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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Utopia ou realidade?

Como se percebe pelas recentes notícias a política de limpeza das matas continua um horror. Tirando um caso aqui e ali, maioritariamente a floresta continua repleta de mato e inertes. E é neste último ponto que me vou focar hoje.

Desde o início de 2015 que iniciei uma espécie de demanda contra o mau estado dos terrenos agrícolas pertencentes ao meu pai. Uma luta dura que me tem gasto tempo e muuuuuuuuito dinheiro. Todas as semanas lá vai mais uma transferência para pagar mais uns dias de trabalho de um ou mais homens.

No entanto ainda fica muito por fazer. Especialmente a queima dos inertes ou sobrantes. O que equivali«e dizer que não obstante o desbaste e corte de mato grosso e robusto, mais não posso fazer senão deixá-lo no chão a aguardar que chova para que possa ser queimado.
Mas fica a pergunta: e se não chover?

Pois... é aqui que "a porca torce o rabo" e em vez de termos mato verde e espalhado, temos o mesmo cortado e a secar, transformando-se em pequenos barris de pólvora, sempre prontos a arder.

Na verdade quem se senta por detrás de uma secretária a proferir legislação e a dar entrevistas não tem conhecimento da realidade do terreno. E nem aponto isso como desinteresse, apenas desconhecimento.

Sugiro por isso que em cada freguesia haja alguém a fazer o apanhado dos terrenos que estão a ser limpos, mas sem possibilidade de queima, de forma a fazerem a respectiva recolha por empresas que criam energia com estes sobrantes.

Resolviam-se assim dois problemas: o mato era cortado e não haveria necessidade de queimar, colocando em perigo matas e povoações.

Tenho consciência que tudo o que escrevi acima não passará de pura utopia. Mas pelo menos fica a ideia!

Não moem, mas matam!

Quando os dramas acontecem muita gente vem a público dizer de sua justiça, disparando para todos os lados, criticando todas as classes, assumindo posições que passados os dias negros logo esquecem.

No Verão são os incêndios, no inverno as cheias… Ano após ano, estação após estação, desgraça após desgraça.

Por estas alturas vemos também alguns governantes muito afoitos a darem a cara por medidas a tomar num futuro breve. O povo ouve, sorri porque sabe que é mentira!

Um destes dias ouvi o senhor Ministro da Agricultura a declarar na televisão que o governo vai ajudar aqueles que tendo florestas e matas não têm capacidade financeira para as limpar. Eu (também) sorri porque a demagogia do senhor Ministro é tão grande, mas tão grande que ele próprio não acredita no que profere.

Se fosse a mim que ele tivesse dito o que disse perguntar-lhe-ia somente se as matas e as florestas, que são pertença do Estado, estavam todas limpas. Mas claro o jornalista não tem coragem de fazer as perguntas correctas. O costume!

Mas há mais… A minha família tem diversos projectos de “Reflorestação de Terras Agrícolas”. Todos eles incluem milhares de sobreiros e algumas centenas de pinhos mansos, que plantámos e que vão crescendo serenamente. Com o novo PDR2020 apresentou-se uma candidatura para se intervir nestes projectos de forma a eliminar potenciais focos de incêndio. A candidatura veio indeferida por razões que desconhecemos (ou talvez se saiba, mas isso são contas de outro rosário).

O meu pai apresentou também um projecto para melhoramento dos terrenos e da floresta… Ainda nem sequer foi analisado pelas entidades competentes. O Outono e o Inverno aproximam-se e é nesta altura que as intervenções fazem sentido.

O IFAP, as Direcções Regionais da Agricultura, o ICNF e tantas outras entidades que poderiam e deveriam ter uma política de proximidade não sabem muitas vezes o que fazer… Pois o que hoje é lícito amanhã já não será… só porque alguém, num qualquer gabinete ministerial, assim o decidiu.

Entretanto os políticos abraçam vítimas como se os abraços apagassem incêndios ou limpassem as matas.

O país vai murchando e morrendo… queimado!

Tristes coincidências?

Ninguém se sente indiferente às mortes de bombeiros, ocorridas nas últimas semanas. Os incêndios que continuam a devastar, o nosso já pobre património florestal, têm trazido consigo esta tristeza de ceifar vidas inocentes.

 

É claramente preferível que arda uma centena de árvores a que se extinga uma vida humana. Esta jamais será substituída enquanto as árvores, duma forma ou doutra, poderão e deverão ser replantadas.

 

Mas a frequência com que este ano tem surgido as mortes dos soldados da paz e carros de bombeiros incendiados, dá-me que pensar.

 

Não imagino sequer a que se deve tantos e tão trágicos acontecimentos em tão pouco tempo. Apenas quero crer que são (mui) infelizes coincidências.

 

Ou será que não?

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