Para muitos católicos e até não católicos mas que viram sempre em Francisco um exemplo de tenacidade na mudança da mentalidade da igreja, o problema do recente desaparecimento do Papa argentino prende-se com o seu sucessor!
Não interessa se vem de África, América, Europa ou Ásia... o que conta mesmo é saber que fará o próximo herdeiro da cadeira de S. Pedro.
Francisco assumiu muito os erros da Igreja, nomeadamente os abusos sexuais. Aceitou a presença das mulheres numa relação mais próxima, como percebeu que as opções sexuais de cada um não eram uma doença, mas eram isso mesmo uma opção... de amor.
Agora vamos caminhar para o desconhecido. Há quem fale de cardeais mais à esquerda de Francisco e prontos para levar uma maior modificação na igreja, outros mais ortodoxos preferem um recuo das ideias do Papa ora falecido. Como assumem todos será o Espírito Santo a escolher o sucessor de Pedro.
A igreja necessita rapidamente de uma renovação. Provavelmente há século e meio não olhavam para o telefone como algo útil. Hoje todos os padres têm telefones inteligentes e usam as redes sociais para divulgar a palavra de Deus.
Deste modo a igreja terá, mais tarde ou mais cedo, de se adaptar a uma nova e diferente realidade.
Finalmente... sei que a Igreja é a esposa de Cristo, mas esta relação pode não ser suficiente para que a actual comunidade católica continue a crescer.
Sendo católico não posso deixar de me sentir profundamente envergonhado com os crimes de cariz sexual praticados pelos padres. Em Portugal e não só!
Vivemos num Mundo absurdo e sem valores. Já ninguém é de confiança, nem podemos garantir que tal personagem é incapaz de tais actos hediondos. Longe disso…
Neste momento a Igreja como instituição percorre estranhos caminhos. Por culpa própria, acrescento!
Entretanto a justiça humana terá de ser feita, custe a quem custar e doa a quem doer. Porque a justiça Divina será outra bem diferente e não caberá ao Homem fazê-la. Entretanto nestes caminhos não pode ficar uma suspeição, uma mera dúvida em aberto, um caso sem ser deslindado.
Escrevi acima que a Igreja é moralmente culpada por estes crimes horríveis, pois se deixassem aos padres abraçarem o matrimónio, como fazem outras confissões religiosas, provavelmente nada disto aconteceria.
Mas no Vaticano há uma Cúpula que pretende continuar (vá lá saber-se porquê!!!) esta estúpida regra.
A Igreja católica apostólica Romana vai ter que acordar para uma nova realidade se pretender manter a força política que sempre teve.
Porque a influência religiosa há muito que a perdeu!
Como católico estou um tanto apreensivo com a eventual saída de D. Manuel Clemente de Cardeal Patriarca de Lisboa. Já li que D. Manuel está aproveitar a situação das diversas denúncias de eventuais abusos sexuais por parte do clero para renunciar ao cargo, mas tudo devido ao seu estado de saúde.
Entretanto a Igreja católica atravessa uma enormíssima crise, não só de identidade como de vocações para além dos tais escândalos de abusos de cariz sexual. Obviamente que muitas outras tendâncias religiosas aproveitam-se destas fragilidades para tentarem crescer à custa da desgraça alheia. Faz parte!
Na minha relação com o clero conheci e conheço alguns que renunciaram às suas vocações para assumirem um amor. Todos eles têm já filhos o que equivale dizer que a Igreja, como instituição, não soube adaptar-se a este novo mundo e perdeu por isso padres fantásticos.
Tenho debatido com outros clérigos a minha ideia de que os religiosos deviam ter direito a optar entre uma vida dedicada à missão de pastor de almas ou assumir a sua vocação também como pastores, mas sempre com a postura de um homem carnal. Nenhum dos padres com que falei concorda com esta minha ideia...
O celibato parece-me, nesta época, algo assaz retrógado, cheirando ainda a Inquisição.
Seria bom que o Papa Francisco e a Cúria Romana acordassem num modelo híbrido para os novos padres. Talvez com isso se evitasse tantos escândalos.
Finalizo com a ideia de que a justiça e a Igreja deveriam em conjunto tentar perceber a verdade e a mentira (porque também há!!!) e julgar e condenar os criminosos.
Porque precisamos de bons Padres e não podemos agora olhar para estes e pensar que poderão estar envolvidos em algum escândalo.