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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Nunca na vida!

Tenho um primo na aldeia que é construtor e que sempre que há trabalhos para fazer é a ele que recorro! Seja para arranjar um telhado de um barracão, seja para uma qualquer alteração em casa.

Quando conversamos sobre um trabalho e lhe pergunto se for da maneira que ele propõe se as coisas não correrão mal e devolve usualmente a seguinte resposta: "Nunca na vida"!

Gostaria de, tal como ele, ter a certeza da sua certeza (passe o pleonasmo)! 

Nunca na vida é algo que dificilmente direi porque a minha caminhada neste mundo tem sido recheada de tantas dúvidas e incertezas que seria insensato assumir aquela expressão para o futuro. É verdade que há pouco mais de um ano muita gente daria a mesma resposta ou semelhante, se lhes perguntassemos se acreditariam numa pandemia tão limitadora quanto a que ainda vivemos. Provavelmente diriam este "nunca na vida" como se fossem donos de todas as certezas do Mundo.
Porém a realidade apressou-se a contrariar os futurismos.

Seria mesmo bom e conveniente que comecássemos a pensar nisso!

Hoje por tudo o que nos tem acontecido estamos todos mais cientes que o futuro é muito incerto.

Pois é... estamos certos quanto à incerteza!

Que gostaria de fazer antes dos...

63 anos

  • regressar às minhas viagens. Essencialmente revisitar Trás os Montes;

64 anos

  • conseguir juntar os amigos da blogosfera para um almoço. Desde que a pandemia o permita;
  • regressar aos Açores nomeadamente à ilha das Flores e poder ver baleias:

65 anos

  • ir a pé até Santiago de Compostela. Depois dessa idade não sei se estarei em condições;

70 anos

  • uma viagem de cruzeiro aos fiordes da Noruega. Um desejo muito antigo.
  • conhecer a Irlanda e Escócia. Aquela história deles...;
  • conseguir publicar os meus contos em livro. Um sonho que gostaria que não o fosse;
  • uma passagem do ano em Times Square. Parece muito, mas que gostaria, gostaria;

A partir dos 70 anos

  • acordar todos os dias. Com a cabecinha no lugar e com juízo.

Liberdades em causa!

Ultimamente dou por mim a olhar para a inocente que ora alegra os meus dias e pergunto-me: o que será do futuro desta criança?

O problema não reside nos educadores, mas unicamente na forma como o que estará para vir, surgirá na vida desta menina. Desta e todas as outras meninas e meninos que sem imaginarem e sem se aperceberem irão crescer e ser educadas sob um regime quase totalitário, tal é a força das imposições que nos são obrigatoriamente propostas.

Algumas teorias da conspiração iniciaram com a ideia de que esta pandemia foi criada para acabar como os mais velhos, quando agora assumem a pés juntos que este problema de saúde que atravessa todo o planeta foi criado para cercear as liberdades.

Pela minha parte não creio em nenhumas das teorias, mas reconheço que alguns países se estão a aproveitar da situação para limitar alguns direitos fundamentais (até pareço alguém do PCP a escrever!!!).

Acreditem ou não a liberdade que tanto presamos está a ser posta em causa. Seria bom que acordássemos, o mais cedo possível, desta letargia.

É que um destes dias será tarde demais.

 

Receios para o futuro!

Vivo diariamente com alguém que está completamente senil. Senta-se à mesa come sozinha, mas é necessário colocar-lhe a colher na mão, já que faca e garfo... já era. Não tem uma conversa de jeito, por vezes não sabe onde está e assusta-nos deveras quando num segundo está sentada na sua cadeira, para no segundo seguinte estar de pé em busca de qualquer coisa que nunca sabe o que é, arriscando-se tantas vezes a cair... 

A verdade é que os 90 anos não ajudam. Junte-se uma profunda depressão que durante muitos anos a atirou para uma cama e temos as razões para que a sua mobilidade seja agora reduzida e frágil.

Valem-lhe as filhas que decidiram estar com ela em casa em vez de a enviarem para um lar. E este que se assina como genro... também colabora.

Porém quando olho para aquela criança triste e acabrunhada, que dia a dia vai desaprendendo, fico a matutar no meu futuro e dos receios que este me trará. Por enquanto, e mesmo depois de ter estado infectado com Covid, estou de boa saúde (aparentemente!!!). A cabeça está sempre a trabalhar, nunca tive nenhum estado depressivo e nem vivo ansioso.

Só que de vez em quando olho para o quadro cá de casa e penso: e se fico assim um dia?

Este é assumidamente o meu maior temor. Não só a incapacidade de um dia ser, mas acima de tudo a incapacidade de um dia pensar e decidir.

Assusta-me!

E o meu futuro é já ali...

Viver é uma aventura!

Já o escrevi antes: vivemos tempos bizarros. Tão bizarros e há um ano impensáveis.

Por tudo o que agora nos rodeia, pelos receios, as dúvidas, as incertezas para o dia de amanhã.

Hoje somos todos muito mais frágeis. Fisica e psicologicamente porque paira por cima das nossas cabeças uma permanente tristeza.

Quase me atrevo a dizer que vivemos tempos de guerra. Uma guerra contra um inimigo que não conhecemos, que não vimos, mas que tememos muito acima das nossas capacidades.

Os números de infectados, de internados, de mortos e recuperados sobem e descem qual oceano alterado. São os ventos da pandemia originários em tempestades de vírus. Que ninguém controla, que ninguém segura e perante os quais ninguém ousa fazer prognósticos de melhoria.

Hoje, mais do que nunca, cada dia que passa por nós é uma enorme vitória. Não nos esqueçamos diso!

2021 - Ano zero!

Como já escrevi não ligo muito às passagens de Ano. No entanto aceito que a maioria das pessoas considerem a mudança de dia, mês e ano de uma só vez uma janela de oportunidades.

O povo costuma dizer: ano novo, vida nova.

Todavia não foi preciso uma mudança radical de calendário em 2020 para que todas as nossas vidas se alterassem de forma (quase) radical.

O que antigamente nos animava e aconchegava, como eram os beijos e abraços, passaram de um dia para o outro a ser estranhas armas.

Bom... mas não falemos agora de coisas menos boas.

Com a nova vacina o Mundo terá tendência para melhorar e paulatinamente regressar ao que sempre foi. Assim o ano 2021 deverá ser o ano zero para muitos de nós tendo em conta os afastamentos familiares, os confinamentos obrigatórios, os demasiados tempos em teletrabalho.

O próximo ano que ora entra nas nossas vidas tem tudo para ser diferente. Desejamo-lo para melhor! Mas só o será para todos se cada um de nós fizer a sua parte acatando e aceitando que as regras sanitárias e não só deverão ser respeitadas e cumpridas à risca.

Termino o último postal de 2020 desejando que todos os que aqui vêm beber algumas palavras, tentem viver no próximo ano um dia de cada vez, com a saúde desejável, a alegria espontânea das crianças, os sonhos dos poetas e a esperança renovada dos eleitos.

Fiquem bem, cuidem-se que a gente lê-se por aí.

O Ano Novo!

Há muito que deixei de comemorar com pompa e circunstância a festa da mudança de ano. No fundo, no fundo só estamos a virar mais uma folha no calendário das nossas vidas. Como viramos todos os dias, semanas ou meses.

O ano de 2020 ficará, certamente, marcado nos nossos corações pelas piores razões. Mas não será por mudarmos de ano que tudo se tornará melhor como num passe de mágica. Nada se alterará e vamos ter que manter uma vida estranha, sem festas, reuniões, almoços ou jantares numerosos.

No entanto quando era jovem as passagens do Ano foram sempre importantes, acima de tudo pelas festas em que participei. E acreditem que as aproveitei ao máximo!

Todavia hoje nada me cativa já que gosto de viver somente um dia de cada vez e no sossego dos meus mais chegados e da minha casa.

A verdade é que a idade também deu um vincado contributo para esta antagónica visão nestes dias que ora se aproximam. Prefiro ver e ouvir o concerto de Ano Novo de Viena de Austria (estou curioso para perceber quantos pessoas lá estarão!!!), ou manter uma conversa inteligente à volta da mesa.

Finalmente e independentemente do pensamento de cada um o Ano Novo é assim uma espécie de algodão doce dos nossos dias: muito grande e bonito mas não enche barriga.

Um futuro muito nublado!

Receio o futuro! Definitivamente!

Tudo por causa desta pandemia que teima em não nos largar, em brindar-nos com um "novo normal" que pode ter tudo menos... normalidade.

Entretanto os restaurantes, por aqui, estão quase todos cheios e até aquela cadeia de comida rápida está repleta de gente... Fora e dentro!

Há quem acredite que o passado recente foi um horrível sonho e que amanhã voltaremos às nossas vidas sem restrições. Puro engano!

Pelo que leio os casos continuam em crescendo o que indica que anda por aí muita gente infectada e sabendo ou desconhecendo a sua situação, continua a fazer a sua vida sem temor. E a infectar outros!

Na praia que diariamente frequento e onde chego sempre cedo, a bandeira indicativa do números de pessoas está sempre verde, quando entro no areal. No entanto quando regresso a casa aquela encontra-se sempre vermelha, mas com as pessoas a entrar normalmente. Algumas até brincam com a situação.

Depois já no areal as que chegam não se cuidam em se afastar, deixando espaço social dos restantes banhistas.

- É já aqui e mainada! - dizem e assentam arraiais.

E claro... lá tenho eu de andar de toalha atrás de mim para fugir dos recém chegados.

O povo educa-se com muita dificuldade, mas deseduca-se quase expontaneamente!

Tenho consciência que o Estado faz o possível para que as pessoas percebam a gravidade (ainda) da situação. O problema é que a populaça faz "ouvidos de mercador"! É o que lhe convém!

Depois não se admirem de brevemente em vez de estarem dois meses confinados... possam estar cinco ou seis.

Reforma: um passo em frente!

Aproxima-se rapidamente a minha reforma. Uma decisão pensada, amadurecida e inevitável.

Mas ao invés de muitos que conheço não me vai faltar que fazer. Faltar-me-á com toda a certeza tempo para operacionalizar tudo o que gostaria.

Hoje encontrei um colega com quem trabalhei num Departamento. E foi mais ou menos este o diálogo que mantivemos:

- Viva João… como vai essa “bizarria”?

- Vai bem…

- Então quando é que te reformas?

- Ainda não sei…

- Mas já tens o tempo todo… Que idade tens?

- Tenho 65 anos…

- E os mesmos 37 de casa como eu…

- Sim!

- Então estás à espera de quê?

Um silêncio caiu no meio do nosso diálogo. Finalmente declarou:

- Não sei o que fazer reformado…

Avancei com diversas dicas desde voluntariado em hospitais ou em associações de animais, mas a todas elas ele respondeu.

- Não sei se tenho coragem.

Preferi não continuar a dar palpites e despedi-me.

Mas as palavras dele não saíram da minha mente: Não sei o que fazer reformado…

Tal como este meu colega haverá muita gente imbuída no mesmo espírito de inutilidade perante a sociedade aquando da passagem para a reforma. Nunca se prepararam para um dia deixarem de trabalharem.

Lembro-me a este propósito de um caso em que um colega (entretanto já falecido) se reformou, mas nunca o comunicou à família. Deste modo todas as manhãs levantava-se e saía de casa como se fosse trabalhar. Um dia a mulher a imperiosa necessidade de falar com o marido e vai daí ligou ara o trabalho a perguntar pelo marido e foi aí que soube que já estava reformado havia uns tempos.

Pois bem… a reforma será um passo tão importante quanto aquele que demos aquando do primeiro emprego. Só que agora temos a vantagem da experiência e a serenidade dos anos vividos.

Algumas considerações…

O resultado das últimas eleições vai ser, nas próximas semanas, analisado e esmiuçado até à medula. O que vai originar as mais diversas análises, obviamente adaptadas ao pensamento político de que as profere (leia-se escreve).

Portanto não me cabe analisar os últimos resultados e outrossim extrair deles brilhantes conclusões. Outros, como já o disse, o farão, quiçá, com mais verbo e mais discernimento que eu.

Assim hoje venho abordar o (grave) assunto da abstenção. E lanço para já uma simples questão: como pode alguém, em Portugal, ter coragem para criticar um qualquer governo se na altura devida nem aparece para exprimir o seu desagrado? Nem digo para votarem num partido bastava que o fizessem votando em branco.

Os partidos, ao invés do que hipocritamente afirmam, não se preocupam com a abstenção. De todo. No fundo para alguns partidos é bom que as pessoas não votem. Até porque tenho a triste sensação de que os abstencionistas são, na sua maioria, de direita.

Porém o povo só votaria maioritariamente se visse nisso alguma vantagem financeira. Por exemplo quem votasse teria um determinado benefício no IRS. Aí sim tenho a certeza que a taxa de abstenção baixaria.

Mais, se os nossos partidos ditos de esquerda, tivessem a garantia que com esta hipotética regra ganhariam sempre as eleições, tenho quase a certeza que já teriam alterado a lei eleitoral. Assim mantêm-se fiéis aos velhos princípios.

Ontem fiz 300 quilómetros, com a minha mulher doente no carro, para podermos ambos exercer o nosso direito de voto. Mais uma aberração… Com tanta tecnologia tive de me dirigir à minha mesa de voto da residência para votar, quando poderia simplesmente tê-lo feito lá no interior profundo.

Finalmente continuo a pensar que a abstenção existe muito por culpa dos nossos actuais e antigos governantes. A confiança, a honestidade, o (bom) exemplo que eles geralmente transmitem ao povo é igual a… zero.

Depois não se admirem… que uns movimentos tontos comecem a surgir. Hoje com um só deputado… mas nas próximas eleições quantos serão?

Só espero que um dia a esquerda não venha inventar desculpas para o trabalho que não fez ou que deixou que os outros fizessem por ela.

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