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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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O meu maior receio!

Sempre que vou o lar ver a minha demente sogra saio de lá sempre a pensar: quando serei eu a entrar aqui?

Tenho perfeita consciéncia que o meu caminho será naquele sentido, pois os filhos terão de trabalhar até mais tarde e provavelmente até estarão longe de mim.

Mas independentemente de todas as razões sinto-me sempre confrangido quando visito o lar. Mesmo sabendo que a idosa estará muito melhor ali que estaria em casa.

A idade é uma coisa tramada! Quando pensamos que nada nos atinge, lá vêm os anos a colocar-nos no sítio devido para que não tenhamos ilusões ou renovadas esperanças.

Saber viver com a idade que temos é quase um luxo. Mas é aqui que reside essencialmente o meu maior receio: jamais conseguir assumir a minha idade e com ela as minhas reais limitações.

A gente lê-se por aí!

Na cabeceira da mesa...

Nos almoços ou jantares de famílias numerosas há sempre dois lugares mais ou menos reservados para os patriarcas da família: as cabeceiras da mesa. Cá em casa não é excepção.

Só houve um problema quando morreu o meu sogro, pois ficou-se sem saber quem deveria ocupar aquele lugar. Por fim decidiu-se pelo elemento mais novo à época. Situação que ainda hoje se mantêm exceptuando quando as pessoas são ainda mais e aquela cabeceira, antigamente para um, tem de ser partilhada.

Diz o povo que "há males que vêm por bem". Não acredito nisso, mas reconheço que uma sucessão de factos anómalos pode originar uma solução eternamente adiada.

Foi o que aconteceu recentemente com o acidente que colocou a minha mulher no estaleiro, sem mobilidade nem capacidade para fazer alguma coisa. Deste modo uma das suas responsabilidades, que foi tomar conta da mãe senil, foi transferida para a outra filha. O resultado desta situação foi a normal decisão das ambas as filhas em internar a idosa num lar.

Sinceramente tenho que concordar que não haveria outra solução.

Agora repetir-se-á a dúvida sobre quem deverá ocupar aquele lugar à mesa? Uma das filhas, um dos netos ou um dos bisnetos?

Obviamente que ninguém é insubstituível, mas reconheço que durante umas refeições vai ser estranho ver outra pessoa na cabeceira da mesa que não a matriarca da família!

Mas é a vida. Triste, amargurada, mas sem nunca parar!

Lar amargo lar!

A relação com a minha casa é assim um tanto... como direi... truculenta.

Se por um lado é um local onde gosto de estar e me sinto bem, por outro a casa obriga-me a afazeres para os quais não me sinto nunca preparado.

 

Descodifiquemos então.

 

Da casa adoro a cozinha. Sou um razoável cozinheiro e faço (quase) tudo. E sem grande barafunda de tachos e panelas. Sou organizado e lavo sempre que posso o que sujo de forma a não criar confusão.

 

Quanto à roupa suja... a minha relação é muito boa com a lavandaria! Ainda não enveredei pelos caminhos da máquina da roupa ou do ferro de engomar. Tenho consciência que é uma falha, mas com o tempo lá irei.

 

O pior é realmente o pó. Reconheço que é necessário uma limpeza a fundo a uma casa, mais que não seja por razões terapêuticas, tendo em conta que o meu infante mais novo tem uma péssima relação com as alergias... ácaros e outros bicharocos incluídos.

 

Assim sendo as últimas semanas têm sido de afâ. Móveis retirados do lugar, pano do pó na mãos... e há que percorrer todos os locais, por mais remotos e absurdos que me pareçam, com o intuito de limpar o pó.

É um trabalho árduo, com o qual não me identifico, mas obviamente necessário.

 

Todavia no fim sabe muito bem entrar numa casa que sabemos limpa.

 

Pois é... detesto quando as mulheres têm razão.

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