Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

A "nossa" culpa!

Este fim de tarde início de noite, enquanto esperava no carro pela minha mulher, que fazia umas últimas compras para a nossa neta, dei conta de um jovem completamente embriagado que chegou a encostar-se ao meu carro.

Sem máscara, mal se continha em cima das pernas jovens. Uma senhora desconhecida tentava ampará-lo. Mal conseguia balbucionar uma palavra e parecia profundamente desonrientado. Não se percebi se seria do alcool ou de outro produto qualquer.

Depois veio alguém que lhe pegou no braço e o levou. Assim sem mais nem menos. Nem imagino quem terá sido.

Todavia a imagem de um jovem às 8 horas de uma noite muito fria e chuvosa completamente alcoolizado não me sai da cabeça. Poderia ter sido um dos meus filhos...

O R. com 22 anos suicidou-se na passada sexta feira e hoje deparo-me com este triste espectáculo noutro jovem. Fiquei com o coração tão pequeno...

Abriu-se uma questão que é, no fim de contas, de todos nós que andamos há anos a educar estas crianças: onde é que errámos?

O postal que não gostei de escrever!

Todo o dia hesitei em escrever este postal. Porque me toca, porque nos toca.

Que escrever ou dizer a um pai que perde o filho? Não foi certamente o primeiro pai, nem será o último, infelizmente. Mas o drama não está na morte em si, mas na tragédia associada, pois ninguém percebe o que leva um jovem de 22 anos a enforcar-se.

Definitivamente até me custa esgalhar este texto. Todavia é necessário alertar, é preciso acordar, é urgente dar voz... à dor interior! Que tantas vezes não ligamos!

Nunca vivi este drama e talvez por isso, repito, que não saiba o que escrever ou o que dizer a um pai cujo filho único se suicidou. Creio que nenhum dicionário chegaria... Porém as palavras não o trariam à vida... Quiçá antes!

Agora a família tentará buscar razões, causas, episódios... que originaram esta profunda tragédia.

Mas faltará sempre a voz única de quem nunca falou ou que nunca foi escutada. Faltarão as lágrimas de quem sofreu sozinho o drama que foi a sua vida, mesmo que para muitos de nós possa nem parecer.

Por isso somos todos tão diferentes.

Hoje o meu coração chora por um jovem que preferiu a tentação de morrer à coragem de viver! E quantos sentirão diariamente este suplício?

Descansa em Paz R.

37a9m25d - #5

Educar os mais novos

Uma saudação ou cumprimento não é nada que custe assim tanto a dar. Bom dia, boa tarde ou até boa noite parecem-me expressões simples de soletrar e não fica mal a quem as profere.

Mas desde que a empresa passou a receber no seu seio jovens acabadinhos de sair das faculdades com médias altíssimas, mas deficiente educação cívica, os casos de alguma má educação sucederam.

Fui “vítima” de um desses momentos já que certa manhã fui o último a entrar num elevador quase cheio. Quando o fiz dei obviamente os bons dias num tom de voz normal. Todavia os jovens doutores que me acompanhavam nesse transporte nem se dignaram responder.

Ora como tenho mau feitio e detesto ficar a remoer, olhei ao meu redor confirmando que estava rodeado dos jovens, puxei do meu vozeirão e:

- BOM DIA. Desculpem-me se vos acordei!

Quiçá assustados pelo timbre e potência da minha voz lá me responderam:

- Bom dia, bom dia, bom dia…

Contudo não foi este episódio que hoje aqui me trouxe, mas um outro protagonizado pela minha colega de gabinete.

Sempre tive o hábito de chegar cedo ao trabalho. Assim a meio da manhã decidi ir tomar um café. A máquina encontrava-se no pátio dos elevadores e deste espaço seguia-se para os gabinetes ou… para as casas de banho.

Quando cheguei estava uma jovem menina, jurista por formação, à espera que a máquina lhe fornecesse o café. Dei os bons dias, que ela não devolveu. Desta vez não estava virado para a educação e deste modo nada disse. Coincidentemente a minha colega de gabinete saiu logo atrás de mim e dirigiu-se para a casa de banho das senhoras. Passando por detrás de mim e da jurista cumprimentou com um sonoro:

- Bom dia!

A menina voltou a não dizer nada. Esperou que o copo enchesse de café. Entretanto a minha companheira de gabinete percebendo que a outra nem se dignara responder e antes de chegar à casa de banho deu meia volta e voltando-se então para mim comentou:

- Ou é surda ou é muda!

E regressou ao gabinete.

Eu nada acrescentei, mas percebi um evidente rubor em alguém!

Juventude ganhadora!

Todos nós nos habituámos a ouvir a expressão “esta juventude está perdida”!

Ouvi-a aos meus pais quando se referiam às patifarias que fazíamos, ouvi-a mais tarde quando já era um homem adulto referindo a juventude da altura e oiço agora perante a actual mocidade.

Creio, portanto, que não se trata de um problema de cultura, mas tão-somente um problema geracional. Como tantos outros…

Eu, ao invés desses profetas da desgraça, acredito na força e na postura dos jovens. Quantos surgem em voluntariados dentro e fora do país, seja em actividades ambientalistas, como em ajudas aos mais necessitados, ou até na ajuda a animais? Serão sem dúvida milhares. E é isso que importa.

Este texto veio-me à cabeça por causa de uma menina que comemora hoje o seu trigésimo segundo aniversário. Tem idade para ser minha filha já que daqui a dias tenho um jovem filho que fará 33 anos.

Todavia a menina mais conhecida da blogosfera por Mula do blogue Desabafos da Mula é um exemplo de como a juventude pode ser um exemplo para os mais velhos.

Não nos conhecemos pessoalmente, apenas virtualmente. De tal forma se eu passasse por ela não me conheceria. Mas nada disto invalida que eu ao ler o que a Mula vai escrevendo não veja ali uma mulher como eme grande. Pela postura, pela coragem, pelo humor, pela sensibilidade e até pelo mau feitio que diz ter.

Ela é um perfeito exemplo de tenacidade e escolhas. Boas e más como todos nós, os mais velhos, fazemos diariamente.

Que se mantenha assim. Apta a enfrentar o Mundo com a sua jovialidade.

Finalmente com ela a juventude não está perdida, encontra-se em cada acção e consequência.

Sexo na cidade!

Não obstante a minha (quase) provecta idade olho para o sexo com normalidade e naturalidade. Reconheço que nunca fui um puritano e aproveitei todas as oportunidades que a vida me ofereceu, especialmente enquanto fui solteiro (e mau rapaz!!!).

Também assisti a alguns eventos que envolveram sexo. Uns de forma voluntária, mas a maioria involuntariamente. A este propósito terei estado, por assim dizer, em locais errados à hora inconveniente… Ou talvez não.

Seja como for tenho para com o sexo uma opinião muito própria: este deve ser feito na intimidade do casal de forma livre e descontraída e nunca, repito nunca, em ambiente publico. Então no sítio onde se trabalha muito menos.

Curiosamente foi nalguns locais de trabalho por onde passei que dei conta de coisas que não devia e fui testemunha de intimidades que não deveriam ser efectivadas no sítio onde se ganha o pão, repito. Creio que esta minha ideia também não deverá ser considerada caretice, mas tão-somente bom-senso pertencendo à lei geral de urbanidade e civismo. Digo eu...

Falo obviamente com a propriedade que 35 anos de casamento com uma colega me dá. É que durante todo este tempo nunca ultrapassámos o limite da decência dentro da empresa. Era o que mais faltava…

Trago aqui este assunto porque hoje no prédio onde trabalho apanhei um casal de jovens em atitudes menos próprias numa escada às escuras. É certo que o entusiasmo entre ambos era tamanho que nem deram pela minha chegada silenciosa. No entanto pareceu-me impróprio e inadequado.

Contudo nada lhes disse. Senti que a vergonha de serem apanhados em flagrante terá sido suficiente para ambos.

Reconheço que a juventude traga as hormonas à flor da pele, mas libertarem-se delas num vão de escada, foi um risco mal calculado que não correu pior porque fui eu a apanhá-los.

Bastava que tivesse sido o segurança do prédio a surpreendê-los e provavelmente as coisas fiariam mais fino.

Digo eu... 2

Saí hoje relativamente cedo para ir para praia. Fim de semana, calor, ausência de vento e claro está uma praia fantástica a pedir visita.

Cheguei ao parque de estacionamento passavam pouco das 9 horas da manhã. À entrada encontrei uma viatura parada. Alguns dos tripulantes tentavam empurrar o carro numa tentativa que pegasse. Em vão.

Fomos avaliando a situação. Entretanto o meu filho pegou nos cabos de ligação directa entre carros e por opção dirigiu-se a eles e apresentou a proposta de ligar duas baterias. Aceitaram imediatamente e lá veio um segundo carro, abriram as tampas do motor, ligaram os cabos e... voilá!

O motor deu sinais de vida e ficou a trabalhar.

Os tripulantes da viatura resumiam-se a duas jovens e um jovem. Que haviam passado toda a noite no bar da praia.

As raparigas, no entanto, carregavam um desequilibrio evidente, resultado de alcool em demasia. O guarda do parque confidenciou-me que uma delas se sentara em cima dum cepo de madeira, mas que ao levantar-se caiu redonda no chão tal ela a bebedeira.

Ora bem... também já fui jovem, também fiz os meus disparates (olá de fiz!!!), mas ainda estar bêbado às 9 da manhã é que jamais me aconteceu. Nem nas minhas maiores farras!

Fica então a pergunta: qual a necessidade destes jovens se encharcarem de alcool e sei lá de outras coisas?

Hoje ao invés de antigamente a juventude sabe demasiado bem as nefastas consequências dos seus actos.

Digo eu...

32!

Enquanto jovem e liberto de qualquer responsabilidade, sempre gastei tudo quanto ganhava. Ou como muito bem diz o povoléu: chapa ganha, chapa gasta.

A maioria do dinheiro era despendido em almoços e enormes jantaradas com amigos. Depois vinha o tabaco (ah pois… também fumei e muito!), para logo a seguir gastar rios de dinheiro em jogo, especialmente nas máquinas de “Flippers” tão em moda naqueles altura. Hoje, à distância que os anos obrigam, tento perceber o porquê de tentar ganhar a uma máquina que estava feita para nunca perder. E acreditem que não foi de todo influência do Roger Daltrey no seu mítico filme Tommy.

Um dia perdi-me de amores por uma mulher. Que me levou a renunciar a (quase) tudo, sem me pedir rigorosamente nada.

Hoje, precisamente trinta e dois anos depois de termos casado, tenho a certeza que fiz a melhor escolha da minha vida. Calculo que ela não lerá nunca estas palavras, mas pouco me importa. Fica aqui o registo para memória futura.

O nosso caminho não tem sido fácil. Uma caminhada já longa com muitas alegrias e algumas tristezas. Porém a vida é mesmo assim… Não vale a pena queixar-me.

Em conversa com uma colega recém casada dizia-lhe eu que na relação com a minha outra metade por vezes as palavras eram/são desnecessárias, tal é a rotina e o conhecimentos que temos um do outro. Ainda bem que assim é!

Curiosamente não estava para escrever nada sobre este dia, mas andei a arrumar umas coisas e encontrei uma espécie de mealheiro. Algo que não tinha há trinta e cinco anos.

Finalmente há uma frase conhecida que diz que “Um homem casa à espera que a mulher nunca mude e ela muda, enquanto a mulher casa com um homem à espera que ele mude e ele nunca muda”. Neste ponto serei uma excepção pois mudei muito. Umas vezes forçado outras por opção.

Mas vivo bem assim!

É o que importa não é?

Trocaram-me as voltas!

Tenho por hábito afirmar que quem não valoriza o seu passado não pode valorizar o seu futuro. Esta máxima na sua génese aplica-se tanto a pessoas como a empresas.

Hoje precisei de ir à tesouraria da casa onde trabalho há perto de 35 anos. Esta é uma entidade secular com perto de dois mil empregados e, portanto, com um enorme passado. Umas vezes mais brilhantes outras nem tanto. Mas vai fazendo o seu percurso.

Como ia dizendo (leia-se escrevendo) entrei na tesouraria, onde trabalhei 15 anos, e procurei um colega desse tempo mas muito, muito complicado em termos de trabalho. Abordei-o, tu cá tu lá, e pedi-lhe uma coisa e ele sem mais, manda-me tirar uma senha. Eis o primeiro revés. Algo que ele faria em 10 segundos, repito 10 segundos, não mais e obriga-me a tirar senha. Bom percebi o contexto e lá fui à maquineta retirar a dita.

Passaram-se vinte minutos até que alguém chamou pelo meu número. Não era o mesmo colega. Dei a minha senha a uma jovem que provavelmente já nasceu depois de eu estar na empresa, e disse ao que vinha. Pois bem, mandou-me preencher um papel.

- Mas eu sou empregado do activo desta casa… - disse eu tentando demover a minha colega enquanto mostrava a minha identificação.

Nada feito. Furioso com a situação que correspondia somente a uma troca, uma mera troca, abandonei logo a tesouraria invetivando tudo e mais alguma coisa.

Pegando nisto percebi como está agora formatada a nossa sociedade. Não há amigos, colegas, companheiros ou simples conhecidos. Esta nova filosofia laboral não olha às pessoas, ao ser humano, mas somente à burocracia e às normas instituídas, esquecendo que não obstante estar breve da reforma a empresa cresceu também comigo e com as centenas, quiçá milhares, de trabalhadores que me antecederam.

Lembro quando era muito mais novo e algum colega mais velho surgia eu adorava falar com eles saber as suas histórias que foram histórias daquela casa. E fazia sempre o que me pedia… Outros tempos, é certo!

Hoje somos olhados por esta juventude de sangue na guelra e um bloco de gelo no coração, como empecilhos e gente de menos-valia.

Olvidam que também um dia chegarão a velhos. Talvez se lembrem do que fizeram… Ou não!

Troca ou moda?

Já vi quase tudo na vida.

Realmente faltava-me ver esta...

Hoje fui com o meu pai a uma consulta de rotina. De forma que apanhámos o metro por ser muito mais rápido.

Entrámos e sentei-me à frente do meu pai a falar de coisas da nossa aldeia.

De repente notei num jovem que se encontrava sentado num outro banco. De aspecto jovial e moderno, de repente percebi que nele algo não estava bem...

Olhei, voltei a olhar e fiquei sem perceber se aquilo fora engano ou será simplesmente moda.

O jovem trazia calçado um par de sapatos completamente diferentes. Em cor e em modelo!

Violência em directo

De vez em quando eis que surge mais um caso de violência juvenil filmada e indevidamente publicada nas redes sociais ou algo semelhante.

As televisões pelam-se por estas notícias… Ui e de que maneira. Através de longuíssimas reportagens com a passagem dos vídeos até à exaustão ou entrevistas, geralmente aos pais das vítimas, ou então escutam a opinião de alguém que consideram um analista deste tipo de fenómeno.

As vítimas são assim espoliadas da sua reserva e atiradas para o meio das televisões sem qualquer preconceito. É o tal direito à informação, dizem!

Creio ter chegado o tempo dos meios de comunicação social, especialmente os canais televisivos, acordarem uma espécie de regra tácita para que este género de assunto não seja divulgado de forma generalista. Acima de tudo para bem dos violentados.

Todos temos consciência que não é por não se falarem das coisas que elas não existem. Longe disso. No entanto seria fantástico evitar-se mostrar imagens dos acontecimentos. Estas deveriam ser entregues somente às autoridades competentes de forma a fazer-se investigação e apuramento dos factos.

Outro problema nestes casos prende-se como a Justiça (não) faz o seu trabalho. Primeiro porque na maioria os prevaricadores são menores e neste sentido inimputáveis à face da lei criminal. Serão os pais, em última instância, a pagar pelos erros dos filhos. Segundo porque não parece haver uma condenação eficaz para este género de crime.

Seja como for, e de modo a evitarmos males maiores, seria muito bom que este tipo de violência gratuita não surgisse nas televisões porque simplesmente a dignidade de quem é vítima destes horrores, ficará sempre em causa.

Não podemos permitir isso. De todo!

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D