Conheci mal o meu avô paterno já que só tinha 12 anos quando ele (ou Alguém por ele) decidiu levá-lo para o lado da Eternidade.
Deixou cá os seus filhos, sete vivos ao todo, e dos quais ainda sobram cinco, sendo o meu pai um destes...
Com o tempo fui descobrindo momentos da sua atribulada vida. Uns mais fantásticos que outros, mas em todos eles encontrei diferentes e recomendáveis lições, traduzidas em frases que perduraram pelo tempo e pela família.
De todas ou quase todas as que ouvi reservei para mim como base de vida apenas três. Podem ser poucas, mas reconheço nelas verdadeiros pilares, não só para sermos felizes, mas também para vivermos em paz.
A primeira diz o seguinte:
- Dinheiro e santidade é metade da metade!
Realmente num tempo em que muitos assentam as suas vidas no faz-de-conta, esta máxima contem todo esse triste sentido de ser o que não se é. Não estaremos a mentir aos outros, mas a nós mesmo!
A segunda adapta-se que nem uma luva aos dias de hoje e diz o seguinte:
- Dinheiro no bolso não consente misérias!
Por aquilo que retiro da frase já naquele tempo havia quem vivesse muito acima das suas possibilidades. Nem que fosse à custa dos outros.
Finalmente a terceira frase deveria ser adoptada por muitos políticos e figuras de proa, evitando com isso muitos trabalhos e demais sarilhos. A frase é lapidar e nem necessita que eu acrescente alguma explicação. Diz então:
- Mais vale o que fica por dizer, que aquilo que se diz!
Três frases, máximas o que lhes queiram chamar. Expressões que todos deveríamos ler, nem que fosse uma vez por semana. Talvez vivessemos bem melhor.
O meu avô que morreu quando eu tinha 12 anos foi, ao que me é dado perceber, um homem sábio. Profundamente católico obrigava os filhos a ir à missa todos os Domingos. Porém alguns (o meu pai foi um deles!) já mais crescidos levantavam-se mais cedo e saíam de casa antes da religiosa sentença semanal.
Dizem quem o conheceu bem que foi um também homem honrado mesmo tendo sido preso num dia 15 de Agosto de má memória para a família, acusado de um crime que não cometera. Veio para Lisboa onde cumpriu pena e donde conseguia, sabe-se lá com que expediente, enviar cestos para a mulher que os vendia para sustentar os filhos..
Regressado à aldeia continuou a fazer filhos à minha avó, dez ao todo dos quais só resistiram sete, e iniciou a sua vida de fabricante de cal. Fez um forno e sempre que necessitava cozia a pedra que vendia nas feiras das redondezas da aldeia.
Com a idade foi ganhando sabedoria, traduzida esta em frases sábias. Recordo apenas três que ouvi e que ainda hoje fazem sentido:
- Dinheiro no bolso não consente misérias! (dinheiro ou cartões de crédito);
- Dinheiro e santidade é menos metade da metade (tão adaptado aos dias de hoje);
- Por este pequeno buraco passam das maiores fortunas do mundo! (o buraco é obviamente a boca!).
Passam por todos nós os dias, semanas, anos, décadas. Porém a natureza humana foi, é e será sempre a mesma! Independentemente da época, local, clima ou recursos.