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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

37a9m25d - #8

Isto não se fax!

Quando entrei para a Tesouraria, esta vivia quase sem tecnologia. Não havia computadores, mas algumas máquinas de escrever já eram eléctricas. Um luxo!

As máquinas de calcular eram ainda antigas e pesavam quilos. Enormes e pouco práticas.

Mas tudo mudaria em breve.

De um dia para o outro ou quase, a informática invadiu as caixas e as velhinhas máquinas de somar e diminuir foram rapidamente substituídas por pequenos visores de ecran preto e letras verdes.

Se para mim foi uma óptima evolução, para os mais antigos as coisas pareciam mais complicadas. No entanto a evolução não foi somente nas caixas. A forma de comunicar com outros departamentos também sofreu alterações especialmente quando se começou a usar o… fax.

Costumo dizer que sou do tempo do telex, mas o fax transformou-se num salto qualitativo enorme.

Um dia foi colocado em cima de uma secretária um equipamento de fax. De teclas aquele foi recebido com algum interesse. Só que a determinada alguém descobriu que podía ligar-se para um qualquer telefone, mesmo que não fosse fax que se ouviria alguém do outro lado a responder. Foi o suficiente para o pobre Júlio cair na esparrela.

Este colega tinha alguma idade e era sem dúvida um homem bom. Não era a principal vítima de algumas partidas, mas daquela vez colocou-se a jeito e como ninguém perdia uma oportunidade…

Naquele dia o Júlio dá conta do novo aparelho. Sabia que era um fax, todavia não conhecia o conceito de funcionamento. Assim:

- Isto é que é um fax?

- Nem mais - respondeu alguém.

- E é por aqui que se enviam os papéis?

- Exactamente.

- Como?

Pronto… estava montada a partida. Faltava somente o resto.

- Então tu ligas através deste teclado para a Lili (a telefonista permanente da empresa!), esperas que ela te atenda e depois pedes para transferir para o outro lado…

Pouco convicto….

- Então e depois?

Receando que ele negasse à coisa alguém avançou:

- Liga lá para a Lili que depois fazemos o resto…

Convencido o Júlio carrega nas teclas numéricas do aparelho e aguardou. Rapidamente responderam:

- Boa tarde…

Eis que o Júlio começa a falar para um suposto microfone no aparelho:

- LIli é o Júlio da Tesouraria…

- Está lá…

- Lili?

- Estou…

- Lili? É o Júlio…

Ainda escutou a telefonista dizer:

- Que gente parva esta que liga e depois não fala!

37a9m25d - #7

Simpáticos cágados

A minha vida profissional ensinou-me que há um objecto em todas as secretárias muito, mas muito importante. Chama-se pesa-papéis e acreditem que sem eles a empresa onde trabalhei seria muito mais desorganizada.

Encontrei aqueles objectos de muitos géneros e feitios. Alguns deles retirei-os do lixo quando se iniciou a desmaterilazação dos documentos. Todavia guardei-os como mera recordação.

Como estes aqui:

pesapapeis_vidro.jpg

Porém num Departamento por onde andei havia outro tipo de pesa-papéis.

Eram de metal, alguns sendo pequenos rectângulos de ferro escuro. Contudo os mais conhecidos eram os cágados também eles de ferro.

Os simpáticos bichinhos de metal tinham as suas quatro patas destacadas do corpo o que originava que se caíssem no chão poderiam partir algumas das patas mesmo sendo metálicas. Foi o que acabou por acontecer à maioria deles...

Até que um dia o responsável máximo achou que seria de todo conveniente a substituição dos pesa-papéis defeituosos. Deste modo a secretaria do Departamento preencheu um pedido:

"Requisita-se a entrega a este Serviço de 12 pesa-pápeis, conforme exemplar em anexo."

Quando passado algum tempo chegou a caixa com os novos exemplares de pesa-papéis logo se percebeu que algo não estava bem: todos os exemplares só tinham três pernas.

Admirados com a situação indagou-se junto dos serviços competentes o porquê daquela insólita entrega. A resposta veio rápida:

-- O exemplar que nos enviaram também só tinha três patas!

Tartaruga_s.jpg

Curiosamente muito mais tarde descobri no fundo de uma velha gaveta um cágado de quatro patas.

Tartaruga_c.jpg

Portanto uma raridade.

37a9m25d - #6

O Segismundo!

Pelas diversas empresas por onde passei encontrei sempre figuras pitorescas. Num lado foi o Anselmo um mal assumido homossexual, mas que tinha imensa graça e sempre disposto para pregar uma boa partida. Noutro havia um jurista que corria o Departamento todo a cumprimentar cada colega com um aperto de mão. Quando acabava era hora do almoço. E assim sucessivamente.

Porém o Segismundo bateu a todos. As suas ingenuidades levavam-no a cair nas maiores patranhas com uma infantilidade atroz e incomum para um homem casado. Quase todos os dias ao seu redor algo era orquestrado para que ele se espalhasse. Outras vezes era ele mesmo que se colocava a jeito de ser vítima.

Há tantas histórias com o Segismundo que só ele dava quase um livro. Entre muitas que ouvi contar e outras que assisti há uma que sobressai e que reza assim.

Havia entre os diversos colegas um que era filho de um reconhecido médico e por isso foi certa vez abordado, um pouco à socapa, pelo Segismundo:

- Chico, preciso falar contigo uma coisa importante.

- Diz lá companheiro.

- Bem… é que… sabes…

- Ó homem desembucha!

- A minha mulher vai ter que fazer um exame…

- E…

- Daqueles ao peito!

- Ah uma mamografia?

- Isso… E sabes como é… ela nunca fez… está com medo…

- Oh Segismundo diz a ela para não se preocupar. Isso é uma coisa corriqueira.

- Achas?

- Claro… A minha mulher também já fez.

- Ah sim… E que tal?

- Aquilo não custa nada…

- Ah, ainda bem…

- Só há um pormenor…

- Qual é?

- Quando forem mexer na mama da tua mulher tu não deixes…

- Como assim?

- Então dizes que na mama da tua mulher só tu é que mexes…

- Tu achas isso?

- Com a minha mulher foi assim. Com a tua fazes como achares...

O Chico virou então as costas ao colega ciente de que este acreditara na mentira.

No dia seguinte ao exame o Segismundo passa pelo Chico e diz entre dentes com uma contida raiva:

- Só me arranjas é sarilhos!

Profissão aliciante!

Numa altura de pandemia em que estamos (quase) todos confinados, nada melhor que ter uma profissão aliciante que ajude a pessoa e a Natureza.

Na ilha da Santa Maria encontrei essa profissão num jovem extremamente simpático  de nome Nelson.

Não, não sei se tem alguma coisa a ver com o grande estratega inglês a quem os ingleses entregaram uma praça para além de uma armada, mas acredito que não. Este jovem a quem comprei duas belíssimas meloas da sua produção e que ele vende num pequeno estabelecimento à beira da estrada é essencialmente um... vigilante da natureza.

Nem sabia que havia esta profisão, mas reconheço que deve ser maravilhosa. Andar permanentemente ao ar livre, cuidar do equilíbrio natural e ainda receber algum por essa vida... sinto que será a minha profissão de fututro...

Ups... esqueci-me que já estou reformado.

Que pena!

Comunicado!

Para os devidos efeitos e nomeadamente para que fiquem completamente descansados informo os meus queridos leitores de que este que se assina sujeitou-se ontem a um teste de Covid19.

A resposta chegou há pouco via correio electrónico com a indicaçoi de.... tzarammmmmm.

Um pouco de suspense já agora...

E ei-lo:

Covid_negativo (1).jpg

Pois deu negativo! O que significa que estou perfeitamente "covidado" para ir até aos Açores na próxima quinta-feira!

37a9m25d - #4

O Guilherme Mota

Não me lembro onde é que ele estava quando, naquela manhã, o conheci, mas entre nós nasceu logo uma enorme empatia que se transformaria em amizade, acima de tudo por partilharmos o mesmo amor clubístico. Pode parecer pouco, mas nestes locais onde se passava grande parte do dia isso também era importante.

O Guilherme era um homem bom. Especialmente para os outros... já que não se poderia dizer o mesmo para a sua própria família. Recordo a este propósito e dito por ele, que a mulher só o poderia procurar ao fim do terceiro dia de não aparecer em casa. Até lá...

De compleição baixa o Mota aos 45 anos parecia ter mais de 60. Cabelo branco, rugas cavadas e exibindo uma redonda e proeminente barriga, este colega tinha um grave problema e do qual derivavam outros: era alcoólico.

De tal forma que bastava ao almoço beber um dedal de vinho para que ficasse completamente bêbado. Havia quem dissesse, em tom de estranha brincadeira, que nas suas veias o álcool que lá corria tinha um pouco de sangue.

Tinha outrossim uma noção de economia doméstica muito própria. No final de cada mês ia ao seu Banco levantava todo o dinheiro do ordenado que colocava inteirinho na carteira para logo que saía do trabalho passar pela primeira cervejaria e gastar algum em marisco e cerveja.

Entretanto em casa a mulher e o filho lutavam para sobreviver. Muitas vezes lhe disse que deveria parar, mas ele não gostava nada de me ouvir.

Depois quando já não havia dinheiro arranjava uns esquemas esquisitos para auferir algum, mas aquele era sempre pouco para o nível de vida que fazia.

Morreu cedo com um cancro na garganta devido ao tabaco. Quiçá a sua morte terá sido a salvação da família.

Bom, mas com o Guilherme aprendi coisas fantásticas e passei momentos absurdos…

É um desses que vou agora relatar.

Estávamos a 23 de Maio de 1984. Um colega fazia 25 anos e convidou-me para a sua festa de anos que se realizou num bar em Alfama. Nesse tempo vivia no outro lado do Tejo e não tendo carro teria de sair a tempo de apanhar o barco para Cacilhas. Todavia quando olhei o relógio tive pouco mais de 5 minutos para me colocar no velhinho pontão do Cais do Sodré. Muito corri pelas ruas ribeirib«nhas da cidade, mas não cheguei a tempo. Passava pouco da uma da manhã e o Cacilheiro já havia zarpado. Entretanto o próximo barco seria somente às 3 e meia da madrugada. Tempo a mais para estar à espera.

Encontrei então outros atrasados e começámos a tentar arranjar um táxi que nos levasse para a margem Sul. Sempre seria uma despesa a dividir por 4. Faltava somente uma pessoa. De repente olho para uma rua estreita que desembocava no terminal e vejo o andar de alguém conhecido.

- Guilherme?

- Que fazes aqui? – perguntou ele com a voz muito atabalhoada do alcóol.

- Perdi o barco da uma… estava a ver se arranjávamos 4 pessoas para apanharmos um táxi… Queres ir?

- Claro…

Encontrada a equipa, lá apareceu um taxista que curiosamente acabara o serviço e morava também do outro lado do Tejo. Lá partimos… não sem que o Guilherme me pedisse emprestado dinheiro:

- Empresta-me 500 paus…

Dei-lhe o dinheiro sem mais perguntas. Durante a viagem conversámos e o taxista foi-nos deixando em cada lugar: o primeiro na Cova da Piedade, eu no Laranjeiro, o terceiro ficou em Corroios e o Guilherme sairia em Vila Nova, já bem perto da Caparica. Fizemos as contas e o último ficou com a parte de cada um para pagar a corrida ao taxista.

No dia seguinte coincidentemente fui trabalhar para o lado do Guilherme. Mas nada comentei sobre a madrugada anterior… Provavelmente m«nemse lembraria, pensei eu.

A meio da manhã diz ele:

- Toma os quinhentos paus que me emprestaste ontem…

Admirado com a rapidez do pagamento da dívida, que não era costume, não consegui evitar um:

- Já?

O esclarecimento veio logo sem lhe pedir…

- Depois de Corroios fomos até à Caparica beber umas imperiais.

- Àquela hora?

E sem ligar à minha questão:

- Acabou depois por me levar a casa e nem quis o dinheiro do frete.

Só pude rir e pensar: o Guilherme no seu melhor a abotoar-se com algum!

37a9m25d - #3

Uma moeda muito especial!

A sala estava cheinha de gente. O barulho era ensurdecedor tal o número de pessoas presentes. Se juntarmos os sons dos chamadores electrónicos imagine-se a confusão.

E tudo por causa de uma nova nota que nesse dia entrava em circulação. Uma nota de 100 escudos (actualmente mais ou menos 50 cêntimos!!!) com a figura de Fernando Pessoa num dos lados e uma rosa no lado inverso, passou a ter direito a uso legal. Daí a vontade de muitos coleccionadores em adquirirem a dita cédula em primeira mão.

Naquele dia estava mais uma vez na caixa, sem medos e sem qualquer nervoso miudinho para me atrapalhar, não obstante a sala repleta...

Estava eu naquela azáfama louca de responder aos pedidos do público quando no final de uma troca de notas, um cavalheiro com muita idade me deixa em cima do balcão um pequeníssimo envelope. E diz-me:

- Isto é para si!

E vira-me as costas abandonando rapidamente o local. 

Sem capacidade de resposta, acima de tudo pelo público presente, acabei por guardar o envelope no bolso. Foi somente em casa que me lembrei do pequeno sobrescrito.

Peguei nele e reparei que tinha algumas palavras gravadas.

Envelope_.jpgEnvelope1.jpg

De um lado ao meio podia ler-se "Saúde e Sorte Sr ..." Mais abaixo terminava com "pelas... notas".

Do lado contrário um recado ou quiçá um pedido... "não dê a ninguém a moeda".

Abri finalmente e encontrei a seguinte moeda

moeda_.jpg

Era uma peça em prata de 10 centavos (nem imagino quanto será actualmente em euros, mas decerto muito pouco!!!) datada de... 1915. Portanto hoje tem mais de 100 anos...

Guardo-a religiosamente, não como um troféu, mas tão-somente como um gesto simpático de que fui alvo.

Curiosamente nunca mais vi o dito senhor!

Também quero uma matrícula nova!

Desde Fevereiro último que Portugal tem novas matrículas adaptadas às suas viaturas. Já quase todos nós demos conta dos novos carros com as tais duas letras, dois números e novamente duas letras.

E já sem o tal ovinho estrelado de lado, que indicava o mês e o ano da viatura. Tudo limpinho já que os traços entre os números e letras também desapareceram.

Até aqui não há nada a dizer...

No entanto e de uma forma sincera não entendo a razão porque muitos donos de carros matriculados antes de Fevereiro deste ano têm vindo a trocar as antigas chapas de matrículas pelas novas.

Até porque, para mim, as anteriores pareciam-me mais bonitas:

"Ah e tal têm o ano original da viatura..." - poderão alguns proprietários assumir.

Qual é o problema? - pergunto eu.

Convençam-se então de que não é por retirar o ano da matrícula que o carro fica mais novo, acho eu...

Entretanto também quero uma nova matrícula para o meu popó! E até já descobri as letras...

Quanto aos números coloquei zeros, mas se vocês tiverem alguma ideia de algarismos para ali colocar estou receptivo...

MATRICULA_P.jpg

A gente lê-se por aí!

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