Tenho no meu carro o cd de um disco que tem muitos anos, mas do qual nunca me liberto. Chama-se "White Mantions" e conta uma estória dentro da história daquilo que foi a guerra civil americana.
Um disco que me acompanha há muitos anos.
Entretanto hoje tive uma belíssima surpresa ao ser brindado com um conjunto de discos do cantor Jacques Brel.
Uma colectânea de 60 das melhores canções que eternizaram o grande cantor, compositor, actor e realizador belga que morreu demasiado cedo, aos 49 anos.
Agora é simplesmente escutar... no meu carro, obviamente!
Li que morreu num acidente de viação Patxi Andion.
Por acaso nunca tive a oportunidade de o ver actuar em Portugal, mas sempre gostei de o escutar aquela voz rouca mas muito bem timbrada e inconfundível.
A música castelhana perdeu um dos grandes canta-autores.
Que descanse em paz, seja lá onde estiver.
Provavelmente "muy" perto de Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira ou Áry dos Santos.
O maestro holandês Andre Rieu voltou ontem a mostrar ao mundo luso porque é já um fenómeno. O pavilhão multiusos que a Expo98 ofereceu a Lisboa encheu-se até ao limite dos seus lugares, exclusivamente para receber uma orquestra que vai para além de tocar umas músicas conhecidas.
O concerto iniciou impreterivelmente à hora prevista e durante perto de três horas Andre fez esquecer as tristezas e amarguras que os presentes pudessem ter, utilizando não só a sua orquestra bem afinada e oleada, mas valendo-se outrossim de uma simpatia e um charme que o público luso está pouco habituado.
Muitas músicas conhecidas, outras nem tanto, interpretações de cantores líricos de alto nível, instrumentistas invulgares, luzes, cores e muita competência e qualidade.
O maestro do país das Túlipas não deixou nada ao acaso e após mais de duas horas a tocar, desde tangos, valsas, arias de ópera e até temas de filmes, o público presente ainda teve direito a quase meia hora de “encores” onde se pode escutar algumas músicas de Natal, dois temas de “Rock and Roll”, samba e até a célebre canção popular “A loja do Mestre André”.
Resumindo um espectáculo de música que foi muito mais que um mero concerto. Que poderá ser revisitado em Novembro do próximo ano.
Se tudo correr como espero e desejo o serão desta noite será passado a assistir ao espectáculo dirigido por André Rieu à frente da sua orquestra. Não imagino se será igual a este que aqui divulgo e que foi apresentado em Abril passado.
Desde há uns anos que as televisões apostaram num tipo de programa que deu a conhecer ao mundo pessoas, até ali anónimas, mas que demostraram em palco "performances" fantásticas.
Há pouco tempo trouxe aqui um desses exemplos (acresce dizer que aquele grupo acabaria por chegar até à final, sem contudo a vencer).
Estes concursos, desafios ou o que lhe queiram chamar deram-nos assim a conhecer grandes artistas. Relembro Paul Potts ou Susan Boyle, só para referir dois bons exemplos. Mas surgiram muitos mais seja na Grã-Bretanha, como nos Estados Unidos ou noutro país qualquer onde o concurso se desenrola.
De vez em quando vou espreitando as novidades neste género de espectáculos que agora se alargaram a quase todo o lado. Já vi um bocadinho de tudo: cantores, dançarinos, ginastas, mágicos... Muitos deles com actuações incríveis!
Mas decididamente não estava preparado para escutar este idoso súbdito de Sua Majestade. A serenidade, a genuidade e o carinho que Collin de 89 anos colocou nas suas três canções levaram-no a vencer este ano o concurso britânico. Sem espinhas.
Um exemplo perfeito de como a idade é somente... atitude!
Quando soube que a banda Barclay James Harvest viria a Portugal lancei a dica ao meu filho mais novo se não seria uma banda boa para vermos.
Ele sabendo deste meu permanente revivalismo acabou por me oferecer no dia do Pai dois bilhetes para o CCB, onde a banda iria actuar.
Foi a noite passada.
A sala estava quase cheia pontuando aqui ou ali um ou outro lugar. Já passava das nove da noite quando a banda liderada por Les Holroyd apareceu serenamente no palco.
Instrumentos a postos e eis que a boa música invade o recinto alagando os nossos ouvidos com melodias ímpares. Umas atrás da outras os temas sucederam-se em bom ritmo. As músicas bem trabalhadas por bons músicos não destoaram certamente dos originais dos anos setenta.
Num breve intervalo deu para perceber que a média de idade dos espectadores estava muito acima do concerto anterior a que tinha assistido no Altice Arena. Mas nada disso invalidou a qualidade que o cantor septuagenário colocou em palco. Ainda por cima porque na segunda parte o concerto foi mais instrumental.
Ia com as espectativas um tanto em baixo. Todavia à saída dei conta que o tempo passara num instante, sinal que o concerto fora absorvente.
Eram 21 horas e 10 minutos quando Mark Knopfler subiu ao palco do Altice Arena para brindar os milhares de fans presentes com mais um emblemático espectáculo.
Às 23 e 19 deu por fim mais de duas horas de música fantástica. Neste espaço temporal Knopfler revisitou muitas músicas, algumas delas do tempo de Dire Straits outras já a solo, donde se destacam "Once Upon a Time in The West" do album "Communiqué" de 1979, "Romeo and Juliet" do disco "Making Movies" de 1980 ou "Telegraph Road" um longo tema de 1982 inserido no album "Love over gold".
Após três minutos de uma ovação prestada pelo público Mark regressou ao palco para num encore oferecer "Money for Nothing", o celebérrimo tema de um dos melhores discos dos Dire Straits e terminar com o costumado "Going home" extraído do primeiro album a solo de Mark Knopler, "Local Hero", que data de 1983.
Durante o concerto Mark teve também a delicadeza de se despedir do público português numa breve declaração.
Em suma Mark mostrou que mesmo com 69 anos e muitos discos e quilómetros ainda é um músico de excelência.
Lembro-me bem do galardoadíssimo filme "Amadeus" do enorme Milos Formam,. de 1985. Nesta película o realizador mostrou um Mozart quase lunático e muito irreverente, não obstante a reconhecida qualidade das suas peças musicais.
Pois bem, após ter ontem visto este filme dei por mim hoje a ver um filme/documentário sobre os primeiros anos dos "The Beatles".
Destes três momentos de bom cinema que relatam a vida e as vicissitudes por que passaram os grandes artistas retiro a ideia de que a arte para ser qualificada tem de vir de gente realmente irreverente.
E comum dizer-se que não há ninguém insubstituível. Isso é certo. No entanto há pessoas que jamais deveriam ser substituídas, arriscando mesmo a dizer que há quem deveria ser eterno.
Na vida civil, política, nas ciências ou nas artes, no desporto ou simplesmenten na escrita há gente que jamais deveria envelhecer ou no mínimo deveria desaparecer tal a importância dos seus actos ou simples ideias ou ideais.
Nestes nossos tempos tão carregados de pressa em viver o que ainda nem aconteceu, o mais fácil e menos trabalhoso será reviver o passado mais ou menos longínquo. Basta para tal usar as mesmas ideias com outra roupagem e... voilá!
Ontem vi na televisão o filme premiadao "La La Land". Quando andou pelo cinema nunca me captou a atenção. Mas ontem... pronto deixei-me seduzir pela película. O enredo parece interessante, mas o revivalismo dos tempos aúreos de Fred Astaire acompanhado o seu par Ginger Rodgers parece ter ficado além do que eu esperava, tal foi a matriz colocada nesta longa-metragem.
As diversas sequências de danças protagonizadas pelo par Seb e Mia ficaram muito abaixo de quem, em vão, tentaram imitar. O filme não é mau de todo, mas requeria mais cuidado por parte do realizador. É que nem Fred nem Ginger andam por aí! E não há ninguém para os substituir.
No dia 28 de Julho de 2015 (quem diria que já passaram mais de três anos) assisti a um espectáculo fantástico do qual apresentei na altura o tema final, gravado de forma deficiente pelo meu telemóvel, mas ainda assim demonstrativo da qualidade do artista, conformem podem confirmar aqui.
Ora temos assim que em Abril próximo Mark Knopfler regressará a Portugal para mais um concerto, desta vez no Parque das Nações.
A (boa) lembrança da sua passagem por Oeiras quase me obrigou a comprar o ingresso para o concerto. E como não gosto de ir sozinho a estes eventos eis que adquiri dois bilhetes. Para o meu infante mais novo, bom comparsa nestas coisas da música.