Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

A idade é um...?

Costuma-se dizer que a idade é apenas um número. Tenho de concordar já que sou diariamente confrontado com gente muito mais nova que eu em idade porém muito mais velha em ideias e preconceitos. Tal como dou conta do contrário onde acções e pensamentos são de alguém muito novo embutido num corpo de idoso. Portanto temos de tudo um pouco na nossa actual sociedade.

Recuemos agora mais de meio século e aterremos nos finais dos anos 60. O Woodstock acabara de acontecer e eu tinha acabado a escola primária, libertando-me de uma vez por todas das garras da professora Maria Delfina que mais me prejudicou que ajudou, naquele dealbar de vida escolar!

Entrei numa escola em Almada, para frequentar o Ciclo Preparatório que correspondeu a dois anos, antes de optarmos pelo Liceu, Escola Comercial ou Escola Industrial (outros tempos de verdadeira Educaçáo, pedindo já desculpa aos actuais elementos deste ramo tão importante da nossa actual sociedade pela forma quase saudosista como referi aquele tempo!).

Da minha casa à escola eram uns bons quilómetros. Assim aos 10 anos, fizesse sol, chuva ou frio, lá ia eu apanhar um autocarro. Nesse tempo vivia no Laranjeiro mesmo encostado ao Feijó e todos os dias, manhã cedo, andava perto de um quilómetro para apanhar um autocarro que me deixaria na Cova da Piedade.

Naquela paragem havia sempre muita gente, mas eu só apanhava o autocarro que viesse ou de Paio Pires ou do Seixal porque eram os únicos que cobravam apenas meio-bilhete a quem tivesse menos de 12 anos. Nesse tempo custava cada viagem quatro tostões (hoje 0,0019951916 euros). Parece irrisório, mas ao fim do mês era dinheiro. Portanto havia que poupar. Outros tempos!

Regressemos agora aos dias de hoje e a uma viagem rápida que fiz a Lisboa. Poderia ter optado pelo Metropolitano, mas preferi o comboio. Fui a uma máquina e investiguei os tipos de bilhetes que apresentavam quando descobri a tipologia "Idoso". Uma explicação breve dizia que quem tivesse mais de 65 anos pagaria metade do bilhete. Assim fiz e na verdade ida e volta custou 1,80 euros enquanto um bilhete normal simples custa 1,75 euros (não é metade mas quase!!!).

Posto todo este vai-vem temporal, aceito que a idade será mesmo um número! Ou será mais assertivo dizer que a idade é apenas um valor?

Sabedoria!

A cada dia que passa a questão da velhice preocupa-me. Não no sentido de lá chegar, mas tão-somente em que estado estarei se realmente alcançar esse desiderato!

Hoje mais uma consulta no hospital com o meu pai (já perdi o conto das piscinas de A1 Lisboa- Torres Novas e regresso, que tenho feito ultimamente). A sua saúde está em evidente declínio, mesmo que aparentemente não pareça. Hoje na consulta de Nefrologia assumiu que se tivesse pensado bem não teria aceite fazer a fístula no braço para os futuros tratamentos de hemodiálise até por que a idade já é muita (as palavras em itálico são do próprio).

Se bem que eu não gostasse de ouvir as suas declarações à médica, já no caminho para Lisboa percebi que de alguma forma aquilo fazia sentido.

Só que o meu pai está consciente e autónomo. Pior seria se estivesse demente! Talvez por isto reconheci-lhe coragem em assumir as tais palavras ditas à médica.

Sabedoria também pode ser isto!

Responsabilidade acrescida

Tenho uma idade que supostamente me deveria dar uma liberdade pessoal que... não tenho. Quando não é a neta ou até os filhos, surgem os pais!

Sou filho único de um pai nonagenário e uma mão octagenária. Portanto idosos.

Desde há uns tempos que o meu pai vem decaindo em termos de saúde. Principiou em 2019 com uma cirurgia ao coração para mais recentemente surgir uma anemia que se veio a descobrir ter origem em falhas renais!

Limitação na alimentação, especialmente ausência total de sal e em outras opções a evitar. Porém os rins continuam a ameaçar falhar. De tal forma que hoje tive de fazer 310 quilómetros para o ir buscar a casa, levá-lo ao hospital, ser visto e alertado para os diversos problemas que poderá via a ter e finalmente as opções que tinha entre mãos.

Não obstante a idade o meu pai ainda tem a cabeça no lugar. E sabe decidir sem necessidade de qualquer ajuda externa. Este dia foi totalmente dedicado a ele, à sua doença e tratamento.

Escolheu vir a fazer hemodiálise numa unidade hospitalar. Agora irá aguardar que o chamem para consultas preparatórias.

Tudo isto para dizer que tenho hoje mais uma responsabilidade acrescida: fazer com que o meu pai e obviamente a minha mãe vivam os dias que lhes restam com a melhor qualidade de vida possível.

Sempre acompanhados, sempre amados!

Degradação!

Estou há uma semana com os meus pais. Desde Sábado passado!

O meu pai tem 91 anos, feitos recentemente, e começa agora a ter problemas de saúde mais graves indiciado a iniciar hemodiálise.

A minha mãe, quatro dias depois do meu pai, fez 85 anos. Pouco mais de metro e meio de uma genica única, diria eu que herança da mãe! Todavia a cabeça começa a falhar essencialmente com alguns lapsos de memória. Repete amiúde as mesmas questões e percebe que já não é a mulher de outrora.

Portanto constato um pai triste e quase inerte - o exemplo encontra-se na sua total ausência da apanhana da minha azeitona, algo que nunca aconteceu - e uma mãe que chora o seu novo estado intectectual.

Deste lado temo pelo futuro deles... Como irá o corpo do meu pai receber um tratamento tão forte? Ou como acordará amanhã a minha mãe?

Uma degradação quase galopante e que me assusta!

Profundamente!

Coisas que deixei de fazer...

mas tenho pena!

Hoje fui a um desses hipersupermercados onde vendem tudo e mais um par de botas... de montanha. Andei por ali a cirandar e dei por mim a olhar para uma quantidade de apetrechos que me evocaram outras actividades.

A primeira delas será sem dúvida andar de bicicleta. E tendo eu duas perguntar-me-ão, e com razão, porque não dou umas voltas? Primeiro porque o meu corpo há muito se deixou desleixar (ou terá sido eu?) de forma que andar de "bicla" seria um enorme esforço a que o coração provavelmente poderia não resistir.

A segunda foi... jogar à bola. Reconheço que nunca fui um mago da bola nem um reles aprendiz, mas ainda assim gostava de jogar. Normalmernte futebol de salão! Mas com a bolada que levei mum dia na cara que terá originado o descolamento de retina acabei por desistir de jogar.

A terceira actividade que também deixei de fazer foi... correr. Durante anos ia do Laranjeiro, onde vivia, até à Costa de Caparica a correr e vinha. Aproximadamente 25 quilómetros. Hoje seria quase impossível!

Finalmente algo que deixei recentemente: longas caminhadas. Mas estas ainda provavelmente poderia fazer, só que falta-me tempo e acima de tudo companhia! 

Os anos passam e o corpo definha!

Sinais evidentes da idade!

A idade não perdoa!

Quando chegamos a certa idade e começamos a ver os nossos a definhar, ficamos com aquela ideia ou será sensação: amanhã sou eu que estou assim!

Quer queiramos quer não, a idade tudo nos dá e tira.

Dá-nos sabedoria, mas tira-nos descernimento!

Dá-nos sensatez, mas esconde-nos memória!

Dá-nos calma, mas retira-nos a consciência!

Portanto cada dia será mais um dia. Vivido em plenitude ou muitas vezes nem isso.

Nesta altura da minha vida peço pouco da vida. Talvez um pouco mais de paz no coração, uma noite tranquila e saúde q.b.

Vejo neste mundo tanta demanda, tanta bravata que me sinto chocado. Seria bom que muitos ouvissem o que os chineses dizem após uma partida de xadrez: o peão e o rei encontram-se dentro da mesma caixa.

A verdade é por vezes tão simples.

A gente lê-se por aí!

Perdoa-se...

... o mal que fará para o bem que sabe!

Esta é uma daquelas frases da cultura popular portuguesa (calculo que as outras culturas tenham frases com sentido semelhante) que é uma verdadeira imbecilidade. Desculpem-me a expressão, mas é o que penso.

Quando somos novos (quase) nada nos afecta! E se nos afecta dependendo da companhia ao nosso lado. damos disso conta... ou não! Na maioria omitimos até porque não queremos ficar envergonhados perante a nossa turba!

Todavia quando crescemos e iniciamos a pensar como gente adulta, é mais ou menos por essa altura que principiamos a ter consciência dos alimentos que afectam o nosso bem estar. E das duas uma: ou evitamos alimentos e/ou bebidas e passamos bem ou vamos em frente comendo e bebendo sem cuidado para dias depois pagarmos bem caro aquilo que não deveríamos ter ingerido.

Reafirmo o que disse no início: talvez esta seja uma das poucas expressões populares que não subscrevo. De todo!

Porque o nosso bem estar físico e mental deve estar acima de algo que dura somente breves segundos!

Aproxima-se o Verão e com ele as férias, as noites quentes e muita festa. Vai daqui fica o aviso sincero de quem já descobriu da pior maneira que não se perdoa o mal de fará para o bem que sabe!

A gente lê-se por aí!

Atitude!

Velhice não é idade... somente (má) atitude.

Esta minha ideia resulta de muitos anos de vida, de demasiadas vicissitudes e de muitos exemplos que me são oferecidos ver!

Na verdade há gente jovem provavelmente mais velha que eu. Da mesma maneira que se poderá encontrar pessoas com muita idade bem mais novos que eu!

Um destes dias em conversa percebi que a minha mãe, com 84 anos, aceita pacificamente as opções que cada pessoa faz na sua sexualidade. O que tendo em conta a idade que tem e acima de tudo a sua educação religiosa (diria que roça a beatice!) que exibe, parece ser um caso raro de aceitação.

Portanto saio à minha mãe que por sua vez herdou os genes estranhos da minha avó, que sempre foi uma mulher muito à frente do tempo em que viveu.

Voltando à ideia da velhice gostaria de manter este meu espírito sempre aberto a aceitar aquilo que é mais jovem que eu... especialmente as ideias!

Bom fim de semana.

A gente lê-se por aí!

Regresso ao passado!

Há muitos anos andei com filhos, sobrinhos e até amigos destes no carro numa correria permanente para os levar à natação.

Entretanto alguns cresceram e passaram a optar por outras actividades, nomeadamente aulas de inglês! De maneira que naquele tempo os fins de tarde eram feitos a correr: deixava uns nas piscinas, levava outros ao inglês, regressava à natação para ir buscar os mais novos, levá-los a casa e voltar ao inglês para buscar os outros.

Portanto uma fantástica correria.

Passados que foram dezenas de anos eis-me novamente a caminhar para as piscinas, desta vez com mais calma e menos miúdos, unicamente a minha neta.

As piscinas são as mesmas, mas definitivamente já não conheço ninguém da antiga equipa que por ali mexia os cordelinhos. Gente boa e empenhada!

Um regresso ao passado com um gosto diferente... O da idade!

Eu o desorganizado... mas feliz!

A única coisa da minha vida que está organizada é a minha escrita. De resto não me incomoda viver num caos!

Cada vez mais a experiência de vida me indica que é este o melhor caminho. Para quê ser arrumado, organizado, metódico para daqui a umas semanas andar-se em busca de qualquer coisa que está bem arrumada. Tão bem, tão bem que não se encontra.

Prefiro por isso a minha secretária cheia de papéis, pois sei quando necessitar de algo ali naquele monte há-de estar. Basta procurar!

É que bem vistas as coisas dá uma trabalheira enoooooooooooooorme arrumar os pertences, para depois ter outra trabalheira para os desarrumar. Dois trabalhos quando podia só ter um... E tendo em conta que caminho para velho... arrisco-me, se arrumar muito bem, a um destes dias nunca maisachar o que quero ou preciso.

Portanto bem vindo ao meu mundo bem desorganizado, mas obviamente feliz!

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Os meus livros

Des(a)fiando Contos
Quatro desafios de escrita

Os Contos de Natal

2021
2022

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2016
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2015
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2014
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2013
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2012
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2011
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2010
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2009
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2008
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D