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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Ei-lo... o calor!

E com ele a ameaça de incêndios florestais.

Todos os anos quando o Estio surge com estas temperaturas tropicais começo a temer pelas nossas florestas.

Os fogos continuam a ser em Portugal uma enormíssima calamidade que ninguém quer ou sabe controlar. Por muito que se tente, se lute, se sensibilize, certo é que o calor nunca nos traz boas notícias, quanto a incêndios.

Ontem foi às portas de Lisboa. Hoje poderá ser em qualquer lado deste país que vive literalmente sobre brasas. Amanhã à nossa porta.

Sejamos conscientes quanto aos perigos dos incêndios. Deste modo ajudemos a Natureza a manter a sua beleza e força, tendo diversos cuidados.

Não será necessário enumerá-los, pois todos nós temos mais ou menos ideia do que se pode ou não fazer por esta altura.

A luta contra os fogos começa também connosco! Façamos a nossa parte.

Bom fim de semana!

Verão onde andas?

Inicia-se hoje a estação quente e luminosa do Verão. Aquela estação do ano que significa sol, calor, praia e acima de tudo... férias. Simboliza também incêndios, dramas, tristezas e aflições.

Entretanto este Verão principia arrepiado, sem cheiro ao tal calor. Por estes lados da capital paira um tapete plúmbeo, acompanhado de um vento frio que sopra brando mas frio..

Mas antes assim porque o Verão terá certamente muito tempo para nos atentar os dias com canícula. 

Gostaria de pensar que no final desta estação o país havia sabido escapar com a devida competência à tragédia dos fogos. A ver se é desta vez que conseguimos ganhar essa batalha!

Entretanto agasalhem-se que as manhãs estão bem frescas.

Chuva: uma benção...

... ou se calhar não!

Os últimos dias trouxeram alguma chuva, muita desta transformada em granizo que só estraga.

Por esta altura a chuva não é necessária já que é tempo de colheitas e de ceifas. E com a chuva, mesmo que pouca, tudo se pode estragar.

O depósito de mil litros que tenho no quintal para receber a água da chuva de um telhado, encheu-se bem. Não está repleto, mas ainda assim foi bom.

Daqui resulta que a chuva, mesmo que pouca nesta altura do ano, nem sempre é sinal de benção dos céus.

Ou como diria a minha avó: após Santo António chuva só pela Nossa Senhora. Que se comemora a 15 de Agosto.

Pode ser que esta água ajude a mitigar os próximos fogos. Por isso já valerá a pena!

O "eucaliptalismo"

Quem, por exemplo, percorre a A23 desde a A1 até perto de Castelo Branco dá conta do que terá sido o Verão passado especialmente em Junho e Outubro.

São quilómetros seguidos de terra queimada a tentar renascer das cinzas, que o vento e a chuva da primavera já levou grande parte.

Sempre que por ali vou passando constato mais árvores queimadas cortadas. O que faz todo o sentido. Pior que a terra despida, é esta repleta de viúvos paus sem qualquer vida.

Há um ano, mais ou menos, escutei alguns governantes observarem que não seria autorizado a plantação de mais eucaliptos, nos terrenos ardidos, para além dos que já estavam destinados.

Só que na política, tal como no futebol, o que hoje é verdade amanhã é mentira. E não bastam vontades políticas para que algo deixe de acontecer. É necessário vontade própria e acima de tudo não ceder a forças poderosas, que insistem na plantação desta espécie de árvores, que são altamente combustíveis e profundamente prejudiciais aos terrenos, secando tudo em seu redor, mas certamente muito valorizadas para a pasta de papel.

Ao redor da A23 o "eucaliptalismo" é já uma triste realidade. Bem visível!

Nem imagino como será noutros locais mais afastados.

Quando ninguém é culpado!

Faz amanhã precisamente quatro meses que se deu a tragédia de Pedrogão Grande.

Desde esse trágico dia muito se escreveu e debateu. Mas pelo que se viu tudo não passou de um conjunto de estranhas intenções que culminaram em mais esta humilhação perante o Mundo ao deixarmos morrer cem pessoas às mãos de fogos incontroláveis.

Sei por experiência própria que o fogo assim que toma conta de uma mata dificilmente se deixa apagar. Todavia o problema não é o que está já a arder mas aquilo que ainda falta queimar. E falta cada vez menos.

As sucessivas autoridades há muito que vêm dizendo que é necessário ordenamento florestal e outras palavras atípicas. Mas nada se faz, só se estuda. O fogo, entretanto, que não se peocupa com estas demandas vai devorando tudo que encontra no seu caminho. Até vidas humanas.

A culpa de tudo isto é do calor exagerado, da seca, de dezenas de factores. Nunca é dos incendiários apanhados e logo libertados, nem das entidades competentes em (não) gerir as florestas, nem dos interesses escondidos por detrás destes fogos (que os há, quase de certeza).

O governo continua a assobiar para o lado. Decretas umas calamidades como se com essa iniciativa os incêndios apagassem por si só. A ministra não consegue dar um murro na mesa de forma a mandar mais gente combater os incêndios. As autarquias, passadas que foram as mãos abertas para obras eleitoralistas, refugiam-se na velha ideia de não terem dinheiro para limpar as matas. Histórias conhecidas...

Ao mesmo tempo que tudo isto acontece António Costa não consegue ser um PM à altura dos acontecimentos. Quantas mais pessoas terão de morrer para que a Ministra da Administração Interna saia? Não é que vá resolver nada, mas certamente que o seu CV não ficará mais iluminado com estas desgraças. E necessitamos de alguém que pegue "o touro pelos cornos".

E com tudo isto o Governo continua em alta!

 

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

Viajar… porque não!

Gosto muito deste blogue porque a Ana consegue levar-nos a sítios fantásticos e de uma beleza rara.

Também eu adoro viajar, algo que não o faço amiúde porque tenho, como tudo na vida, de optar. Todavia, sempre que vou à aldeia onde nasceu a minha mulher é uma viagem que adoro fazer. E sempre diferente.

Adoro não… adorava.

A seguir à autoestrada há uma estrada não muito larg, mas de bom piso que passa por cima de uma ponta da barragem da Marateca. O caminho é mais ou menos sinuoso mas faz-se muito bem. De um lado e do outro campos de pasto, onde podemos observar ovelhas, que pastam serenamente. Há mesmo um espaço onde já vi, pasme-se, avestruzes.

Quando se entra da aldeia há uma pequena rotunda. A seu lado os muros daquele edifício majestoso, abandonado é certo pelo próprio Estado, mas que é visível de quase todos os pontos da aldeia.

Ainda que a sua imponência seja decrépita, o colégio é o ex-libris da aldeia.

Por isso ontem doeu-me profundamente ver o velhinho e secular Colégio de S.Fiel, em Louriçal do Campo, ser devorado pelo fogo. Um espaço onde trabalhou muita gente da aldeia e onde se educaram tantos jovens.

 

colegio_s_fiel.jpg 

Foto da Beira Baixa TV

Portanto, um destes dias não vou querer viajar para a aldeia. Não vou querer ver um edifício destruído. Não vou querer sentir o odor a queimado.

Não, assim digo, ao invés da Ana: viajar, porque não!

Prometer é fácil...

Não é por vaidade que chamo aqui um comentário que fiz no Delito de Opinião e que este blogue chamou para a primeira página. Nada disso.

No entanto é deveras importante que ilucidemos as pessoas, que demos a conhecer as mentiras e a demagogia que está instalada na nossa democracia (ainda me questiono se isto é democracia???).

Não posso aceitar que invista milhares de euros em projectos de "Melhoria da resiliência da floresta" de forma a evitar fogos e a sua propagação e depois receba cartas a dizer que não há dinheiro para isso.

Pior... é que há dinheiro para projectos bem diferentes e quiçá mais apelativos ou em que os beneficiários serão entidades com mais força dentra da Autoridade responsável pela distribuição dos dinheiros, mas para mim não!

Não aceito, pronto! E falarei disto até que me calem de vez.

Mas seria bom que os técnicos das diversas entidades fossem ao terreno. Que vissem o que fiz e continuo a fazer. 

A expensas próprias.

A verdade é que eu ainda posso alguma coisa. Todavia a maioria dos pequenos proprietários não pode...

Depois não se admirem que arda meio País. 

Responsabilizar quem?

Hoje lembrei-me de uma rábula humorística onde o saudoso Raul Solnado era figura central. Nessa peça televisiva dos anos setenta, logo a seguir ao 25 de Abril, a personagem que Solnado representava era um desempregado que se manifestava com muitos outros na rua e com as costumadas palavras de ordem da época: "Trabalho sim Desemprego não". Um suposto empregador chegava perto de manifestante e oferecia-lhe trabalho. Ao que o outro respondia: "Mas porquê a mim está aqui tanta gente".

Esta entrada leva-me para aquilo que tem sido a filosofia deste país nos últimos 40 anos: uma profunda falta de vontade de trabalhar, ao que se junta uma total fuga para a frente quando os problemas surgem, associada à incapacidade de cada um assumir os seus próprios erros, aludindo sempre ao passado mais ou menos recente para justificar o futuro. Maioritariamente vê-se esta atitude na classe política, toda ele muito preocupada com os terríveis acontecimentos, mas incapaz de fazer ou mandar fazer algo que seja realmente eficaz.

O País continua assim a arder. Hoje acaba aqui para logo começar ali. Extingue-se acolá, reacende-se além.

Os bombeiros andam numa roda viva. Depois, parece que não há uma voz de comando, para além do SIRESP que continua a (não) fazer das suas.

Em 2003 Mação foi vítima dos fogos. Nessa altura falou-se, como hoje se fala, em reordenar a floresta e mais uma série de iniciativas. Resultado 14 anos depois? Novo incêndio com porporções gigantecas.

Em 2005, a aldeia que não me viu nascer mas crescer, foi também vítima de um incêndio de enormes proporções. Uma dúzia de anos passados ainda são visiveís os cadáveres de árvores queimadas, já que ninguém do Parque Natural que envolve a povoação, se preocupou em cortar e limpar.

No meio deste enorme parque de características muitos especiais, o meu pai tem alguns nacos de terra. Que nessa altura do incêndio ficou com tudo queimado. Especialmente oliveiras, azinheiras, medronheiros e pinheiros. O meu pai é neste momento um homem com muita idade, o que originou que algumas dessas fazendas abraçadas pelo fogo fossem mais ou menos despresadas.

No entanto, recentemente tenho sido eu a avançar com trabalho e dinheiro para cortar o mato que cresceu a seguir ao fogo. Neste sentido apresentei um projecto ao PRD2020 de forma a captar alguma ajuda financeira. Ora quem ouviu falar os Ministros da Agricultura ficou a ideia de que agora é que haveria dinheiro para limpar matas e os terrenos semi abandonados. Profundo engano...

Como sempre a demagogia barata venceu e o meu projecto não vai ser elegível. Isto é, já gastei o dinheiro mas não vou ser ressarcido desse gasto.

Entretanto os terrenos à volta do que é meu estão, neste momento, repletos de mato, pois os seus legítimos proprietários não podem ou não querem gastar dinheiro qu eu gastei em algo que nunca será rentável.

Mais uma vez o Estado diz uma coisa todavia a realidade é bem diferente. Cortar mato, recolhe-lo, queimá-lo e depois manter o terreno livre de mais mato custa muuuuuuuuuuito dinheiro. Para dar um mero exemplo, só para o herbicida já gastei mais de 1000 euros. E ainda não está tudo. Falta pagar ainda a mão-de-obra.

Tenho que não caberá ao Estado fazer tudo... mas pelo menos não mintam. Não prometam o que sabem que nunca irão cumprir.

Certa vez ouvi um comentador televisivo dizer: um político que diga somente a verdade nunca ganhará eleições.

Ainda e sempre os fogos!

No pouco tempo que andei na escola tive um professor que um dia disse aos alunos, já não me recordo a que propósito: “Errar é humano, permanecer no erro é estupidez”.

Esta máxima, que não era obviamente da sua exclusiva autoria, acompanhou-me todo este tempo. Tenho, por isso, tentado aprender com os erros cometidos, de forma a não os repetir.

Já andava desconfiado que este professor não havia sido mestre de nenhum dos actuais políticos portugueses, tal é quantidade de erros que constantemente se comentem. Repetidamente. Mas este fim de semana tive a certeza disso.

Após os trágicos acontecimentos de Pedrogão Grande eis que é a vez da Sertã se ver também abraçada por diversos incêndios de grandes dimensões.

Não obstante até agora não terem existido vítimas, a verdade é que os bombeiros e a Protecção Civil não conseguem dar conta do recado. Isto é: os erros cometidos em Pedrogão Grande continuam a perpetuar-se nestes novos fogos.

Não percebo nada das técnicas para apagar incêndios, todavia custa-me aceitar que perante a evidência da história se voltar a repetir, o Estado ou a Protecção Civil não tenham reforçado os meios de vigília das nossas florestas.

Cada vez estou mais desconfiado que há demasiados interesses paralelos nestes fogos. Culpam-se muitas vezes os madeireiros, mas por este andar até esta profissão desaparece, tal é a velocidade com que se queimam florestas.

Depois não se admirem, que daqui a uns anos, Portugal seja uma continuação do deserto do Saahra.

Já faltou mais.

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