Esta questão tem aflorado amiúde ao meu pensamento neste dealbar de 2026.
Tudo porque uma tia, irmã mais nova do meu pai fez já este ano e no mesmo dia da minha neta, 86 anos.
Ora bem... o meu avô paterno morreu em 1972 com mais de 80 anos devido a um enfarte fulminante, tendo deixsdo sete filhos vivos. Ao que sei ainda enterrou três crianças, mas naquele tempo seria (quase) normal a enorme mortalidade infantil.
Daí os que sobreviveram foram os mais fortes e mais resistentes. E a tal de resistência tem perdurado durante muitos anos, de tal forma que dos sete filhos ainda estão hoje vivos... cinco. E exceptuando a minha tia Madalena que terá falecido, vítimo dos maus tratos sofridos do marido alcoólico, o meu tio Manuel imitou o pai ao morrer também de enfarte mas com a módica oidade de 96 anos.
Restam assim os meus quatro tios de 96, 91, 87 e 86 anosbrespectivamente e o meu pai de 93.
A segunda geração já começa a contar anos. O mais velho dos meus primos deve estar muito perto dos 80 se não tiver já chegado. O mais novo dos dezassete netos do meu avô já deve ter mais de meio século de idade. E destes apenas uma faleceu no Canadá, vítimo de um cancro e não deixando descendência.
Como se percebe esta minha família consegue resistir estoicamente às maleitas e aos COVID's desta vida. Não sei até quando! Mas resistentes parecem ser!
Será esta longevidade dos meus tios e do meu pai, hereditária?
O saber, o conhecimento é uma das melhores e maiores características do ser humano. Nenhum outro animal pretende saber algo para além daquilo que será a sua sobrevivência diária.
Gosto de gente que sabe, de pessoas que falam de coisas com verdadeiro conhecimento. Especialmente quando falam de áreas que não estão ligadas à profissão.
Imaginemos um engenheiro de tecnologia espacial a falar sobre medicina ou um médico a perorar sobre a influência da marreta na guerra das Duas Rosas. É obviamente possível, mas diria que improvável!
Portanto há pessoas que querem saber, só pelo gosto de saberem! Esta ideia é de enormíssimo valor, até porque como não têm quaisquer interesses para além do conhecimento puro e duro, conseguem ser quase equidistantes das opiniões contrárias.
Porém há sempre uma ideia que fica a bailar no meu espírito e que se traduz nesta simples pergunta: para quê saber-se tanto sobre um assunto se eu nunca o irei usar na minha vida?
Poder-se-ia, em teoria, transmitir esse conhecimento a outros, mas há quem nem isso faça... ficam com o saber para si e morrerão carregados de sabedoria.
Isto aflige-me. Talvez por isso escreva diariamente. De forma sofrível é certo, mas pelo menos deixo alguns testemunhos.
Porque depois da minha partida alguém virá... falar (ou não) de mim!
Há muita gente que se considera imortal, quando no fundo, no fundo nascemos e morremos um pouco todos os dias!
Esta manhã deram-me a triste notícia de que a minha vizinha da frente, uma simpática idosa, viúva com 87 anos, havia morrido no hospital após diversas falências de orgãos. Ainda a semana passada fui chamado a sua casa para a levantar do chão onde caíra.
Esta tarde vi o filho mais velho a levar coisas de casa para o seu carro. Ao ver-me atravessou a rua e dirigiu-se-me. Dei-lhe as condolências para vir logo com a conversa das partilhas entre ele e o irmão como se eu fosse parte interessada.
Deixei-o falar até que aproveitei a saída da minha neta para me despedir dele. Detesto olimpicamente este tipo de paleio...
Prevejo com aquelas palavras o início de uma demanda, tendo como base uns bens que daqui a uns anos já nem serão dos irmãos porque também eles seguirão, mais tarde ou mais cedo, os caminhos dos pais.
É assim que se começa uma guerra familiar. Por uns tarecos!