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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Jerónimo de Sousa, o resistente!

Nunca alinhei pelas ideias do PCP. Um partido muito fechado sobre si próprio, estanque à comunicação social e interiormente diria que muito pouco... democrático. Conheço quem tenha confrontado há muitos anos o antigo lider Álvaro Cunhal pela forma como este liderava o partido. Desse confronto originou a saída do meu amigo da militãncia partidária comunista.

Estranhei por isso a recente notícia da saída de Jerónimo de Sousa da liderança do Partido Comunista. E mais estranhei quando percebi que irá também largar o seu lugar como deputado na Assembleia da República. Algo acontecera para tal decisão, pensei!

Descobri hoje que há motivos válidos e que se prendem com a débil saúde de Jerónimo de Sousa para esta decisão, o que desde já lamento. Sinceramente!

Sair de uma liderança partidária para se dar lugar aos novos com renovadas visões é uma atitude madura, mas abandonar assim o partido é triste e acima de tudo imerecido.

É tempo do antigo metalúrgico e o únido deputado da Assembleia Constituinte ainda em actividade, aproveitar ao máximo a companhia da família e recuperar o melhor que poder a sua saúde. Assim espero e desejo.

Sempre considerei o antigo metalúrgico um homem honesto e afável. O seu discurso não saía do registo a que estamos habituados naquele partido, mas ainda assim mostrava-se sempre muito educado. 

Teimou em 2020, no auge da pandemia, em manter a Festa do Avante quando muitos o desanconselhavam (eu próprio considerei um erro...), mas manteve a sua teimosia e acabou por ganhar a bravata. Terá perdido algum charme político quando não pretendeu ser governo com o PS e daí talvez a queda abrupta nas eleições seguintes com perda de metade dos seus deputados. Os custos de uma geringonça que o país nunca pretendeu...

Termino com a ideia de que Jerónimo sai da política, mas tenho a certeza que a política jamais sairá dele.

Finalmente e como nota de rodapé relembro alguns textos de comentadores que por altura das eleições e dos maus resultados do PCP, a lançarem João Ferreira para a frente do partido. Mais uma vez o Partido Comunista a mostrar como tudo naquela casa fica lá dentro e nada transpira para fora.

Resposta à resposta!

A Sarin lançou-me um desafio, eu respondi, ela devolveu com este belo texto. A bola veio para este lado e agora é a minha vez de assumir a bola e fazer dela… o que a minha mente aprouver.

 

Diz a sabedoria popular que “à mulher de César não basta ser séria, tem de parecer”! Plasmando este ditado na Festa do Avante de 2020, creio que se o PCP não tivesse organizado o evento sairía claramente por cima, dando um exemplo à sociedade civil e mostrando que a sua preocupação era com o bem-estar do povo. O comunista e não só!

Porque, digam o que disserem a Festa do Avante, não é somente um evento político, mas tornou-se, e ainda bem, um acto cultural. Acrescentaria que serão mais as pessoas sem qualquer afectividade ao PCP que visitam a Festa que os próprios comunistas. Ou pelo menos visitavam.

Mesmo com todas as regras de higienização que possam ter implementado a Festa cheirou a… teimosia partidária. Tão-somente!

Quanto a Jerónimo de Sousa… diria que é uma figura simpática, afável. carismática. Todavia o registo invariavelmente cinzento dos seus discursos já me parece evitável. Urge para o PCP a necessidade de uma alma nova, de renovadas estratégias, de um líder que aproxime gerações (a juventude raramente se revê nos mais velhos).

O mundo mudou… muito, mas os comunistas continuam presos num passado que já não regressa. E esse será eventualmente o seu maior erro. Como diria alguém: é preciso ousar!

Entretanto outros partidos de esquerda aproveitaram-se deste congelamento político dos comunistas e vão arregimentando eleitores que provavelmente até já votaram no PCP. A prova está à vista de todos: o PCP a descer no número de eleitores e outros a subir.

Termino com uma confissão: entre os meus amigos tenho um muito especial que foi militante do PCP. Todavia muito cedo na sua militância percebeu que "o partido não tinha nunca auto-critica" (palavras dele!) e fê-lo notar na altura ao líder Álvaro Cunhal, que não apreciou, de todo, o reparo. O ambiente entre ambos, ainda por cima sendo os dois juristas, foi-se deteriorando. Daqui resultou que o meu amigo ao fim de uns tempos abandonasse o partido, mas nunca as suas convicções de esquerda!

A queda de Jerónimo de Sousa!

Quando se fala da queda da cadeira de Salazar quer significar o princípio do fim de um regime político totalitário e que encerrou o país ao Mundo.

Lembrei-me hoje deste episódio, quase histórico, para fazer uma breve ponte para com o líder do PCP, Jerónimo de Sousa. Também este, com a teimosia de fazer a Festa do Avante, caiu de uma suposta cadeira… A cadeira do poder que detinha no Partido da Soeiro Pereira Gomes. Só que ainda não o sabe.

Nas últimas semanas li e escutei muita gente, na maioria afecta ao PCP, assumir publicamente o seu desacordo perante a realização daquele evento, numa altura em que os casos têm vindo a subir. Independentemente das medidas e restricções impostas pela DGS quanto ao número de pessoas presentes, a realização da Festa do Avante foi uma espécie de braço de ferro com o Governo. Tão-somente!

Por tudo isto fico com a ideia de que o PCP perderá mais algum eleitorado nesta sua demanda, mesmo que não surjam eleições importantes no horizonte mais próximo.

É por estas e muitas outras que o crescimento de grupos radicais quase sempre associados à direita seja tão evidente, enquanto a esquerda parece ter perdido o norte e o bom-senso.

Depois não se admirem com os resultados e não culpem sempre os mesmos! 

E agora Jerónimo?

Assisti esta noite à entrevista que o líder do PCP deu a Judite de Sousa. De tudo retive uma ideia central: o PCP está entalado...

Tentarei então explicar a minha ideia:

1 - desde o famoso PREC (Período Revolucionário em curso) que adveu após o 25 de Abril e em que o PCP, muito mais organizado que o PS, tomou conta do País e comandou os destinos de Portugal até Mário Soares e Ramalho Eanes retirarem à força (25 de Novembro de 1975) o poder que o PCP havia conquistado sem eleições.

2 - Desde essa altura o Partido liderado na altura pelo carismático Álvaro Cunhal jamais perdoou ao PS a suposta traição e passou a ser seu inimigo fidagal. Mesmo que, por ironia do destino, anos mais tarde tivesse de dar o voto numa segunda volta a MS evitando que Freitas do Amaral (na altura mais centrista e democrático cristão) viesse a conquistar Belém.

3 - Pelos anos fora o Partido, actualmente liderado por Jerónimo de Sousa, sempre apontou as bateriasi ao seu inimigo número um. Fosse porque havia feito, fosse porque não havia feito... Daí a ideia de que o PCP existe como partido unicamente de protesto e sempre muito longe do arco da Governação.

4 - Porém os últimos resultados eleitorais trouxeram uma nova realidade política. E o PS encontra-se formalmente com o PCP no tal célebre dia 7 de Outubro. Não imagino o que terá sido dito nessa reunião mas não deverá ser dificil de adivinhar o seu conteúdo.

5 - Nesta entrevista Jerómino mostrou-se pouco à-vontade na eventual posição de acesso ao poder, deixando muitas perguntas que lhe foram formuladas sem resposta ou tentou derivar sempre para o mesmo tema que abrange a queda do actual governo

6 - Finalmente Jerónimo encontra-se barricado entre a posição de ter de dar apoio ao PS (que sempre atacou) mesmo que tenha de "esquecer" algumas das suas ideias centrais, ou faz parte do governo assumindo os respectivos custos políticos que lhe estão associados.

Nunca vi o lider do PCP fugir às questões como esta noite. Mais... A determinada altura quase deu a entender que estava a pedir desculpas ao PS pelos constantes ataques durante a campanha.

Temos assim um PS que negoceia de forma independente um acordo com os dois partidos da esquerda e um PCP muito desconfortável na posição de fiador de um futuro governo PS/BE.

O Dr. Álvaro Cunhal se fosse vivo não ficaria nada feliz, disso tenho acerteza!

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