, apenas com brinquedos, quando o puto passa por um telecomando de televisão e nem liga à coisa. Não, não é que ele não seja curioso... Nada disso. Mas ele já sabe que aquele equipamento que ali está sossegadito não tem qualquer utilidade, pois se lhe tocar nada acontece na televisão ao invés dos outros aparelhos previamente por mim escondidos.
Ele já percebeu a tramóia e não dá para o meu peditório. Mas sinceramente com pouco mais de um ano e já reage assim... nem imagino como será daqui a uma década.
Há uma enorme diferença na sensação de fim de férias de agora e aquele terminar do descanso quando estava no activo.
Enquanto ser produtivo assumo que adorava ir trabalhar. Tinha horários é óbvio, mas também tinha pausas! Muuuuuitas! Falava com imensa gente, dava umas boas e sonoras gargalhadas, discutia com elevação política, futebol e imaginem até... trabalho.
Com a reforma tudo isso terminou. Se não tenho horários, também não tenho pausas. As caras em casa são sempre as mesmas e nem sempre com a alegria que eu aprecio. Não há debates nem de política nem de futebol, não rio e quanto a trabalho... é sempre "a bombar".
Vale a presença dos "piquenos" que por vezes não falando, não debatendo, ainda assim conseguem demonstrar mais afectos que os mais velhos.
Dizem que as relações entre as pessoas, sejam pais, filhos, casais caem muitas vezes num hábito e com isso perdem algum fervor. Parece que é verdade!
Enfim estou a despedir-me das férias, este ano muuuuuuuuuuuito mais cedo que o costume. Ficou a memória de uma semana em Porto Santo simplesmente fantástica. Uns livros que li, uns textos que escrevi, uns comentários que troquei.
Mas deixem-me desabafar... gosto de estar aqui na minha casa, perto do mar, perto de um horizonte onde dois azuis se juntam, superiormente observados por um Sol atento e que nunca nos abandona.
Para quem como eu já tem alguma idade, para não dizer muita, os netos são um património humano fantástico. Mesmo que no meu caso tenha algum trabalho para os manter felizes.
Durante muitos anos vi filmes e li livros onde a relação entre avós e netos era, por vezes, até mais forte do que com os pais. No fundo, no fundo os pais deveriam ser os primeiros da lista nos afectos (seja dar ou receber!). Digo eu...
Entretanto o povo diz que "os pais educam e os avôs deseducam". Uma máxima com a qual estou completamente em desacordo, tanto mais que sou incapaz de fazer algo contra as vontades dos pais. Da mesma maneira que quando os meus sogros tomavam conta dos meus filhos eu dei sempre a entender o que queria para os meus miúdos.
Quando a semana passada estive fora em férias, calculei que quando regressasse ao convívio das crianças, estas ficassem mais frias, especialmente o rapaz mais novo de apenas 14 meses.
O curioso é que no dia seguinte à minha chegada quando o pequeno nos viu a sua face iluminou-se num sorriso transbordante de alegria. Ainda sem andar (o puto parece ser preguiçoso!!!) estava ao colo de um dos pais e pretendeu saltar logo para o colo dos avós. Mas o maior problema dele é que não sabia se me escolhia ou preferia a avó. Foram uns momentos fantásticos que eu não olvidarei.
Finalmente é isto que eu gostaria de acreditar, daqui a uns anos, quando eles já forem crescidos: que eu fui genuinamente importante nas suas vidas.
Ser avô ou avó sem deixar marca nos pequenos é como comer uma comida sem sentir o sabor desta.
Ontem houve aqui almoço de família. À mesa e sem crianças estavam 10 pessoas o que equivale dizer que daqui a uns anos, se estivermos todos vivos vou ter que comprar um acrescento para a mesa para levar mais seis crianças.
O almoço constou de chambão estufado acompanhado de batatas bravas à moda de Portugal (se fosse à moda de Espanha só eu é que as comeria) e puré de batata mais couve flor apurada no forno.
Para entrada queijo fresco e mini crepes de legumes. As sobremesas constaram de gelado de morango feito cá em casa, pudim de ovos à moda da Beira Baixa, maçã reineta assada e morangos (que serviram também para acompanhar o gelado).
Café e bolo no final!
A determinada altura do almoço e sem que ninguém notasse fechei os olhos e tentei perceber donde viria maior algazarra: se dos convivas à mesa, se da brincadeira das crianças na casa ao lado.
Ganharam as últimas e ainda bem! É bem preverível ter crianças barulhentas e traquinas, que amorfas ou deficientes.
Estes almoços acarretam normalmente algum trabalho, mas quantas pessoas da minha idade não conseguem juntar assim a família mais próxima? Ou não a têm ou então nunca nas suas vidas semearam o verdadeiro espírito de família.
Tenho alguma dificuldade em recordar a forma como lidei com os meus filhos quando eles tinham a idade dos meus netos. Mas acredito que tivesse pouca paciência para eles. Isto é muuuuuiuto menos paciência que tenho agora para os meus netos.
A pequenita já vaoi todos os dias para a pré-primária o que faz com que a veja muito menos do que seria de supor! Todavia sou compensado pela presença do irmão de um ano e que é neste momento da minha vida a estrela dos meus dias.
Como qualquer criança desta tenra idade tudo serve para brincar e acima de tudo para... fazer barulho. Algo que o puto adora.
Se há trinta ou mais anos eu daria um ralhete e retiraria os instrumentos de ruído aos meus infantes por me faltar a tal de paciência ao fim de um dia de trabalho, agora deixo esta criança brincar, divertir-se pois a paciência jamais fica torrada.
Ser avô é muito mais do que ser o mais velho da família (no meu caso isso não acontece porque ainda tenho pai e mãe!!!), é ser capaz de saborear todos os momentos em que posso ter a companhia dos meus netos.
As crianças são assim o instrumento perfeito para a transformação para melhor de um ser humano. Basta para isso que sejamos capazes de perceber quão importante aquelas serão na vida de cada um de nós!
... E houve corrida na ponte 25 de Abril acabei por adiar para amanhã o meu regresso à belíssima cidade da Amadora que tem várias coisas boas: as estradas para sairmos de lá!
Um fim de semana (estou aqui na minha casa da Aroeira desde sexta-feira) muito chuvoso e frio. Por isso a lareira trabalhou muitas horas queimando quilos de lenha.
Desde as férias que não passava um Domingo assim: com calma, serenidade e alguma escrita, nomeadamente emendar o meu próximo livro após uma revisão cuidada, competente e profissional.
Posto isto deu para fugir dos casos da nossa triste política que quase diariamente surgem a público.