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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Que diria Camões?

Se Luiz de Camões descesse à Terra e visse a nossa língua actual, que ele soube tão bem trabalhar, abusivamente maltratada, dar-lhe-ia quase de certeza um fanico, que o levaria de novo para o outro mundo.

Sei que não serei, porventura, o melhor dos exemplos linguísticos, mas tento na medida do possível não estragar mais o nosso léxico, jã tão depauperado por vocábulos incompreensíveis ou adaptados a maioria da língua anglo-saxónica.

O (des)acordo ortográfico (que só Portugal usa commumente) veio de certa forma autorizar que a língua portuguesa passasse a ser um monte de equívocos e dúvidas.

Não subscrevo de maneira nenhuma o tal acordo linguístico, tal como Camões, tenho a certeza, jamais o subscreveria.

Gosto demasiado da minha língua para a estragar com um acordo patético que não acrescentou qualquer mais-valia ao português.

Confusões linguísticas!

Um destes dias à mesa estávamos seis a comer, que é o número agora normal cá em casa, pois já fomos onze…

Como não gostamos de deitar comida fora eis-nos a almoçar o que não se comera em dias anteriores: um arroz de frango e uma feijoada com entrecosto.

A determinada altura perguntei aos outros almoçantes se o que estávamos a comer eram sobras ou restos.

Vieram logo respostas:

- Restos…

- Sobras…

- É a mesma coisa…

Bom achei graça porque cada um tem um entendimento diferente sobre a mesma coisa.

Por mim assumo que o que comi naquele dia foram sobras de outros almoços. Os restos são, essencialmente, o que fica no prato sem ser consumido e que não voltará para o tacho, mas sim para o compostor.

A nossa língua preza-se muito a estas dúvidas.

Outro caso é do envelope ou sobrescrito… Mas há mais… acredito.

Venham de lá então essas confusões!

Portuês?

Será mais ou menos consensual que a língua que Camões tão bem soube usar é de dificil compreensão, especialmente pelos estrangeiros que tentam entender este nosso léxico.

Leio por aí muita coisa mal escrita e outrossim muita coisa bem escrita. Oiço políticos, jornalistas (sim jornalistas!!!), empresários, gente da cultura (sim, estes também!!!) a falar muito mal...

Nem quero imaginar o que e4screverão nos seus textos... Mas enfim...

Provavelmente também não serei um óptimo exemplo na correcção morfológica e de sintaxe do português, mas eu não sou ninguém. Nem pretendo ser mais do que aquilo que sou!

Todavia há momentos em que ainda me espanto com o que leio. Hoje foi um desses dias.

Levantei-me bem cedo e entre muitas voltas a dar fui ao mercado comprar pés de cebola para plantar. Aproximei-me da banca perguntei ao vendecor o preço e acabei por trazer uma mão de pés de cebola valenciana.

Só que mesmo ao lado consegui ler isto...

portuesa (1).jpg

De disserem muito depressa percebe-se que tipo de couve é...

Escreve-se como se ouve ou diz! Ponto.

Português desconhecido!

As novas tecnologias como os "smartphones" ou os "tablets" (já deveríamos ter criado ou adaptado palavras lusas para estas coisas, digo eu!!!) retiraram aos livros muitos leitores. A malta quer é redes sociais, youtubes ou jogos... O resto fica para outras núpcias que jamais virão. O que equivale dizer que as pessoas lêem cada vez menos, especialmente literatura com qualidade.

Vem isto a propósito de um caso que se deu comigo numa grande loja de Lisboa. Após uma compra a senhora que me atendeu que era simpática e competente foi dando lastro ao meu gosto por conversar. A determinada altura disse eu: "... numa loja havia uma panóplia de stands..."

A senhora olhou para mim e comentou:

- Nunca tinha ouvido essa palavra, mas já percebi o sentido...

Calculei logo que não entendera a palavra... panóplia! Já há tempos numa outra conversa disse qualquer coisa em que apliquei a palavra... mormente. Dei conta que alguém não percebera o que eu acabara de dizer, porém esta, ao invés da lojista, não deu parte de fraca.

Estes são dois ínfimos e tristes exemplos que demonstram como a nossa língua está a ser olvidada e, pior que tudo, a ser substituída por expressões inglesas, mormente no que diz respeito às novas tecnologias.

Há que cuidar da nossa língua... Não podemos nem a devemos esquecer.

Serei sempre contra!

A empresa onde trabalho decidiu aplicar, a partir do próximo ano, o Novo Acordo Ortográfico (NAO), numa atitude de quem quer ser mais “papista que o Papa”, pois como é sabido há ainda alguns problemas na implementação deste AO, especialmente por parte de alguns países lusófonos e de algumas entidades publicas que não se revêem nesta aberração.

Já escrevi neste espaço, mais que uma vez, que sou claramente contra o AO. E ao contrário do que vou lendo em alguns jornais que optaram por aquele Acordo, continuo a achar que tenho razão nesta minha opção.

Dirão alguns dos que defendem o AO, que sou apenas mais um velho retrógrado teimoso e de mente pouco aberta às novas ideias. Naturalmente que posso aceitar este pensamento, mas a verdade é que aprendi a escrever de uma determinada maneira e não me sinto (nada) confortável a redigir nos novos moldes.

Apercebo-me cada vez mais de um número impensável de erros ortográficos, tanto em mensagens de trabalho, como em comentários nos blogues ou no feicebuque. Por vezes fico tão atónito com o que leio, que chego mesmo a duvidar dos meus conhecimentos de português, porque já não sei onde começa o Acordo e acaba a asneira.

Não sei onde iremos parar com esta aventura lindguística, mas uma coisa tenho a certeza: não me vejo a escrever debaixo das regras do NAO.

E se não existisse o "coiso" e a "coisa"?

 

Não sou um linguista perfeito, mas gosto da língua portuguesa. E tento usá-la da melhor maneira possível, tanto na escrita como na fala.

 

Porém é frequente - em demasia creio - perceber, especialmente na juventude, o uso abusivo das palavras coiso e coisa, como substituto de qualquer substantivo (ou nome como agora se diz).

 

Tenho perfeita consciência que as novas tecnologias (telemóveis, aipedes, tuiteres ou feicebuques) trouxeram à juventude, imensas facilidades que os tornaram reféns de uma forma de escrita bem diferente e inusual. Mas daí a substituir-se os nomes apenas pelas palavras coiso e/ou coisa parece-me um profundo exagero linguístico e uma profunda falta de cultura.

 

Há quem goste, neste tipo de análise, procurar culpados, todavia estou perfeitamente ciente que, a haver culpados, somos todos nós. Porque facilitámos na observância deste tipo de erro sem nada dizer.

 

Quanto a mim luto, nem que seja de uma forma obviameente inglória, para que a língua de Camões seja usada e falada como o grande poeta nos ensinou.

 

Termino com a questão que intitula este texto: e se no nosso léxico as palavras coiso e coisa não existissem?

Uma questão de Português

 

Num artigo, hoje publicado no Jornal Público, o professor António Macedo desenvolve a história da língua portuguesa e das diferentes razões da sua evolução.

 

aqui escrevi que sou obstinadamente contra o NAO (Novo Acordo Ortográfico). Não entendo a necessidade de tamanho erro. Ou melhor… Percebo! Mas não concordo.

 

Foi um desejo político que criou este (mau) Acordo.

Foi uma teimosia ministerial que pariu este (horrível) Acordo.

Foi um português insensível que criou este (estúpido) Acordo.

 

Por isso é bom que se leia este texto, hoje publicado. Que se reflicta. E aqueles que se apressaram a implementar o tal NAO, recuem de vez nos seus malfadados intentos.

 

A bem da nossa língua e da unidade do nosso país. Porque, para dividi-lo, já basta o que basta.

 

http://www.publico.pt/opiniao/jornal/por-favor-desliguem-a-maquina-26644963

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