De tal forma que se compilaram alguns dos textos publicados na blogosfera resultando num belíssimo livro mais tarde editado. A brincadeira teve direito a repetição, mas só depois de muitos escreveram contos de Natal. Estávamos em 2021.
Mas a Isabel não parou de nos incentivar e em 2022, 2023 e 2024 foram escritos e publicados muitos e bons textos tendo como mote o Natal. Mas (ainda) sem direito a livro (a coisa necessita de outras meandos).
Ainda estamos na primeira semana de Dezembro e a nossa querida amiga Isabel anda muito fugidia à escrita. Todos sofremos mais ou menos do mesmo.
Posto isto e porque gosto destes desafios e essencialmente porque a Isabel merece que olhemos por ela, vá lá, puxem das vossas ideias e escrevam um conto de Natal para este ano.
Eu virei aqui fazer um actualização dos escritos publicados na blogosfera. Mas para tal seria simpático colocarem uma ligação a este postal para que eu possa recolhê-lo e apresentar aqui.
Tenho por Lucky Luke uma estima e uma enorme memória.
Viviam-se os conturbados e radicais anos sessenta. Os The Beatles, na música, eram o expoente máximo desse radicalismo que culminaria no celebérrimo Woodstock. E na política seria Maio de 68 que colocaria Paris nas bocas do Mundo.
Por este lado foi por essa altura que recebi o meu primeiro livro de verdadeira banda desenhada. O álbum chama-se “Fora-da-Lei” e foi editado pela Editorial Ibis, já desaparecida. O herói desta aventura chamava-se Lucky Luke e reconheço com humildade que reli esse livro centenas de vezes.
Lucky Luke foi assim o meu primeiro herói de BD. Muito mais tarde viria Astérix e Tintin. Para terem decorridos um ror de anos para conhecer e apreciar Corto Maltese, Red Dust, ou Gaston Lagaffe.
Com capacidade financeira oriunda do meu trabalho consegui lentamente comprar algumas das aventuras de muitos heróis, desde os acima referidos, como muitos outros. Porém o cowboy que disparava mais rápido que a sombra teve sempre lugar de primazia nas minhas escolhas.
Vi Luke perder o cigarro e substituí-lo pela palhinha, como o vi perder o amigo Goscinny e muito mais tarde o pai Morris. Mas ainda assim as aventuras continuaram, sem o fulgor de outrora, mas ainda com alguma graça.
Até que alguém se lembrou de aos 75 anos de “Arizona 1880” (a primeira aventura de Lucky Luke) solicitar a outros desenhadores que falassem do cowboy solitário, através dos seus lápis.
Pelo que sei saíram sete aventuras sendo esta última, que curiosamente recupera o formato do primeiro título alterando apenas o estado de Arizona para Dakota, bem esgalhada.
Esta é, por assim dizer, a prequela da origem do herói americano, resumida em sete estórias recuperando, mais uma vez, outro título antigo.
Gostei deste álbum de pequenas crónicas gráficas. Bons desenhos, boas estórias, fantásticas personagens e aquele final com muita explicação que acaba por conduzir a um outro patamar o nosso herói.
Lucky Luke surge aqui jovem e sem um dos epítetos por que é conhecido, mas lá dentro percebe-se o porquê. O desenho não varia para aquela figura bem nossa conhecida, mas carrega um certo peso que lhe dá quase autenticidade.
Finalmente um bom livro começa com um bom texto e a entrada deste não poderia ser melhor obrigando-nos a buscar sempre mais.
Ler tudo tornou-se muito fácil e no fim ficou aquele gosto amargo: já acabou?
Como calculo o tema desta semana dos candidatos à Presidência da República passará provavelmente pela questão do 25 de Novembro.
A esquerda (leia-se PCP ou CDU) estará na frente de batalha contra alguma comemoração ainda que oficial enquanto o PS e restantes partidos do centro-direita apoiarão todas e quaisquer iniciativas para o relembrar.
Vivi esse dia. Mais, por essa altura escutavamos lá em casa e quase em surdina uma estação que emitia da Alemanha e em português, noticiários sobre Portugal muuuuuuuuuuito mais cedo do que saberia no País. Foi ali que altura escutei alguns observadores, sobre um caminho que Portugal trilhava no sentido de uma eventual guerra civil que, felizmente para todos, nunca se concretizou.
Por esse tempo a Direcção Geral da Comunicação Social, sediada no Palácio Foz, havia criado uma editora própria chamada "Terra Livre" e com ela lançou alguns livros, hoje verdadeiras peças de coelcção, dos quais tenhos vários exemplares, sendo que um deles chama-se precisamente "25 de Novembro".
Uma coligação de cartoons publicados em diferentes jornais da época mostrando um país completamente em roda livre, sem qualquer controlo político ou militar.
Recupero hoje esse livro porque nele podemos perceber com exatidão o que foram aqueles dias que antecederam o 25 de Novembro. Uma publicação sem qualquer conotação política apenas a compilação de desenhos e notícias, pura e simples.
Não sei se o 25 de Novembro será uma data histórica a exigir comemorações oficiais, mas o curioso vem agora quando descobri um cartoon mostrando os vencedores políticos e militares da acção armada.
Reparem bem nas figuras...
Por fim a justiça ou injustiça a este dia não é para ser feita neste tempo, mas pela própria História.
Hoje foi dia de ir à dentista. Levantei-me cedo, tomei o pequeno almoço em casa, lavei os dentes e segui para a estação de Metro de carro.
O trânsito desenrolava com alguma fluidez e cheguei rápido ao parque de estacionamento. Peguei na carteira e no porta moedas e dirigi-me à estação. Comprei bilhete e entrei na plataforma. Olhei o monitor que indicava três minutos para o próximo comboio.
Comecei então a auto apalpar-me em busca de algo (conhecem a sensação, não conhecem?) para rapidamente perceber que o telemóvel, esse danado aparelho que não me deixa descansado, ficara no carro.
Bom... pelo menos tinha um livro uma bela estreia e bom que ele é...
Desci à baixa pombalina, onde tratei de umas coisas, voltei ao Metro tendo saido no Marquês de Pombal e daí fui a pé à consulta. Uma hora depois estava de regresso e apanhei novamente o Metropolitano para voltar para casa.
Como havia suposto o telemóvel ficara no carro e nesse instante decidi até ser noite não ligar telemóvel para ver fosse o que fosse. Apenas atenderia chamadas.
Resumindo andei quase todo o dia sem telemóvel e querem saber?... Ainda não morri!
Chegou-me há pouco, à minha caixa de correio electrónico, uma ligação para um belíssimo naco de prosa de alguém que conheço, não de África, onde o autor esteve muitos anos e recentemente traduzidos neste fantástico livro, mas de outros encontros futeboleiros.
A prosa fala da última aventura de Astérix e os seus inseparáveis amigos Obélix e Ideiafix em terras lusas, de uma maneira e num estilo assaz diferente do meu (obviamente que o autor escreve muuuuuuuuito melhor, o que também, reconheço com humildade, não será mui dificil!!!).
Mas de tudo o que li naquela crónica ou análise, conforme queiram chamar, houve algo que me satisfez e que se prende, uma vez mais, com o tema das (más) traduções. É certo que estou tentado a adquirir a versão francesa até porque não gosto de julgar sem ver (ou ler!), mas já em aventuras anteriores notei uma (invulgar) incapacidade de traduzir bem os livros.
O que leva mais uma vez a tentar imaginar o que passará na cabeça dos nossos tradutores quando pegam neste pedaço de BD (mais uma imbelicidade para o nome "Novela gráfica") e traduzirem aquilo com uma linguagem pobre e sem graça, como se os leitores daquelas aventuras fossem ainda crianças em idade pré-escolar! Não são!
Finalmente e para não me alongar mais redirecciono o caro leitor ou leitora para o dito texto que merece ser lido e amplamente partilhado.
Foi lançado hoje em todo o Mundo mais uma aventura de Astérix e do seu inseparável amigo Obélix, desta vez numa visita à Lusitânia.
O livro chegou-me logo de manhã, mas só noite dentro consegui lê-lo.
Sinceramente estava curioso com o que iria ler, até porque as mais recentes aventuras do irredutível gaulês, primavam por uma certa falta de qualidade.
Abri o livro e logo na segunda página dei a primeira de muitas gargalhadas, o que deu logo sinal do que viria a seguir. Não estando ao nível dos seus criadores obviamente, ainda assim os dois aventureiros, finalmente, mostraram graça. Todavia, é nas restantes personagens (soldados romanos incluídos) que (nos) acompanham com muita ousadia e muitas referências à cultura e filosofia popular lusas, que encontramos o melhor deste novo livro de aventuras.
Um álbum que vale a pena comprar e ler mais que não seja pelos amantes da nona arte e dentro desta pelas assertivas piadas muito bem conseguidas. Que o diga o nosso disfarçado Obélix com esta belíssima tirada.
A centenária história de Portugal não se baseia somente em eventos fantásticos, vitórias assombrosas ou episódios assaz dramáticos.
A batalha de Aljubarrota, os Descobrimentos Portugueses, o terramoto de 1755 ou as vitórias lusas sobre as tropas napoleónicas são apenas meros exemplos de momentos onde se mostrou a coragem de que somos feitos.
Porém a nossa história tem muitos eventos que formaram, para o bem e para o mal, o povo que vive neste rectângulo à beira-mar plantado.
Há tempos um antigo colega e amigo brindou-me com este livro. escrito pelo sobrinho, sobre a vinda e estadia em Viça Viçosa de uma embaixada de quatro jovens japoneses que vieram tomar contacto e conhecimento com a sociedade, cultura e fé europeia.
Nesta obra podemos perceber como o poder religioso tinha mais impacto que o próprio poder régio. Como a "Sereníssima Casa de Bragança" que sediada em Vila Viçosa parecia ter um poder muito grande. Ouso mesmo dizer que maior que o próprio rei Filipe I.
Um pequeno livro recheado de inúmernos pormenores, onde se mostra como no fim do século XVI, Portugal era um país bem diferente daquele que durante muitos anos nos foi apresentado nas escolas.
Vila Viçosa parecia ser à época o centro da vida social e cultural de Portugal sem qualquer influência do Rei entronado. A embaixada nipónica esteve oito dias em Vila Viçosa onde foi recebida com toda a pompa e circunstância. E é destes breves, mas preenchidos dias que fala este bom naco de prosa, evidenciando o exemplo da boa hospitalidade e diplomacia lusa.
Esta foi a minha leitura dos últimos dias de praia.
Principiei a ler muito jovem. Primeiro livros muitos infantis para num ápice saltar para outras aventuras literárias.
As "Aventuras dos Cinco" de Enid Blyton (hoje tão censuradas por um wookismo para lá de bacoco!) foram as minhas vítimas iniciais, para ainda miúdo transitar para umas estórias bem curiosas que envolvia famílias e escritas por Odette de Saint-Maurice, que era avó de Inês de Medeiros, actual Presidente da Câmara de Almada e de Maria de Medeiros actriz bem conhecida e reconhecida internacionalmente.
Ainda não havia acontecido o 25 de Abril e já andava a ler o Crime do Padre Amaro às escondidas da família. Pois é... recordo que alguém me oferecera uns volumes queirosianos, mas logo ali fui proibido de o ler. Ora como o fruto proíbido é o mais desejado, devorei o livro e mais não sei quantos outros romances a seguir de José Maria.
Dizem que há um ditado chinês que afirma o seguinte: para se escrever um livro deve-se ter lido mil. Não sei esta máxima é verdade, mas li muuuuuuuuuitos livros quando era mais novo. E lia tudo...
Hoje sou mais selectivo nas escolhas e retirando a esta equação os livros escritos e publicados pelos meus amigos, diria que leio pouca literatura mais recente.
Prefiro obviamente os clássicos e há ainda alguns que ainda não peguei... Mas lá irão se Deus me der vida e saúde para tal demanda!
Só que amiúde fico com a vontade de voltar a publicar. E das duas, uma: ou pego em textos já bem velhos e levo-os ao expurgo ou ponho-me a escrever estórias novas, que é sempre um óptimo desafio.
Agora ando naqueles pares de textos com animais e crianças neste meu blogue. Já nem sei quantos escrevi, também não foram muitos, mas foi um outro desafio que abracei. Entretanto não sei se voltarei a outras estórias que nunca acabei ou se retomarei o registo semelhante aos que publiquei em livro.
Por outro lado gostaria de aventurar-me num romance, algo mais longo, mais completo e não relatos quase de lana-caprina. Obviamente que para este desafio necessito de tempo, muito tempo porque há muito que investigar.
Depois ainda tenho "Os contos de Natal" deste ano para arregimentar... E que dá uma trabalheira medonha.
Por volta do meio dia e à sombra de um chapéu, resguardando-me deste inclemente Sol que por estes dias tudo torra e queima, fechei a leitura de “Tudo é Tabu” o mais recente livro do jornalista, escritor, bloguer e meu amigo de longuíssima data, Pedro Correia.
O livro com a chancela da editora Guerra e Paz é um enormíssimo trabalho de investigação sobre as mais recentes formas de censura que se espalham por este Mundo sempre tão desejoso de (estúpidas) quezílias.
Cem casos de como grupos minoritários conseguem, através das mais ínvias e estúpidas formas, censurar livros, filmes, telas, esculturas, peças de teatro e muito mais, atirando também os seus autores para as catacumbas do esquecimento.
Cem murros no estômago da liberdade que tanto e a tantos custou a ser adquirida.
Cem lamentos para uma sociedade onde o que importa é somente o “faz-de-conta” pois a realidade passada e presente não deve ser tida em consideração.
Cem gritos de horror perante a subserviência de muitas instituições às imbecis redes sociais e ao medo das consequências que estas possam infligir nas suas vidas.
Cem maneiras de se tentar reescrever a história do Mundo.
Vivemos tempos estranhos, momentos atípicos, vidas confusas recheadas de “térmitas bem-pensantes”. Há quem chame de "wookismo"...
Pedro Correia com a assertividade que lhe é (sempre foi!) peculiar, dá luz a esta nova fórmula de se censurarem ideias, pensamentos, palavras, artes tudo em nome de uma matriz de sociedade em que ninguém pode proferir uma opinião sem correr o risco de se meter em graves sarilhos.
Arrisco mesmo a dizer que “Tudo é Tabu” estará um destes dias a encabeçar uma longuíssima lista de obras que deverão seguir directamente para a pira, “cem” passarem pela casa de partida!