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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

A estranha pressa dos idosos

Já por diversas vezes falei aqui da minha má relação, para não dizer péssima, com as passadeiras de peões e mais ainda com os próprios peões.

Por via das dúvidas consultei há tempos um advogado amigo que me esclareceu que as passadeiras são sítios próprios onde os condutores de veículos, motorizados ou não, deverão dar prioridade de passagem aos peões que se encontrarem na berma da estrada com o desejo evidente de a atravessar.

Até aqui, goste ou não se goste, é a lei e portanto "dura lex sed lex".

Todavia a prioridade é dada nas faixas listadas quase sempre a branco na estrada, não deve ser em qualquer lugar duma rua.

Falo disto porque o meu pai, um destes dias atravessou a estrada sem ser na passadeira. Por acaso não vinha qualquer viatura e não teve problema. Como o meu velho pai todos os dias sou testemunha de muitos idosos a atravessarem as ruas sem se preocuparem em fazê-lo nos lugares devidos e forçando a paragem do condutor no meio da via, arriscando o peão a levar com uma qualquer motoreta, dessas de entregas de comida que se esgueiram por todo o lado.

Sinceramente... ainda não consigo entender qual a pressa do idoso que o leva a colocar em risco a sua própria vida e quiçá estragar a vida de um condutor.

Para piorar a coisa noto que quanto mais limitado em andar a pessoa idosa está, mais se afoita na estrada!

Vamos lá compreender esta gente!!!

Educação: decisões difíceis!

A maneira como cada um de nós educa ou educou os filhos varia muito da nossa própria educação ou da forma como assumimos a vida que vai escorrendo por entre as nossas mãos.

Tenho um velho amigo que nunca soube educar convenientemente os filhos. Mas não o fez por descuido, mas porque, no fundo, também fora educado da mesma maneira. Ele sabe perfeitamente o que penso, pois disse-lhe ene vezes que estava a educar mal os seus infantes. Na altura ele concordava comigo, mas não nunca teve força psicológica e moral para inverter o rumo dos acontecimentos, com os custos financeiros e pessoais inerentes a essa incapacidade de se impor.

É sem dúvida uma das melhores pessoas que conheci em toda a minha vida e continuo a pensar que não merece, de todo, o calvário que passa.

Faço com isto a ponte para dois casos que irei relatar: um que assisti e outro que me foi relatado por um amigo.

O primeiro aconteceu hoje. Estava no corredor da piscina onde a minha neta vai tomando umas lições de natação quando chegou uma menina de seis/sete anos de idade à porta, vinda da piscina em fato de banho e enrolada num roupão. Procurava a mãe que teria a roupa para se vestir. Só que esta não estava presente. E ali ficou minutos ao frio a aguardar. Finalmente apareceu a mãe e quando disse que estava à espera há algum tempo escutei:

- A mãe estava a trabalhar!

Fiquei triste com aquela desculpa e no meu pensamento nasceu logo a verdadeira questão: quando é que um trabalho vale mais que um filho?

Perante este mau exemplo nem imagino como será lá em casa... Creio que deverá viver em roda livre, sem regras nem limites.

O segundo caso foi contado por um amigo que uma destas noites teve em casa a jantar com ele e com os três filhos duas colegas da filha mais nova de treze anos. Este pai tem por hábito impor a regra de jantarem todos juntos (pais e filhos), mas só quando o último acaba de comer é que têm todos autorização para levantar da mesa. Outro pormenor é a ausência de equipamento electrónicos à mesa! Muito bem acrescento eu!

As meninas convidadas estranharam aquelas regras e ambas confessaram que em suas casas cada um come à hora que lhe apetecer e o que quiser. Mais... têm de ser elas a preparar a refeição se quiserem jantar alguma coisa. Portanto imagine-se o que terá sido a educação daquelas jovens... porque agora dificilmente mudarão de postura.

Não sou sociólogo, psicólogo e psiquiatra para tentar traduzir estes dois casos. Todavia tenho a certeza que estes pais, ora distantes dos filhos receberam igual educação dos seus antecessores.

Aproxima-se o Natal a passos largos. Uma altura que deveria de ser de junção de família temos muito filhos em vésperas da festa a entregar os seus antecessores nos hospitais para que possam viver o Natal descansados esquecendo que amanhã poderão ser eles a serem escorraçados de casa!

A Maribel publicou hoje um belo texto sobre educação! Que todos deveriam ler e seguir!

Dezembro... o mês das emoções!

Hoje é o primeiro dos últimos! O primeiro dia do derradeiro mês do ano de 2023.

Mas é outrossim o mês do Natal, que deveria, repito deveria, ser uma época de alegria, de partilha e acima de tudo de... Paz!

- Paz num Mundo que não pára de se guerrear;

- Paz nos corações dos soldados da vida;

- Paz nos espíritos permanentemente rebeldes;

- Paz nos dias que vamos desfolhando em cada folha de calendário.

O Dezembro é para os católicos o mês do Advento. Um mês de um novo ano litúrgico e que nos remete para a nossa vida resumida nos passos que demos, nas palavras que (mal ou bem) proferimos, nos gestos que assumimos.

Um mês de alegria infantil com a luz, embrulhos, enfeites e mais uma panóplia de artefactos que enchem os nossos olhos.

Dezembro... o mês da consciência de que vivemos num planeta recheado de contradições e perante as quais somos totalmente impotentes para as reverter.

Finalmente não esqueçamos os desvalidos sejam eles sem-abrigo, idosos ou simplesmente gente que vive a vida no limite da incerteza.

O último mês do ano... Dezembro! Um mês de emoções... Todavia nem sempre pelos melhores motivos!

A gente lê-se por aí!

Na cidade...

São dez e meia da manhã de uma quarta-feira de um final de Julho. Obriguei-me a resolver uns assuntos que eram anormalmente adiados. Ou por evidente falta de tempo ou porque estava noutro local.

Bom, mas hoje lá fui dar as minhas voltas e já a caminho de casa passei por uma avenida que ladeia a linha do comboio. A rua é larga, mas ainda assim o estacionamento em ambos os lados estreita-a. Porém os passeios estão livres de viaturas para que os peões os usem sem perigo.

Estou eu a passar a rua de carro quando à minha frente deparo com uma idosa que com evidentes dificuldades em se deslocar, ainda assim o fazia ocupando parte da faixa da estrada. Pior... a bengala que suportaria parte do seu peso estava tão inclinada que qualquer viatura a poderia atingir.

Aproximo-me devagar, mas tenho algum receio em me aproximar da anciã. Então reparo que não nenhuma viatura atrás de mim e paro o carro no meio da estrada, saio e vou ao encontro da idosa:

- Bom dia minha senhora.

- Bom dia - respondeu-me de voz trémula por detrás da sua máscara azul.

. Não seria melhor a senhora caminhar no passeio? É que na estrada arrisca-se a ser colhida por algum carro... - tento eu.

- Tem razão, mas os passeios são estreitos e depois as pessoas querem passar depressa...

- Então porque não escolhe o lado de lá... sempre há menos peões.

A senhora olha para mim e temi o pior. Mas após um suspiro cavo a velhota respondeu-me:

- Assim seja... ajuda-me a chegar ao outro lado?

- Claro... obviamente!

Esclareço que naquela altura alguns condutores perdiam já a paciência por esperarem atrás do meu carro e buzinavam.

- "Temos pena... " - pensei.

Ajudei a atravessar a rua e despedi-me desejando-lhe um bom dia. Quando entrei no carro agradeci a quem estava atrás à espera e segui finalmente caminho.

Deste meu episódio matutino guardo duas conclusões... A primeira é que os passeios são roubados aos peões para originar estacionamento pago, a segunda é que mesmo com pandemia as pessoas continuam exasperadamente apressadas e frenéticas.

Continua-se sem aprender!

Ainda as vacinas...

Se há algo nesta pandemia que não me deixa descansado é esta estória da vacinação. Por aquilo que vou lendo e ouvindo na rádio ou por vezes nalguma televisão que esteja ligada cá em casa, é que ninguém tem a certeza de que a vacina será o melhor antídoto.

Conheço até um médico que foi vacinado e que me disse que, exceptuando ele, todos os colegas que foram vacinados com ele tiveram grandes reacções.

Sendo assim, será mesmo necessário vacinar, por exemplo, idosos que não saem de casa?. Passo a dar um exemplo: o meu pai tem 88 anos e foi chamado pelo Centro de Saúde para fazer a primeira vacina. O mesmo se irá passar com a minha mãe que tem 82 anos, já que irá no mesmo dia mas uma hora mais tarde.

É que bem vistas as coisas o meu pai raramente sai de casa. Isto é... sai para ir à horta e regressa. Depois nos supermercados é sempre o primeiro cliente a entrar e até hoje, que eu saiba, escapou à infecção.

Neste sentido sinto que os lares mereceriam uma maior intervenção e cuidado na vacinação.

Velhice – ajudar a desaprender!

A vida humana é assim como os filmes: simétrica.

- Uma criança nasce totalmente dependente dos outros, sejam mães, pais, avós ou amas;

- Um idoso é profundamente dependente dos outros, sejam filhos, netos ou cuidadores;

- Uma criança aprende tudo o que se lhe ensina;

- Um ancião desaprende o que demorou tantos anos a aprender;

- Uma criança não se preocupa com o futuro;

- Um velho não se rala com o passado;

É com enorme mágoa que diariamente vou assistindo ao definhar de alguém próximo, que durante muuuuuuuuitos anos, teve nas suas mãos as rédeas da vida de muita gente.

Hoje tem de ser vigiada permanentemente, já que não tem consciência do que faz. Por exemplo já foi apanhada a tentar deitar detergente no seu próprio leite ou na ração da cadela. E foi complicado dizer para o não fazer...

Não se lembra dos nomes dos netos e quando raramente se recorda confunde-os todos. Espalha objectos por todos os armários sem ter consciência real de onde são as coisas.

Dia a dia nota-se que perde mais discernimento e é aqui que temos de ajudar. Já não vale a pena obrigar a pensar pois nunca conseguirá… A senilidade venceu!

Agora resta-nos ajudá-la a desaprender.

Com carinho e coragem.

Será que só eu é que assisto… (V) 

São quase cinco da tarde. Caminho apressado para o hospital onde me aguarda um exame perto da hora do chá inglês. Desde o metro ao portão de entrada são trezentos metros de um passeio largo.

Cruzo-me com diversas pessoas anónimas e de (quase) todas as idades. O sol bate forte mas hoje até nem está muito calor. Olho em frente quando me apercebo de uma idosa que agarrada a uma bengala caminha em sentido contrário do meu muito devagar, denotando esforço.

No instante seguinte percebo que cambaleia e ameaça cair. Estou a meia dúzia de metros da anciã… nem tanto! Temo que possa tombar e a minha reacção instantânea é correr ao seu encontro. Em boa hora o fiz porque a senhora larga a bengala e se não fosse eu teria caído com violência na calçada.

Não a deixo cair, amparo-a e dou-lhe a bengala. Logo uma jovem aparece junto de mim disposta a ajudar. Identifica-se como enfermeira do hospital que eu tinha como destino. Olho em redor e encontro uma parede pequena que serve às mil maravilhas para a senhora se sentar. Devagar, eu a jovem enfermeira, conseguimos que ela descanse.

- Como se chama? – pergunto!

- Verónica…

- Que idade tem? – pergunta a enfermeira.

- Oitenta e nove…

Aqui olhámos um para o outro e a pergunta estava lá… Todinha…

- Como era possível que esta senhora ande em Lisboa completamente sozinha?

Continuou o breve interrogatório:

- Donde vem e para onde vai?

Numa voz sumida foi respondendo:

- Fui a uma consulta ao hospital e agora vou ali apanhar o autocarro que pára à minha porta.

- Não tem ninguém para a acompanhar: filhos, netos… alguém?

Olhou-nos a ambos e eu percebi naquele olhar, que jamais esquecerei, o verdadeiro sentido da solidão. Entretanto a enfermeira aproveitara a mão dada à idosa para lhe medir a pulsação. Apercebi-me pelas vezes que olhava o relógio. Finalmente respondeu:

- Estão todos muito longe.

- A senhora tem uma pulsação muito fraca. É melhor vir ao hospital para ser observada.

Num gesto que pareceu repentino pretendeu levantar-se, mas nós impedimo-la. Logo no momento seguinte soou qualquer coisa que identifiquei como sendo um telemóvel. Da idosa que também ouvira. Da mala, tão velha quanto a dona, Verónica retirou o aparelho, olhou o monitor e disse:

- É o meu filho.

Antes de falar, a enfermeira virou-se para a doente e perguntou mais uma vez, enquanto retirava o aparelho das mãos da senhora:

- Posso falar com o seu filho?

Não resistiu. A jovem afastou-se de mim enquanto falava para alguém. Não foi necessário um minuto para voltar a entregar o aparelho à dona:

- Falei com o seu filho… Ele está a sair do golfe e vem já buscá-la.

Este país não é para velhos!

Caso 1
Há uns anos uma idosa esperava numa paragem por um autocarro que jamais aparecia. Ultrapassando detalhes, acabei por levar a senhora no meu carro aos Bombeiros, onde iria tomar uma injeção. Como não tive coragem de a abandonar coloquei-a em casa, onde vivia com um marido entrevado havia anos. Família? Não tinha!

Caso 2
No Hospital de Santa Maria uma idosa foi deixada manhã cedo para uma consulta. Após ter sido consultada descobriu que a carrinha que a levara ao Hospital só a iria recolher pelas cinco horas da tarde. Até lá teria de aguardar. Era meio-dia! Família? Uma filha que não via havia tempos. Ofereci-me, após a minha consulta, para a levar a casa. Porém teria de esperar que eu fosse também consultado. Não esperou, desapareceu entre a multidão.

Caso 3
Uma amiga octogenária caiu no chão de uma grande superfície e acabou no hospital com o diagnóstico de bacia fracturada. Ficou naturalmente acamada durante semanas. Viúva, mãe de uma filha também ela doente, esta minha amiga passou a viver do que a filha ainda assim ia preparando, sempre de má vontade. Acabámos por ser eu e a minha mulher a valer à senhora idosa: Visita a um Ortopedista por causa da bacia, a uma médica dentista devido a um abcesso e um número indeterminado de situações que exigiram a nossa presença e apoio.

Resumindo fica a questão para quem quiser ou souber responder: perceber quantos idosos se encontram nas mesmas (ou piores) situações aqui relatados, isto é, votados ao profundo abandono?

E não me respondam com a desculpa esfarrapada de que a crise é que é mãe de todos os males!

Essa já não pega…

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