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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Alerta vermelho!

Quem me conhece sabe que sou geralmente bem-disposto, positivista assumido, vendo geralmente mais rosas nos espinhos que o inverso.

Nunca percebi porque sou assim. Não sei se é genético ou fruto de educação ou pura formação. Seja como for nestes últimos 60 anos da minha vida sempre soube (mais ou menos, a bem da verdade!!!) lidar comigo mesmo. E nem sempre foi fácil...

Entretanto o meu corpo já não é o mesmo de há 30 anos.  Por isso desde há algum tempo optei por uma alimentação menos calórica e mais caminhadas. Tudo em prol da minha saúde física. Perdi alguns quilos e tenho agora menos dores...

Só que ainda não estava preparado para o sinal vermelho que me surgiu um destes dias. Um alerta direccionado para a minha postura e filosofia de estar na vida.

A rabugice parece ser o primeiro verdadeiro sintoma de que a velhice finalmente bateu à minha porta, mesmo que eu não tenha real consciência disso. Mas têm os outros, que me alertaram para o facto e isso basta-me.

Portanto não imagino como irei futuramente lidar com este meu problema, mas tentarei certamente minimizá-lo. Porque os outros não são culpados da minha idade.

E só posso agradecer a quem fez acender o alarme.

Conservadores!

O título deste postal não se refere obviamente à política!

Falo da minha família e da forma como cada um vai devorando anos. O meu pai tinha seis irmãos. Há uns anos morreu a irmã mais velha já com o ponteiro dos anos a apontar acima dos 80 anos.

Neste momento resistem cinco filhos do meu avô paterno que estranhamente morreu cedo. O mais velho ainda vivo, o Manuel, só tem 92 anos mas com um discernimento e força de viver digna de um qualquer Colin Thachery.

Segue-se o meu tio Joaquim inveterado jogador de sueca e bisca lambida e também já conta 90 anos. O meu pai é o terceiro da lista com quase 87. Depois a minha tia Gracinda com 85. O meu tio Zé com oitenta e picos e finalmente mais uma jovem senhora, a Lúcia, com quase 80 anos.

Em segunda geração tenho os meus primos. Destes só faleceu uma e muito nova. Não teria 40 anos quando partiu. Fora isso estão todos vivos, estando eu curiosamente a meio da lista, tendo seis primos mais velhos e sete mais novos.

Certo é que a família continua a crescer. E os mais velhos por cá continuam com mais ou menos achaques, com mais ou menos discernimento, mas vivos.

Olho para estes meus tios e primos mais velhos e fico a pensar se alguma vez chegarei à idade deles. Com aquele saber e alegria de viver que eles vão demonstrando diariamente.

Resumindo... conservadores são eles!

Quando a idade é... atitude!

Desde há uns anos que as televisões apostaram num tipo de programa que deu a conhecer ao mundo pessoas, até ali anónimas, mas que demostraram em palco "performances" fantásticas.

Há pouco tempo trouxe aqui um desses exemplos (acresce dizer que aquele grupo acabaria por chegar até à final, sem contudo a vencer).

Estes concursos, desafios ou o que lhe queiram chamar deram-nos assim a conhecer grandes artistas. Relembro Paul Potts ou Susan Boyle, só para referir dois bons exemplos. Mas surgiram muitos mais seja na Grã-Bretanha, como nos Estados Unidos ou noutro país qualquer onde o concurso se desenrola.

De vez em quando vou espreitando as novidades neste género de espectáculos que agora se alargaram a quase todo o lado. Já vi um bocadinho de tudo: cantores, dançarinos, ginastas, mágicos... Muitos deles com actuações incríveis!

Mas decididamente não estava preparado para escutar este idoso súbdito de Sua Majestade. A serenidade, a genuidade e o carinho que Collin de 89 anos colocou nas suas três canções levaram-no a vencer este ano o concurso britânico. Sem espinhas.

Um exemplo perfeito de como a idade é somente... atitude!

Casamento: um contrato permanente?

Não obstante a minha fé e a minha crença religiosa assente na igreja Católica, consigo não ser seguidista ao ponto de concordar com toda a doutrina da Igreja. Só para dar um exemplo acrescento que sou a favor do casamento dos padres católicos. Se o Vaticano abrisse a mente a esta ideia com toda a certeza que muitos casos de pedofilia e assédios sexuais que fomos tomando conhecimento, deixariam de existir. E provavelmente não se perderiam tantas vocações. Eu conheço vários casos!

Outra ideia com a qual não concordo e da qual a igreja não abdica é de que o casamento sob a sua alçada e concordância deverá ser para sempre “até que a morte os separe”. Eu vejo as coisas de forma um tanto diferente. O casamento não deve ser um contrato vitalício desde que uma ou ambas as partes não o desejem. Parece-me mesmo uma violência alguém viver com outra permanentemente infeliz só porque o casamento religioso a isso obriga. Não creio sinceramente que seja isso que a igreja preconiza.

Estou muito à vontade para falar neste assunto até porque já sou casado há 33 anos, o que nos dias que correm parece já ser uma anormalidade e espero continuar. Ainda não me arrependi.

Posto isto avanço para o que aqui me trouxe hoje e que se prende com alguns desmandos masculinos. Especialmente em homens cuja força da Natureza está longe de ser a que foi. Estranho por isso que um homem casado há muitos anos, troque a sua cônjuge por uma mulher na maioria muito mais nova que ele, chegando mesmo ao ponto de ter idade para ser sua filha.

Esta atitude, todavia, não é nova. Nada mesmo! E tenderá a ser cada vez pior tanto mais que há cada vez mais homens velhos que se perdem por um qualquer “rabo de saia”.

O que me leva a pensar que, ou os homens julgam que atrás do comprimido rosa está a virilidade perdida há muito, ou que ainda se sentem fisica e intelectualmente capazes e pujantes de grandes aventuras amorosas. Provavelmente nenhuma das duas estará correcta. Mas cada um julgará por si!

Ainda há pouco soube de um amigo que “substituiu” a sua esposa por uma mulher vinte anos mais nova que a legítima. Fiquei incrédulo! Porquê? Para quê?

Resumindo há uma outra questão que se impõe: o que é que eles estão à espera que (lhes) aconteça?

Percursos de vida!

O único receio que tenho no futuro prende-se com a idade e com a respectiva e eventual falta de tino. Não temo as doenças nem as dores que possa vir a ter. O que realmente me aflige é perder o descernimento ou perder as memórias que tanto preenchem os meus dias.

Hoje, alguém muito próximo faz 87 anos. Uma já longa caminhada pela vida com diversos momentos altos e baixos, como acontece a qualquer um de nós.

Todavia percebo-lhe cada vez menos capacidade intelectual. Perde-se no tempo ou o tempo é que se perde nela. Os dias são sempre iguais. As noites nunca diferem. As memórias ocasionalmente veêm ao de cima, mas quase sempre dispersas, fugazes.

É disto que tenho medo... Desta fuga à realidade e ao momento presente.

Preferia viver menos anos e lúcido, que muitos anos, mas preso a uma realidade paralela.

A vida (muitas vezes) é uma chatice!

Hoje fui almoçar com uns colegas e amigos de longa data. De diferentes idades, culturas e conhecimentos.

Todavia entre todos os presentes houve um que se destacou pela negativa. As vicissitudes da vida tornaram-no num homem assaz diferente.

Está mais distante, calado, amorfo, muito longe de alguém que conheci por dar a cara por causas e acima de tudo por estar sempre do contra, quando todos estavam a favor e por estar a favor, quando todos os outros estavam contra.

E para todas as suas posições tinha argumentos válidos e coerentes ou não fosse ele, por formação, um jurista.

O meu amigo A. é o exemplo perfeito de como a idade destrói as nossas esperanças e acima de tudo as nossas lembranças.

Tentamos ajudá-lo, incentivá-lo, animá-lo, mas a senelidade parece ter ganho alguma vantagem.

Infelizmente!

A idade não conta!

Fui ao supermercado comprar uma couve-flor para o meu almoço. Escolho-a, coloco-a num saco e dirigo-me à caixa onde já se encontra um homem que percebo que tem alguma idade.

A canadiana está encostada ao pequeno balcão que também tem uma série de compras. Aproximo-me, mira-me e percebe que só tenho a couve-flor para pagar. Entabulámos então este diálogo:

- Passe para a frente. Só tem isso.

- Deixe estar. O senhor está à minha frente.

- Não senhor, passe se faz favor. Eu tenho muito tempo.

- Também eu - respondi.

- Mas passe que eu tenho muito tempo - insistiu.

Tentando não desiludir o idoso, passei à frente dele e aguardei que a cliente, agora à minha frente, pagasse as compras. Entretanto:

- Já sou velho e tenho muito tempo - continuou o velhote.

- Não parece...

- Se chegar amanhã (estranha forma de contar o tempo!!!) faço 95 anos.

Admirei-me da lucidez e retorqui:

- Bonita idade...

- É não é? Mas sabe do que tenho pena ao ser assim velho?

- Não imagino...

- É disso aí...

E apontou com o queixo a jovem que estava na caixa.

Só pude rir. Com 95 anos e o que aquele idoso mais sentia falta era da companhia feminina.

Malandreco...

A nossa idade

Hoje fui mandar cortar o meu cabelo. Estava eu já sentado e envolto em panos e toalhas quando reparo, através do enorme espelho, num casal que se aproxima do barbeiro.

O homem tem evidentes dificuldades em andar tal o conjunto de doenças que deve ter atravessado. Não fala pois a sua traqueia foi substituída por um buraco. A senhora que o acompanha tem um ar mais jovial e mais desembaraçada. Pensei para com os meus botões: Pai e filha!

Puro engano. O casal entrou na loja para que o meu barbeiro cortasse o cabelo ao cavalheiro. Na conversa que se seguiu a senhora afirma que estão casados há 61 anos. Portanto eram marido e mulher sendo que ela parecia muito mais nova.

Como é hábito nestes lugares a conversa, seja ela qual for, é sempre interessante. E esta não o foi menos. A senhora diz que tem 86 anos e que trabalhou até aos 77. Relata que se farta de estar em casa, mas percebo que com um marido naquele estado não deve ser fácil libertar-se...

Depois avança com uma ideia curiosa: detesta estar na companhia de gente que só fala de doenças e desgraças. Achei simpática a visão que transmitiu e que vai de encontro ao que penso: a nossa idade não é aquele que o cartão de cidadão apresenta mas somente aquela que o nosso espírito mostra.

 

 

Tu cá, tu lá!

Era muito novo quando a estuporada da minha professora primária me proibiu de tratar os meus pais por tu. E de tal maneira foi incisiva que ainda hoje continuo a tratá-los por você!

Ao contrário de mim, os meus filhos sempre me trataram por tu, não sendo essa a razão para não me respeitarem.

Com o decorrer do tempo fui-me habituando a tratar os outros com quem convivo, seja no trabalho ou noutro local qualquer, de forma informal. E independentemente da idade. Da minha e dos outros.

Detesto por isso que me tratem por "senhor". Faz-me sentir mais velho, quando no fim de contas sou, interiormente, uma autêntica criança.

Deste modo, aqui na blogosfera, sempre que troco comentários com alguém mesmo que não conheça respondo logo na segunda pessoa.

Não vá algum comentador pensar que sou já um velho!

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