Gastar vamos?
Já por aqui fui dizendo que durante alguns anos fui do género tão luso de “gastar vamos”. Tivesse eu naquele tempo poupado algum hoje teria provavelmente um pé de meia razoável. Mas não o fiz e de nada me vale agora vir aqui lamentar.
Hoje sou uma pessoa bem diferente pois só gasto o que posso. A minha reforma não sendo doirada é, ainda assim, suficiente para não ter dificuldades, mas também é certo que não esbanjo dinheiro.
Como não tenho vícios também ajuda a controlar as minhas despesas.
A minha experiência de vida ensinou-me que quanto menos eu ganhar mais vontade tenho em ter coisas caras que o meu orçamento não comporta. Parece assaz estranho, mas é verdade!
Se juntarmos a esta gulodice por coisas impossíveis uns cartões de crédito temos uma mistura quase explosiva a que muita gente não resiste.
Talvez por esta filosofia estar já enraizada no espírito lusitano é que se percebe que algumas empresas do sector telefónico vendam equipamentos recentes por valores altíssimos, quando a maioria dos compradores não conseguirá usufruir do aparelho em todas as suas valências ou se comprem férias em locais paradisíacos a pagar em x prestações ou aquela consola que amanhã será substituída por uma mais moderna.
Só que o pior destas (más) opções não tem só a ver com as dívidas contraídas e que provavelmente nunca serão pagas, mas com a colocação das próprias famílias num limbo demasiado perigoso, retirando a estas os recursos mais elementares como alimentação, vestuário ou educação.
Não é primeira vez que falo desta nossa novel postura. Depois de uma época em que os nossos pais foram ensinados a poupar hoje vivemos tempos opostos com uma juventude nada preocupada com o dinheiro e muito menos com o seu futuro e descendentes.
Com um ex-PM a assumir nos seus tempos aúreos que as dividas não se pagavam… não admira!