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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Caos na capital!

Já por mais de uma vez que refiro que Lisboa deixou de ser uma cidade pacata para se tornat uma espécie de torniquete com gente a entrara e a sair.

Comprfeendo que o turisto poderá ser o petróleo do futuro, especialmente para aqueles locais que souberem agarrar o estrangeiro de todas as maneiras e feitios.

Talvez por isso a cidade de Lisboa, especialmente a Baixa Pombalina e arredores, esteja quase transformada num enormíssimo estaleiro de obras.

De vez em quando tenho afazares na capital. Para tal levo o carro que estaciono num dos parques da cidade, geralmente o que fica na praça do Munícipio, e vou à minha vida.

Mas hoje a viagem correu menos bem, Como não oiço nem vejo notícias, nem vejo televisão não me apercebi de greve na CP. Resultado demorei quase uma hora para chegar onde queria e depois de tudo tratado demorei mais hora e meia a sair da cidade.

Portanto imaginem este cocktail urbano: obras e mais obras, com cortes de vias e muitos desvios, greve de transportes, pré-época de Natal com as descargas habituais de produtos por tudo o que é loja, e a cereja no topo do bolo, a chover...

Dá para perceber que a cidade já de si muito trapalhona tornou-se hoje profundamente caótica! Como já não via há muito tempo!

Preparemo-nos!

O hemiciclo da AR está finalmente definido. O PS com a maioria absoluta, o PSD de Rui Rio muito longe, o Chega como terceira força política e o Iniciativa liberal como quarta.

Caiu estrondosamente a esquerda, sempre muito trauliteira, pagando um elevado preço pela reprovação de um OE para 2022. Agora irão levar com um provavelmente muuuuuuuuuuuuito pior do reprovado e podem bem estrebuchar, mas nada poderão fazer.

Entretanto o PCP já ameaçou com o fim da paz social numa manifesta tentativa de chantagem política com o próximo governo, olvidando que foram uns dos grandes culpados ao alcançarem este triste patamar.

A este propósito lembremo-nos que, não obstante a baixa votação na esquerda, os comunistas ainda tem uma invejável capacidade de mobilizar tropas no sentido de criarem a tal destabilização social.

Portanto preparemo-nos para nos próximos meses/anos assistir a inúmeras greves na FP (médicos, enfermeiros, professores, p.e.), transportes e em outras actividades económicas, assim como manifestações e demais formas de luta.

Algo que não víamos desde 2015.

Televisões também em greve… de notícias!

A actual greve dos Motoristas de matérias perigosas é um manancial de… coisa nenhuma para as televisões.

Vi alguns directos das televisões cujos repórteres se encontram em diversos locais do país e o que escutei foi somente isto:

- Aqui está tudo calmo… os camiões vão saindo…com normalidade.

Ora ao segundo dia de greve quando tudo já devia de andar à batatada para gáudio das televisões, nada acontece tendo mesmo um canal o azar de mostrar um camião cisterna a abastecer uma bomba de combustível.

Nem imagino a tristeza que pairará nas actuais redacções dos telejornais por não poderem comunicar o número de vítimas dos confrontos entre os A’s e os B’s!

Pode ser que amanhã tenham mais sorte!

Sindicalismo no século XXI

Imagino que os partidos de esquerda lusa estejam à beira de um ataque de nervos tendo em conta a próxima greve dos motoristas de matérias perigosas.

Num país onde a maioria dos sindicatos estão maioritariamente ligados a Centrais Sindicais (CGTP e UGT), aparecer um sindicato independente, representado por um advogado, com uma capacidade mobilizadora fora do vulgar e capaz de parar Portugal pode tornar-se numa nova forma de sindicalismo.

Entretanto o PCP que sempre teve na CGTP/Intersindical o seu braço armado na contestação laboral deve andar em busca nos velhos manuais de como é que tudo isto lhe passou ao lado.

Lamentavelmente o BE vive um dilema interno de gestão política, pois ainda não sabe bem o que fazer ou dizer quanto a esta greve. Por um lado vem ao de cima a sua vertente de "esquerda-caviar" e afirma que os motoristas têm toda a razão para logo a seguir apoiar o governo nas decisões anti greve que Costa vai assumindo. Quase que faz lembrar uma velhinha e conhecida canção de Marco Paulo onde dizia que tinha dois amores.

Decididamente não sei quem tem razão neste diferendo que opõe motoristas à ANTRAL, pois necessitaria de ter comigo todos, repito todos, os dados que envolvem estas negociações, mas de uma coisa estou (quase) certo: o sindicalismo em Portugal jamais será o mesmo.

Uma Rosa de greves

Chamava-se Rosa!

Mas podia-se chamar-se Ana, Joaquina ou Filipa. Não importa! É só mais um nome!

Trabalhava aqui e ali sempre nas limpezas, numa permanente correria. Daí os seus recursos serem geralmente escassos.

Há tempos foi diagnosticada com uma doença do foro oncológico. Grave!

Obviamente a necessitar de intervenção cirúrgica com alguma urgência.

Sem capacidade financeira para entrar num hospital privado, deu então entrada na lista de espera um hospital público. Como tantos outros doentes…

Há meses que aguardava cirurgia. Todavia as diversas greves no sector foram sempre adiando a intervenção.

Soube ontem que já saiu da lista de espera.

Morrera no dia anterior!

Greves: a luta que nunca continua!

Em termos teóricos considero a greve com uma forma legítima dos trabalhadores lutarem pelos seus direitos. Sejam por melhores vencimentos, melhores condições de trabalho ou benefícios sociais, desde que justos, a greve fará sempre sentido.

Eu próprio já aderi à greve!

Mas quando a fiz levantei-me à mesma hora dos dias de trabalho e apresentei-me à porta da minha entidade laboral, mas não entrei. Fiquei ali horas a fio, em amena cavaqueira com outros grevistas presentes, até ser a costumada altura de ir para casa.

O mundo evoluiu e a greve deixou de ser unicamente uma forma de luta por mais direitos, para se tornar uma espécie de arma de arremesso contra a tão propalada, conhecida e desejada… paz social.

Reconhecendo alguma infidelidade à minha anciã veia de esquerda, oriunda dos anos setenta do pós 25 de Abril, e agora diluída numa pacata neo-burguesia, sinto que a maioria das greves não fazem sentido.

Os sindicatos, que são geralmente os grandes mentores desta forma de luta, estão quase todos associados a centrais sindicais de reconhecido cariz partidário.

Ora neste sentido é fácil criar-se instabilidade social e política através da assumpção de greves mais ou menos politizadas. Capacidade de mobilização, alguns slogans como chamariz… e temos a “feira” montada.

É por estas e muitas outras que olho para o nosso sindicalismo, e retirando algumas honrosas excepções, repito olho com muito cepticismo e consciente que aquele está cada vez mais afastado dos interesses dos trabalhadores e mais próximos de alguns sectores políticos.

A greve dos médicos que hoje se iniciou não sei se é justa ou não, mas a saúde deveria ser a última arma de arremesso contra um povo já de si tão carente de serviços médicos competentes. Meses à espera de uma consulta que depois não se realiza por causa de uma greve não é, de todo, a maneira mais democrática de lidar com a população.

Haverá certamente outras formas de luta que possam alertar o governo para o problema. Mas jamais à custa dos doentes. Jamais!

É que estes não merecem. E os médicos também não.

Acordem!

Nos anos oitenta sindicalizei-me a primeira vez. Era o presidente do sindicato um homem íntegro e que partiu infelizmente demasiado cedo. Tive o privilégio de o conhecer pessoalmente e lembro-me duma frase que ele disse entre dois "piratas" (passe a publicidade) ali nos Restauradores: "Ser sindicalista é ficar refém das causas dos outros. Nunca ganhamos nada, a não ser estima e amor próprio".

Há pouco tempo houve eleições para o meu actual sindicato, diferente daquele em que me inscrevi em 1980. E notei que cada vez são menos os sócios. Não por morte de alguns mas acima de tudo por que ninguém consegue rever-se naquelas associações. Então os mais novos fogem dos sindicatos como estes tivessem sarna.

Hoje, trinta anos volvidos de escutar aquela frase, percebo que o sindicalismo é tão só uma forma de vida sem qualquer sentido prático. Por isso há greves por tudo e por nada. E raramente, muito raramente há uma greve por melhores salários ou condições de trabalho. Estas são ideias esquecidas, enterradas vai para muitos, muitos anos.

O Metro deLisboa esteve hoje todo o dia em greve. Milhares de pessoas prejudicadas. O trânsico caótico, enfim mais um dia chato. E para quê? Rigorosamente para nada. Nada...

As greves e suas razões começam a ser temas recorrentes deste espaço. Mas alguém tem de dizer a esses sindicalistas da treta que estas greves não têm qualquer efeito prático, a não ser prejudicar os pobres utentes.

Acordem meus amigos, acordem!

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