Tenho assistido com natural estranheza à alegria de muitos portugueses, no que se refere ao NÃO dado pelos grego às medidas de austeridade sugeridas pelos credores europeus. Será que percebem o que está para acontecer àquele país do Mediterrâneo?
Bom, comecemos pelo início: a Grécia ou melhor os diversos governos gregos mentiram à UE.
Durante anos apresentaram contas ao Eurogrupo como sendo as verdadeiras, quando na realidade os valores não correspodiam à verdade. Deste modo a Grécia (tal como Portugal!!!) não deviam fazer parte do Euro. Foi a engenharia financeira de alguns ministros e políticos dos diversos governos que enganou a Europa.
Era óbvio que com tanta mentira, um dia a verdade viria ao de cima. Era normal e forçoso!
Duma forma simplista os gregos andaram pura e simplesmente a viver à custa dos orçamentos dos outros países... É como se alguém devesse dinheiro a toda a gente e continue a ir comer todos os dias ao restaurante! E pior... achar que isso é perfeitamente válido!
Tenho também lido que há tentativas de chantagem com a Grécia. Talvez! Mas esta ideia obriga-me a duas perguntas: que espécie de negociação fez o governo grego com a Rússia? Não será esta aproximação ao leste também uma tentativa de chantagem, tendo em conta a sua posição geo-estratégica no Mediterrâneo?
Enfim os Gregos assemelham-se aos habitantes da aldeia gaulesa de Astérix e Obélix, criada por Uderzo e Goscinny nos anos cinquenta. Tornaram-se profundamente irredutíveis. E parecem obstinados a destruirem a Europa com a poção mágica da falência do próprio país.
Não percebo a demissão do Ministro das Finanças grego! As razões apresentadas parecem-me um tanto rebuscadas… mas enfim, aguardemos!
Ponto 1
Ficou evidente este fim de semana que o povo grego não está para estas andanças europeias. O referendo, ora posto a votação, deu um NÃO rotundo às políticas apresentadas pelos credores.
Ponto 2
Não imagino o que se seguirá mas a génese da U.E. está obviamente em perigo. Fica a pergunta a bailar-me no pensamento: como se chegou aqui?
Ponto 3
A Rússia esfrega as mãos de contente por poder contar, naquela zona do Mediterrâneo, com um apoiante. A NATO é que não vai gostar desta brincadeira.
Ponto 4
E se os credores aceitarem as propostas gregas de forma a não deixaram cair o país na bancarrota? Como reagirão os outros países (Portugal incluído!!) também eles sujeitos a graves medidas de austeridade? “Podemos” ter mais casos…
Ponto 5
Será que Tsipras tem consciência do que é governar um país completamente falido? Com os evidentes custos sociais e económicos? E já sem o seu homem de mão…
Ponto 6
Os gregos comemoraram ontem a vitória do NÃO na Praça Syntagma. Sem terem real conhecimento do que o futuro lhes reserva.
Ponto final
A Grécia, mãe da democracia, caiu numa espécie de armadilha. Provavelmente, ontem foi colocado um Ponto Final na relação do país helénico com o restante Eurogrupo.
Na sala, ampla e bem iluminada, uma longa mesa. À sua volta diversas figuras bem conhecidas: Tsipras, Merkel, Juncker e Lagarde. Todos encontram-se debruçados sobre uma quantidade de papéis. Simulam ler... mas pensam somente:
Tsipras: - Só espero que o SIM ganhe domingo. Desapareço logo de cena. Estou muito cansado de lutar.
Merkel: - Este grego saiu-me melhor que a encomenda. Mas hei-de vergá-lo. Nem que tenha de ir à Grécia fazer campanha pelo SIM.
Juncker: - Quem diria! Chegou este fedelho agora à política e quer já dar cabo da Europa! Nem pense que dá cabo do meu lugar. Nem pense!
Lagarde: - Ai, ai, ai se ganha o NÃO na Grécia, nunca mais vejo o meu dinheiro. Este miúdo é deveras irritante.
Abre-se uma porta e surge Obama com ar circunspecto. Reflecte também:
- Cambada de teimosos!
Levanta-se finalmente o pano. Toda a Europa assiste, expectante!
É, finalmente, chegada a hora de todos, ao mesmo tempo, começarem a discutir.
O país helénico tornou-se num país aborrecido. Tal é a contínua carga de notícias sobre aquele país.
Por muito que tentem ninguém imagina qual vai ser o futuro da Grécia. Mas todos os dias há novos (????) desenvolvimentos.
Mesmo que o "não" ganhe no próximo domingo no referendo, não é certo que a Grécia abandone o euro "tout suite".
O problema decorre, em primeiro lugar do logro do que esta a ser esta (des)união europeia. Ninguém se entende e cada um diz a sua coisa. Enquanto isso o tempo passa, as dívidas ficam por pagar, o país cai em "default" e muitas mais reticências.
A próxima segunda feira pode ser o fim do Euro ou quiça da própria Europa tal como está constituída. Ou talvez não!
Muitos países já estarão a esta hora a fazer contas à vida sem a Grécia e começam a perceber que provavelmente a saída deste país até nem traz grande mal. Dirão talvez, alguns puristas desta união bancária, que a ideia de Jean Monnet para uma verdadeira comunidade europeia está, desta forma, condenada ao fracasso, muito por culpa do governo grego, que ao não aceitar a implementação de algumas regras vai contribuir (e de que maneira) para uma crise nova, mas muitíssimo mais grave!
Com repercussões políticas e socias ainda dificilmente contabilizadas!
Será fácil chegar aqui escrever e dizer mal de toda a Europa. Uns patifes, estes europeus que querem tramar a Grécia. Uns malandros, egoístas, capitalistas sem coração.
Pois é fácil dizer isto não é?
Mas eu que sou do contra concordo que a Grécia deve sair do Euro (para mim nunca devia ter entrado, mas isso são outros 500 paus!!!). Considero injusto que os portugueses tenham sofrido as agruras duma austeridade e agora vem aquele país "azulinho" dizer que não aceita as condições que o Eurogrupo lhe propõe. Pelo visto Portugal é um burro de carga e eles gregos é que são os espertos...
A Grécia vive há muito, não dos rendimentos que não tem, mas das esmolas dos outros países. Não lhes interessa como o dinheiro aparece, desde que venha! Isto é... os Gregos andam a comer à custa dos outros. Não me parece de todo justo!
É sabido que a situação geo-estratégica da Grécia pode-lhe valer como um grande trunfo. Todavia não vale para sempre. E se acusam o Eurogrupo de chantagem, da mesma forma se pode acusar o governo helénico de usar a sua posição no Mediterrâneo como moeda de troca.
Não calculo nem imagino o que será da Europa no dia seguinte à saída da Grécia. Mas duma coisa estou certo: os gregos, se votaram contra o euro vão-se arrepender amargamente. Mesmo que os Russos lhes dêem a mão.
Nem quero imaginar como estarão os adeptos portugueses do partido de Tsipras. A vitória da esquerda radical grega parecia vir a tornar-se um bom exemplo de como a crise que assolou a Europa poderia (e deveria) ter sido tratada.
Porém e após sucessivas negociações entre a Comissão Europeia e os ministros gregos não há ainda qualquer acordo entre as partes, estando a Grécia neste momento mais próxima de sair do euro e entrar em falência, do que regressar ao seu estatuto euopeísta.
Visto à distância a Grécia tornou-se um peso morto para a Europa. Primeiro porque tem inviabilisado toda e qualquer tentativa de aplicação de reformas internas, no seguimento do que foi feito em Portugal, segundo porque é obvio que aquele país helénico jamais pagará qualquer dívida o que dificulta, e de maneira, a assumpção de novos empréstimos.
É certo que ninguém empresta dinheiro se souber de antemão que nunca o receberá, mesmo que aquele seja onerado com altos juros.
Voltando ao princípio deste texto os grandes defensores do Syriza, fora das fronteiras helénicas, após as sucessivas derrotas de entendimento, viram-se agora para outras lutas percebendo que as ideias da esquerda grega não passaram de um monte de boas intenções.
Bom parece que a ideia de que a Grécia iria fazer finca-pé à UE não passou de um monte de (boas) intenções. No fim de contas a montanha pariu um rato e não obstante terem mudado de semântica, o que conta é que a Grécia vai ter que vergar-se à vontade da UE se quiser receber uns milhões que faltam, nas próximas semanas.
A Grécia necessita da última tranche de dinheiro como de pão para a boca.
O governo helénico meteu-se por caminhos apertados e está agora numa encruzilhada. Sempre pensou que a Rússia estaria do seu lado apoiando nas suas opções contra a UE, com a contrapartida de acabarem as sansões contra Putin. Só que a guerra quase fraticida na Ucrânia e a crise interna do país deixaram a Rússia sem (grande) margem de manobra no que respeita às pretensões gregas.
Deste modo seja a Troika ou os colaboradores europeus ou outro nome qualquer que queram atribuir, o que vai acontecer na Grécia é a manutenção de grande parte das medidas de austeridade. Doa a quem doer, custe o que custar. Com uma simples ressalva: provavelmente terão outro nome...
Em Portugal e em alguma da Europa mediterrânea a vitória da esquerda radical na Grécia é tida como uma vitória dentro de portas. Todos os partidos de esquerda ou centro esquerda e eurocépticos querem colar-se a a toda a força a esta vitória. Em Espanha o partido "Podemos" parece outrossim estar sentenciado a um destes dias ser governo. Assim votem os espanhóis.
Em Portugal, curiosamente António Costa desviou-se dos camaradas do PASOK helénico e anda muito entusiasmado com a actual "coragem" grega.
Mas é aqui que as coisas parecem mudar de figura. A Grécia está definitivamente falida. Não tem dinheiro e não terá qualquer crédito no futuro se teimar em não querer pagar o que deve. Mas o actual ministro da economia grego já veio dizer que a Grécia quer respeitar os compromissos assumidos, no entanto em moldes diferentes daqueles que foram anteriormente acordados.
Que quererá isto dizer então? Que o PM helénico Alexis Tsipras dá o dito por não dito e inflecte a 180 graus naquela sua ideia de não pagar e abolir a austeridade? Parece-me bem que sim, pois pelo que tenho vindo a perceber há um eventual recuo no radicalismo do PM grego, tentando para já agradar curiosamente a gregos e a troianos.
Não imagino o que o futuro lhes reservará com estas atitudes, algumas extremistas outras nem tanto, mas a Europa jamais olhará para os actuais políticos gregos da mesma forma que olhou para os seus antecessores.