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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Recordar outros caminhos

Não fosse a pandemia e hoje provavelmente estaria a caminho de Fátima na costumada peregrinação que tenho (ou tinha) por hábito fazer todos os anos.

Costumam ser cinco dias cheios, tão cheios que não fosse o coração uma caixa imensurável para receber emoções, provavelmente não caberiam lá.

O ano passado não houve peregrinação e este ano também não e pelo andar desta carruagem não imagino quando poderemos regressar ao caminho.

Hoje Domingo de Ramos era sempre um dia muito, mas muito especial.

Celebrei-o de forma obviamente diferente, mas ainda assim quero acreditar que poderei voltar ao caminho em breve.

Fica a cruz de Cristo que espero e desejo que ilumine todos quantos aqui vêem. Mesmo os que não acreditam. Eu acredito por eles!

cruz_cristo.jpg

 

Memórias!

Uma das coisas de ler em livros velhos prende-se com as surpresas com que estes me brindam.

Passo a exemplificar...

Quando era miúdo e mais jovem sempre tive a mania de guardar dentro dos livros as pratas de uns bombons de ginja que havia naquele tempo (uma espécie de Mon Chéri da altura, passe a publicidade!). Assim como os bilhetes de autocarros das minhas idas e vindas para a escola.

Um destes dias voltei a pegar num dos meus velhos compendios para iniciar a sua leitura. E não é que encontrei, por entre folhas amarelecidas pelo tempo, dois bilhetes de autocarro.

Custou cada um 2,50 escudos, o que agora em euros nem sei converter.

bil.jpg

Quando em 1969 passei a frequentar o Ciclo Preparatório em Almada, tive de passar a deslocar uns quilómetros entre casa e a escola. Naquele tempo o bilhete custava-me... 40 centavos. E porque eu não apanhava um autocarro a 50 metros de casa e ia apanhar um outro que tinha uma grande vantagem: era mais barato 10 centavos. Porque tinha meio bilhetes e tendo eu 10 anos... aproveitava.

Obviamente fui crescendo e os preços dos transportes subiram, mas fui guardando os bilhetes que me caiam na mão.

Um dia criaram os passes sociais e eu nunca mais comprei bilhetes.

Guardo portanto este tesouro... sei que não tem valor algum, mas para mim é bela memória!

35a9m25d - #26 - II série

Ir à sapataria!

Naquele tempo, muito antes do 25 de Abril, os contínuos eram pessoas pouco consideradas na empresa. Recebiam ordens, obedeciam e ao fim do dia regressavam a casa. Tinham um chefe próprio, que apenas controlava as entradas e saídas, sendo que cada contínuo estava previamente adstrito a um serviço. Quando entravam apresentavam-se ao chefe directo para depois seguirem para as divisões respectivas.

Outros tempos dirão vocês e com toda a propriedade.

Reza este caso que certo dia um contínuo tentou durante todo o dia acercar-se do tesoureiro com a humildade requerida para o efeito, já que nem toda a gente falava com o senhor Tesoureiro assim como não quer a coisa.

Todavia o nosso contínuo, o Laurentino, era teimoso e naquele dia encheu-se de coragem e abordou o responsável pela Tesouraria-Geral:

- Senhor tesoureiro, gostaria mui humildemente de lhe pedir uma coisa  - e enquanto falava enrolava as mãos numa deferência inusitada, mas habitual.

O contínuo era um homem muito alto e o tesoureiro tinha sempre de olhar para cima para falar com o subalterno. Todavia chefe era chefe…

Perante o pedido estranho do colaborador, sempre humilde, pontual, competente e trabalhador, o tesoureiro devolveu:

- Diga lá senhor Laurentino… o que deseja?

O outro atrapalhou-se um pouco com as palavras, mas finalmente suspirou fundo e avançou:

- Eu preciso… necessito… de ir amanhã à sapataria…

O chefe quase sorriu, mas manteve a sua postura austera e séria.

- Ó homem para isso não necessita pedir autorização. Mas está autorizado já que assim o pediu.

- Obrigado, muito obrigado senhor tesoureiro – agradeceu o contínuo enquanto recuava até à saída do gabinete.

O dia seguinte era sexta-feira e alguém bate à porta do escritório do tesoureiro.

- Entre…

- Dá licença senhor Tesoureiro.

- Diga homem…

- Sabe alguma coisa do Laurentino?

- Não… porquê? Deveria saber?

- É que ele hoje não apareceu…

- Não apareceu? Será que lhe aconteceu alguma coisa?

- Não sei, senhor…

- Na verdade ele ontem pediu-me se poderia ir hoje à sapataria. E eu disse que sim, mas nunca pensei que fosse coisa para demorar tanto tempo…

O outro ergue as sobrancelhas e bate com a mão na testa percebendo o erro. Finalmente diz:

-Senhor Tesoureiro… o Laurentino é de uma aldeia saloia chamada Sapataria, ali para os lados de Sobral de Monte Agraço. Foi lá que ele foi… não a nenhuma loja…

37a9m25d - #25 – II série

Herculano

Durante os meus 37 anos 9 meses e 25 dias que estive na empresa cruzei-me com todo o tipo de colegas. Alguns passaram de meros colegas de trabalho a chefes. Outros tal como eu nunca tiveram uma mera hipótese de almejar outros caminhos.

De todos os chefes com que trabalhei o Herculano foi, quiçá, o pior de todos.

Trabalhei muito tempo ao lado dele como caixa. E digo que até como caixa ele era um mau exemplo já que escondia sempre os espetos das chapas de forma a que ninguém (mas essencialmente a chefia) percebesse o pouco que ele fazia.

Outras das suas péssimas características era a invulgar capacidade de nunca assumir culpa de nada. Se havia um problema no Serviço o Herculano descalçava as botas da culpa deixando que esta fosse se possível assumida por alguém.

Era aquilo que se pode chamar de um nojo de pessoa, sem nível, educação, formação e acima de tudo sem qualquer capacidade de bom senso. A única coisa que lhe interessava realmente era… dinheiro. Talvez por isso esteve na empresa até aos 70 anos.

Her

Naquele tempo cada serviço tinha um dossier enorme onde eram colocados de vez em quando as actualizações de normas internas associadas aos empregados. Esse dossier tinha o nome de “Manual de Pessoal”.

As actualizações eram enviados por um certo Departamento que requeria sempre a devolução das normas antigas. Ora acontece que foram enviados para um certo serviço chefiado pelo Herculano actualizações para serem colocadas no dossier.

Mas ele nunca o fez… Até que um dia um chefe de outros Departamento pegou no telefone e telefonou para o Herculano.

- Está Herculano… não recebeste aí actualizações do Manual de Pessoal?

Atrapalhado começou a gaguejar:

- Si… sim… Não sei… Talvez.

- Então recebes aí documentação e não sabes o que fazer?

O Herculano estava encurralado… De repente surge-lhe uma resposta que só dele:

- É um  dossier com dois ou com três furinhos?

37a9m25d - #11

Mestre informático

Quando em 1997 saí a tesouraria para ingressar noutro departamento jamais pensei que a nova vida passaria pela informática. Mas passou… E também nesta área apanhei casos estranhos para não dizer bizarros.

Entre os “shorcake” e “printscreem” em vez de “shortcut” ou “ print screen” e os cd’s enfiados dentro do pc (ainda hoje estou para saber como conseguiu enfiar o cd lá dentro) em vez do leitor ou disquetes (pois… ainda sou desse tempo) enfiado dentro da “drive” de cd’s apanhei um pouco de tudo.

Curiosamente deste tempo todo, que foram mais de vinte anos, aprendi que aqueles que menos sabiam de informática eram os mais certinhos enquanto os curiosos eram um foco enorme de problemas.

Mas o primeiro caso mais estranho aconteceu com um jurista em fim de carreira. Havia-lhe sido entregue um computador de topo de gama e um monitor enorme. Chamo à atenção para a curiosidade de que o monitor era um do tipo CRT daqueles com um cinescópio enorme e que ocupavam um espaço considerável.

Todos os dias quando olhava para o gabinete via-se sempre com a mesma imagem: um relógio virtual ligado obviamente ao relógio do PC.

O utilizador era um homem bom. E grande… Em quase tudo. No tamanho, pois mediria perto de 1,90 de altura que corresponderia outrossim à mesma medida de cintura o que equivale dizer que pesava muito para cima dos 100 quilos.

Depois era um bom garfo. E consequentemente um bom copo o que em termos de despachos jurídicos nem sempre calhava bem. Quem com ele trabalhou recebia muitas vezes a indicação:

- Se esse despacho foi dado por mim de tarde não ligue pois já estava bêbado.

Ora um dia o meu chefe comunica-me que o computador do dito doutor de leis já tinha chegado ao limite de vida e teria de ser substituído. Teria por isso de ir buscar um novo ao armazém e coloca-lo no utilizador.

Nesse célebre dia de manhã, obviamente, cheguei junto do gabinete:

- Bom dia Doutor, como está?

- Optimo! O que precisa de mim?

- Tenho um computador novo para lhe entregar.

- Mas eu não preciso – confessou lhanamente.

- Acredito, mas são as regras da casa.

- E que é que quer que eu faça?

- Que desligue o seu computador se fizer favor!

Acto contínuo virou-se para o monitor e desligou-o. Para ele o resto não existia o que equivalia dizer que durante alguns anos aquele computador esteve sempre ligado.

Entretanto o monitor estava todo queimado da manutenção da mesma imagem horlógica durante anos.

Do meu passado (VI) - B&B

Havia no meu tempo de gaiato uma laranjada e uma gasosa (era assim que se chamava, à época) da marca BB. Não era a Brigit Bardot, nem qualquer nome de blogue (desculpa Bata&Batom!!!) mas a "Bem-Boa". Mas os "bês" que entitulam parte deste texto referem-se simplesmente a bilhetes e a bombons.

Esta noite em busca de um livro que acabei por não encontrar, achei um outro com sonetos de Camões muuuuuito velho. Abri-o e tal não é o meu espanto quando percebo que cai algo de dentro do livro.

Sorri com o que encontrei e lembrei-me do tempo em que não havia passe, só bilhetes. E quantas vezes guardei dentro das páginas o direito de viajar na camioneta. Sei que noutros livros estarão mais bilhetes com um número e quase sempre capícua. Mas não imagino onde.

Para além deste exemplar cairam também duas pratas, lisas e que envolveram de certeza bombons. Era costume naquele tempo - nunca soube porquê, os outros faziam e eu também - sempre que conseguíamos um bombom, costumávamos repito, retirar a prata com o maior cuidado e depois com a unha alisavamos até ficar quase imaculada.

Finalmente ía para dentro do livro. Nunca percebi se serviria de marcador ou era apenas uma qualquer parvoíce de miúdo.

Mas hoje relembrei com alguma saudade esses tempos.

DSC_0532.JPG

 

 

 

Livros? Prefiro os velhos

Adoro livros velhos. Só de pensar nas mãos que folhearam as páginas fico arrepiado.

Tudo começou há muitos anos em casa dos meus avós, na aldeia onde sempre viveram. A biblioteca era obviamente minúscula mas sempre que os visitava, relia como se fosse a primeira vez aqueles livros quase desfeitos. Era assim uma espéciie de tradição muito pessoal e que mantive durante algum tempo.

Daí o meu gosto por coisas velhas e dentro destas os livros são uma permanenete dor de cabeça para a minha mulher... pois arrumá-los torna-se cada vez mais difícil

Hoje numa mui pequena feira encontrei um alfarrabista (neste caso particular era uma senhora). E pronto ali fiquei eu minutos a fio e procurar algo que nem sabia bem o quê. Bem vistas as coisas até sei o que procuro neste momento mas... está dificil encontrar.

Um dos livros que pretendo é de banda desenhada e duma colecção denominada "Comanche". O livro tem por título "Fúria Rebelde" e ainda não o consegui apanhar. Depois há um outro que faz parte de uma colecção da qual já tenho os restantes oito volumes. "Antologia Policial" recolhida por um tal de Ross Pynn (pseudónimo de Rossano Pinto). Desta série de nove volumes publicados pela editora Ibis nos anos sessenta falta-me o número 1.

Depois nestes locais não procuro mais nenhum em especial. Ou como li algures: num alfarrabista não é o comprador que escolhe o livro, mas sim este que escolhe para onde quer ir.

Entretanto esta tarde na tal alfarrabista acabei por comprar 4 albuns de Banda Desenhada do gaulês mais famoso da 9ª arte: Astérix.

Quem me conhece sabe que todas as aventuras de Astérix já cá moram vai para muito tempo. Mas não vos inquieteís. Estes são em Francês. A língua mãe...

 

 

 

Pré-época de Natal!

Durante muitos anos olhei para a época do Natal no mínimo com… desdém. Um acontecimento na minha meninice tirara a esta quadra toda a magia e encanto. E assim os Natais foram passando sem grandes comemorações.

Acabei por mais tarde aceitar o Natal e até comemora-lo com pompa e circunstância. A principal razão para esta inflexão prendeu-se obviamente com o nascimento do meus dois filhos.

Há no entanto uma fase que continuo a não mostrar grande interesse e prende-se com esta pré-época Natalícia. Mesmo com a actual crise (ou provavelmente por causa disso!!!) a primeira referência ao Natal deste ano, que me foi dado observar, aconteceu em pleno Outubro. A dois meses de distância.

Compreendo que para a nossa já muito debilitada economia esta altura poderá ser uma espécie de balão de oxigénio. Mas daí ao que se pode constatar hoje vai uma relativa distância. Para além das lojas já profusamente enfeitadas também as televisões e a Internet divulgam o que têm de melhor para a época que se aproxima.

Regressando uma vez mais à minha meninice direi que naquele tempo não havia Pai Natal, nem a Coca-Cola patrocinava a viagem com origem na Lapónia de um ancião e das suas renas. Ou se o fazia, em Portugal isso não era conhecido. Naquele tempo o principal responsável pelas prendas era o “Menino Jesus”. O Tal que nunca entendi como podia estar em todo o lado ao mesmo tempo.

Um poeta disse uma vez que o Natal é quando o homem quiser. Mas a pré-época ao invés devia ser só em Dezembro profundo.

Memórias escritas

Faz hoje um ror de de anos que comprei o meu segundo carro, que anos mais tarde alguém faria o favor de o espatifar.

Lembrei-me desse dia e pensei na minha vida de agora. E num instante, nem sei como, saltei quase meio século para trás. Naquele tempo eram raras as pessoas que usavam óculos. E muito menos com lentes deveras graduadas como as minhas. Resultado: uma alcunha que perdurou por muitos anos. Mais tarde já no Liceu nova alcunha que não só me embaraçava com envergonhava. Mas os anos passaram, como não podia deixar de ser. E foi no secundário que vivi os meus melhores momentos de escola.  Já escrevia nesse tempo. Coisas pobres, sem nexxo e de qualidade no mínimo duvidosa, mas obviamente sentidas. Foi na escrita (ainda hoje assim é!) que dilui todas as minhas mágoas. Em Junho de 1977 alguns colegas convidaram-me para ingressar num projecto de escrita num jornal regional. Aceitei instantaneamente e durante oito anos convivi com gente fabulosa de quem guardo gratas memórias e porque não dizê-lo, muitas saudades. A maioria deles são hoje gente ilustre e conceituada. Jornalistas, advogados, militares de carreira, médicos, professores... eu sei lá. É chegado o momento de vir aqui, neste espaço que é só meu, agradecer o que todos eles fizeram por mim. Muito do que hoje sou a eles o devo. Começo pelo Pedro Correia, a Manuela Rute (que estas férias deu para matar as tais saudades), o Joaquim Lopes, o Manuel Rodrigues, o Eduardo Vera-Cruz (ilustre responsável pela Faculdade de Direito de Lisboa), o Rui Jorge (onde andas homem?), a Ana Pires, o Nuno Nascimento e tantos, tantos outros. As memórias escritas servem também para isto. Expurgar a nossa alma das dívidas de gratidão com quem nos ajudou.

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