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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Felicidade aos 60, quem diria?

Até aos meus vinte anos vivi uma espécie de vida alternativa. Pouco senhor dos meus actos, nada independente financeiramente, estava por isso refém de quem me sustentava.

Optei então naquela altura por trabalhar em vez de tirar um curso superior. Pretendia ficar independente o mais depressa possível.

Foi assim que entrei no mercado de trabalho. Primeiro sem contrato, depois com contrato a prazo e mais tarde efectivo na actual empresa. Depois andei uma mão cheio de anos ao Deus dará!

Lembrei-me hoje que um dia naquela altura perguntei a mim mesmo o que seria de mim aos 60 anos?

Sinceramente naquele tempo jamais imaginaria que teria dois filhos já crescidos, casa, carro e tantas outras coisas.

Mas acima de tudo nunca pensei que a minha verdadeira felicidade estaria somente nestas palavras que escrevo e que alguém lê!

Dúvida recorrente

Uma das máximas populares com menos sentido é a que diz o seguinte: "Não há morte sem desculpa!"

Não posso estar em maior desacordo.

A morte existe porque... se está vivo. E faz parte da superior lei da natureza que tudo o que nasce terá um dia de morrer.

Todavia posso chamar para aqui a forma como a morte é apresentada. E aí já considero que aquele adágio popular tem algum sentido.

A morte temo-la como certa... As condições em que acontece é que podem variar.

Ao invés, a vida, surge com algo que podemos de alguma forma controlar. Obviamente que há sempre imponderáveis, mas até estes fazem parte do nosso dia-a-dia. Há quem lhe chame azar ou sorte! Eu sei que a vida é muitas vezes (em demasia) um jogo, mas seja como for há partes nela que devemos ter algum cuidado nas apostas que vamos fazendo..

A morte recente do meu amigo, na data em que foi e estando ele nas condições que se conhecia, alertou-me uma vez mais para um tema que em mim vem sendo recorrente (acho mesmo que já escrevi algures lá para trás sobre isto!!!) e que se resume numa questão, quiçá controversa: pode a morte ser uma espécie de felicidade?

Em face do que já vi e vivi, creio que sim, mas naturalmente que custa-me a admitir tal resposta!

Saber ler... os outros!

Os anos que já vivi deixaram-me algumas certezas, não muitas!

 

Uma delas prende-se com aquele sentimento, totalmente falso, de que tudo podemos e de tudo somos capazes ou pior... que não necessitamos de ninguém. Não há receios, nem temores que nos desviem do nosso pensamento ou ideia. Cremos que tudo somos capazes, que tudo de adapta à nossa vontade.

Um erro clamoroso!

Independentemente da educação, estado social, capacidade financeira ou mérito académico, há quem alimente a ideia de ser... omnipoderoso! Porém o destino, fortuna (ou a falta dela!!!), o mero azar ou para os mais crentes a vontade de Deus ou Karma, podem revirar a vida de qualquer um de pernas para o ar. E o que num determinado instante era pujança, fervor, tenacidade transformou-se em ruína, dúvida, incerteza.

É no preciso instante que adquirimos esta incerteza do nosso futuro, até então certo, é que percebemos quão frágeis e vulneráveis nos tornámos.

Mas nem tudo é negativo nesta (nova) postura. Aprendemos a defendermo-nos, passamos a ser mais calculistas, objectivamente olhamos o Mundo com outros olhos.

E tentamos ensinar…

… que o médico necessita do doente como este do médico;

… que o patrão só é por ter empregados e precisa deles e vice-versa;

… que todos nós, duma forma ou doutra, não vivemos isolados.

 

A alegria de podermos dar a mão, ajudar o próximo, nem que seja com um mero sorriso, faz com que eu indique mais outra das minhas certezas: a felicidade é naturalmente um sentimento tão subtil que se pode achar no gesto mais simples e mais singelo do ser humano!

 

Basta saber ler o coração do outro!

 

 

Mulher coragem!

Tem nome de continente, país, mulher. Tem genica a rodos.

 

Há uns anos uma doença do foro oncológico quase a deitou abaixo. Mas renasceu das cinzas qual Fénix.

 

Ninguém lhe dá a idade que realmente tem. Mas não esconde os seus anos. Tem a mente de uma jovem e um riso sincero das crianças.

 

Vê em cada dia que passa uma oportunidade de viver. Viúva e mãe de uma filha muito doente, ainda assim acredita que amanhã um novo dia nascerá para ser gozado em plenitude.

 

O ano passado uma queda numa grande superfície atirou-a semanas para uma cama e depois para as canadianas. Quebrara a bacia. Um ano depois está curada e cada vez mais preparada para as vicissitudes com que a vida a vai brindando.

 

Numa sociedade em que cada desaire é igual a mais ansiolíticos, a América é, com os seus oitenta e três anos, um exemplo de coragem e tenacidade.

 

Uma amiga que merece ser feliz. Eu sei que é!

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