Estive indeciso em como principiar este postal, mas desta vez vou ser curto e grosso: o Campo Pequeno não é minimamente uma razoável sala de espectáculos.
O preço do aluguer desta sala deve ser muito baixo, porém os portugueses podem ser pobres, mas não são burros nem imbecis.
Ofereceram-me bilhetes para ir ver o "Cats" àquela sala, que em tempos teve outros artistas, mas que algumas associações embicaram em fechar por motivos taurinos. Bom mais uma vez a liberdade de uns contra a liberdade de outros!
Voltando ao conhecido musical fico com vontade de o ver outra vez. Todavia para ser fantástico teria de ser em Londres onde provavelmente as salas estarão preparadas para este tipo de actividade. Agora no Campo Pequeno é que "nunca-jamais-em-tempo-algum".
Nada daquilo é feito para deixar os espectadores felizes. Nada. E já tinha notado isso quando em Maio do ano passado ali assisti a um outro musical.
O "Cats" é um espectáculo que merece ser visto em toda sua plenitude, desde o chão do palco até ao cimo. No meu caso só vi parte das perfomances porque, como a plateia está toda ao mesmo nível, as filas mais de trás não vêem nada. Ou só parte!
Mais sorte tiveram os que ficando, quiçá, mais longe do palco, por estarem na bancada e num nível mais alto puderam apreciar melhor o musical. O som continua a ser sofrível. Por vezes estava muito alto para logo a seguir cair nos decibéis. E não era de propósito, certamente!
O resultado não foi o melhor e este musical merecia um local com outro impacto e outra qualidade de som.
Conheço diversas salas de espectáculo em Lisboa, mas a do Campo Pequeno será a pior de todas. É tão mázinha que mete dó!
Resumindo... se alguém tiver um bilhete para ir ao Campo Pequeno ver um qualquer concerto ou espactáculo, aconselho a que venda quanto antes.
O Natal passado trouxe-me um Concerto de Ano Novo que assisti no CCB logo no dia 1 de Janeiro e uma saída ao Politeama para ver o mais recente espectáculo de Filipe La Féria, Laura.
Tal como indica o nome este musical roda à volta da celebárrima actris Laura Alves, a menina de diversos amores e que morreu,, talvez, cedo demais.
Figura controversa do nosso teatro, estou espectante quanto à peça que irei hoje presenciar, ciente da chancela de qualidade que La Féria costuma colocar nos seus espectáculos.
Veremos como se sairá deste desafio! Que não me parece ser muito fácil
O título é uma das mais belas frases que se podem escutar no espectáculo que Filipe LaFéria ergueu no Politiema desde Março passado.
De nome "Severa", este musical conta a história triste da mãe do Fado, uma prostituta que no século XIX retirou o fado das tabernas e das vielas, trazendo-o para a ribalta.
Como é hábito o encenador mais conhecido e reconhecido em Portugal não deixou nada ao acaso. Os actores, o guarda-roupa, os cenários, os jogos de luzes tudo sai na perfeição.
A curiosidade de hoje é que Filipe LaFéria estava presente à entrada a receber os espectadores e a autografar o livro do espectáculo.
Depois lá dentro na sala... tudo ganha outra dimensão e outra, porque não dizê-lo, loucura. O musical que estava marcado para começar às 21 e 30 iniciou com cinco minutos de atraso. Nada de muito grave. Só meia-hora depois de ter iniciado é que Anabela subiria ao palco no seu excelente papel de cantadeira de Fado vadio.
O grupo de actores é soberbo, mas reconheço que o papel e a representação de "Custódia" (o amigo deficiente de Severa) atingiu um patamar muito acima do que provavelmente seria suposto.
Está de parabéns, uma vez mais Filipe LaFéria, a cidade de Lisboa e os espectadores que já tiveram a oportunidade de ver este musical.