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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Quando atrás de à, há!

A nossa língua é malvada. Reconheço que se fosse estrangeiro teria imensas dificuldades em aprender o português. São tantas as variáveis e tantas as excepções que dificilmente alguém que não seja luso percebe as reais diferenças. Também no inglês há o “th”, aquele sopro tão característico dos britânicos, que ninguém, por muito bom inglês que fale, o pronunciará como os súbditos de Sua Majestade.

Mas voltando à língua de Camões diria que cada vez se escreve pior em Portugal. Não imagino se será do N.A.O. ou desconhecimento puro da nossa língua ou até da falta de leitura de obras mais antigas onde a lusa língua era bem tratada.

O problema é que a aplicação de determinadas palavras, mesmo que de forma errada são já um (quase) património linguístico. Os políticos, jornalistas e até escritores usam estas expressões de forma tão normal que um destes dias ninguém diz que é um erro.

O exemplo mais flagrante está no advérbio “atrás” quando usado com o verbo haver. É tão comum escutarmos “… há anos atrás…” dito por todos e mais alguns que já ninguém considera erro. Neste caso basta dizer “… há anos…” que já se percebe que é no passado. Portanto um erro que já vem de há anos!

O verbo haver acarreta outras dúvidas e muitos mais enganos. Pelo que vou lendo por aí, há quem não perceba a diferença entre o “à”, contração da preposição “a” com o artigo “a” originando com a sua duplicação o respectivo acento grave abrindo a vogal, com a forma verbal do presento do indicativo do verbo haver “há”.

É tão recorrente este erro que até eu, por vezes, fico confuso para não dizer com dúvidas, quanto à correcta aplicação das diferentes formas.

Ninguém tome este postal como uma crítica, até porque eu próprio dou imensos erros. Mas erros deste género custa-me aceitar-

A gente lê-se por aí!

A língua não lusa que usamos

As novas tecnologias trouxeram à maioria da população um acesso e a trocas de informação impensável há uma trintena de anos.

Primeiro vieram os computadores. Mais tarde apareceram outros periféricos cada vez mais pequenos e mais sofisticados e que alteraram de forma quase radical a maneira como lidamos com o nosso dia.
No seguimento destas alterações tecnológicas o nosso próprio léxico também se foi modificando. Isto é, à língua de Camões chegaram uma série de novas palavras todas elas ligadas a este novo Mundo.
Poder-se-á utilizar a desculpa de que na língua Anglo-Saxónica há um número de expressões que não encontram na língua portuguesa uma verdadeira correspondência. No entanto não sei se isso corresponde totalmente à verdade já que consigo encontrar muita gente a escrever mensagens numa terminologia tão própria quanto desadequada sem buscarem qualquer tradução para português. 
A riqueza de uma língua vê-se pelo número de vocábulos e da forma como se vai adaptando às novas realidades. No entanto palavras como mail, download, software, ou a rainha de todas a própria palavra internet, parece ser um evidente exagero.
O mail pode ser normalmente substituído por correio electrónico, download por descarregar, software por aplicação e a Internet por Rede.
Mas habituamo-nos a estes novos facilitismos linguísticos, que acabamos por usá-los amiúde em detrimento da nossa bonita língua.
Mais recentemente dei conta que há outras palavras que não estão traduzidas para português nem nunca serão. É o caso evidente da palavra “Startup” referente a empresas em início de vida empresarial e de projectos ou da simples palavra blog.
Sou amplamente a favor da evolução linguística, mas não é à custa da importação de palavras estrangeiras e para as quais temos correspondências perfeitamente normais.
O próprio minderico ou Charales do Ninhou já se adaptou às novas realidades. Porquê é que não fazemos o mesmo com o português genuíno?

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