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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Tristemente inexplicável!

De vez em quando, mas mais vezes do que gostaríamos, recebemos a notícia vinda do outro lado do Atlântico onde alguém disparou indiscriminadamente sobre a população descarregando balas e mais balas, matando tudo o que mexe em seu redor.

Desta vez foi na Florida onde um antigo soldado no Afeganistão entrou numa casa e matou quatro pessoas da mesma família. E um cão. Há ainda uma criança gravemente ferida.

A psicologia e a psiquiatria poderão ter explicações técnicas para estes actos hediondos, mas as pessoas que morreram é que nunca terão direito a qualquer explicação. Nem os familiares e amigos que ficaram.

Sei que a postura das autoridades americanas é que qualquer pessoa tem direito a ter uma arma, para sua defesa pessoal, desde que não tenha cadastro (corrijam-me se tal for necessário). Porém esta espécie de liberdade de defesa será uma faca de dois gumes, pois por aquilo que nos é dado perceber ninguém consegue controlar uma mente doentia, que aparentemente parece equilibrada.

Mas o que mais me custa entender é como alguém tem coragem de destruir tanta vida de gente anónima. E sem remorsos...

Só porque sim ou porque não!

Otelo - o militar que nunca foi político

Faleceu Otelo Saraiva de Carvalho um dos obreiros do 25 de Abril. De um verbo fácil e apelativo teve também alguns deslises pouco... felizes.

Atribui-se ao Capitão ora defunto a frase... "é mete-los no Coliseu (os fascistas) e fuzilá-los a todos!" Mas não sei se alguma vez terá dito isso, mas que constou ai isso constou.

Depois a célebre frase referindo-se ao Conselho de Revolução "que de Revolução tem pouco". Muito mais tarde acabaria por confessar que Portugal "necessitava de um homem sério como Salazar..." que na altura não caíu muito bem a uma certa esquerda convicta da sua seriedade e integridade.

Otelo esteve também ligado às FP's 25 de Abril, uma organização radical responsável por alguns atentados que originaram diversas mortes.

Tentou politicamente, e por duas vezes, chegar a Belém, nunca o conseguindo pois foi derrotado, em ambas as eleições, por outro militar de Abril como foi o General António Ramalho Eanes.

Morreu Otelo Saraiva de Carvalho curiosamente num dia 25...

Morte aos 27 anos!

Faz hoje precisamente dez anos que o Mundo perdia umas das suas vozes de ouro. Refiro-me à britânica Amy Winehouse que, não obstante ter partido demasiado cedo, ainda assim, deixou um legado importante e inimitável na música.

O seu disco “Back in Black” tornou-se um enormíssimo sucesso, sendo um dos mais vendidos no Reino-Unido.

Possuidora de uma voz invulgar Amy é muitas vezes associada a diversos estilos musicais como o jazz ou o soul. Eu prefiro não a ligar a qualquer estilo já esta cantora era simplesmente única e inconfundível.

Morreu tristemente vítima dos seus excessos de drogas e álcool. Nem imagino o que seria da música actualmente com Amy viva. Um assombro, provavelmente!

 

Entretanto Winehouse foi mais uma das cantoras que entrou no fatídico clube dos 27. Ou traduzindo… artistas fantásticos que pereceram aos 27 anos. Estranhamente todos ligados à música, mas todos com fortíssimas dependências de drogas e álcool.
Falo de Jim Morrison (que no início deste mês perfez meio século da sua morte), de Jimi Hendrix um dos melhores guitarristas do Mundo, de Brian Jones co-fundador dos Rolling Stones, de Janis Joplin a irreverente cantora de rock e mais recentemente Kurt Cobain o grande mentor da banda Nirvana muito ligado ao movimento “grunge” que surgiu em Seattle.

Um clube sórdido, bizarro e pouco convidativo, mas que alberga postumamente das melhores vozes que passaram pela música.

Como se dizia no meu tempo de escola... vinte e sete… “noves-fora-nada”!

Num ápice tudo muda!

A vida é uma enorme professora que constantemente nos dá inúmeras lições. Na verdade não temos nada como garantido a não ser o nosso passado e um dia a negra!

Tudo o resto não passará de vontades e desejos.

Há que reconhecer que de um momento para o outro tudo tudo pode mudar. O que agora parecia firme passa a frágil e este a firme. A pandemia tem sido, para todos, um enorme exemplo disto.

Hoje um familiar muito próximo sentiu-se mal e teve de ser internado de urgência. Não se sabe o que teve, talvez durante a noite se saiba alguma coisa.

Ainda antes de tudo acontecer almoçámos, conversámos e rimos juntos. Aliás como diariamente o fazemos!

Porém de um momento para o outro tudo mudou. Para pior...

Como escrevi no início... a vida é uma enorme professora! Mas há quem julgue que está acima dela.

Tontos!

Partiu e nem me despedi...

Há dezanove dias escrevi este postal.

Hoje pela manhã recebi a triste notícia que o Zé havia partido para sempre.

Sinceramente não sei o que escrever quando o meu melhor amigo se foi embora. Faltam-me as palavras, sobram as emoções e as recordações. 

Quase 40 anos de amizade que se foi cimentando com o passar do tempo.

Deveria ser este o momento crucial para escrever aquele texto, juntar todas as palavras que aprendi e dedicá-las numa prosa inesquecível. Todavia falta-me a necessária competência.

Ficam estas... simples porém profundamente sentidas.

Ainda por cima nem pude despedir-me dele.

Que descanse em Paz!

Quando a morte é o início...

... de uma guerra!

Há muita gente que se considera imortal, quando no fundo, no fundo nascemos e morremos um pouco todos os dias!

Esta manhã deram-me a triste notícia de que a minha vizinha da frente, uma simpática idosa, viúva com 87 anos, havia morrido no hospital após diversas falências de orgãos. Ainda a semana passada fui chamado a sua casa para a levantar do chão onde caíra.

Esta tarde vi o filho mais velho a levar coisas de casa para o seu carro. Ao ver-me atravessou a rua e dirigiu-se-me. Dei-lhe as condolências para vir logo com a conversa das partilhas entre ele e o irmão como se eu fosse parte interessada.

Deixei-o falar até que aproveitei a saída da minha neta para me despedir dele. Detesto olimpicamente este tipo de paleio...

Prevejo com aquelas palavras o início de uma demanda, tendo como base uns bens que daqui a uns anos já nem serão dos irmãos porque também eles seguirão, mais tarde ou mais cedo, os caminhos dos pais.

É assim que se começa uma guerra familiar. Por uns tarecos!

 

Dia do Pai!

Quando chega a este dia do Pai vou normalmente buscar os meus filhos e o meu pai a quem, de alguma forma, lhes dedico os textos que aqui vou esgalhando.

Todavia este ano as minhas palavras serão um tanto diferentes porque, sinceramente, como pode um homem comemorar este dia sem ter o pai presente e outrossim sem filho? Ambos desaparecidos recentemente. E o mais novo de uma forma trágica. Não foi o meu caso felizmente, mas conheço quem neste momento vive esta tristeza…

Se para o pai há alguma naturalidade colocada pela própria vida, mesmo que nunca estejamos preparados para tal, já no desaparecimento do filho surge-me como algo mais injusto (nem sei se a vida terá algum verdadeiro sentido de justiça!!!).

Por isso hoje é um dia do Pai diferente e triste…

Para todos os filhos que perderam os pais.

Para todos os pais que perderam os filhos.

Um exemplo de homem!

Foi meu director durante uns anos. Acabei mesmo por lhe comprar um carro, o primeiro que tive com mudanças automáticas.

Assumiu-se, já com alguma idade, homossexual. Mas independentemente da sua opção sexual sempre se mostrou um enormíssimo gestor.

Dizia ele: tudo o que se passa neste Departamento é culpa minha já que sou o Director.

Uma postura pouco vista em gestores, nomeadamente quando gerem empresas de cariz estatal! Outro exemplo prende-se com um erro de gestão, que a certa altura, cometeu.

Um dia decidiu nomear alguém para chefiar um certo serviço. Neste havia uma pessoa mais apetrechada e muito mais competente para tomar as rédeas do serviço, mas foi preterida. Desta decisão de gestão sairam algumas consequências, sendo que o serviço foi o mais prejudicado.

Todavia, anos mais tarde o departamento foi reformulado com novas funções e a pessoa preterida foi chamada à presença do director. Este iniciou a conversa com uma assumpção de culpa:

- Há anos tive um mau momento de gestão e fui injusto para consigo. É chegada a hora de emendar esse erro! Deste modo convido-a a chefiar o novo serviço que vai iniciar-se. Aceita?

A colega aceitou.

Admirei a coragem deste homem ao assumir um erro. O que nos tempos que correm não parece fácil.

Soube hoje que apareceu morto em casa. 

A "nossa" culpa!

Este fim de tarde início de noite, enquanto esperava no carro pela minha mulher, que fazia umas últimas compras para a nossa neta, dei conta de um jovem completamente embriagado que chegou a encostar-se ao meu carro.

Sem máscara, mal se continha em cima das pernas jovens. Uma senhora desconhecida tentava ampará-lo. Mal conseguia balbucionar uma palavra e parecia profundamente desonrientado. Não se percebi se seria do alcool ou de outro produto qualquer.

Depois veio alguém que lhe pegou no braço e o levou. Assim sem mais nem menos. Nem imagino quem terá sido.

Todavia a imagem de um jovem às 8 horas de uma noite muito fria e chuvosa completamente alcoolizado não me sai da cabeça. Poderia ter sido um dos meus filhos...

O R. com 22 anos suicidou-se na passada sexta feira e hoje deparo-me com este triste espectáculo noutro jovem. Fiquei com o coração tão pequeno...

Abriu-se uma questão que é, no fim de contas, de todos nós que andamos há anos a educar estas crianças: onde é que errámos?

O postal que não gostei de escrever!

Todo o dia hesitei em escrever este postal. Porque me toca, porque nos toca.

Que escrever ou dizer a um pai que perde o filho? Não foi certamente o primeiro pai, nem será o último, infelizmente. Mas o drama não está na morte em si, mas na tragédia associada, pois ninguém percebe o que leva um jovem de 22 anos a enforcar-se.

Definitivamente até me custa esgalhar este texto. Todavia é necessário alertar, é preciso acordar, é urgente dar voz... à dor interior! Que tantas vezes não ligamos!

Nunca vivi este drama e talvez por isso, repito, que não saiba o que escrever ou o que dizer a um pai cujo filho único se suicidou. Creio que nenhum dicionário chegaria... Porém as palavras não o trariam à vida... Quiçá antes!

Agora a família tentará buscar razões, causas, episódios... que originaram esta profunda tragédia.

Mas faltará sempre a voz única de quem nunca falou ou que nunca foi escutada. Faltarão as lágrimas de quem sofreu sozinho o drama que foi a sua vida, mesmo que para muitos de nós possa nem parecer.

Por isso somos todos tão diferentes.

Hoje o meu coração chora por um jovem que preferiu a tentação de morrer à coragem de viver! E quantos sentirão diariamente este suplício?

Descansa em Paz R.

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