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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

37a9m25d - #24 – II série

As saídas do João Silva

O João Silva foi um contínuo que trabalhou comigo. Magro, muito devido aos seus problemas de estômago, era no entanto um colega bem divertido, tendo sempre um dito, uma chalaça para dizer sobre uma qualquer situação.

Naquele tempo tive de conduzir um carro da empresa pelas ruas da cidade. Nunca foi coisa que me preocupasse, mas reconheço que não esperava que fosse uma das minhas atribuições. Enfim… já passou!

Assim todas as manhãs, bem cedo, dirigia-me à garagem e esperava que dois colegas chegassem. O João era sempre um deles, mas o outro variava. Todavia de tarde íamos só os dois.

Era nesta hora que o João se mostrava mais aberto e mais jovial. Certa tarde de muito calor este colega vê uma jovem bem formosa a atravessar a passadeira enquanto o sinal se apresentava de cor vermelha. Sem que eu fizesse qualquer observação diz o João:

- Pulgas destas não saltam na minha cama…

Dei uma sonora gargalhada e fiquei com a frase gravada.

Outra vez estávamos a falar de preços de qualquer coisa e diz o contínuo:

- Mas isso custa para cima de um balúrdio…

Após uma breve pausa, continua:

- Mas eu não sei quanto é um balúrdio…

O João no seu melhor, pensei eu!

Mas a melhor estória dele ou sei lá desabafo, estaria reservada para aquela tarde plúmbea, lembro-me bem!

A entrada na garagem da nossa empresa era feita por uma porta larga de uma antiga igreja que em meados do século passado fora desativada e vendida pelo patriarcado à empresa. Assim sempre que eu chegava à porta da garagem apitava e aguardava que um segurança abrisse remotamente as grossas e pesadas portas.

Estava eu nesta espera quando reparei que na rua um casal de turistas olhava com espanto para a porta e para o que estaria prestes a acontecer que seria eu entrar na garagem com o carro.

João também reparou neles e logo declarou:

- Não admira que estejam espantados, na terra deles os carros não costumam ir à missa.

Impagável!

Idade do gelo!

Ontem fui, ao fim da tarde, à aldeia. Aproveitei ainda não estarmos em confinamento para ir buscar terra da boa para atapetar o meu jardim.

Estava muito frio quando cheguei. Como está em todo o Portugal Continental. Levantei-me hoje bem cedo até porque tenho agora responsabilidades acrescidas com a minha neta e por isto necessitava de estar cedo em casa.

Ainda o sol arrepiado não tinha nascido e já andava eu de volta da carrinha já carregada de sacos de terra. É que o vidro da frente tinha uma camada de gelo enorme. Como não estou nada habituado a este frio e muito menos a lidar com gelo no carro, andei a deitar água em cima do vidro. O resultado não foi o esperado já que a água congelou. Isto é, foi pior a emenda que o soneto.

Vai daqui andei a tentar tirar o gelo com as mãos. Também não foi uma boa experiência já que fiquei com as mãos tão geladas que nem as sentia.

O problema é que eu precisava sair dali o mais depressa possível e com o para-brisas repleto de gelo teria alguma dificuldade em conduzir. Após muitas tentativas lá se tirou a maioria do gelo e seria o vento com a deslocação da viatura a fazer o restante trabalho.

No entanto quando cheguei a casa, pelas nove e meia da manhã, a carrinha ainda apresentava grandes bocados de água congelada.

Será que estamos a entrar na idade do gelo?

É que segundo ouvi dizer que vem aí mais frio...

37a9m25d - #23 – II série

Três estórias de gravatas!

Quando entrei para a empresa o uso de gravata não era já obrigatório. Mas como o uso daquele acessório masculino nunca me incomodou coloquei-a muitas vezes. E sob este tema lembro-me de três relatos bem curiosos. Não conheci o colega da derradeira estória, mas aos outros conheci-os bem.

Gravata 1

O Almeida era um bom colega, quiçá pouco expedito no seu trabalho e daí talvez um tanto pateta. Trabalhava no mesmo Departamento que eu, mas noutra área.

Certo dia foram colocar perto do seu serviço uma máquina para triturar papel, nomeadamente para destruir alguma documentação sigilosa. A determinada altura o Almeida abeirou-se da máquina para destruir alguns papéis. Haviam-lhe dito:

- Carregas neste botão para ligar e depois metes os papéis nesta ranhura que a máquina puxa -os e destrói-os. Muito fácil!

Ora o Almeida pega nos seus documentos, liga o botão e introduz aqueles na ranhura. Só que a curiosidade matou o gato e o meu colega pretendeu perceber para onde iam os papéis triturados. Vai nisto aproxima-se em demasia, de tal forma que a gravata foi apanhada pela máquina.

Eis então a situação: a máquina a agarrar e a trucidar a gravata e o Almeida a puxar pelo pescoço… aflito. E quanto mais a máquina puxava mais ele fazia o gesto contrário. Resultado: quase sufocou.

Sorte teve ele pois alguém que ia a passar deu pela situação e desligou o equipamento! O que nós nos rimos…

Gravata 2

O Segismundo apareceu depois do almoço muito triste e aborrecido. O que nem era costume.

Alguém se abeirou dele e perguntou-lhe o porquê:

- Que se passa? Estás cá com uma cara…

- Nem me digas… Olha para isto – e apontou para uma valente nódoa na gravata – Nem sei como fiz isto…

A cabeça daquela malta da tesouraria estava já formatada para a brincadeira e assim o colega devolveu instantaneamente:

- Eh pá tenho ali uma coisa boa para tirar isso…

O outro nem acreditou:

- A sério? Consegues tirar esta nódoa da gravata?

- Claro. Vem comigo.

Lá foram os dois a caminho da secretária do outro.

Aí chegados o colega abre a gaveta, tira uma tesoura e num ápice decepa a gravata logo acima da nódoa. De tal forma que o outro nem teve tempo para recuar e evitar o corte.

- Pronto… já tens a gravata sem nódoa.

Segismundo ficou mudo e sem reacção. O que nós nos rimos…

Gravata 3

Esta é uma daquelas estórias a que eu não assisti, mas que ficaram para a posterioridade. Naquele tempo a gravata era um acessório exigido a todos os trabalhadores da casa independentemente da sua função.

Também as condições de trabalho não eram as melhores e no Verão a tesouraria era um forno, tal era a canícula.

O chefe era por sua vez um homem austero e ditador. Exigia que as suas ordens fossem cumpridas à risca e o uso permanente da gravata era uma delas.

Estava a ser um Verão áspero. O calor apertava e a tesouraria não fugia ao lume. À hora do almoço a malta nem pensava em sair para a rua, assim como assim, sempre se estaria melhor lá dentro. Estavam alguns em amena cavaqueira à espera que o tempo de almoço passasse quando um deles abre o colarinho da camisa e desaperta a gravata. Alguém o avisou:

- Olha se aparece aí o chefe? Estás feito!

- Estamos na hora do almoço, as portas estão fechadas. Portanto…

Ainda mal acabara de proferir estas palavras apareceu o dito chefe que vendo-o naqueles preparos logo arengou:

- O senhor não sabe que a gravata nunca se tira. NUNCA! Faça o favor de colocar a gravata.

Eis então que o colega e à frente de quantos estavam presentes, desapertou a camisa, despiu-a e depois colocou a gravata bem encostada ao pescoço.

A imagem era sui generis… alguém em tronco nu e de gravata posta.

Disse-lhe o colega para o chefe:

- Como vê e deseja a gravata está posta!

O tesoureiro perante a situação deu meia volta e saiu do local percebendo que tinha perdido a batalha.

O que nós nos rimos...

Está frio e não é psicológico!

Tenho por hábito dizer que tanto o frio como o calor são muitas vezes psicológicos. Parvoíce minha, está visto!

No entanto teve de vir este ar gelado do Ártico para eu reconhecer que está mesmo muito frio. Tanto que ando quase sempre de pés e mãos geladas, essencialmente quando estou fora de casa. Porque aqui onde estou agora há um ar condiconado a ajudar a aquecer.

Mordo assim a língua desta minha velha mania de dizer que o frio "ah e tal é psicológico".

Entretanto e segundo me disseram isto parece que vai piorar. Todavia fui consultar o meu sítio de previsão climatérica e li que para a semana as coisas tendem a subir. Não muito, mas sobem!

Portanto agasalhem-se e cuidem-se do frio. E não só!

Acabou-se!

A época de Natal.

Restaram destes dias alguns doces, sobrou muita comida!

Quanto aos doces vamos fazendo o sacrifício de os ir devorando seja em pijamas ao pequeno almoço, seja em sobremesas após os repastos. A comida também... marcha, já que cá em casa nada se desperdiça.

No dia seguinte ao fim dos doces vou naturalmente pesar-me na mesma balança que usei antes do Natal e tentar perceber os estragos produzidos pelo bolo-rei, azevias, bolos de todas as espécies, rabanadas e demais acepipes natalícios (e não só!), no meu peso.

Entretanto entrei já na fase de jantar iogurtes e flocos, mas a manhã é sempre terrível, especialmente enquanto houver doces!

Veremos as surpresas que irei ter!

Teimas!

- Eu levo...

- Não senhor eu é que levo!

- Isso é que era bom, eu é que levo.

- Eu, eu, eu, eu, eu...

- Teimoso já disse que sou eu.

- Não és nada... sou eu!

- Eu!

- EU!

- ...

- ...

- Desculpem não quero interromper, mas é só para avisar que o prazo das vacinas já passou, não vão servir a ninguém! Podem ir embora!

Doces de Natal...

feitos cá em casa!

Todos os anos, por esta altura, a cena repete-se e a cozinha, normalmente grande durante o resto do ano, torna-se num lugar ínfimo.

Cada um tem os seus doces para fazer e portanto é necessário espaço e tempo. Começaram ontem estas actividades de doçaria quando fiz a minha mousse de chocolate (uma utêntica bomba calórica).

Todavia hoje foi o dia principal para a doçaria. E nem merece a pena dizer quem fez o quê... Portanto e para não me alongar eis o que se cozinhou hoje:

Filhós beirãs - 8 quilos de massa, centenas de filhós, das quais só aqui apresento um prato, para comer e distribuir pela família;

filhos_beiras.jpg

Coscorões - 1 quilo de massa amassada pela minha mãe, mas tendidas e fritas por cá;

coscoroes.jpg

Bolo imperial - um bolo à base de frutos secos e açúcar;

bolo_imperial.jpg

Queijo de amêndoa - tal como próprio nome indica... ovos e muita amêndoa;

 

queijo_amendoa.jpg

Rabanadas - Geralmente feitas com pão de forma, este ano não se conseguiu comprar, fez-se com outro tipo de pão;

rabanadas.jpg

Pudim Molotof - com cobertura de caramelo

molotof.jpg

Pudim Abade de Priscos - um doce conventual muito, muito bom;

abade_priscos.jpg

E por hoje foi tudo. Para amanhã ficará:

Os cubos de chocolate,

as farófias,

a tarte de amêndoa,

quente e frio,

bolo de bolacha,

e

bolo de ananás e natas.

Se juntarmos a estes doces:

- um bolo raínha que nos foi oferecido,

- um bolo-rei feito pela minha mãe,

uma lampreia de ovos e umas azevias que se encomendaram e um bolo-rei de ananás que comprei ontem na loja dos Açores. creio ter doces suficientes para a festa de Natal e até ao fim de semana.

A gente adoça-se por aí!

Parvoíces do antigamente

Quando eu era menino havia uma filosofia demasiado machista que nos era incutida e que consistia em que um homem "nem que visse as tripas a sair da barriga para fora" nunca choraria.

Só que a vida vai-nos ensinando e hoje aquela teoria parva do antigamente caiu redondamente. E ainda bem!

Sinceramente, se eu visse as minhas tripas hoje de fora, eu choraria que nem um desalmado. É que aquilo deve doer à bruta!

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