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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Alimentar os sentimentos!

O nosso corpo físico necessita de ingredientes para poder laborar, para que possamos ter as nossas funções todas activas. De uma forma natural devemos fazê-lo com cuidado, sem exageros que estes sempre trazem estranhas consequências.

Só que todos nós temos outros tipos de alimentação. Por exemplo como se alimenta aquele coração que salta quando vemos alguém de quem gostamos ou de que se alimenta o nosso espirito, quantas vezes rebelde?

A resposta para a questão está muitas vezes, diria que na sua maioria, nas coisas mais simples que nos rodeiam: um sorriso, uma festa, um simples cumprimento.

Hoje empaturrei-me destas coisas boas porque juntei os meus três netos ao almoço. As brincadeiras em que me vi envolvido, as risadas e até as desarrumações fizeram de mim, esta tarde, um avô mais gordo.

Pelo menos em sentimentos!

Foi simplesmente fantástico!

Irene o furacão!

Chamou-se Irene a tempestade que assolou o país de diferentes formas. Uns sítios através de chuva, noutros com o forte apoio do desvairado Deus Éolo.

Por estes lados choveu alguma coisa, mas como ando tão atarefado com outras actividades nem dei muito pelo temporal. Quanto a vento por aqui foi relativamente calmo. Digo eu pois que nem estive cá na noite da passagem dessa senhora.

Pegando no nome da tempestade vou dizer uma coisita simples: é nome a evitar! Passo a explicar contando uma estória verdadeira! Comigo!

Tenho uma tia com esse nome. Hoje já idosa faz alguns anos que não a vejo, porque devido ao Covid decidiu nunca mais sair de casa. Resultado tem oitenta e muitos anos e ao que sei está fresca que nem uma alface se bem que se queixe muito.

No entanto quando nova não era uma tempestade, mas um furacão... Quase todos da família lhe tinham um respeito medonho... Ou seria medo? Já não sei! Outra das suas características era tratar toda a gente por nomes imbecis ou diminuitivos. Por exemplo o marido era o Nini, ela era a Dede, a empregada Maria a Bibi, a avó Laurinda a Lala, a filha Graça por Gracinha e assim sucessivamente. Até que chegou a mim e eu já espigado que detestava estas parvoíces onomásticas, chamou-me Zezinho!

Calmamente disse-lhe que o meu nome era José e que seria por esse que sempre responderia. O furacão veio ao de cima, começou a disparatar, mas eu mantive a minha posição.

Certo fim de semana fui convidado pelo meu tio para ir ver um jogo de futebol. Daqui resultou que fiquei de noite lá em casa enquanto a minha prima foi para a minha (sinceramente nunca nos demos lá muito bem).

Não sei se foi almoço ou ao jantar... sei que me chamaram para ir comer:

- Zézinho vamos comer!

Não me lembro o que estaria a fazer naquele instante, mas continuei porque o meu nome não era aquele. Foi o descalabro, a ignomínia, o horror...

De súbito aparece a empregada muita apressada a dizer:

- Menino venha depressa que a senhora está um furacão!

- Mas ninguém me chamou!

- Não ouviu chamá-lo!

- Não!

Entretanto a tia Irene, cognomizada por mim como o Furacão, chegou para impor a ordem. Lá fui comer, mas ninguém nessa noite me tratou pelo estúpido diminuitivo.

Nem nessa noite nem em outros encontros que se seguiram!

 

A vitória 24... da fé!

Acabou já de madrugada em Portugal a final de ténis do Open dos Estados Unidos que colocou no "court" principal de Flushing Meadows o sérvio, já veterano, Novak Djokovic contra o russo Danil Medvedev repetindo-se assim a final de 2021. Nesse ano foi o atleta russo o grande vencedor. Desta vez foi Djokovic! De forma meritória!

Há muito tempo que não assistia em directo a uma final do "Grand Slam". Durante mais de três horas vi bom e menos bom ténis, como acontece quase sempre.

O curioso é que enquanto o público presente rejubilava com fervor os pontos ganhos tanto por um como por outro atleta, muitas vezes as câmaras passavam pela assistência e insidiam amiúde sobre os apoiantes de Novak e de Danil.

Consegui perceber o apoio da esposa e dos filhos do campeão sérvio e o profundo nervosismo da mãe de Djokovic plasmada numa postura religiosa como pedindo a Alguém que ajudasse o filho a conquistar mais um título. Lembrei-me também duma velhíssima frase: mãe... é sempre mãe!

Por fim Djokovic após a vitória persignou-se perante milhares de espectadores presentes (não imagino os milhões pela televisão).

E é aqui que pretendo chegar... Num tempo em que a fé religiosa é considerada quase um atentado, gostei que o sérvio mostrasse a sua perante tanta e tanta gente.

Eu que em privado critiquei este atleta por não aceitar as condições impostas pela Austrália aquando do Open do ano passado por causa do Covid-19, é de toda a justiça aplaudir o seu gesto de hoje.

Mostrou-se um campeão na conquista do seu 24º título do Grand Slam. No court, na vida e na fé!.

Parabéns Djokovic.

 

Revisitar o passado

Andei em limpezas e arrumações. Há que aproveitar a neta estar de férias para dar uma volta à casa. Entre muita coisa que mexi andei de volta das fotografias... Muitas... Tantas...

Algumas bem arquivadas em pequenos albuns ou pastas próprias, outras a granel!

Peguei em algumas.

Umas dos anos 70 com colegas de escola, logo a seguir anos 80 com amigos da escrita. Para se seguirem fotos dos filhos pequenos, de algumas viagens, de encontros familiares, de inúmeros aniversários e mais não sei quantas coisas.

Revi gente que já faleceu, outros que eram pequeninos e agora são pais. Voltei a lembrar-me como era a minha avó materna. Vi fotos a cores e a preto e branco (não sei se o cinzento é cor!!!). Eu com meses, poucos anos, já crescido, mas com poucos quilos!

Foi bom rever e revisitar tanta gente que faz parte de mim e fez parte do meu longo caminho.

Será nostalgia? Não sei... Talvez a consciência que revisitar o passado é também salutar, porque percebemos que já fomos tanta coisa, que sonhámos outras ideias, mas mantemo-nos ainda por aqui!

Ainda e sempre a sonhar!

A gente lê-se por aí!

O filme da minha vida!

Tive na família um primo afastado que além de ser professor de português e francês, escrevia livros, gramáticas e tinha uma enormíssima coleção de caixas de fósforos, algo que hoje caiu em desuso.

O "Primo Doutor", tal como era conhecido entre todos nós, tinha também uma paixão pelo cinema amador. Para além de muitos documentários sobre a labuta no campo, todos filmados na aldeia, dedicou-se outrossim a realizar curtas-metragens.

De todas as películas que fez há uma que ficou famosa na família. Chama-se "O rapto" e a estória tem pouco enredo. Todavia as personagens principais deste filme foram pessoas deveras importantes na minha vida. A começar pelo suposto criminoso oscarmente interpretado pelo meu avô materno. Depois surge a minha avó materna de varapau na mão, um tio de arma em riste, primos e muita criançada da aldeia como meros figurantes.

Um filme mudo ao qual recentemente foi adaptada uma música de fundo.

Não foi filmado por um Visconti ou Fellini, mas será certamente o filme da minha vida!

A somar... um de cada vez!

Quando me perguntam a idade respondo que tenho 52 anos… mais IVA! Contas feitas dará a idade que tenho hoje!

Todos os anos neste dia costumo escrever algo sobre o meu aniversário porque definitivamente gosto de comemorar… a vida!

Todos os anos comemoro este dia de maneira diferente. Umas vezes com a família toda, outras só com a minha mulher e até já comemorei sozinho!

Tenho consciência que caminho a passos largos… para uma vida fora destas guerras estúpidas e demandas ainda mais imbecis e para a qual estou bem preparado.

Nestes 64 anos, que hoje comemoro, já fiz quase tudo que deveria ter feito! Repito... quase, pois há sempre aquela viagem, aquele aventura, aquele sonho por realizar...

Portanto agora é tentar chegar o mais longe possível na idade sem demasiados cometimentos que a saúde não pode nem deve ser esticada.

Obrigado pela companhia!

Três anos de ti!

Passaram três anos, mas parece que foi ontem!

Desde esse 4 de Janeiro até hoje, os meus dias ganharam uma riqueza que eu não conhecia. Nem sabia que existia.

Há quem viva a vida em busca de mais objectos, quando na verdade se pode ser feliz sendo... avô!

Três anos, 36 meses, 156 semanas, 1096 dias de uma existência assente num amor incondicional, Tu és o sol que aquece os meus dias, a lua que me ilumina de noite, a chuva que rega a minha horta, o vento que junta a lenha, a rosa mais formosa do meu jardim.

O teu sorriso é contangiante, a tua alegria transbordante, a tua voz é uma melodia celestial.

Ser avô é sentir este amor sem medos, assumi-lo sem vergonha e preservá-lo para sempre!

Parabéns minha querida neta.

Três anos de ti é uma benção!

Dois anos de ti!

Faz hoje dois anos que recebi pela primeira vez a incumbência de ser avô a tempo inteiro. Estávamos em 2020 e a pandemia alastrava-se a tudo e todos (ainda haveria de ser pior, como todos sabemos).

A boneca entrou nesta casa sorridente e por cá ficou. Certo é que a nossa vida alterou-se toda... todinha! Os horários certos de comer, as horas de dormir, as fraldas e mais importante que tudo as brincadeiras.

A menina tinha então quase 9 meses, mas nada que nos atemorizasse! Agora tem quase quase três anos.

Dois anos decorridos a bebé é agora uma princesa... destemida e de resposta pronta (não imagino a quem sairá!!!). Fala tudo num discurso coerente e assertivo. Sabe o que quer e percebe quando esticou em demasia a corda da tolerância. Aí aproxima-se e diz com aquela vozinha e melosa:

- Desculpa avô!

E eu derreto-me...

Os meus filhos sempre se relacionaram bem com os avós, tal como eu me relacionei com os meus que pude conhecer mais a fundo. Hoje sou eu que estou do outro lado da estrada da vida e que busco ser exemplo de cuidado, carinho, ternura e exemplo para a mais nova da família.

Safa que o tempo passa (demasiado) depressa!

Do meu avô para a actualidade!

O meu avô que morreu quando eu tinha 12 anos foi, ao que me é dado perceber, um homem sábio. Profundamente católico obrigava os filhos a ir à missa todos os Domingos. Porém alguns (o meu pai foi um deles!) já mais crescidos levantavam-se mais cedo e saíam de casa antes da religiosa sentença semanal.

Dizem quem o conheceu bem que foi um também homem honrado mesmo tendo sido preso num dia 15 de Agosto de má memória para a família, acusado de um crime que não cometera. Veio para Lisboa onde cumpriu pena e donde conseguia, sabe-se lá com que expediente, enviar cestos para a mulher que os vendia para sustentar os filhos..

Regressado à aldeia continuou a fazer filhos à minha avó, dez ao todo dos quais só resistiram sete, e iniciou a sua vida de fabricante de cal. Fez um forno e sempre que necessitava cozia a pedra que vendia nas feiras das redondezas da aldeia.

Com a idade foi ganhando sabedoria, traduzida esta em frases sábias. Recordo apenas três que ouvi e que ainda hoje fazem sentido:

 

- Dinheiro no bolso não consente misérias! (dinheiro ou cartões de crédito);

- Dinheiro e santidade é menos metade da metade (tão adaptado aos dias de hoje);

- Por este pequeno buraco passam das maiores fortunas do mundo! (o buraco é obviamente a boca!).

 

Passam por todos nós os dias, semanas, anos, décadas. Porém a natureza humana foi, é e será sempre a mesma! Independentemente da época, local, clima ou recursos.

Porque será?

"Cozido à Portuguesa" é melhor com família

Sei que é uma trabalheira organizar um almoço. Então um cozido à portuguesa ainda mais. Mas adoro estes repastos com (quase) toda a família à volta da mesa.

Nem é preciso que seja um aniversário de alguém ou a comemoração de um dia especial. Basta que haja vontade, disponibilidade e muito carinho para distribuir.... e receber!

Como escrevi aqui, ontem fui à aldeia e trouxe de lá umas centenas (não estou de todo a exagerar!!!) de quilos de citrinos. Desde laranjas, tanjeras (ou será tânjaras?) e tangerinas veio muito de tudo que vou agora distribuindo pela família. Vieram outrossim umas couves coração que ajudaram ao nosso cozido assim como uns enchidos. E neste último campo os acepites eram fantásticos pois deram um gosto especial e característico ao almoço.

Cozido para nove pessoas obriga a uma certa logística. Mas tudo correu muito bem, todavia almoçamos um pouco para o tarde.

A determinada altura durante o almoço a algazarra era imensa, mas na quele breve instante senti-me quase feliz... Faltava um dos filhos...

A vida nunca é como gostaríamos... mas sempre como necessitamos!

Boa semana.

A gente lê-se por aí!

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