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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Português... intratável!

A nossa juventude está cada vez mais longe da língua nativa. Lêem muito pouco não obstante até poderem ter acesso a bibliotecas, mas um livro parece ser algo antiquado e... fora de moda.

Depois associaram muitas palavras estranhas e quase imperceptíveis para o comum cidadão luso, transformando a sua linguagem num jargão só por eles entendível! Quase à moda do Minderico... (as razões é que são diferentes!)

Se juntarmos todas as obscenidades correntes, podemos ter daqui a uns anos uma geração quase aberrante em termos linguísticos.

Esta minha consciência é bem visível por exemplo quando estou na praia, já que aquelas turmas de jovens que assentam arraiais no areal não conseguem dizer uma frase onde não coloquem um ou mais palavrões para além dos seus termos próprios.

Não me cabe procurar responsáveis para este novel léxico, mas custa-me entender como se chegou a este nível tão reles de português...

Finalmente  questiono se falarão assim também em casa, na escola ou no trabalho?

Provavelmente sim!

A nossa língua!

Na minha escrita nunca fui adepto dos estrangeirismos, só se não tiver outra solução. Usar palavras oriundas de outras línguas não me parece uma forma escorreita da língua portuguesa evoluir.

Todavia também tenho consciência que a era da informática veio trazer à nossa língua vocábulos para os quais não temos uma tradução real. A própria palavra “internet” será, porventura, o primeiro exemplo.

Com esta veio “software”, “hardware”, "email", “server”, “pc” de (personal computer), “slot” ou “sim (leia-se sime)”.

Até nesta área recente da blogosfera, cuja palavra “blog” é a contracção de duas palavras “web” e “log”, surgem estas influências de estrangeirismos. Tal como a expressão “post” em vez de postal quando nos referimos a um texto publicado.

Temos o “streamming” e o “facebook”, o “world wide web” e o “instagram”, o “twitter” e o “google”.

Há outrossim o “print” e o “scanner”, o “usb” e a “drive”. Já para não falar dos extintos “cd´s” ou dos “blueray”.

Portanto um conjunto de vocábulos comummente usados e que, como já referi, raramente temos tradutor à altura, nesta língua que foi de Camões.

Por este lado sempre que não tenho uma palavra que possa substituir a original oriunda no estrangeiro tento aportuguesá-la. Um exemplo é o “feicebuque” que uso sempre que me refiro àquela rede social ou mesmo a palavra "blogue".

Contudo o que mais me custa é tanta gente escrever com estes e muitos outros estrangeirismos como se todos soubessem o significado. Então quando se referem a tipos de música… noto um certo exagero!

Talvez o problema seja unicamente meu, mas se escrevesse um texto em Charales do Ninhou (aquele linguajar tão próprio de Minde) a maioria não “penetraria na piação”*.

Como eu por vezes não entendo o que outros escrevem!

 

- * “perceberia a conversa

Que diria Camões?

Se Luiz de Camões descesse à Terra e visse a nossa língua actual, que ele soube tão bem trabalhar, abusivamente maltratada, dar-lhe-ia quase de certeza um fanico, que o levaria de novo para o outro mundo.

Sei que não serei, porventura, o melhor dos exemplos linguísticos, mas tento na medida do possível não estragar mais o nosso léxico, jã tão depauperado por vocábulos incompreensíveis ou adaptados a maioria da língua anglo-saxónica.

O (des)acordo ortográfico (que só Portugal usa commumente) veio de certa forma autorizar que a língua portuguesa passasse a ser um monte de equívocos e dúvidas.

Não subscrevo de maneira nenhuma o tal acordo linguístico, tal como Camões, tenho a certeza, jamais o subscreveria.

Gosto demasiado da minha língua para a estragar com um acordo patético que não acrescentou qualquer mais-valia ao português.

Confusões linguísticas!

Um destes dias à mesa estávamos seis a comer, que é o número agora normal cá em casa, pois já fomos onze…

Como não gostamos de deitar comida fora eis-nos a almoçar o que não se comera em dias anteriores: um arroz de frango e uma feijoada com entrecosto.

A determinada altura perguntei aos outros almoçantes se o que estávamos a comer eram sobras ou restos.

Vieram logo respostas:

- Restos…

- Sobras…

- É a mesma coisa…

Bom achei graça porque cada um tem um entendimento diferente sobre a mesma coisa.

Por mim assumo que o que comi naquele dia foram sobras de outros almoços. Os restos são, essencialmente, o que fica no prato sem ser consumido e que não voltará para o tacho, mas sim para o compostor.

A nossa língua preza-se muito a estas dúvidas.

Outro caso é do envelope ou sobrescrito… Mas há mais… acredito.

Venham de lá então essas confusões!

Portuês?

Será mais ou menos consensual que a língua que Camões tão bem soube usar é de dificil compreensão, especialmente pelos estrangeiros que tentam entender este nosso léxico.

Leio por aí muita coisa mal escrita e outrossim muita coisa bem escrita. Oiço políticos, jornalistas (sim jornalistas!!!), empresários, gente da cultura (sim, estes também!!!) a falar muito mal...

Nem quero imaginar o que e4screverão nos seus textos... Mas enfim...

Provavelmente também não serei um óptimo exemplo na correcção morfológica e de sintaxe do português, mas eu não sou ninguém. Nem pretendo ser mais do que aquilo que sou!

Todavia há momentos em que ainda me espanto com o que leio. Hoje foi um desses dias.

Levantei-me bem cedo e entre muitas voltas a dar fui ao mercado comprar pés de cebola para plantar. Aproximei-me da banca perguntei ao vendecor o preço e acabei por trazer uma mão de pés de cebola valenciana.

Só que mesmo ao lado consegui ler isto...

portuesa (1).jpg

De disserem muito depressa percebe-se que tipo de couve é...

Escreve-se como se ouve ou diz! Ponto.

Português desconhecido!

As novas tecnologias como os "smartphones" ou os "tablets" (já deveríamos ter criado ou adaptado palavras lusas para estas coisas, digo eu!!!) retiraram aos livros muitos leitores. A malta quer é redes sociais, youtubes ou jogos... O resto fica para outras núpcias que jamais virão. O que equivale dizer que as pessoas lêem cada vez menos, especialmente literatura com qualidade.

Vem isto a propósito de um caso que se deu comigo numa grande loja de Lisboa. Após uma compra a senhora que me atendeu que era simpática e competente foi dando lastro ao meu gosto por conversar. A determinada altura disse eu: "... numa loja havia uma panóplia de stands..."

A senhora olhou para mim e comentou:

- Nunca tinha ouvido essa palavra, mas já percebi o sentido...

Calculei logo que não entendera a palavra... panóplia! Já há tempos numa outra conversa disse qualquer coisa em que apliquei a palavra... mormente. Dei conta que alguém não percebera o que eu acabara de dizer, porém esta, ao invés da lojista, não deu parte de fraca.

Estes são dois ínfimos e tristes exemplos que demonstram como a nossa língua está a ser olvidada e, pior que tudo, a ser substituída por expressões inglesas, mormente no que diz respeito às novas tecnologias.

Há que cuidar da nossa língua... Não podemos nem a devemos esquecer.

Quando atrás de à, há!

A nossa língua é malvada. Reconheço que se fosse estrangeiro teria imensas dificuldades em aprender o português. São tantas as variáveis e tantas as excepções que dificilmente alguém que não seja luso percebe as reais diferenças. Também no inglês há o “th”, aquele sopro tão característico dos britânicos, que ninguém, por muito bom inglês que fale, o pronunciará como os súbditos de Sua Majestade.

Mas voltando à língua de Camões diria que cada vez se escreve pior em Portugal. Não imagino se será do N.A.O. ou desconhecimento puro da nossa língua ou até da falta de leitura de obras mais antigas onde a lusa língua era bem tratada.

O problema é que a aplicação de determinadas palavras, mesmo que de forma errada são já um (quase) património linguístico. Os políticos, jornalistas e até escritores usam estas expressões de forma tão normal que um destes dias ninguém diz que é um erro.

O exemplo mais flagrante está no advérbio “atrás” quando usado com o verbo haver. É tão comum escutarmos “… há anos atrás…” dito por todos e mais alguns que já ninguém considera erro. Neste caso basta dizer “… há anos…” que já se percebe que é no passado. Portanto um erro que já vem de há anos!

O verbo haver acarreta outras dúvidas e muitos mais enganos. Pelo que vou lendo por aí, há quem não perceba a diferença entre o “à”, contração da preposição “a” com o artigo “a” originando com a sua duplicação o respectivo acento grave abrindo a vogal, com a forma verbal do presento do indicativo do verbo haver “há”.

É tão recorrente este erro que até eu, por vezes, fico confuso para não dizer com dúvidas, quanto à correcta aplicação das diferentes formas.

Ninguém tome este postal como uma crítica, até porque eu próprio dou imensos erros. Mas erros deste género custa-me aceitar-

A gente lê-se por aí!

A língua não lusa que usamos

As novas tecnologias trouxeram à maioria da população um acesso e a trocas de informação impensável há uma trintena de anos.

Primeiro vieram os computadores. Mais tarde apareceram outros periféricos cada vez mais pequenos e mais sofisticados e que alteraram de forma quase radical a maneira como lidamos com o nosso dia.
No seguimento destas alterações tecnológicas o nosso próprio léxico também se foi modificando. Isto é, à língua de Camões chegaram uma série de novas palavras todas elas ligadas a este novo Mundo.
Poder-se-á utilizar a desculpa de que na língua Anglo-Saxónica há um número de expressões que não encontram na língua portuguesa uma verdadeira correspondência. No entanto não sei se isso corresponde totalmente à verdade já que consigo encontrar muita gente a escrever mensagens numa terminologia tão própria quanto desadequada sem buscarem qualquer tradução para português. 
A riqueza de uma língua vê-se pelo número de vocábulos e da forma como se vai adaptando às novas realidades. No entanto palavras como mail, download, software, ou a rainha de todas a própria palavra internet, parece ser um evidente exagero.
O mail pode ser normalmente substituído por correio electrónico, download por descarregar, software por aplicação e a Internet por Rede.
Mas habituamo-nos a estes novos facilitismos linguísticos, que acabamos por usá-los amiúde em detrimento da nossa bonita língua.
Mais recentemente dei conta que há outras palavras que não estão traduzidas para português nem nunca serão. É o caso evidente da palavra “Startup” referente a empresas em início de vida empresarial e de projectos ou da simples palavra blog.
Sou amplamente a favor da evolução linguística, mas não é à custa da importação de palavras estrangeiras e para as quais temos correspondências perfeitamente normais.
O próprio minderico ou Charales do Ninhou já se adaptou às novas realidades. Porquê é que não fazemos o mesmo com o português genuíno?

Serei sempre contra!

A empresa onde trabalho decidiu aplicar, a partir do próximo ano, o Novo Acordo Ortográfico (NAO), numa atitude de quem quer ser mais “papista que o Papa”, pois como é sabido há ainda alguns problemas na implementação deste AO, especialmente por parte de alguns países lusófonos e de algumas entidades publicas que não se revêem nesta aberração.

Já escrevi neste espaço, mais que uma vez, que sou claramente contra o AO. E ao contrário do que vou lendo em alguns jornais que optaram por aquele Acordo, continuo a achar que tenho razão nesta minha opção.

Dirão alguns dos que defendem o AO, que sou apenas mais um velho retrógrado teimoso e de mente pouco aberta às novas ideias. Naturalmente que posso aceitar este pensamento, mas a verdade é que aprendi a escrever de uma determinada maneira e não me sinto (nada) confortável a redigir nos novos moldes.

Apercebo-me cada vez mais de um número impensável de erros ortográficos, tanto em mensagens de trabalho, como em comentários nos blogues ou no feicebuque. Por vezes fico tão atónito com o que leio, que chego mesmo a duvidar dos meus conhecimentos de português, porque já não sei onde começa o Acordo e acaba a asneira.

Não sei onde iremos parar com esta aventura lindguística, mas uma coisa tenho a certeza: não me vejo a escrever debaixo das regras do NAO.

E se não existisse o "coiso" e a "coisa"?

 

Não sou um linguista perfeito, mas gosto da língua portuguesa. E tento usá-la da melhor maneira possível, tanto na escrita como na fala.

 

Porém é frequente - em demasia creio - perceber, especialmente na juventude, o uso abusivo das palavras coiso e coisa, como substituto de qualquer substantivo (ou nome como agora se diz).

 

Tenho perfeita consciência que as novas tecnologias (telemóveis, aipedes, tuiteres ou feicebuques) trouxeram à juventude, imensas facilidades que os tornaram reféns de uma forma de escrita bem diferente e inusual. Mas daí a substituir-se os nomes apenas pelas palavras coiso e/ou coisa parece-me um profundo exagero linguístico e uma profunda falta de cultura.

 

Há quem goste, neste tipo de análise, procurar culpados, todavia estou perfeitamente ciente que, a haver culpados, somos todos nós. Porque facilitámos na observância deste tipo de erro sem nada dizer.

 

Quanto a mim luto, nem que seja de uma forma obviameente inglória, para que a língua de Camões seja usada e falada como o grande poeta nos ensinou.

 

Termino com a questão que intitula este texto: e se no nosso léxico as palavras coiso e coisa não existissem?

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