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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Pedro Lima: a morte não é uma novela!

Desde que soube da morte de Pedro Lima que fiquei em estado quase letárgico. O que leva alguém a colocar um fim à sua própria vida assim sem mais nem menos?

É a pergunta que me bate no coração permanentemente.

Cruzávamo-nos muitas vezes na mesma rulote onde o via com um dos filhos antes dos jogos no nosso Sporting. Vi-o também actuar no Politiema na peça “Casa do Lago” onde contracenou com Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho.

E vi-o em algumas telenovelas…

Sempre me pareceu uma pessoa equilibrada e sensata. Estranho por isso a sua atitude sem regresso.

Em tempos debati o tema do suicídio. Alguém defendia que quem se suicida é um corajoso, eu defendi o inverso. Mas seja uma coisa ou outra o público português não merecia perder este bom actor. Dos melhores…

Que descanse finalmente em paz… já que parecia não a ter na vida terrena!

Mais um que parte!

Certa vez li que os gatos não são domesticáveis pois são eles que domesticam os donos.

Reconheço que a minha relação com os felinos foi sempre um tanto distante. Prefiro sem dúvida os cães.

Mas independentemente da minha preferência fiquei triste quando constatei esta manhã que a Alani partira para o Céu dos animais (nem sei se existe, mas quero crer que sim!!!).

A Alani como qualquer gata que se preze era chata e quando queria alguma coisa miava até o conseguir. Mas era uma gata doente e rapidamente gastou as sete vidas.

Fica aqui uma foto num dos seus bons momentos.

Ciao Alani.

alani.jpg

Uma Rosa de greves

Chamava-se Rosa!

Mas podia-se chamar-se Ana, Joaquina ou Filipa. Não importa! É só mais um nome!

Trabalhava aqui e ali sempre nas limpezas, numa permanente correria. Daí os seus recursos serem geralmente escassos.

Há tempos foi diagnosticada com uma doença do foro oncológico. Grave!

Obviamente a necessitar de intervenção cirúrgica com alguma urgência.

Sem capacidade financeira para entrar num hospital privado, deu então entrada na lista de espera um hospital público. Como tantos outros doentes…

Há meses que aguardava cirurgia. Todavia as diversas greves no sector foram sempre adiando a intervenção.

Soube ontem que já saiu da lista de espera.

Morrera no dia anterior!

Desejo versus realidade

Normalmente tenho mais receio da vida que da morte. Sei que esta é certa e que a partir dela não tenho mais nada com que me preocupar. Ufa ainda bem!

Por isso a vida surge-me com alguns temores e muitas dúvidas. Entre muitas a maior delas é perceber como chegarei (se lá chegar!) à verdadeira velhice.

Se fisicamente seremos quase sempre reféns dos excessos que agora vamos cometendo o que conta para mim é ter real consciência do meu estado e das minhas limitações.

Sei que há muita gente que não lida bem com a idade nem com as normais fragilidades que os anos trazem. Nem tem a ver com a educação, formação ou outro palavrão qualquer... mas unicamente com o imo de cada um de nós.

No meu caso temo que chegando à altura da velhice tenha falhas de memória, incapacidades de raciocínio e, pior que tudo, que perda o dom de falar com lógica.

Convivo diariamente com alguém com quem já não se consegue ter uma conversa normal. As palavras soletradas têm significados diferentes e é necessário quase um tradutor. Não há discernimento lógico nem verbalização do que se pretende.

Numa palavra tudo isto corresponde a... senilidade.

Não considero que seja propriamente uma doença mas o resultado do envelhecimento de uma pessoa.

De forma a poder evitar este tipo de demência assumo de forma realista e coerente que preferiria viver menos uma boa dezena de anos a ter que ficar profundamente senil!

Será que podemos ser eternos?

Esta ideia estapafúrdia e quiçá idiota surgiu-me quando vi um certo vídeo. O pai de alguém que falecera foi ter com o receptor do coração transplantado, e que fora do filho morto muito jovem.. Um momento emotivo, mas não são essas emoções que aqui me trazem…

O que gostaria de saber é se aquele coração poderia ser usado novamente noutra pessoa? Quem diz o coração diz outro órgão qualquer…

A medicina evoluiu muito e nesta área mais ainda. O que significa que um qualquer órgão poderá ir passando de corpo e com isso manter-se quase eterno.

Cientificamente isso será possível?

E se for, poder-se-á afirmar que qualquer um de nós poderá tornar-se eterno, mesmo que só em algumas partes?

Sim ou não à eutanásia?

Revi hoje, mas na televisão este filme

Não irei falar novamente dele, apenas relembrar o tema central: eutanásia.

Mais uma vez assumo que devemos viver e morrer com dignidade devida. Não obstante ser católico reconheço que a eutanásia, em alguns casos, trata-se de uma benção. Não religiosa obviamente, mas ainda assim uma benção.

Na minha vida já vi muita coisa e olhar para um ser humano preso a uma cama e ou ligado a uma máquina até que a morte seja natural parece-me de alguma violência, especialmente para a família mais próxima e amigos  que diariamente têm de lidar com a situação.

Ora se ainda por cima for vontade do próprio o suícidio assistido...

Sei que o tema é controverso e anda actualmente nas bocas do mundo político, mas sería deveras importante que a sociedade civil desse a sua opinião, quiçá através de um referendo nacional.

Fica aqui a minha modesta sugestão.

Entre o Céu e a Terra

Estive logo de manhã para escrever sobre a morte do famoso matemático e físico. Mas depois vi tanta coisa escrita que desisti.

Sinceramente conheço pouco a obra deste génio ora desaparecido. Sei que concebeu umas ideias, algumas a colocar em dúvida as teorias de Einstein. Pouco mais...

No entanto foi ainda um exemplo de coragem e tenacidade numa altura em que qualquer dor é logo sinónimo de uma impensável enfermidade.

Ê neste sentido que olho para Stephen Hawking. Um homem que mostrou ao Mundo que as doenças não são impeditivas de se ser útil à sociedade.

Hoje andará a viajar entre o Céu e a Terra, procurando ainda as respostas às perguntas que tantas vezes terá formulado.

Um vazio ou um legado?

As últimas semanas trouxeram-nos alguns estranhos vazios. Foi o actor João Ricardo, o jornalista Pedro Rolo Duarte, o músico José Pedro dos Xutos e Pontapés.

Todos eles morreram cedo demais, como se a morte tivesse hora e momentos certos para aparecer. Mas a vida e a morte são mesmo assim: degladiam-se permanentemente sem que nenhum de nós o saiba, para no final só uma sair vencedora. Na maioria é a vida que ganha, todavia a morte geralmente ganha as batalhas mais injustas.

Quer queiramos quer não, morrer é a nossa derradeira acção enquanto gente vivente. Depois passamos à história e seremos somente (boas ou más) recordações.

Só que estas três figuras que curiosamente morreram separadas pela diferença de alguns dias de distância umas das outras, tinham um ponto em comum, observado por outros que com eles conviveram. Era tudo gente muito boa. O que nos tempos que correm não é muito fácil!

Do João Ricardo não falei neste espaço da sua morte porque o conhecia somente de o ver em algumss telenovelas, mas foi-me dito à posteriori que era uma pessoa fantástica. Do PRD já escrevi aqui e portanto não digo mais nada. Quanto ao Zé Pedro arrependo-me de há uns tempos tê-lo encontrado num supermercado mesmo atrás de mim para pagar e não ter ido ter com ele e dizer-lhe quanto gostava da sua música, se bem que reconheça não ter, sobre os Xutos e Pontapés, um conhecimento profundo de todos os seus discos. Como poderia eu adivinhar nesse dia?

Finalmente o legado que estas três figuras nos deixaram será para os portugueses algo de enorme responsabilidade. Saberemos ser nós merecedores desses legados?

O tempo o dirá!

Mais um que partiu!

Desta vez foi o Mimocas.

Contando com ele é o quinto animal que desaparece, num ano. Ainda por cima três deles na casa da minha mãe.

Primeiro foi a Bijou, depois o Brown e hoje o Mimocas.

Entretanto cá em casa o Polo também nos deixou após um trágico acidente. Ontem a senhora que nos ajuda cá em casa mandou abater a sua cadelita Yara, evitando que ela sofresse mais.

O Mimocas era um gato amarelo, muito engraçado e extremamente bonito. Adorava brincadeira especialmente chinelos

Segundo o veterinário morreu com um tumor, com apenas um ano de idade. Partiu hoje rodeado de mimo e atenção da minha mãe.

Hoje é um dia triste. Porque adoro os animais e custa-me vê-los partir assim... quando nada o fazia prever.

Fica a foto quando era pequeno e a recordação... para sempre.

DSC_0870.JPG

 

Medo de amanhã

A minha saúde anda a pregar-me partidas... E eu detesto partidas!

A tensão arterial parece uma montanha russa: ora muito alta, ora razoável. Porém nunca baixa.

Pela primeira vez sinto medo. Não de morrer, que isso estou perfeitamente descansado e consciente mas de partir deixando um património escasso para os meus descendentes.

E não falo de bens... ou "teres". Mas disto que aqui vou placidamente depositando e que adoraria se tornasse num património do qual os meus filhos se orgulhassem.

São nestes momentos que começo a pensar se valeu a pena viver, andar por este mundo tão estranho e tão diferente. Sinto que se não fosse a escrita (mesmo sofrível) eu seria hoje um homem bem diferente, Claramente para pior.

Tem sido aqui e noutros espaços que serenamente me vou realizando. Aos poucos... Como convém!

Desculpem este desabafo!

A gente lê-se por aí!

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